Revisão Corporal: A Babá Contratada do Tirano do Hóquei
Synopsis
Marcada no Gelo: A Babá de Contrato do Tirano do Hóquei
Maya Whitaker é uma estudante universitária bolsista que luta para sobreviver. Sua vida muda drasticamente quando ela salva um garotinho de um atropelamento, apenas para se ver enredada nas teias da poderosa e implacável família Vale. Contratada como babá sob um acordo de confidencialidade draconiano de um milhão de dólares, Maya entra no mundo de Ronan Vale, o arrogante e frio capitão do time de hóquei da universidade.
Enquanto luta contra o assédio moral no campus e tenta proteger o pequeno Theo, Maya descobre que a frieza de Ronan esconde segredos dolorosos e uma paternidade oculta. Mas quando uma ameaça anônima revela que a morte da mãe de Theo não foi um acidente, mas sim um assassinato, Maya e Ronan precisam se unir para enfrentar uma conspiração familiar que pode destruir suas vidas e o frágil amor que começa a nascer entre eles.
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Chapter1
O frio era quase palpável, um ladrão que roubava o ar dos pulmões e a sensibilidade dos dedos. Para Maya Whitaker, também servia como um lembrete constante de suas limitações financeiras. Um casaco melhor, que não parecesse feito de papel de seda costurado, era um luxo que ela havia guardado mentalmente na pasta de "fantasias pós-formatura", logo ao lado de "dormir oito horas seguidas" e "comer algo que não viesse de uma lata ou do micro-ondas".
Sua realidade, enquanto arrastava os pés pela calçada congelada nos arredores do campus da Universidade de Alderidge, resumia-se ao vento cortante de dezembro e ao peso do último semestre sobre seus ombros. Só mais um semestre. Mais quatro meses. Esse era o mantra que a ajudava a suportar os turnos da madrugada na biblioteca da faculdade, os sorrisos de desdém dos jovens ricos de suas aulas e a solidão persistente que se tornara sua companheira constante.
A bolsa de estudos era sua salvação, mas também uma guilhotina suspensa sobre sua cabeça. O benefício cobria as mensalidades e o alojamento, mas todo o resto — comida, livros, um frasco emergencial de ibuprofeno — saía do próprio bolso. E seus bolsos estavam perigosamente vazios. A biblioteca acabara de reduzir suas horas de trabalho devido ao recesso de fim de ano, uma decisão que parecia menos uma medida administrativa sensata e mais um ataque direcionado contra ela, somando-se a tantos outros. Aquilo significava que seu orçamento, já apertado, fora sufocado de vez. A ansiedade era um ruído constante sob seus pensamentos, uma estática persistente e exaustiva.
Era por isso que ela estava ali, caminhando mais de três quilômetros de volta ao alojamento em vez de pegar o ônibus, para economizar os dois dólares e cinquenta centavos da passagem. Cada centavo contava. Cada escolha era um cálculo matemático. Era uma vida no limite, onde qualquer gasto imprevisto, um único erro, poderia desmoronar todo o seu mundo cuidadosamente estruturado.
Maya segurou a alça da mochila gasta, cujo tecido fino pouco protegia o notebook do frio. O aparelho era uma relíquia, doada por uma de suas antigas famílias de acolhimento, e levava uma eternidade para ligar. Assim como ela, o computador tentava apenas resistir até a linha de chegada.
Os postes de luz projetavam um brilho alaranjado e difuso sobre a neve que caía, transformando a rua familiar em um cenário de beleza melancólica e perigosa. Mais adiante, uma mulher estava parada ao lado de um SUV preto e moderno, o tipo de veículo que custava mais do que os quatro anos de faculdade de Maya. A silhueta da mulher se destacava contra a tela brilhante do celular. Ela segurava o aparelho perto do ouvido e soltava risadas leves que o vento carregava, agudas e descompromissadas. Ao lado dela, um garotinho, agasalhado com uma jaqueta acolchoada vermelha, parecia esquecido.
Maya registrou a cena com a observação distante de quem estava acostumada a olhar tudo pelo lado de fora. A riqueza casual, a distração. Aquela era uma situação que se repetia diariamente nos limites do campus privilegiado de Alderidge. Ela manteve a cabeça baixa, concentrada apenas no objetivo imediato: voltar para o alojamento, comer o miojo que a esperava e tentar dormir algumas horas antes da aula das oito da manhã com a professora Harlow, uma mulher que parecia encarar qualquer atraso como uma ofensa pessoal.
Então, um movimento.
O menino de jaqueta vermelha, talvez cansado de ser ignorado, afastou-se do carro. Não foi uma corrida rebelde, mas o impulso de uma criança em direção a um monte de neve fresca e intocada do outro lado da rua deserta.
No mesmo instante, outro utilitário esportivo, uma enorme máquina prateada, dobrou a esquina. O motorista estava de cabeça baixa, o rosto iluminado pelo brilho azul característico de uma tela de celular. O veículo corria rápido demais para as condições escorregadias da pista.
A cena pareceu se desdobrar em câmera lenta. A mente de Maya, de início lotada de preocupações com dinheiro e prazos da faculdade, esvaziou-se por completo. Os anos no sistema de acolhimento, sempre cuidando dos menores por ser a mais velha, falaram mais alto. Não foi uma decisão pensada, mas puro instinto.
Não houve cálculo. Nenhuma avaliação de riscos. Havia apenas aquela pequena jaqueta vermelha e o grande carro prateado.
— Ei! — gritou Maya, com a voz engolida pelo vento.
O menino não ouviu. O motorista não o viu.
O mundo se resumia a uma equação de três elementos prestes a atingir um resultado trágico. Criança mais carro é igual a...
Não.
