Descartada da Alta Sociedade, Rainha Bilionária
Synopsis
No vigésimo aniversário de casamento, o marido dela leva a jovem amante para o jantar, pede o divórcio publicamente e revela que ela ficará sem nada. Até os filhos ficam do lado dele, enviando mensagens para que ela deixe o pai ser feliz.
No fundo do poço, ela é salva por sua melhor amiga da faculdade, que agora é uma bilionária misteriosa e poderosa. Contando com os recursos ilimitados dela, ela inicia sua vingança implacável. Destrói a amante, derruba o ex-marido e se transforma de uma esposa descartada em uma CEO poderosa. Mas a mulher que a protegeu por anos não quer apenas uma mulher que resgatou; ela quer uma igual para caminhar ao seu lado.
Chapter1
Celeste Hartley alisou a frente do vestido prateado e respirou fundo. O salão de festas da Mansão Whitmore brilhava por trás das portas duplas — trezentos convidados, uma orquestra de sessenta músicos e cristal suficiente para financiar o hospital de um pequeno país. Ela mesma planejara cada detalhe. Esse era o seu trabalho. Durante vinte anos, fora a mulher que tornava tudo impecável para que o marido não precisasse se preocupar com nada além de ganhar dinheiro.
— Sra. Whitmore? — Um garçom surgiu ao seu lado. — Seu marido pediu para eu procurá-la. Disse para encontrá-lo perto das portas do terraço antes do brinde.
Celeste assentiu e sorriu. O garçom pareceu aliviado. As pessoas sempre ficavam aliviadas quando ela sorria. Significava que nada estava quebrado. Nada estava pegando fogo. A engrenagem dos Whitmore funcionava perfeitamente.
Caminhou entre os convidados, aceitando os elogios com uma facilidade ensaiada. "As flores estão deslumbrantes." "A comida está incrível." "Você está linda, Celeste." Já tinha ouvido tudo aquilo antes. Sabia o que realmente queriam dizer: você fez bem o seu trabalho. Deixou-nos confortáveis. É uma boa esposa.
Adrian estava perto das portas do terraço, ajustando as abotoaduras. Tinha sessenta anos, mas passava facilmente por cinquenta. O dinheiro ajudava. Ter uma esposa que garantia que ele comesse bem, dormisse o suficiente e nunca precisasse se lembrar do aniversário da própria mãe também.
— Celeste. — Ele se virou ao vê-la. O sorriso era largo, mas os olhos insistiam em desviar para algo atrás dela. — Quero que conheça uma pessoa.
Uma mulher surgiu das sombras. Jovem. Loira. Magra daquele jeito caro que exigia um personal trainer, uma nutricionista e provavelmente algumas pílulas que o médico dela desconhecia. Usava um vestido vermelho que delineava cada curva, e no pescoço—
Celeste parou de respirar.
O colar era de safiras de um azul profundo cravadas em platina antiga. Sua avó o usara. Sua mãe o usara. Ela mesma só o vestira duas vezes: uma no dia do casamento e outra no funeral da mãe. O colar estivera trancado em um cofre de segurança por onze anos. Apenas duas pessoas sabiam a senha. E uma delas estava bem ali na sua frente.
— Vivienne Cross — disse Adrian. — Ela tem nos assessorado na nova iniciativa beneficente.
Vivienne estendeu a mão. As unhas eram impecáveis. O sorriso era perfeito. Tudo nela parecia polido a ponto de soar ensaiado, como se tivesse treinado aquele momento diante do espelho.
— Sra. Whitmore — disse Vivienne, com uma voz suave e calorosa. — Ouvi falar muito de você.
Celeste apertou a mão dela. O aperto foi firme. Firme demais. O tipo de aperto que dizia clara e silenciosamente: não tenho medo de você.
— Esse colar é meu — disse Celeste.
O sorriso de Vivienne nem sequer vacilou. — O Adrian mandou ajustar o fecho para mim. Como um presente.
— Um presente.
— Para o nosso futuro juntos.
