SeaArt AI Novel
APP
ホーム  / Não É Fácil Ser Flor de Lótus
Não É Fácil Ser Flor de Lótus

Não É Fácil Ser Flor de Lótus

更新日時: 2026-07-29 07:55:00
言語:  Português0+
4.5
4 評価
88
エピソード数
4.4k
人気度
225.1k
合計文字数
読む
+ 本棚に追加
シェア:
通報

説明

Quando a sua irmã gémea, a famosa estrela Sofia Oliveira, desaparece subitamente deixando para trás uma dívida astronómica, a doutoranda em geologia Sara Oliveira é forçada a trocar as suas expedições de campo pelos holofotes do mundo do entretenimento. Armada com o seu inseparável martelo geológico e uma coragem implacável, Sara desmantela por completo a persona frágil e dócil de «flor de lótus» da irmã, conquistando o público e impondo respeito nos bastidores da fama e no programa de sobrevivência O Grande Vencedor Selvagem. No meio deste turbilhão, Sara enfrenta Maximiano Ximenes, o astuto presidente do setor mineiro e namorado contratual de Sofia. Intrigado pela súbita transformação da parceira de fachada, Maximiano apaixona-se pela sua força e autenticidade. Juntos, enfrentam perigos mortais desde a Ilha de Celebes até às montanhas de neve, desvendando conspirações corporativas e transformando uma aliança simulada numa paixão genuína.


エピソード1

Zhihu.

Partilhe a sua vida.

[O Meu Perfil]

[Género: Feminino]

[Habilitações: Doutoramento em curso]

[Tópicos que sigo: Geologia, Estudos nos EUA, Família, Relações, Fitness, Animais de Estimação, Gastronomia]

[Área de especialização: Geologia]

[Tópicos sem interesse (não recomendar): Fofocas e Entretenimento]

[Perguntas para as quais fui convidada a responder]

«Os filhos de pais divorciados ficam todos com traumas psicológicos?»

«...Agradeço o convite. Mas isso é uma perfeita idiotice.»

«Como é a sensação de ter um irmão gémeo?»

«...Agradeço o convite. Não vejo a minha irmã há dez anos.»

«Quem passa dezoito anos solteiro sente-se sozinho?»

«...Agradeço o convite. Já levo vinte e oito anos de solteirice. Necessidades físicas existem; psicológicas, zero.»

«Depois de tantos anos a estudar no estrangeiro, como lida com as saudades de casa?»

«...Agradeço o convite. Quem estuda geologia ou está em trabalho de campo ou a caminho de uma expedição. A minha única preocupação é conseguir tomar um banho; não sobra tempo para saudades.»

«Vou para o terreno pela primeira vez, alguém mais experiente tem dicas para partilhar? T_T»

«Ouve com atenção, faz o teu trabalho, não te afastes do professor e nunca fiques para trás. Usa o calçado mais confortável que tiveres, protege-te do sol e dos insectos. Não carregues água a mais porque a mochila pesa; bebe apenas o suficiente para molhar a garganta quando tiveres sede. Para as raparigas: reduzam as idas à casa de banho no mato ao estritamente necessário. Se estiverem naqueles dias, tenham o máximo cuidado ao descartar pensos e tampões usados, para não atrair animais selvagens.»

«Sendo mulher na área de geologia, alguma vez pensaste em mudar de curso?»

«Nunca. A Terra existe no universo há mais de 4,5 mil milhões de anos, enquanto a minha vida não passará de um breve suspiro de menos de um século. As eras passam num piscar de olhos. Não tenho a pretensão de desvendar todas as portas das ciências da Terra no pouco tempo que me cabe; basta-me conseguir chegar um pouco mais perto delas para que esta travessia tenha valido a pena.»

«Qual é a sensação de ter a conclusão do doutoramento adiada?»

«...Quem foi o idiota que me convidou para responder a isto?! Vão-se lixar!»

