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Cavaleiros MC do Inferno Cinco Homens Obsessivos

Cavaleiros MC do Inferno Cinco Homens Obsessivos

Last Updated: 2026-07-28 03:34:50
Language:  Português4+
4.6
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Synopsis

Blythe Owens foi uma vez a protegida de cinco rapazes no implacável clube de motociclistas Inferno’s Demon Riders. Mas quando o destino a arrancou dali, a proteção transformou-se em traição e bullying. Anos depois, após escapar de um casamento abusivo e de uma seita sinistra, ela tenta reconstruir sua vida em silêncio. No entanto, o passado tem correntes pesadas. Capturada novamente pelos cinco homens que agora governam o clube, Blythe descobre que o ódio deles é tão intenso quanto a obsessão que os consome. Entre segredos de família e a brutalidade das estradas, ela terá que decidir se eles são seus destruidores ou sua única chance de sobrevivência contra os demônios que ainda a perseguem.


Chapter1


Capítulo 1: Sonho ou pesadelo

POV Blythe

Flashback, 13 anos

— Vem, você prometeu que ia ficar sentada comigo enquanto o Tae terminava o projeto — resmungou Ozias, tentando me arrastar para o laboratório de informática.

— Eu sei, mas o Evander acabou de me perguntar se eu podia encontrar com ele na biblioteca rapidinho — suspirei, tentando não rir do bico que Ozias fazia. — Só vou levar um minuto.

— Ah, por favor, o Evander vai te segurar lá o tempo todo — ele continuou, parecendo estar realmente chateado.

— Não vou deixar — rebati, mas ele não parecia convencido.

— E se eu fosse com você? — sugeriu, dando de ombros.

— Isso deixaria o Tae sozinho, e você sabe que eu odeio fazer isso — eu disse.

— Você só odeia porque ele hackeia suas redes sociais toda vez que você dá mais atenção para nós do que para ele — provocou Ozias.

— É, e da última vez ele postou um monte de fotos embaraçosas minhas — suspirei soltando uma  risadinha nervosa. — Aquele queixo duplo... eu estava horrorosa.

Ozias riu enquanto levava a mão ao meu rosto, acariciando meu queixo com o polegar. Minha risada morreu conforme ele me encarava. Havia uma eletricidade estalando entre nós; prendi a respiração, sem saber o que fazer. Eu não queria me afastar, mas também sentia um pouco de medo.

— Queixo duplo... Horrorosa — desdenhou ele suavemente. — Você se sentiria melhor se soubesse que bati uma para aquelas fotos?

Meu rosto ardeu enquanto a vergonha se revirava no meu estômago.

— O-o quê? — gaguejei.

Ozias, como de costume, não parecia nem um pouco abalado.

— Era real, Bly, era você sem filtro — respirou fundo, como se por um segundo estivesse lembrando do momento — E nada me deixa mais aceso do que você, doçura. De qualquer ângulo…

Ele estava brincando, certo? Tinha que estar. Éramos amigos praticamente a vida toda, desde o primeiro dia da quarta série. Ozias tinha me defendido quando uns garotos estavam me empurrando no parquinho. Eu estava na escola havia poucos dias e não conseguia fazer amigos. Tínhamos nos mudado no meio do ano letivo e todo mundo já tinha seus grupos formados. Eu nunca parecia me encaixar.

Aquele dia foi o primeiro em que alguém foi legal comigo. Ozias e os amigos tinham voltado de um feriado prolongado, então foi a primeira vez que encontrei qualquer um deles. Mesmo quando crianças, todos eram muito protetores comigo. Naquele dia, ele ameaçou os meninos que me empurravam e depois me levou para dentro para conhecer o resto do grupo. Nós seis nos tornamos inseparáveis desde então.

Dito isso, essa atitude charmosa de Ozias não era novidade. Desde que tivemos idade suficiente para saber o que era sexo, ele fazia comentários do tipo. No entanto, essa foi a coisa mais ousada que ele já me disse. Eu culpava o fato de todos terem sido criados em um motoclube, o Inferno’s Demon Riders MC. Os demônios eram ótimos, não me entendam mal, eu passava tanto tempo na Clubhouse que sentia como se fosse uma segunda casa. Sabia que eles festejavam, e festejavam pesado. Também sabia que eles garantiam que eu não visse tudo o que acontecia por lá.

— Eu te quebrei? — zombou Ozais quando fiquei ali parada, de boca aberta, feito uma idiota.

— Quebrar ela? Esse é o meu trabalho, não é?

Grunhi ao ouvir aquela voz. Não tive nem a chance de me virar ou planejar uma fuga antes que Chayton passasse o braço longo pelos meus ombros. Ozias sorriu para o amigo antes de trocarem um toque de punhos.

— Você nunca quebraria a Bly e sabe disso — disse Ozias, piscando para mim.

— Você não tem ideia do quanto eu quero — murmurou Chayton.

Olhei para ele com o cenho franzido. Chayton era apenas um brutamontes implicante. Rude como ninguém, mas com um coração enorme por baixo de tudo. Ele era só um grandalhão abusado. Mas, sendo tão alto e forte, ninguém nunca adivinharia que ele era gentil. Era preciso cavar fundo para encontrar esse lado.

— Enfim — continuou Chayton sem olhar para mim. — O que vocês estão fazendo?

— Bem, a princesa aqui acha que vai encontrar o Evander sozinha na biblioteca — contou Ozias. — Eu disse que devia ir junto.

