Fingindo Namorar o Irmão Estrela do Hóquei do Meu Ex
Synopsis
Ao descobrir a traição do namorado, Olivia termina tudo sem hesitar, mas o destino a coloca em uma rota de colisão com o perigo: ela se torna a tutora de estatística do irmão mais velho e astro do hóquei de seu ex.
Uma proposta irrecusável surge: um namoro de mentira para a vingança perfeita.
O que começa como um plano calculado logo se incendeia com uma atração impossível de ignorar. Em meio a jogos de poder e beijos roubados, as linhas entre o falso и o real se desfazem.
Conseguirão eles manter o pacto quando o coração entrar em jogo, ou a paixão avassaladora queimará todas as regras?
Chapter1
A manhã de outubro está radiante e fria, aquele tipo de dia de outono que me faz pensar que o Ethan finalmente vai atender o celular. Meus dedos batucam no volante do Subaru enquanto dirijo até a casa dele — mais uma mensagem visualizada e ignorada, mais um lembrete de que algo não está certo. O livro de estatística de que preciso está no apartamento dele como se fosse um resgate, e eu não tenho tempo para o seu esquecimento. Não com a aula do professor Mitchell se aproximando.
Há algo errado. Consigo sentir, aquele formigamento estranho debaixo da pele que não tem nada a ver com a temperatura lá fora. Minha loba se agita dentro de mim, inquieta, e ela não costuma se enganar sobre essas coisas. Três anos presa ao Ethan não enfraqueceram os instintos dela — pelo contrário, ficaram mais aguçados. Ela não gosta do fato de ele não ter respondido. Na verdade, ela já não gosta de muitas coisas nele.
Entro com o carro na entrada da casa da família dele — uma daquelas propriedades caríssimas em Back Bay que grita dinheiro velho e expectativas ainda mais antigas. O portão se abre à minha aproximação, familiarizado com a frequência das minhas visitas. Aperto o volante com mais força ao desligar o motor. Nove e meia da manhã de uma terça-feira, e o Ethan já devia estar acordado. Tinha prometido deixar o livro separado.
A porta da frente está entreaberta. É o primeiro sinal real de que algo está errado. Ethan é paranoico com segurança, tranca tudo e sempre verifica duas vezes. Subo as escadas em direção ao quarto dele e é então que escuto — uma voz masculina, baixa e urgente, seguida por uma voz feminina que não reconheço.
— Minha namorada está vindo — sussurra Ethan, ríspido, de dentro do quarto. — Você tem que ir embora. Agora.
Meu estômago revira.
A porta se escancara, batendo contra a parede com força suficiente para rachar o gesso, e uma garota ruiva sai apressada, com a blusa aberta e o cabelo todo emaranhado. A princípio, ela não me vê. Está se atrapalhando com a alça do sutiã, o batom borrado, e quando esbarra em mim no corredor estreito, solta um suspiro assustado, como se eu a tivesse agredido.
Não me mexo. Não respiro. Estou paralisada no limiar de algo que deveria ser impossível, algo que parece mentira, embora todos os meus sentidos gritem a verdade.
— Olivia. — Ethan surge do quarto, com o cabelo bagunçado, o peito nu e um lençol enrolado na cintura, como um disfarce patético para o que acabou de fazer. Os olhos dele se arregalam, depois calculam a situação e, por fim, assumem uma expressão quase desafiadora. — Não é o que parece.
Tudo dentro de mim quer rir. O clichê chega a ser poético de tão desesperado.
— Então o que é? — Minha voz sai firme, o que não deixa de ser uma espécie de traição. Estou desmoronando por dentro, rachando como gelo fino, mas a minha voz é puro gelo. Minha loba está fazendo algo pior do que uivar — ela ficou em silêncio, recuando para algum canto escuro da minha psique onde não precise processar isso. — Porque parece muito que você estava me traindo.
Ele tenta me alcançar, e eu dou um passo para trás. A garota ruiva passa de fininho, murmurando um pedido de desculpas que arde como sal numa ferida aberta, e me dou conta de que não me importo com ela. Ela é um sintoma, não a doença.
— Entra — pede Ethan, com a voz assumindo aquele tom suave que sempre funcionou comigo antes. — Me deixa explicar. Eu estava bêbado ontem à noite. Nem me lembro dela. Você sabe que eu nunca...
— Esse é o problema. — Passo por ele e entro no quarto — o quarto onde passei tantas noites, que tem o cheiro dele e agora o cheiro deles. — Você não parece se lembrar de nada. Nem de que esqueceu o meu aniversário. Nem de que perdeu a comemoração da minha matilha no mês passado. Nem de que não se deu ao trabalho de responder a uma única mensagem sobre o livro de que eu precisava.
O quarto está um desastre — travesseiros no chão, lençóis emaranhados, o celular dela abandonado na mesa de cabeceira. Pego o aparelho e atiro com força contra o peito dele. Ele agarra por reflexo.
— Por quê? — A palavra me escapa, rasgando a garganta. — Ethan, por quê? Três anos, e você não teve a decência de...
— Porque você está sempre muito ocupada! — A voz dele falha e, de repente, ele se torna alguém que não reconheço. Alguém menor, mais cruel, desesperado. — O seu conselho estudantil estúpido, os seus grupos de estudo idiotas, as suas coisas chatas de família com a matilha. Você esqueceu que eu existo, Olivia. O que eu deveria fazer? Ficar esperando até você arranjar um tempo para mim?
A desculpa é patética, e nós dois sabemos disso.
— Você podia ter conversado comigo. Podia ter terminado tudo. Podia ter feito literalmente qualquer coisa, menos isso. — Levo a mão à corrente no meu pescoço, aquela que ele me deu no nosso primeiro aniversário de namoro e que de repente parece uma coleira. — Sabe o que eu acho? Acho que você gostava de ter uma namorada ocupada demais para perceber o que você andava aprontando.
Puxo a corrente, sentindo o fecho quebrar. O pingente cai no chão, um minúsculo coração de ouro que agora parece pertencer a outra pessoa.
— Acabou — digo baixinho. — Terminamos. Vai arranjar outra plateia.
Viro as costas para sair, mas ele segura o meu braço.
— Você nunca vai encontrar ninguém melhor do que eu, Olivia. Fui eu quem te deixou popular. Fui eu quem te deixou interessante.
A risada que me escapa é vazia, mas sincera. Puxo o braço para me soltar e não olho para trás.
Meu celular vibra no instante em que volto para o carro. Uma ligação do meu irmão, Noah.
— Ei, arranjei um trabalho de tutoria para você — diz ele, sem nem se dar ao trabalho de dizer alô. Noah é prático assim. — O garoto é do time de hóquei, precisa de aulas de estatística, paga bem. Está interessada?
Aperto o volante e tento parecer normal.
— Sim. Sim, estou interessada.
Latest Chapters
Encontro a pasta às duas da manhã.
A enfermeira me entrega aquilo como se fosse
Ele manda mensagem para outra pessoa avisando que as aulas particulares estão suspensas.
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Três dias depois da lareira.
É assim que eu marco o tempo agora. Antes e depois
As notas saem numa quinta-feira.
Estou na biblioteca quando o meu celular vibra