Durante as férias de verão, o Parque Nacional de Yellowstone transformava-se no destino de campismo de eleição dos norte-americanos.

Apesar de ser chamado de «parque», estendia-se por três estados e cobria uma área superior à de Xangai. Sendo o primeiro parque natural do mundo, abrigava uma fauna sem fim e paisagens geológicas de cortar a respiração.

Fosse qual fosse a estação do ano, o fluxo de turistas nunca cessava.

Naquele dia, contudo, entre a multidão destacava-se um grupo invulgar: uma pesada carrinha de caixa aberta, com pneus de um metro e trinta de diâmetro, subiu a encosta e travou a fundo junto ao famoso miradouro do Grand Canyon de Yellowstone.

Na carroçaria traseira, uma dúzia de jovens estudantes viajava aos trambolhões. Muitos já não aguentavam os solavancos da estrada de terra; pálidos e enjoados, alguns agarravam-se a sacos de plástico para vomitar.

A porta do condutor abriu-se. Umas botas de caminhada beges, salpicadas de lama fresca, pousaram com firmeza no chão com um salto ágil.

Sara Oliveira tirou os óculos de sol e atirou-os com descuido para o banco da frente. Com ambas as mãos, juntou o cabelo pelos ombros num rabo-de-cavalo atado à pressa e escondeu as pontas rebeldes sob o chapéu de palha. Trazia uma gola de tecido técnico a tapar-lhe a maior parte do rosto, deixando a descoberto apenas um par de olhos escuros e penetrantes, com uma altivez e determinação raras em mulheres da sua idade.

Estava coberta dos pés à cabeça, com os punhos e as bainhas das calças presos por fitas reflectoras. A mochila às costas era compacta, mas nas bolsas laterais levava, perfeitamente acessíveis, a garrafa de água, o martelo de geólogo, a bússola e a lupa.

Quando acabou de se recompor, os alunos na carroçaria da carrinha ainda tentavam recuperar o fôlego.

Sara cruzou os braços e olhou para eles, impaciente:

— Vá, despachem-se. Toda a gente para fora.

De semblante lívido, mas sem coragem para resmungar, os rapazes e raparigas ajudaram-se uns aos outros a descer da estrutura alta do veículo.

Aqueles jovens de dezassete e dezoito anos eram caloiros do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Hong Kong. A instituição não poupava nas despesas: enquanto outras universidades enviavam os alunos para locais como Zhoukoudian ou Beidaihe, a Universidade de Hong Kong despachara a turma inteira para o Parque Nacional de Yellowstone. O responsável pelo grupo, vice-decano do departamento, caíra doente com problemas de adaptação logo à chegada e tivera de ser hospitalizado. O orientador de Sara, querendo ajudar um velho amigo, pedira-lhe que assumisse o papel de «ama-seca» durante alguns dias, aproveitando a fluência comum na língua para liderar os novatos pelos trilhos do parque.

Infelizmente, os caloiros tinham subestimado por completo a dureza do trabalho de campo, acreditando que vinham numa viagem de lazer paga pela universidade. O resultado de uma semana fora uma sucessão interminável de incidentes: entorses, queimaduras solares graves, picadas de insectos venenosos, quedas no lago e tropeções pelas encostas.

Por sorte, aquele suplício mútuo chegava finalmente ao fim.

De acordo com o plano de trabalhos, a última tarefa do estágio prático consistia em analisar as rochas vulcânicas do desfiladeiro e desenhar o respectivo perfil geológico.

Sem mesas por perto, os jovens acocoravam-se ou deitavam-se no chão, caderno na mão, registando tudo o que viam. Sara caminhava entre eles, esclarecendo dúvidas e apontando pormenores.

Sendo aluna de doutoramento, orientar caloiros da licenciatura era brincadeira de crianças. Passava mais de cem dias por ano no mato, já percorrera desertos, planaltos e grutas subterrâneas, e a sua resistência física e entrega ao trabalho deixavam para trás até os colegas homens mais robustos. A sua única infelicidade fora um erro de cálculo imprevisto na tese, que a obrigara a prolongar os estudos por mais um ano.

