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Quando o Amor é Impossível

Quando o Amor é Impossível

Cập nhật lần cuối: 2026-07-14 04:00:58
By: Zana Kheiron
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Tóm tắt

Catalina Sofía Vélez passou a vida inteira sendo a segunda opção.


Órfã desde jovem e criada por tios que a viam mais como um peso do que como família, ela jamais imaginou que seu destino seria decidido em troca de dinheiro. Para salvar a empresa de cerâmicas dos Vélez da falência, Catalina é obrigada a se casar com um homem que nunca conheceu.


Juan Esteban Restrepo já teve tudo: riqueza, prestígio e um futuro brilhante. Mas um acidente devastador destruiu sua vida e o transformou em um homem recluso, marcado por cicatrizes físicas e emocionais. Escondido em seu haras nas montanhas de Antioquia, ele está convencido de que ninguém jamais voltará a enxergá-lo além de suas feridas.


Nenhum dos dois desejava aquele casamento, mas descobrirão que as cicatrizes mais profundas nem sempre estão na pele — e que o amor pode surgir justamente onde parecia impossível.


Chương1

— Levanta daí, Catalina, e começa a arrumar as suas coisas! — ele ordenou sem paciência. Duas figuras apareceram logo atrás dele, no corredor: Natalia, a esposa do tio, seguida de Valentina, a filha deles. O sorriso de satisfação das duas já era o presságio para Catalina de que ela sofreria.
— A-Arrumar? Pra onde vamos?
Valentina não se aguentou e falou na frente do pai.
— Priminha, você tirou a sorte grande! Não vai mais ficar pra titia.
Catalina olhou para cada uma das três faces encarando-a, completamente confusa.
— Ai, pra que tanto suspense? — Natalia falou e soltou um suspiro, antes de falar de algo chato e desinteressante. — Você vai casar. É isso. Arruma logo as suas coisas.
A notícia ainda não tinha assentado na cabeça de Catalina. Casar? Casar com quem? Ela não tinha namorado! Aos vinte anos, ela nunca tinha namorado.
— Não entendi — ela disse, lentamente.
— O que não entendeu? Você vai se casar! Arruma as suas coisas, desce e já assina os papéis. O advogado deles mandou.
— “Deles” quem? — Catalina já não estava tão calma. — Tio, que história é essa de casamento? Eu não vou me casar com ninguém!
Tomás perdeu a paciência de vez e a segurou pelos braços, sacudindo-a com veemência.  
— Você vai fazer o que eu disser, Catalina! Já arranjamos tudo com os Restrepo!
Ela lutou.
— Não! — E tentou se soltar.  — Não vou casar com nenhum estranho! Ah!
Catalina levou a mão ao rosto. Tomás a tinha soltado, apenas para acertá-la, derrubando-a da cama. Ele levantou a mão novamente, mas Natalia segurou-lhe o pulso.
— Não pode deixar marcas! O Restrepo pagou caro! — ela o alertou e olhou para Catalina como se olhasse para um inseto. — Chega de ser ingrata! Nós te acolhemos e cuidamos de você depois que os seus pais foram embora. O mínimo que pode fazer é pagar por isso. A família está num momento de crise. E você vai nos ajudar! Isso não é um pedido. Você tem uma hora!
Os dois saíram do quarto, deixando Catalina no chão. Valentina aproximou-se dela, mas não o suficiente para estar ao alcance da prima.
— Você deveria agradecer. O seu marido é rico, muito rico — ela falou, com os braços cruzados na frente do corpo. — Vai deixar de ser uma mendiga.
E ela soltou uma gargalhada.
— Antes mendiga do que sabonete, que passa na mão de todos! — Ela não se aguentou e soltou.
A expressão de Valentina ficou azeda na mesma hora, mas logo, um sorriso amargo surgiu.
— Você é uma vadiazinha miserável, que vive de caridade. Ninguém te quer. — A jovem olhou para a prima com desgosto. — Agora, vai ter que se contentar com um cara todo ferrado! Um monstro, ouvi falar. Vai ser enterrada em vida naquela casa!
A jovem loira virou-se e saiu dali, jogando os longos fios, batendo a porta com força.
Os lábios de Catalina tremiam. Os pais dela não foram embora. Eles tinham morrido. Há dez anos, Pablo e Sara Vélez sofreram um acidente de carro, levando com eles o irmão não nascido de Catalina, bem como Mariana, a esposa de Tomás. E foi quando o pesadelo começou.
O tio ficou encarregado dela. Um mês depois da morte da esposa, ele casou-se com Natalia, que já trouxe com ela uma menina, Valentina, filha bastarda de Tomás. No entanto, para que a garota não ficasse mal falada, espalharam que a ilegítima era Catalina, mas que, por ser muito bondoso, Tomás cuidou dela, ainda que não tivesse relação de sangue com Pablo — uma mentira total.
Ela remexeu a boca, as lágrimas caindo pelo rosto. Restrepo. Aquela família não era dali de El Carmen de Viboral. E tinham pagado por Catalina. