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Traída e Reivindicada: A Vingança da Esposa

Traída e Reivindicada: A Vingança da Esposa

Last Updated: 2026-08-04 02:12:39
By: Ophelia
Completed
Language:  Português4+
4.4
5 Rating
15
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61.8k
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Synopsis

No seu terceiro aniversário de casamento, o mundo de Amélia Quevedo desaba. O que deveria ser uma celebração torna-se um pesadelo quando o seu marido, Ricardo, revela que estão falidos e tenta usá-la como moeda de troca para aplacar o seu chefe bilionário, o impiedoso Matteo Messina. Traída pelo homem que amava e cercada pelo luxo predatório da elite financeira, Amélia precisa escolher entre ser uma vítima do destino ou tornar-se uma jogadora letal num jogo de vingança e poder.


Chapter1

As luzes do restaurante estavam baixas, como se filtrassem o momento com uma nostalgia deliberada. Apenas os dois candelabros de prata do século XVIII permaneciam acesos, emitindo um brilho quente que suavizava os contornos do rosto cuidadosamente maquiado de Amélia Quevedo. O ar estava impregnado com o aroma rico do frango assado com alecrim — o favorito de Ricardo — misturado ao toque suave de um vinho Borgonha. Deveria ter sido o prelúdio de uma noite acolhedora.

Amélia alisou os vincos de seu guardanapo de linho. As dobras persistiam, teimosas como a inquietação que ela não conseguia dissipar. Pela terceira vez, seus olhos desviaram-se para o relógio de parede — uma peça de esmalte antiga que pertencera ao pai. Oito e cinco.

Ele estava cinco minutos atrasado. Isso não era comum em Ricardo Valente. Ele era o tipo de homem que ficava ansioso se chegasse até cinco minutos mais cedo para uma reunião.

No aniversário de casamento, um dia que ela passara inteiramente entre a floricultura, a cozinha e o salão de beleza, não esperava que ele se atrasasse.

A chuva começou a tamborilar contra as janelas. Amélia levantou-se para reorganizar as flores na mesa — tulipas brancas pelas quais havia percorrido metade da cidade naquela tarde. A linguagem delas era o "amor puro". Ela aparou com cuidado um caule levemente murcho, da mesma forma que passara os últimos três anos de casamento podando pequenos e desagradáveis desentendimentos. No centro da mesa repousava uma caixa de veludo azul-marinho, silenciosa como um coração adormecido. Dentro dela estava um Patek Philippe Calatrava — um relógio clássico para o qual economizara fundos secretos por três meses, recusando duas propostas de curadoria em galerias. O mostrador brilhava com um luxo discreto sob a luz das velas, muito parecido com as esperanças que nutria para aquela família — estável, preciso, resiliente contra o desgaste do tempo.

A fechadura finalmente girou, acompanhada por um ruído áspero e apressado.

Ricardo entrou, trazendo consigo o frio úmido da chuva. Nem se deu ao trabalho de sacudir as gotas do casaco antes de atirá-lo sobre o sofá do hall de entrada. Nenhum abraço, nenhum "Feliz Aniversário", nem sequer um olhar na direção dela. Sua pele exibia um cinza cadavérico estranho, como as paredes de um porão privado de luz solar por muito tempo. Seus olhos estavam vazios, as pupilas dilatadas, como se tivesse acabado de despertar de um mergulho em alta velocidade num pesadelo, com a alma ainda tentando alcançar o corpo.

— Feliz aniversário, querido — Amélia disse, levantando-se e forçando uma leveza na voz. Suas palavras caíram como uma pedra em um poço profundo, sem provocar qualquer ondulação nele. — Preparei o seu frango assado com alecrim favorito. Vai acabar ressecando se esperarmos mais.

Ricardo não respondeu. Sentou-se de forma rígida, os dedos tremendo enquanto mexia no nó Windsor do colarinho — não um gesto de alívio, mas de luta. Seu cotovelo esbarrou em uma taça de cristal, que tilintou bruscamente contra o prato de porcelana, um som de uma clareza irritante.

— O que houve? — Amélia percebeu o tremor gelado nas pontas dos dedos dele e deu a volta na mesa, preocupada. — Problemas no trabalho? É aquele investimento...

Ricardo ergueu a cabeça num solavanco. Aqueles olhos castanhos, que um dia transbordaram afeto e se apertavam nos cantos quando olhavam para ela, agora continham apenas um deserto desolado. Ele a encarou sem foco, avaliando-a como se ela fosse uma peça de mobiliário, um ativo a ser liquidado.

— Amélia — a voz dele soou seca e rouca, como lixa raspando em ferro enferrujado. — Estamos falidos.

O ar à mesa de jantar pareceu solidificar-se instantaneamente. A chama da vela saltou violentamente.

— O... o quê? — Ela achou que devia ter ouvido mal, ou que ele estava fazendo alguma piada financeira obscura.

— Eu disse que estamos acabados! — Ricardo bateu com o garfo na mesa. O metal atingiu a porcelana com um estalo que estilhaçou a frágil calma da noite. — A queda daquelas malditas ações de tecnologia! Eu tripliquei a alavancagem! Todos os fundos de pensão, a hipoteca, a anuidade da sua mãe... acabou tudo! O banco estará aqui amanhã, às nove da manhã, para retomar a casa!