— Professora Sara! Professora Sara!

Sara despertou dos seus pensamentos. Sem que desse por isso, o grupo de caloiros rodeara-a.

Piscou os olhos, fitando-os com aquele olhar vivo e direto:

— O que foi? Já acabaram os esquemas?

— Já terminámos tudo! — respondeu o delegado de turma com o sotaque característico de Hong Kong. — Professora Sara, amanhã partimos de volta. Muito obrigado por ter tomado conta de nós estes dias. Podemos tirar uma fotografia de grupo consigo?

Aos olhos deles, aquela professora temporária era formidável. Podia parecer descuidada com a aparência, mas a sua mochila estava sempre impecavelmente arrumada e qualquer ferramenta aparecia num segundo; podia ter um feitio assertivo e sem rodeios, mas revelava uma paciência infindável ao explicar a matéria, aproveitando ainda para partilhar curiosidades sobre os costumes locais.

Sob o sol impiedoso, quem tinha experiência no terreno andava sempre completamente tapado. Sara não era excepção, pelo que os alunos só tinham visto, ao longo de toda a semana, aqueles olhos límpidos e profundos.

A curiosidade sobre o verdadeiro rosto da professora consumia-os.

Perante tanta insistência, Sara acabou por ceder com um suspiro conformado.

Tirou o chapéu de palha e atirou-o para a relva ao lado, soltando o cabelo e ajeitando-o com os dedos num gesto espontâneo e descontraído. Em seguida, baixou a gola que lhe cobria o rosto.

Fez-se um silêncio absoluto. Seguiu-se um coro de respirações suspensas.

Os estudantes ficaram paralisados, de olhos esbugalhados, diante daquele rosto esculpido que mais parecia saído de um cartaz publicitário de alta-costura. A surpresa de um impacto visual tão avassalador apanhou-os desarmados.

— O que é que se passa? — perguntou Sara, desconfiada. — Estão a pregar-me alguma partida?

Sabia perfeitamente que não era feia; nos tempos de faculdade não lhe faltavam pretendentes. Mas desde que se dedicara à geologia, sem tempo para cremes ou maquilhagem e com o cabelo cortado curto por pura praticidade, deixara de prestar atenção a essas coisas. Não era nenhuma Cinderela transformada por magia para justificar tamanha comoção.

— Não... não é isso... — gaguejou o delegado, esfregando os olhos com força. — É que... a Professora é a cara chapada da minha deusa...

— Da tua deusa?

— Da Sofia Oliveira! A grande estrela da televisão! — O rapaz corou de entusiasmo, gesticulando com fervor. — A Professora não acompanha as notícias do entretenimento? A Sofia Oliveira é a atriz mais famosa do momento! Estreou-se há três anos, ganhou logo o prémio de Revelação do Ano, tem vinte e seis anos e é linda, doce e superangelical!

— Sofia... Oliveira? — Sara franziu a testa. — Tem a certeza desse nome? E tem vinte e seis anos?

— Tenho a certeza absoluta! — O rapaz deu mais um passo em frente. — Professora Sara, não tem mesmo nenhuma irmã gémea famosa na televisão?

A pergunta deixou-a sem resposta imediata.

Tinha, de facto, uma irmã gémea com quem não mantinha contacto há anos. Mas o nome não coincidia, muito menos a idade. Não fazia sentido que a irmã, tão tímida e reservada, tivesse mudado de identidade para se lançar sozinha no mundo do espectáculo.

Era simplesmente impossível.

Desconfortável com a proximidade física, Sara deu um passo atrás, restabelecendo a distância:

— É só uma parecença física. Acontece com frequência.

Com essa explicação, os alunos voltaram a observá-la com mais atenção. Comparando-a com as imagens perfeitas dos cartazes publicitários, as diferenças começaram a saltar à vista.