Ela não se lembrava de ter decidido correr. Suas pernas simplesmente se moveram, as botas gastas escorregando na calçada congelada enquanto ela avançava. Maya soltou a mochila, e o som surdo dela atingindo o chão pareceu distante. Os poucos passos necessários para alcançar o menino pareceram uma eternidade.
Ela não tentou segurá-lo. Não havia tempo. Apenas se jogou para a frente, em um mergulho desesperado na direção do garoto. Seu ombro atingiu a lateral do corpo dele com um impacto seco e violento. Ele rolou para o monte de neve acumulado na calçada, soltando um som abafado de surpresa.
Maya não teve a mesma sorte. O impulso a jogou adiante, e ela perdeu o chão. O mundo girou em um redemoinho confuso de asfalto preto, neve branca e luzes alaranjadas. A queda foi violenta; seu braço direito e o quadril amorteceram a maior parte do impacto. Uma dor aguda e latejante subiu do pulso até o ombro. A lateral de sua cabeça colidiu contra o solo congelado e, por um segundo, a visão se apagou sob a intensidade da dor.
O cantar dos pneus foi ensurdecedor, um chiado estridente de borracha contra o gelo. Logo em seguida, veio o som alto e colérico de uma buzina.
Caída ali, com o frio atravessando o casaco barato, o primeiro pensamento lúcido de Maya não foi sobre a própria dor. Foi uma prece desesperada e silenciosa: por favor, que o menino esteja bem.
Apoiando-se no cotovelo são, ela tentou se levantar enquanto a cabeça girava. O carro prateado havia desviado e agora estava com metade da carroceria sobre a calçada oposta, os faróis acesos iluminando o local como um holofote de teatro. A porta do motorista foi aberta bruscamente.
Contudo, o olhar de Maya estava fixo na jaqueta vermelha. O garotinho estava sentado no monte de neve, com os olhos arregalados e cheios de lágrimas, e alguns flocos brancos salpicavam seu cabelo escuro. Ele a encarava. Estava inteiro. Estava seguro.
Uma onda de alívio tão forte que beirava o enjoo a dominou por completo.
— O que você pensa que está fazendo?
A voz era cortante, histérica. A mulher do SUV preto — a mãe do menino, ou a babá, Maya presumiu — finalmente havia desligado o telefone. Corria em direção a eles, as botas caras fazendo-a escorregar no gelo. — Você quase o matou! Está louca?
Não olhou para o outro carro. Não olhou para o motorista que cambaleava para fora do veículo, aos gritos de desculpa. Olhou para Maya, que ainda tentava se firmar no chão congelado.
— Theo! Meu Deus, meu amor, você está bem? — a mulher gritou ao alcançar o menino. Tentou puxá-lo para si, sacudir a neve que o cobria, mas o menino — Theo — se afastou dela com uma força surpreendente.
— Eu só... eu estava — Maya começou, os dentes batendo de frio e choque. O braço latejava como se protestasse a cada respiração.
— Você saiu do nada! — acusou a mulher, cujo nome Maya só descobriria mais tarde: Sloane Mercer. A voz foi subindo de tom. — Você o empurrou! Eu vi! Você o jogou na frente de um carro!
A acusação era tão monstruosa, tão descolada de qualquer realidade, que Maya ficou olhando sem conseguir reagir. Acabara de salvar o filho dessa mulher — o mesmo filho que ela ignorava enquanto falava ao telefone — e agora estava sendo acusada de ter tentado machucá-lo. Era uma inversão tão completa da verdade que chegava a ser quase impossível de processar.
— Não, o carro... — Maya tentou explicar, apontando com a mão boa na direção do SUV prata.
Mas Sloane não estava ouvindo. Sua performance era para a plateia que se formava rapidamente ao redor — o outro motorista, alguns pedestres que haviam parado para ver. — Ela é uma ameaça! Devia ser presa!
Theo havia começado a chorar. Não soluços altos — lágrares miúdas e entrecortadas, do tipo que escapa de uma criança assustada e confusa. Olhou para Sloane, depois para Maya. O rosto pequeno estava pálido sob a luz do poste.
Sloane agarrou seu braço e tentou arrastá-lo para cima. — Vamos, Theo. Vamos nos afastar dessa louca.
Desta vez, o menino resistiu com tudo o que tinha. Arrancou o braço da mão de Sloane. Depois fez algo que paralisou todo mundo — e a ninguém mais do que à própria Maya.
Engatinhou pela neve, passou por Sloane e foi direto até o lado de Maya. Tremia, o lábio inferior tremendo também, mas o movimento era decidido. Enrolou os braços pequenos no pescoço dela, enterrou o rosto no croco do ombro dela, o corpinho agitado contra o dela.
Era um abraço nascido de puro instinto infantil — uma busca de conforto e segurança. Agarrou-se com uma força surpreendente, a bochecha fria e molhada pressionada contra a pele dela.
Sloane ficou parada, a boca aberta. A multidão de curiosos emudeceu. A cena era inegável: a criança assustada não se agarrava à sua cuidadora. Agarrava-se à estranha deitada no chão.
Através da dor no braço e da tontura que ainda a embalava, Maya sentiu algo feroz e protetor tomar conta dela. Por instinto, enrolou o braço bom ao redor do menino que tremia, mantendo-o perto.
O momento se partiu quando Theo ergueu a cabeça o suficiente para ser ouvido. A voz saiu como um sussurro trêmulo e pequeno, mas cortou o ar frio da noite com uma clareza absoluta. Olhou diretamente para a mulher elegante e frenética que supostamente deveria cuidar dele.
— Não deixa ela me levar — implorou a Maya, os olhos apavorados encontrando os dela. — Quero ficar com você.
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