Ele Lê os Meus Pensamentos e se Recusa a Me Deixar Ir
Synopsis
Ao transmigrar inesperadamente para um romance dramático sobre a alta sociedade, o universitário Gael Linhares se vê prestes a ser entregue como moeda de troca pelo ganancioso pai, Alberto Linhares, ao temido presidente Henrique Sepúlveda. Pressionado pelas punições elétricas de um sistema rígido que o obriga a manter uma postura fria e relutante sob risco de quebra de personagem, Gael tenta resistir externamente. No entanto, o toque físico desperta a súbita telepatia de Henrique, que passa a ouvir cada pensamento afetuoso e apaixonado que o jovem tenta ocultar sob a máscara de indiferença.
Enquanto divide a rotina como assistente e amante para acumular Pontos de Liberdade e arquitetar as três fugas obrigatórias do enredo original, Gael vê a dinâmica de controle se transformar em um cuidado avassalador e obsessivo. Enfrentando intrigas corporativas, a hostilidade da Família Sepúlveda, dilemas familiares em torno do meio-irmão Lucas Sepúlveda e os surtos de Transtorno Explosivo Intermitente de Henrique, ambos aprendem a confiar mutuamente. Em meio a fugas encenadas e proteção silenciosa, Henrique descobre a verdade sobre a transmigração, desafia as imposições de Roberto Sepúlveda e Madalena Albuquerque e luta para que Gael Linhares escolha permanecer por vontade própria.
Chapter1
— Não, por favor, me solte... Hum...
Antes que o jovem de pele clara, traços delicados e porte esbelto conseguisse terminar a frase, o outro tomou-lhe os lábios em um beijo impiedoso, sustentando um olhar gélido e implacável.
— Eu já avisei: comigo, você não tem o direito de dizer não.
— Você sabe muito bem qual é a punição para quem tenta fugir. É melhor guardar suas forças, porque o que vem a seguir não vai ser fácil.
— Adoro isso! Mandem esse tipo de magnata autoritário direto para mim, quero todos! Não entendo por que diabos ele ainda tenta fugir!
Gael Linhares lia o romance com uma expressão de puro fascínio, quando o colega de quarto ao lado soltou um comentário certeiro:
— Porque, se ele não fugisse, o magnata perderia o interesse.
Era apenas uma provocação, claro. O colega sabia perfeitamente que ele era apaixonado por romances melodramáticos com chefões possessivos.
Gael estava compenetrado na leitura de O Pássaro Enjaulado do CEO Implacável. Bem no momento mais eletrizante, o autor interrompeu o texto com um aviso de continuidade. Ele lia com entusiasmo crescente, mas já passava da meia-noite; se não dormisse logo, com certeza não acordaria no dia seguinte.
O que o fazia se projetar tanto na história era o fato de o protagonista ter o mesmo nome que ele: Gael Linhares.
Segurando o celular contra o peito, o sono pesou, as pálpebras cederam e sua mente continuou vagando pelas cenas do romance.
Quando tornou a abrir os olhos, deparou-se com um teto branco ornamentado, e o sofá sob seu corpo parecia infinitamente mais macio do que qualquer móvel que já tivesse tocado.
Que horas eram? Teria perdido a aula daquele professor rigoroso? A culpa era toda de ter virado a noite lendo. Fez menção de se levantar, mas percebeu que o ambiente ao redor era completamente desconhecido.
O luxo do lugar não deixava nada a dever às mansões que apareciam nas novelas. Talvez tivesse acordado rápido demais e ainda estivesse sonhando.
Por alguma razão, aquele espaço transmitia uma sensação estranha de familiaridade, mas sua cabeça ainda estava atordoada e ele não conseguia associar as lembranças de imediato.
— Sr. Sepúlveda, este aqui é o meu filho. Veja só a beleza deste rosto, tenho certeza de que vai deixá-lo plenamente satisfeito.
A voz de um homem de meia-idade cortou o ar, trazendo seus pensamentos de volta à realidade. Com o som daquela fala, Gael reparou no homem sentado à sua frente, trajado com um terno impecável. Ele emanava uma frieza comedida e uma presença imponente de quem domina tudo ao redor.
As feições esculpidas do sujeito deixaram Gael paralisado por alguns segundos. Como alguém podia ser tão atraente? E o porte físico parecia absolutamente impecável.
Henrique Sepúlveda lançou-lhe um olhar impassível, indecifrável em suas intenções, antes de indagar com voz cadenciada:
— Ele não sabe de nada?
Alberto Linhares lançou imediatamente um olhar de advertência para o jovem:
— Gael, este é o Sr. Sepúlveda. De agora em diante, você pertencerá a ele!
Gael puxou o ar com força. Aquele diálogo era familiar demais. Não era exatamente uma cena do romance que estivera lendo?
Achando que o rapaz pretendia recusar, Alberto inclinou-se e sussurrou ameaçadoramente em seu ouvido:
— Não se esqueça do que me prometeu. Se der para trás agora, nunca mais vai saber onde a sua mãe está.
