Cinco Anos de Casamento com o CEO
Synopsis
Por cinco anos, Evelyn Hart foi a esposa troféu perfeita de um poderoso CEO, com seus sonhos de balé esmagados e trancados numa gaiola dourada. Mas no aniversário de casamento deles, o caso descarado do marido torna-se a traição final. Munida de anos de provas coletadas meticulosamente, Evelyn planeja sua fuga.
Ela foge para Florença, retomando ao mundo da dança. Uma apresentação deslumbrante viraliza, consagrando-a como a “Rainha do Vestido Vermelho” e transformando-a numa sensação internacional.
No momento em que ela reconquista sua própria vida, seu ex-marido arrogante percebe a mulher inestimável que perdeu. Tomado por um arrependimento que jamais esperava sentir, ele a persegue ao redor do mundo, disposto a fazer qualquer coisa para ganhar uma segunda chance. Mas um coração despedaçado por negligência conseguirá confiar novamente? Ou a liberdade recém-conquistada será a única companhia de que ela precisa?
Chapter1
A sala reservada do Le Bernardin era toda em marfim suave e dourado fosco, o tipo de lugar onde os garçons sabiam o seu nome e a carta de vinhos custava mais do que o aluguel de muita gente. Evelyn Hart estava sentada de costas para os janelões que iam do chão ao teto, observando o horizonte de Manhattan brilhar através do vidro. As mãos repousavam espalmadas sobre a toalha branca, com as palmas para baixo, pois aprendera anos atrás que agitar-se a fazia parecer nervosa, e Adrian detestava nervosismo.
A mesa estava posta para dois, mas a segunda cadeira permanecia vazia havia vinte e três minutos. Evelyn não olhou o celular. Sabia a hora exata porque o relógio pedestal perto da entrada de serviço soara a meia hora, e ela vinha contando cada minuto desde o início da reserva.
Quando Adrian Blackwood finalmente entrou, não pediu desculpas. Apenas se sentou, afrouxou a gravata e fez um aceno para o sommelier, que surgiu com uma garrafa de Borgonha reconhecível da adega deles. Era a mesma safra que tinham bebido no primeiro aniversário de casamento. Evelyn se perguntou se Adrian se lembrava disso ou se o assistente dele apenas pedira a garrafa mais cara da lista.
— Você está atrasado — disse Evelyn, com a voz controlada.
— A reunião se estendeu. — Ele não a olhou nos olhos. Em vez disso, desdobrou o guardanapo com a eficiência de quem fazia aquilo há décadas. — Celeste ligou do aeroporto. O voo dela atrasou e ela precisava de ajuda com uma questão na alfândega sobre um carregamento de obras de arte. Tive que orientá-la.
Os dedos de Evelyn se contraíram contra a toalha de mesa por uma fração de segundo, mas logo relaxaram. — Claro.
Não perguntou por que Celeste Vale, uma mulher de quase quarenta anos que tinha assistente pessoal e jato particular, não podia resolver uma pendência alfandegária por conta própria. Não perguntou por que o celular de Adrian estivera silencioso nos primeiros vinte minutos do jantar de aniversário deles, apenas para tocar exatamente no instante em que ele deveria estar passando pela porta do restaurante. Não questionou nada, porque já sabia a resposta.
O garçom trouxe os amuse-bouches, pequenas colheres com ouriço-do-mar e espuma cítrica. Adrian comeu o dele sem dizer nada. Evelyn comeu o seu devagar, sem sentir gosto de nada. O restaurante murmurava ao redor — o tilintar dos talheres, o burburinho baixo de casais celebrando, o estalo ocasional de uma rolha de champanhe. Todos os sons de uma felicidade que não pertencia a eles.
— Então — disse Adrian, pousando a colher. — Cinco anos.
— Cinco anos — repetiu Evelyn.
Ele enfiou a mão no bolso do paletó e tirou uma pequena caixinha preta com uma fita branca. Era o mesmo estojo que ele lhe dava em todo aniversário; apenas a cor da fita mudava. No ano anterior, fora dourada. No outro, prateada. Deslizou a caixinha pela mesa na direção dela, sem encontrá-la no olhar.
— Abra — disse ele.
Evelyn pegou a caixinha. Era mais pesada do que imaginava, mas o peso trazia uma sensação familiar. Girou o estojo na palma da mão, sentindo a textura macia do veludo, e lembrou-se da primeira vez que recebera um presente daqueles. Tinha vinte e quatro anos, recém-saída do corpo de baile do American Ballet Theatre, e achara que o pingente de diamante que ele prendera em seu pescoço significava que ele via o futuro dela com a mesma clareza que ela. Estava enganada.
— Vou abrir depois — disse ela, colocando a caixinha ao lado do prato. — Vamos aproveitar o jantar primeiro.
A testa de Adrian se franziu de leve, um lampejo de irritação que desapareceu tão rápido quanto surgira. — É apenas um colar. O mesmo de sempre.
— Eu sei.
Esse era exatamente o problema. Sabia muito bem o que havia ali dentro: um solitário de diamante em uma corrente de platina. A única variação era o peso em quilates, que aumentava progressivamente a cada ano, como se ele estivesse marcando tarefas concluídas em uma planilha corporativa. Primeiro ano: um quilate. Segundo ano: um e um quarto. Quinto ano: dois e meio. Todos com o design idêntico, comprados na mesma joalheria, entregues no escritório dele pela mesma assistente e embalados pelo mesmo serviço de presentes. Não havia consideração, afeto ou lembrança naquela caixa. Havia apenas obrigação.
Evelyn pensou na mulher que fora antes de Adrian Blackwood. Naquela época, era bailarina, uma promissora candidata a primeira bailarina com um contrato que deveria levá-la a Londres, Paris e Milão. Estava ensaiando para um papel em O Lago dos Cisnes quando o conheceu em uma gala de doadores, e ele a cortejara com a determinação implacável que aplicava a qualquer aquisição de negócios. Ele a levara para ilhas particulares, comprara ingressos para estreias e ligara todas as manhãs do escritório só para ouvir sua voz. Dissera que ela era extraordinária, que seu talento merecia um palco muito maior do que qualquer companhia de balé poderia oferecer, e que ele queria ser o homem a lhe dar esse palco.
E ela acreditara nele. Acreditara que amor e ambição podiam coexistir, que um homem que admirava sua arte jamais pediria que ela a abandonasse. Contudo, antes de completarem um ano de casados, a admiração dele azedara, transformando-se em outra coisa. Ele passara a falar da dança como um passatempo, uma "distração charmosa" à qual ela sempre poderia retornar depois que constituíssem família. Quando ela mencionou a audição para o Royal Ballet, he riu e disse que ela já estava velha demais. Quando ela chorou, ele a abraçou e prometeu que voltariam ao assunto mais tarde.
O mais tarde nunca chegou.
Agora, Evelyn olhava do outro lado da mesa para o homem que outrora fora o centro de seu universo, e não via nada além de um estranho em um terno caro. Notava o leve inchaço sob os olhos dele, resultado de noites demais de trabalho, a tensão no maxilar que nunca relaxava por completo, e o celular deitado com a tela para cima, como um terceiro convidado esperando a oportunidade de interrompê-los.
E foi o que aconteceu.
A tela se acendeu com um nome que Evelyn aprendera a temer: Celeste. Abaixo, a prévia da mensagem dizia: "Adrian, esqueci de avisar — meu voo pousa amanhã às 21h. Pode mandar um carro? O motorista de sempre está doente. Além disso, reservei nossos ingressos para a abertura da galeria no sábado. Não esqueça!"
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