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Reivindicada pelo motociclista gigante

Reivindicada pelo motociclista gigante

更新日時: 2026-07-20 02:30:08
By: Moonlit
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言語:  Português4+
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説明

Riley, uma mecânica de motocicletas talentosa, tem sua vida arruinada pela pior traição possível: seu noivo está esperando um filho com a própria irmã dela. Expulsa pela família e sem nenhum bem, seu único refúgio é o único lugar onde suas habilidades contam mais do que sua linhagem: a oficina de um famoso clube de motociclistas.


Lá ela conhece Rhino, um gigante imponente e calado que comanda a garagem com punho de ferro. Mas diante do talento cru e da vulnerabilidade de Riley, desperta nele um instinto de proteção feroz.


Em um mundo de motores rugindo, lealdades inabaláveis e perigosas guerras de território, Riley precisa decidir se está pronta para deixar o passado para trás. Conseguirá ela reivindicar seu lugar como rainha do asfalto ao lado do único homem disposto a queimar o mundo todo por ela?


エピソード1

Frank se encosta no batente da porta da oficina e cruza os braços, abrindo um sorriso cúmplice, como se guardasse um segredo.

— Vai para casa, garota. — Ele faz um gesto com a cabeça em direção ao estacionamento. — Ou não vai para casa. Vai para algum lugar. Dá ao seu namorado um presente de aniversário de verdade.

Sinto o rosto arder. — Frank.

— Estou falando sério. — Ele me dispensa com um aceno de sua mão suja de graxa, já se virando para o escritório. — Uma moça não deveria passar a noite de sexta-feira com os braços enfiados até o cotovelo em um carburador. Não quando tem compromissos melhores.

Tirei as luvas e as joguei sobre a bancada. Meu coração dá aquele saltinho estúpido, o tipo de sensação que reprimi o dia inteiro porque não queria perder o foco na moto de passeio da Sra. Patterson. Mas agora que Frank me deu permissão, eu me permito sentir: hoje é a noite.

É o aniversário do Kyle Mercer. E venho planejando isso há semanas.

A lingerie nova de renda preta está dobrada na minha bolsa lá no andar de cima, ainda com a etiqueta. Comprei naquela boutique chique na Quinta Avenida onde eu normalmente nunca poria os pés; passei quarenta minutos no provador tentando me convencer. Não é muito o meu estilo — sou mais do tipo sutiã esportivo e algodão —, mas parecia certo para esta noite. Como se a ocasião merecesse uma produção especial.

E, além da lingerie, tem a outra coisa. O presente de verdade.

Estou com o Kyle Mercer há quase dois anos. Eu confio nele. Eu o amo. E decidi que hoje, finalmente, estou pronta. Passei vinte minutos no banheiro esta manhã com uma lâmina e as mãos firmes, desenhando um pequeno coração logo abaixo do umbigo — uma piada interna, uma declaração, algo que o faria rir antes de fazê-lo gemer.

Hoje à noite, penso, abrindo meu armário com um chute para pegar a jaqueta. Hoje vai ser perfeito.

O ar da noite bate no meu rosto quando atravesso a porta da oficina, e o frescor de setembro parece um sinal de partida. Minha Kawasaki me espera no meio-fio, preta, baixa e magnífica. Eu monto nela como se fosse uma extensão do meu próprio corpo.

O motor pega de primeira.

Bom presságio.

O Mustang do Kyle Mercer já está na entrada quando estaciono na casa dos meus pais, e eu sorrio. Ele chegou cedo, o que significa que está ansioso. O que significa que esta noite será exatamente o que eu quero que seja.

Então vejo o outro carro.

O Civic branco da Chloe Fleming está estacionado de qualquer jeito atrás do Mustang, como se tivesse entrado com pressa. Minha irmã está no segundo ano da State, a duas horas daqui para o norte. Ela não tem motivo nenhum para estar em casa em uma sexta-feira qualquer.

Meu sorriso vacila.

Fico sentada na moto por um momento, ouvindo o tique-tique do motor enquanto esfria, encarando aqueles dois carros juntos. Algo me pinica a nuca — não é exatamente um pensamento, é mais como uma corrente de ar vinda de uma janela que você nem sabia que estava aberta.

Ela provavelmente voltou para o fim de semana, digo a mim mesma. Provavelmente também quer ver o Kyle Mercer no aniversário dele. Está tudo bem.

Desligo o motor e sigo para a porta da frente.

A casa está silenciosa de um jeito que parece deliberado. Nada de som de TV na sala. Sem ruídos na cozinha. Minha mãe sempre deixa o Food Network ligado quando está em casa; a ausência disso me causa um aperto estranho no peito.

Vozes flutuam do corredor, vindas do escritório do meu pai, com a porta entreaberta. Baixas e sobrepostas, daquele jeito que as pessoas falam quando acham que ninguém mais está ouvindo.

Dou três passos em direção à porta antes mesmo de decidir o que fazer.

Minha mão se apoia na parede ao lado do batente. Prendo a respiração.

