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Rejeitada uma Vez, Rainha Alfa em Dobro

Rejeitada uma Vez, Rainha Alfa em Dobro

Last Updated: 2026-08-21 09:00:43
Language:  Português0+
4.0
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Synopsis

Rejeitada e humilhada pelo próprio bando e pelo companheiro predestinado por ser incapaz de se transformar, Sophia foge para a floresta como uma renegada sem futuro. No entanto, ao encontrar um novo refúgio, ela desperta como a lendária Alfa Loba Dourada, fundando o seu próprio bando e cruzando o destino com o temível Rei Licano, Alexander Knight. Juntos, enfrentarão conspirações sombrias e feitiços ancestrais para erguer uma dinastia inquebrável.


Mais tarde, os ecos de redenção e identidade estendem-se ao implacável mundo corporativo, onde Melissa Eugen — uma mulher de talentos geniais e identidades secretas — une o seu destino ao poderoso presidente Murray Gibson através de um noivado de conveniência. Entre guerras comerciais, sabotagens violentas e segredos de infância, ambos descobrirão que a verdadeira lealdade é forjada nas maiores provações.


Chapter1

Ponto de vista de Sophia

Um balde de água gelada me atingiu com força. Levantei do chão em um sobressalto, o corpo inteiro tremendo de frio.

Minha mãe estava de pé à minha frente, segurando o balde vazio.

— Apronte-se e faça o café da manhã de todo mundo — ordenou ela, antes de sair pisando duro do meu quarto.

Soltei um suspiro.

Aquele lugar não era um quarto de verdade. Nem de longe. Era apenas a antiga garagem do bando, onde fui jogada para morar. No canto, havia um cubículo que servia de banheiro. Eu não tinha guarda-roupa, armário ou cômoda, só uma sacola desgastada onde guardava minhas roupas velhas. A um canto da garagem, restava uma cadeira capenga ao lado de uma mesa quebrada no chão.

Fechei os olhos e respirei fundo antes de pegar uma muda de roupa e ir para o banheiro. Tomei banho e vesti o que tinha: uma camiseta azul-clara gasta, cheia de furos nas mangas, e uma calça jeans velha.

Prendi os cabelos castanhos num coque e encarei o pequeno espelho pendurado na parede.

Eu não me parecia em nada com o restante da família.

Meu pai tem cabelos pretos e olhos azul-escuros. Minha mãe, minha irmã e meus irmãos têm cabelos loiro-escuros e olhos da cor do céu.

Mas basta olhar para mim.

Tenho cabelos castanhos e olhos castanhos.

Todos eles são altos. Eu sou baixa.

Meus olhos, que antes brilhavam, agora pareciam opacos. O sorriso largo de outros tempos desaparecera por completo. A garota esperta e perspicaz que eu costumava ser ficara no passado. Meu corpo estava muito mais magro do que antes. Eu parecia um fantasma, uma morta-viva.

Suspirei outra vez. Odiava quando me perdia em devaneios assim.

Vesti depressa o moletom preto por cima da camiseta e saí da garagem. Puxei o capuz sobre o rosto para tentar me esconder. Sei que ainda podiam me ver, mas daquele jeito eu me sentia mais protegida.

Caminhei em direção à Casa do Bando e segui apressada até a cozinha. Havia outras ômegas por ali.

Assim que me viu, Shena marchou na minha direção e agarrou meu braço.

— Quantas vezes vou ter que mandar você chegar na hora?! — gritou na minha cara, fazendo-me encolher.

— D-desculpa... — gaguejei.

— "D-d-desculpa" — debochou ela, imitando a minha voz. — É sempre a mesma conversa. Agora vai trabalhar!

Ela me empurrou para o meio da cozinha, e fui direto ao chão.

— Que vergonha para nós — disseram as outras ômegas, rindo enquanto saíam da cozinha.

Faziam isso sempre: largavam tudo para que eu fizesse o trabalho delas junto com o meu.

Limpei as lágrimas e comecei a cozinhar. Ouvi a porta se abrir, mas não olhei para trás; precisava terminar a comida a tempo.

Então, senti um toque suave sobre a minha mão. Reconheci o carinho de imediato. Virei-me depressa e a abracei, sendo envolvida por seus braços acolhedores. Era a única pessoa que se importava comigo. A única que me amava. A única que compreendia o que eu sentia.

— Vovó...

— Minha menina doce — disse ela, afastando-se um pouco para beijar minha testa.

Sorri para ela.

Minha avó Martha não aparentava a idade que tinha. Tinha a pele macia, cabelos loiro-claros que já se aproximavam do branco e os mesmos olhos azul-escuros do meu pai. Era uma mulher linda, dona de um coração generoso.

Sempre que eu perdia as forças, ela me sustentava e devolvia a esperança perdida. Vivia me dizendo que havia uma razão para eu ser quem sou. Dizia que a Deusa da Lua nunca erra.

— Deixe-me ajudar — disse ela, tirando a faca da minha mão.

— Não, vó. — Tentei pegar de volta. Não queria vê-la trabalhando; ela era a antiga Luna e não devia ter esse tipo de obrigação.

— Nada disso, você não vai tirar isso de mim. Pare de teimar e vamos cozinhar. Juntas — rebateu ela.

Suspirei e cedi, sabendo que ela não voltaria atrás.

Preparamos a comida e arrumamos os pratos sobre a mesa.

— Obrigada, vovó — agradeci assim que terminamos.

— Faço qualquer coisa pela minha menininha — respondeu ela, acomodando-se em uma cadeira.

— Sabe que eu não sou mais uma criancinha, não sabe? — Deixei escapar um riso fraco.

— Mas sempre será a minha garotinha. — Ela abriu um sorriso largo.

Retribuí o gesto. Deusa, como eu amava aquela mulher.

— Venha cá, Aurélia — chamou ela. Adorava me chamar pelo meu segundo nome.

Pelo que me contavam, fora minha avó quem escolheu "Aurélia". Minha mãe queria me dar o nome de "Linda", que significa bela, graciosa. Mas minha avó interveio na época, e meus pais acabaram cedendo à sua vontade.

— Querida! Aurélia! Já está no mundo da lua outra vez? — A voz da minha avó me trouxe de volta à realidade.

— Desculpe, vó. O que a senhora estava dizendo? — perguntei, tentando me concentrar.

— Tudo bem, querida. Venha aqui. — Ela gesticulou para mim.

Aproximei-me, e ela deu tapinhas no assento ao lado. Sentei-me.

— Lembra do que eu disse naquele dia em que você me perguntou por que eu a chamava pelo segundo nome? Você tinha só quatro anos na época — perguntou ela.

Eu me lembrava. Muito bem. Aquilo nunca saíra da minha cabeça, e eu sempre quis entender o real significado de suas palavras.

Por que ela estava tocando no assunto justo hoje? Teria chegado a hora? Seria aquele o momento que ela tanto mencionara? Ela finalmente me contaria a verdade?

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