Cada palavra era um picador de gelo cravado nos ouvidos de Amélia. Sua mente ficou em branco, as retinas gravadas com a imagem persistente da chama dançante. Seu olhar caiu instintivamente sobre a caixa de veludo. Aquele relógio — o símbolo de toda a sua dedicação e sacrifício — agora repousava sobre a toalha branca impecável, um monumento à ironia e à futilidade.

Mas o instinto treinado falou mais alto. Ela contornou a mesa, tentando alcançar as mãos de Ricardo. Estavam frias como pedras recém-saídas de um congelador.

— Vai ficar tudo bem, Ricardo. De verdade — ela forçou um sorriso encorajador, sentindo os músculos do rosto tremerem. — Podemos recuperar o dinheiro. Contanto que estejamos juntos, essas coisas materiais não importam. Podemos vender a casa, mudar para o subúrbio. Posso voltar a ser curadora em tempo integral, você pode encontrar um emprego menos estressante... podemos enfrentar isso juntos...

— Enfrentar juntos? — Ricardo puxou a mão de volta, como se tivesse se queimado com o toque dela. Um sorriso cruel e retorcido curvou seus lábios. — Você acha que estou falando de viver uma vida onde temos que conferir o saldo do cartão de crédito antes de passá-lo?

Amélia congelou, a mão estendida suspensa no ar.

Ricardo inclinou-se para frente, os olhos percorrendo-a como a língua de uma serpente.

— Eu conheço um jeito — baixou a voz, carregada de um tom conspiratório febril. — Um jeito de não apenas salvar tudo, mas de terminarmos mais ricos do que antes da falência.

— Que jeito? — O estômago de Amélia contraiu-se, um pressentimento apertando seu coração como heras sufocantes.

— Matteo Messina — Ricardo cuspiu o nome, e sua língua parecia saborear mel e veneno ao mesmo tempo. — Meu chefe. Você já o conheceu. Aquele bilionário italiano. Ele sempre teve interesse em você... Deus, no último jantar da empresa, os olhos dele pareciam prontos para te arrancar daquele vestido.

A lembrança surgiu como uma maré. Um homem alto e elegante, com olhos de falcão. Naquele jantar, quando Ricardo se afastou bêbado, o homem se aproximou dela, o olhar demorando-se no colar de pérolas barato em seu pescoço, comentando em inglês com sotaque: "Sra. Quevedo, seu gosto é... único". Ela interpretara aquilo como um julgamento condescendente na época.

— O que você está sugerindo? — Amélia levantou-se num salto, as pernas da cadeira rangendo contra o chão.

— Estou dizendo — Ricardo também se levantou, as palmas das mãos espalmadas na mesa, inclinando-se com uma urgência que beirava o grotesco, borrifando saliva sob a luz das velas —, que já que ele gosta de você, vá até ele. Seduza-o. Faça-o perder a cabeça por você. E então... faça-o investir em nós. É uma transação, Amélia. Podemos chamar de uma experiência de "casamento aberto", não podemos? Todo mundo consegue o que quer.

Naquele instante, as chamas das velas na sala de jantar pareceram se contorcer e derreter diante dos olhos de Amélia, como se o próprio mundo estivesse se dissolvendo.

Ela olhou para o homem à sua frente. O homem que amara por cinco anos, com quem fora casada por três. Ele não era mais o rapaz que a carregara para casa nas costas sob a chuva. Não era mais o marido que jurara no altar "amar e respeitar, na alegria e na tristeza". Ele era uma fera em pele humana, tentando empurrá-la para a cama de outro homem para preencher o buraco de sua própria ganância.

— Você enlouqueceu — a voz de Amélia tremeu, mas sob o tremor jazia um frio congelado por mil anos. — Você quer me vender para o seu chefe?

— Não faça parecer algo tão vulgar! — Ricardo rugiu, as veias do pescoço saltadas. — É pela nossa família! Você acha que eu quero fazer isso? Se você não se sacrificar, vamos todos acabar dormindo na rua! Comendo de caridade!

— Saia daqui. — Amélia pegou a caixa de veludo e a arremessou contra Ricardo com toda a sua força. O objeto atingiu o peito dele e caiu no chão com um baque surdo e desolador.

— Amélia, acalme-se! Veja este rascunho de contrato...

— SAIA DAQUI!

Ricardo hesitou, mas, ao ver o gelo profundo e sem vida nos olhos de Amélia, finalmente virou-se e bateu a porta atrás de si, praguejando.

O silêncio, vasto e negro como uma onda gigante, engoliu o cômodo instantaneamente.

Amélia permaneceu estática até que o som dos passos dele desaparecesse no vão da escada. Então, sentindo a força abandonar seus joelhos, escorregou pela porta de carvalho fria, desabando no chão de mármore duro. Um calafrio subiu por sua espinha.

A poucos passos dali estava a caixa do relógio, com a tampa aberta. A requintada peça mecânica repousava no forro de veludo, com o ponteiro dos segundos ainda girando, frio e indiferente. Tique, tique.

Ele ainda estava funcionando. Mas o tempo dela — o tempo em que acreditara no amor verdadeiro, no casamento, naquele homem — havia parado completamente.

Ela estendeu a mão, as pontas dos dedos tremendo, mas, por mais que tentasse, não conseguia tocá-lo.

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