As palavras caíram como pedras em águas calmas. Celeste sentiu as ondulações se espalharem pelo peito, frias e lentas. Olhou para Adrian. Ele não negava. Não parecia sequer culpado. Tinha uma expressão impaciente, como se ela estivesse estragando uma festa surpresa ao se recusar a fingir espanto.
— Adrian. — Ela manteve a voz baixa. Havia pessoas demais por perto. — Do que ela está falando?
— Conversamos depois do brinde — respondeu ele.
— Vamos conversar agora.
— Você está fazendo cena.
— Estou fazendo uma pergunta sobre o colar da minha mãe. Isso não é cena. É uma conversa.
Vivienne deu um pequeno passo para trás, como se quisesse lhes dar privacidade, mas manteve os olhos fixos em Celeste. Observando. Aprendendo. Procurando o ponto fraco.
— Celeste. — A voz de Adrian baixou para um tom quase gentil. Quase. — Nosso casamento acabou faz tempo. Você deve ter sentido.
Deve ter sentido.
Buscou na memória. Teria sentido aquilo? A distância? A frieza? O modo como ele deixara de perguntar sobre o seu dia, de tocar seu ombro ao passar por ela, de olhá-la como alguém que escolhera em vez de alguém a quem simplesmente se acostumara?
Sim. Sentira tudo aquilo.
Mas sempre inventava desculpas. Ele estava estressado. Estava cansado. Homens passam por fases. Casamento exige esforço. Ninguém joga tudo para o alto só porque as coisas ficaram difíceis.
— Você está me dizendo isso agora? — perguntou ela. — No meio da nossa festa de aniversário? Na frente de todo mundo?
— Estou dizendo agora porque cansei de fingir. — Adrian ajeitou o paletó. — Encontrei alguém que me faz feliz, Celeste. Eu mereço ser feliz.
Mereço. Já tinha ouvido aquela palavra da boca dele antes. "Mereço férias." "Mereço um negócio melhor." "Mereço respeito." Mas ele nunca dissera "Mereço minha esposa".
— E você merece me humilhar na frente de trezentas pessoas?
— Não estou humilhando você. Estou sendo honesto.
Vivienne deu outro passo à frente. — Sra. Whitmore, eu nunca quis magoar você. O Adrian e eu tentamos ser cuidadosos. Mas o coração quer o que quer.
Celeste virou-se para encará-la. Para encará-la de verdade. Aquela mulher tinha idade para ser sua filha. Era jovem o bastante para provavelmente não se lembrar de como era a vida antes dos celulares, das redes sociais, de cada refeição virar uma foto para a internet. O que ela sabia sobre casamento? Sobre manter tudo de pé durante vinte anos enquanto o homem ao seu lado esquecia lentamente que você existia?
— Você está usando o colar da minha falecida mãe — disse Celeste, em voz baixa. — E vem me falar de coração.
O sorriso de Vivienne finalmente se desfez. Só um pouco. O suficiente.
— Celeste. — Adrian segurou-a pelo braço. O aperto era firme. Não chegava a machucar, mas também não tinha nada de gentil. — Vamos fazer o brinde. Você vai ficar lá e vai sorrir. E depois da festa, conversaremos sobre os próximos passos.
— Próximos passos.
— Divórcio. Acordos. O de sempre.
A palavra a atingiu como um balde de água fria. No fundo, ela sabia que as coisas iam mal. Mas nunca se permitira pensar naquela palavra. Divórcio. Aquilo era para outros casais. Para mulheres que se casavam com o homem errado. Ela se casara com o homem certo. Fizera tudo certo.
Não fizera?
— Solte o meu braço — disse ela.
Adrian hesitou por um momento, mas soltou.
— O brinde é em cinco minutos — disse ele. — Esteja pronta.
Ele caminhou em direção ao palco com Vivienne ao seu lado. O vestido vermelho ondulava. A safira azul brilhava sob a luz. Celeste os acompanhou com o olhar e, pela primeira vez em vinte anos, não tinha a menor ideia do que fazer a seguir.
O brinde durou noventa segundos.
Adrian falou sobre gratidão e novos começos. Agradeceu a Celeste pelos anos de serviço — essas foram as palavras dele, anos de serviço, como se ela tivesse sido uma funcionária, e não sua esposa. Ele ergueu a taça em direção ao futuro. Os convidados fizeram o mesmo. Flashes dispararam.