— Ah, com certeza — disse Chayton, nos girando na direção da biblioteca. — Vamos todos nos divertir um pouco.

Em segundos, Ozias estava do meu outro lado. Tão perto que seus dedos roçaram na minha mão. Olhei para ele e ele piscou. Meu rosto esquentou e desviei o olhar rapidamente.

— Então — disse Ozias. — Quer ir na Clubhouse...

***

Presente, 25 anos

Bip! Bip! Bip! Bip!

O despertador tocando me arrancou do sonho. Ou melhor, da lembrança. Grunhi enquanto esticava o braço para dar um tapa no aparelho, fazendo-o parar. Rolei na cama e encarei o teto, pensando naquele maldito sonho. Fazia anos que eu não os via. Quase dez anos inteiros. Por que continuava sonhando com eles?

Provavelmente porque o tempo que passei com aqueles cinco foi o único momento da minha vida em que fui feliz, em que me senti segura. Mesmo assim, queria que parasse. Odeio ser lembrada de tudo o que perdi toda vez que tento dormir. As memórias boas agora doíam tanto quanto as ruins. Embora eu preferisse sonhar com eles do que com...

Balancei a cabeça, limpando os pensamentos. Não ia seguir por esse caminho logo cedo. Ou melhor, não ia seguir por esse caminho nunca, se eu pudesse evitar.

Lentamente, me arrastei para fora da cama e fui para o banheiro.

Meu apartamento é minúsculo, mas moro sozinha. Bem, eu e o Butter, meu gato preto que resgatei faz mais ou menos um ano. Encontrei-o do lado de fora da lanchonete onde trabalho, lambendo um tablete de manteiga que não tinha caído bem dentro da caçamba de lixo. Daí o nome, Butter. Ele estava ferido, assustado e era apenas um filhote quando o achei. Estamos juntos desde então, e ele é meu único e mais querido amigo.

Eu converso com as meninas da lanchonete, somos amigáveis, exceto pela Abby, mas... depois de tudo o que passei com meu primeiro grupo de amigos, e tudo o que veio depois... não consigo confiar em ninguém. É compreensível, mas solitário demais. Solitária ou não, pelo menos agora estou livre.

Suspirei ao me olhar no espelho. Parecia que mal tinha dormido. Chorei durante o sono de novo, então meus olhos estavam um pouco inchados. Não acredito que estava chorando por causa de uma lembrança boba daquelas. Pensando melhor, acho que não era tão boba assim, pelo menos não para a Blythe de 13 anos. Aquela que achava que os cinco tinham colocado as estrelas no céu.

Aquele foi o dia em que todos descobrimos que Ozias ia se mudar. A festa para a qual ele tentava me convidar na Clubhouse era a despedida da família dele. O próprio Ozias não sabia de nada até aquela noite. Sinceramente, ele é o único dos meninos por quem não guardo rancor. Tirando a falta de comunicação quando ele se mudou, ele nunca me fez nada. Ozias nunca me humilhou, nunca foi cruel e sempre sabia como me fazer sorrir. Pergunto-me se o motivo de ele nunca ter escrito uma carta, mandado mensagem ou me adicionado nas redes sociais foi por causa dos outros. Ou talvez ele tenha apenas crescido e se esquecido de mim. Não o culpo. Éramos crianças e ele não sabia. Ou talvez soubesse e apenas não se importasse…

A família de Ozias era muito ligada ao MC. O pai dele fazia parte do clube e era dono de uma academia na cidade. O motivo da mudança foi que o Inferno’s Demon Riders abriu uma nova filial. Era bem no coração do estado, onde o auge do MMA estava acontecendo, e o pai dele não poderia perder aquela oportunidade.

Lembro-me de como nós seis passamos aquela festa. Estávamos todos tristes, arrasados, na verdade. Nos escondemos no quarto do Kylian a noite inteira. Relembramos histórias. Prometemos nunca perder o contato. Choramos e rimos e... e tudo acabou sendo mentira de qualquer forma.

Não importa mais.

Éramos apenas crianças, e eu fui estúpida por achar que continuaríamos do jeito que éramos para sempre.

Minha mãe me buscou na Clubhouse no dia seguinte. Era algo que ela vinha fazendo nos últimos anos. Eu nunca questionei porque ficava apenas feliz que ela me deixasse passar a noite lá. Depois que ela anunciou o noivado, porém, percebi que tinha ignorado muita coisa. Como as trocas de olhares sutis. O jeito como Tusk sempre dava um jeito de estar por perto. Como ele já estava conversando com a minha mãe quando eu aparecia no corredor. O quanto ela parecia à vontade ali.

Tusk era um cara legal. Era o executor do clube e sempre foi gentil comigo. Isso não mudou quando ele se casou com a minha mãe. Não, foram as outras pessoas que mudaram. Como o filho dele e os amigos do filho.

Achei que morar com um dos meus melhores amigos seria a coisa mais legal do mundo. Foi tudo, menos isso. Minha vida inteira mudou depois daquilo. É o que acontece quando as pessoas ao seu redor começam a conspirar.

Revirei os olhos para o meu reflexo antes de entrar no chuveiro, deixando a água o mais quente possível. Preciso parar de pensar neles. Em todos eles. O MC, minha mãe, os caras. Estão todos no meu passado. Estou seguindo em frente agora. Superando tudo isso. Deixando para trás o MC. Meus amigos falsos. Minha mãe delirante. Meu doador de esperma, que chamo de pai. E o mais importante... deixando para trás meu marido abusivo e as cicatrizes que ele me deixou.

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