— ...só preciso resolver o lado prático das coisas antes que isso vire uma bagunça maior. — É a voz do meu pai. O tom que ele usa para reuniões trimestrais e conversas difíceis: medido, inabalável.

— David Fleming, acho que deveríamos estar comemorando. — Minha mãe fala com aquela doçura que costuma reservar para os filhos dos outros. — É uma notícia maravilhosa. Um bebê.

— Não é uma notícia maravilhosa, Susan Fleming, é uma complicação.

— Foi um acidente. — A voz do Kyle Mercer. Eu a reconheceria até dormindo. Mas agora soa diferente. Menor. — Estávamos bêbados, na festa de Natal, e... simplesmente aconteceu. Eu nunca tive a intenção de...

O chão foge sob meus pés.

Festa de Natal.

Tivemos uma festa de Natal. Aqui, nesta casa, três meses atrás. Eu tive que trabalhar no turno da noite e perdi as primeiras duas horas; quando cheguei, todos já estavam bem servidos de vinho.

— Na cama da Maxine — diz Chloe Fleming, e algo no jeito que ela fala meu apelido de infância, aquele que apenas minha família usa, faz meu estômago revirar. — Nós não planejamos. O quarto era o mais próximo e tínhamos bebido tanto e...

— Isso não importa agora — diz meu pai. — O que importa é...

— Eu sei que importa. — A voz da Chloe Fleming muda. Fica mais baixa. Quase satisfeita. — Eu não estou chateada com isso. Ele me deu o melhor presente de Natal que eu já recebi.

— Chloe Fleming. — A voz da minha mãe soa suave e íntima, como se estivessem compartilhando um segredo.

— Este é o meu primeiro neto — minha mãe sussurra, e a alegria em suas palavras é inconfundível, o que me faz querer saltar para fora da minha própria pele.

Minhas costas batem contra a parede.

Kyle Mercer dormiu com a minha irmã. Kyle Mercer engravidou a minha irmã. Na minha cama. No Natal. Enquanto eu estava presa no trabalho, pensando em como dirigiria para casa sob a neve para fazer chocolate quente para ele e nos aninharmos no sofá e...

— Os dois deveriam estar noivos antes que qualquer comentário comece. — Meu pai novamente, prático como um balanço financeiro. — Kyle Mercer, sua família tem renome nesta comunidade. Uma criança nascida fora do casamento é...

— Eu entendo. — A voz do Kyle Mercer. Tão rápido em concordar. Tão ansioso para seguir o caminho de menor resistência. — Entendo perfeitamente. Farei o que for necessário.

Pressiono a palma da mão contra a parede para não escorregar até o chão.

— E a Riley Fleming? — minha mãe pergunta, e por um segundo insano acho que ela está preocupada comigo, que percebeu que eu deveria estar aqui, que algum instinto maternal despertou e ela quer saber onde está a filha mais nova.

— Ela vai ter que encontrar outro lugar para ficar — meu pai diz. — O quarto dela vai precisar ser transformado no quarto do bebê.

— Ela não vai aceitar isso nada bem — comenta minha mãe.

— Ela não tem que aceitar nada — diz meu pai. — Ela tem vinte e três anos. Já passou da hora de estar vivendo por conta própria, de qualquer maneira.

Silêncio.

Então Chloe Fleming, num tom quase gentil: — Ela vai ficar bem.

Algo se rompe dentro de mim.

Abro a porta com tanta força que ela atinge a estante de livros atrás dela.

Quatro rostos se viram na minha direção de uma vez. Meu pai em sua escrivaninha, a expressão mudando de autoritária para algo cauteloso. Minha mãe na poltrona, levando a mão à boca num gesto brusco. Kyle Mercer parado junto à janela — o Kyle Mercer por quem atravessei a cidade para fazer uma surpresa, por quem eu me depilei, por quem comprei lingerie de quarenta dólares — ficando pálido como um cadáver. E Chloe Fleming, empoleirada no braço do sofá como se fosse a dona da casa, com a mão repousada sobre a barriga ainda imperceptível.

Minha voz sai mais firme do que eu me sinto.

— Deixem-me ver se entendi direito. — Olho primeiro para Kyle Mercer. Não consigo evitar. — Você se embebedou na festa de Natal da minha família e transou com a minha irmã. No meu quarto. Sem camisinha.

Kyle Mercer abre a boca para falar. Eu não deixo.

— E agora vocês estão aqui — percorro o quarto com o olhar —, com meus pais e minha irmã, arquitetando o seu planinho. E parte desse plano é me expulsar da minha própria casa para que a Chloe Fleming possa ter o quarto do bebê.

— Riley Fleming. — A voz do meu pai soa como um alerta.

— Não estou te fazendo uma pergunta. — Viro-me para Chloe Fleming. — Só estou garantindo que ouvi corretamente.

Minha irmã sustenta o meu olhar. Ela nem pisca. Há algo em sua expressão, não exatamente crueldade, mas uma espécie de certeza absoluta, como um jogador que limpou a mesa e agora só precisa esperar que o outro perceba que perdeu.