Diante daquela chantagem, Gael teve certeza absoluta: o homem ao seu lado era o pai da história.
Antes de adormecer, ele estava lendo o romance de grande sucesso O Pássaro Enjaulado do CEO Implacável. O protagonista ativo da obra, Henrique Sepúlveda, era o personagem favorito de Gael. Para completar, o protagonista passivo compartilhava o seu nome, o que aumentara ainda mais a sua identificação com o enredo.
Na história original, Gael era apaixonado por outra pessoa, mas a família o vendeu contra a sua vontade como um capricho para Henrique Sepúlveda em troca de investimentos nos negócios da família.
Na verdade, Henrique já tinha sentimentos por Gael há muito tempo e aproveitara a oportunidade para mantê-lo ao seu lado, dando início a uma dinâmica intensa de perseguição e posse, em que um tentava escapar e o outro jamais permitia.
— Não, de jeito nenhum, eu aceito com o maior prazer!
Gael falou sem conseguir disfarçar a empolgação. Tinha transmigrado para dentro do livro e assumido o papel daquele personagem, o que o deixava eufórico.
No entanto, ao pronunciar aquelas palavras, ninguém ao redor esboçou qualquer reação, como se ninguém tivesse ouvido a sua voz. Enquanto ainda tentava entender o que acontecia, uma descarga elétrica percorreu todo o seu corpo, provocando uma dor aguda.
Argh...
[Aviso: Proibido agir fora do personagem (OOC).] (Nota: OOC refere-se a desvios da personalidade original; na obra, o protagonista rejeitava Henrique Sepúlveda.)
A dor parecia explodir em sua cabeça, acompanhada por uma voz metálica que repetia sem parar a proibição.
— Eu... não esqueci o acordo.
— Olá, Sr. Sepúlveda.
Percebendo que precisava agir estritamente conforme o papel original, Gael assumiu uma expressão relutante e deu alguns passos em direção a Henrique.
Por dentro, contudo, a euforia era incontrolável. A situação lembrava o encontro de um fã com seu maior ídolo, tendo que fingir indiferença a contragosto, o que era uma verdadeira tortura.
Ao ver a postura submissa do filho, Alberto abriu um sorriso satisfeito. Afinal, aquele garoto era uma mina de ouro. Rapidamente voltou a bajular o magnata:
— Excelente, Sr. Sepúlveda! Viu como ele é obediente? Não há nenhum mal-entendido por aqui.
Na verdade, o rapaz realmente não sabia de nada de antemão; na trama original, ele só hesitara por causa da promessa de descobrir o paradeiro da mãe.
No livro, a mãe de Gael fora forçada a se divorciar de Alberto e partira quando o filho ainda era criança. Desde então, o jovem nunca conseguira reencontrá-la, pois o pai sempre se recusara a revelar qualquer informação.
Henrique continuava a fitá-lo com indiferença e deixou clara a sua posição:
— Sr. Linhares, não gosto de forçar ninguém.
— Vou perguntar apenas uma vez: você entende exatamente o que significa pertencer a mim?
O homem levantou-se e aproximou-se devagar. A essa altura, Gael mal conseguia conter os cantos dos lábios de tanta animação, esforçando-se ao máximo para reprimir o sorriso, afinal não tinha a menor intenção de levar outro choque.
— Peço desculpas... Eu sei o que significa, mas não tenho escolha...
Por dentro, ele lamentava: não era nada daquilo que queria dizer; o que realmente desejava era ficar bem perto e admirar aquele abdômen definido.
Antes que Alberto pudesse intervir com repreensões, Henrique parou diante de Gael e ergueu o queixo do rapaz com dedos compridos e firmes:
— Olhe nos meus olhos e repita.
A força em seus dedos não era pouca; parecia que, caso recebesse uma recusa, esmagaria o queixo do jovem sem hesitar.
A dor lancinante quase fez os olhos de Gael marejarem. Aquilo não era dar uma escolha, era claramente uma coerção para que aceitasse.
— Eu não quero pertencer ao senhor.
[Henrique Sepúlveda é lindo demais, fica atraente até quando está irritado! Olhar para ele assim faz qualquer um se perder... Queria tanto ficar coladinho, mas meu queixo está doendo horrores!]
Sem outra saída, Gael limitava-se a extravasar o entusiasmo em pensamento. Contudo, a expressão de Henrique mudou de repente. Como conseguia ouvir a voz de Gael se os lábios do garoto nem sequer haviam se movido?
Seriam aqueles os pensamentos dele?
Por fora, demonstrava total rejeição, mas por dentro não tinha nada de inocente. Henrique, acostumado a lidar com grandes reviravoltas, não demorou a assimilar o fenômeno daquela leitura mental repentina.
Parecia funcionar exclusivamente com Gael.
Em seguida, um meio-sorriso desenhou-se nos lábios de Henrique enquanto observava o olhar aterrorizado do rapaz diante de si. Aquilo estava ficando muito interessante.
— Não quer?
— Mudei de ideia. Retiro o que disse sobre não forçar ninguém.
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