E então ele puxou Vivienne para o palco.
— Vivienne Cross — disse ele — aceitou ser minha esposa.
O salão explodiu. Celeste ouviu exclamações de surpresa, sussurros e o arrastar de cadeiras enquanto as pessoas se viravam para ver sua reação. Ela permaneceu imóvel, com a taça de champanhe na mão e o rosto fixado em uma expressão que esperava parecer serena.
Ela olhou para os filhos.
Audrey, de vinte e dois anos, estava perto dos fundos do salão. Tinha o rosto pálido, mas não demonstrava surpresa. Olhava para o chão, para o teto, para qualquer lugar que não fosse a própria mãe.
Nolan, de dezenove, checava o celular. Olhava mesmo para a tela. Enquanto o pai anunciava uma nova esposa diante de trezentas pessoas, o filho simplesmente rolava as mensagens.
E Lily. Com apenas dezessete anos, ainda uma menina, de braços cruzados e maxilar tenso. Não olhava para Adrian nem para Vivienne. Olhava para Celeste. E havia algo em seus olhos que se parecia muito com culpa.
Eles sabiam.
Todos sabiam.
Celeste pousou a taça de champanhe. Sua mão estava firme, o que a surpreendeu, pois achou que estaria tremendo. Mas vinte anos mantendo as aparências a haviam treinado para momentos assim. Não para a traição em si, mas para a encenação que vinha depois.
Ela caminhou em direção ao palco.
A multidão abriu caminho. Sempre abriam. Ela era Celeste Hartley, a mulher que dominava qualquer ambiente em que entrasse. E, naquela noite, dominaria aquele também, mesmo que o chão estivesse rachando sob seus pés.
— Adrian — chamou ela ao parar na borda do palco. Sua voz se propagou pelo salão, como sempre acontecia. — Podemos dar uma palavra?
Ele a encarou. Algo passou rápido por suas feições — surpresa, talvez, ou irritação. Não esperava que ela tomasse a iniciativa de ir até ele. Imaginava que ela ficaria encolhida em um canto chorando, ou correria para o banheiro, fazendo algo que a fizesse parecer fraca.
Ela não fez nada disso.
— Claro — disse ele, descendo do palco. Vivienne permaneceu onde estava, sob os holofotes, com o colar ainda brilhando.
Adrian segurou o braço de Celeste novamente e a conduziu para um canto do salão. — O que você pensa que está fazendo? — sibilou ele.
— Quero meu colar de volta.
— Seu colar?
— O colar da minha mãe. Esse que a sua namorada está usando.
— Não é mais seu. Eu o comprei. O dinheiro saiu da nossa conta conjunta, então tenho o direito de dá-lo a quem eu quiser.
Celeste o encarou. — Você o comprou? De onde? Ele estava em um cofre no banco.
— Mandei avaliá-lo. O valor tinha subido. Paguei a diferença.
— Você pagou a si mesmo por um bem que pertencia à minha família antes mesmo de você saber meu nome.
O maxilar de Adrian se contraiu. — Não é hora para discussões jurídicas.
— E quando vai ser a hora, Adrian? Você está planejando isso há meses. Transferiu dinheiro, escondeu documentos, você...
— Você está sendo emotiva.
— Estou sendo precisa. Há uma diferença.
Um fotógrafo se aproximou de mansinho. Adrian percebeu e forçou um sorriso. Ele era bom nisso: sorrir para a câmera mantendo o olhar frio.
— Conversaremos amanhã — disse ele. — Meu advogado vai ligar para o seu.
— Eu não tenho advogado.
— Então consiga um.
Ele voltou para o palco. Vivienne segurou sua mão. O público aplaudiu. Celeste permaneceu sozinha no limite do salão de festas, observando o homem com quem se casara brindar à sua nova vida.
Ela deveria ter chorado. Era o que as pessoas esperavam. O que os fotógrafos aguardavam: um bom registro da esposa abandonada desmoronando.
Mas ela não lhes deu esse gosto.
Endireitou a postura, ergueu o queixo e saiu do salão.
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