— É basicamente isso — diz ela. — Fiquei com o seu namorado e com o seu quarto. — Um sorriso pequeno e tenso surge em seus lábios. — Você vai ter que se mudar, maninha.

As palavras me atingem como um tapa de mão aberta.

Sinto o impacto e me vejo de algum teto distante, essa garota parada na porta do escritório do pai com uma expressão despedaçada, rendas de quarenta dólares na bolsa e uma depilação em forma de coração que agora só a faz querer rir até chorar.

Minha mãe diz algo suave e apologético que não significa nada.

Meu pai diz algo firme sobre esta ser a escolha prática, a escolha madura.

Kyle Mercer encara o chão.

— Tudo bem — digo eu.

É só isso.

Apenas: tudo bem.

Meu quarto está exatamente como o deixei esta manhã: a cama arrumada, a jaqueta na cadeira, o pequeno elefante de jade que minha avó me deu no criado-mudo.

Pego a bolsa de lona no armário e começo a enchê-la. Calcinhas. Duas mudas de roupa. Carregador. Desodorante. O elefante de jade. A foto da minha avó.

Não choro. Não sei por que não choro. Talvez haja pressão demais acumulada atrás do meu esterno e chorar exigiria liberar um pouco dela; se eu liberar qualquer gota agora, não conseguirei parar.

Fecho o zíper da bolsa e a jogo no ombro.

No andar de baixo, a porta do escritório continua aberta. Consigo ouvir o murmúrio das vozes recomeçando: o pragmatismo do meu pai, o calor da minha mãe direcionado para o lado errado, a satisfação silenciosa de Chloe Fleming.

Paro no pé da escada.

— Eu volto para buscar o resto das minhas coisas — digo, alto o suficiente para que me escoleteem. — Não joguem nada fora.

Ninguém responde.

A porta da frente se fecha atrás de mim com um clique suave e definitivo.

Minha moto pega de primeira. Eu acelero.

Sophia me olha apenas uma vez quando apareço em sua porta, com a bolsa no ombro e o rosto rígido como um punho cerrado, e recua para me deixar entrar sem fazer uma única pergunta.

Esvaziamos duas garrafas de vinho e um pote de sorvete de menta com chocolate. Eu falo e ela escoletea, e lá pela segunda garrafa, ela começa a chamar Kyle Mercer de nomes que eu nem sabia que ela conhecia. Eu rio até que o riso se transforma em outra coisa, e ela me passa o sorvete e não tenta consertar nada; apenas se senta comigo nos destroços da minha noite e permite que tudo seja exatamente tão ruim quanto é.

Adormeço no sofá dela por volta das duas da manhã, ainda com a roupa do trabalho, com o elefante de jade apertado na mão.

A manhã seguinte é terrível.

Não é apenas a ressaca, embora ela esteja lá. É aquele mal-estar de acordar e lembrar de tudo, os dois segundos de vazio antes que a noite anterior volte como uma onda.

O rosto de Kyle Mercer quando entrei. O chão da expressão dele sumindo.

Ela vai ficar bem. A voz de Chloe Fleming.

Ela não tem que aceitar nada.

Tomo banho, pego roupas emprestadas de Sophia e vou para o trabalho.

Frank percebe. É claro que ele percebe. Ele comanda uma oficina de motocicletas há trinta anos, o que significa que passou trinta anos lendo as pessoas da mesma forma que lê motores: pelo que soa errado, pelo que está falhando, pelo que está fora do lugar.

Ele não diz nada até o fim do dia, quando me encontra no escritório dos fundos resolvendo faturas que eu nem precisava estar fazendo.

— Senta aí — diz ele. Não é grosseiro.

Ele serve dois cafés, coloca um na minha frente e espera.

Então eu conto. Tudo. Kyle Mercer, Chloe Fleming, o Natal, a alegria da minha mãe com o neto, o pragmatismo do meu pai, o jeito que minha irmã me olhou quando disse que eu precisava me mudar.

Frank fica em silêncio por um longo tempo depois que termino.

— Você tem onde ficar?

— Na casa da Sophia. Por enquanto.

Ele tamborila os dedos uma vez na mesa. Pensa. Então: — Vou falar com o Prez.

Olho para cima, surpresa. — O quê?

— O clube é dono do prédio — diz Frank. — Tem um apartamento no andar de cima. Está vazio há um tempo. Vou falar com o Prez e ver se conseguimos colocar você lá.

Abro a boca para argumentar sobre caridade, sobre dever favores, sobre não querer ser o problema de ninguém.

Frank lê tudo no meu rosto e balança a cabeça.

— Deixa eu falar com o Prez — repete ele, e sua voz tem aquele tom que encerra a conversa.

Envolvo a caneca de café com as duas mãos.

Lá fora, a oficina está mergulhando no silêncio da noite.

— Tudo bem — digo eu.

A palavra sai de um jeito diferente de como saiu na noite passada. Menos como uma rendição. Mais como uma porta se abrindo.

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