A atriz Sofia Oliveira era uma beldade delicada, de olhar suave e pestanas longas, com uma pequena pinta sob o canto do olho. Já a Professora Sara ostentava um tom de pele bronzeado e saudável, um traço mais marcante e determinado no olhar e nenhuma marca de nascença no rosto.

Os mesmos traços que conferiam à atriz um ar refinado e frágil transformavam-se, no rosto de Sara, numa presença imponente e cheia de garra.

À primeira vista a semelhança impressionava, mas um olhar mais atento desfazia a ilusão. Postas lado a lado, ninguém as confundiria.

O episódio acabou por ser encarado como uma mera coincidência divertida, e todos se juntaram para a tão desejada fotografia de grupo. No meio dos jovens caloiros, com a sua postura firme e ágil, ninguém diria que Sara era dez anos mais velha; parecia apenas mais uma estudante entre eles.

Naquela noite, durante o jantar de despedida, os alunos fizeram questão de brindar com ela vezes sem conta. O fim daquela intensa semana de trabalhos despertou um misto de alívio e nostalgia, e muitos não conseguiram conter as lágrimas.

Sara detestava despedidas. Aprendera desde cedo que, depois dos adeus, restava apenas a solidão.

Arranjou uma desculpa para se retirar mais cedo e foi caminhar sozinha pelos jardins do hotel, deixando que a brisa fresca da noite lhe abrandasse o efeito do álcool.

Os candeeiros do jardim pareciam avariados, deixando os cantos mais afastados mergulhados na escuridão das copas das árvores.

Em circunstâncias normais, a sua experiência em locais inóspitos tê-la-ia alertado de imediato para o perigo de zonas mal iluminadas, mas a névoa do vinho tornara-lhe os reflexos lentos. Continuou a caminhar, cambaleando ligeiramente, em direção à sombra mais densa.

De trás da folhagem, surgiu a figura de um homem de meia-idade. Parecia estar ali à espera há muito tempo, perfeitamente camuflado pela noite.

Era um homem de cerca de quarenta anos, de feições asiáticas, vestido com um fato impecável e ostentando um sorriso cordial, de aparência totalmente inofensiva.

Com a cabeça zonza e vinda de uma sala cheia de colegas da universidade, Sara presumiu de imediato que se tratava de mais um funcionário da Universidade de Hong Kong enviado aos Estados Unidos.

Ergueu a mão num aceno descontraído:

— Olá.

— Boa noite — cumprimentou o homem, com uma vénia polida. — Peço desculpa pelo incómodo, mas a senhora é a Menina Sara Oliveira, não é verdade?

— Sou. E o senhor é...?

— Muito prazer, sou o Vicente Valparaíso.

Sara piscou os olhos, confusa:

— Vicente... Vicenta...?

O que se passava ali? Bastara beber uns copos a mais para dar de caras com alguém em plena crise de identidade?

Ao notar a expressão baralhada dela, o homem apressou-se a clarificar:

— Bem, a maior parte das pessoas trata-me por Irmão Vicente.

Sara permaneceu em silêncio. Num piscar de olhos, o indivíduo já tinha alternado duas vezes de registo!

Percebendo que a conversa não avançava, Vicente decidiu ir direto ao assunto:

— Menina Sara, tenho um assunto de extrema importância para tratar consigo. Este não é o local mais apropriado; peço-lhe o favor de nos acompanhar.

Sara soltou uma gargalhada soluçada:

— Ah, ah... Isso parece até conversa de quem me vai raptar!

Para seu espanto, o homem olhou para ela com uma expressão genuína de profundo remorso.

Sara estacou.

O choque paralisou-lhe os pensamentos.

Antes que pudesse recuar, um lenço ensopado em clorofórmio cobriu-lhe a boca e o nariz. O último pensamento que lhe passou pela cabeça, antes de tudo escurecer, foi fulminante: onde estava o seu martelo de geólogo?! Tinha de partir a cabeça àquele desgraçado!

---

評価とレビュー

人気
新着

おすすめ作品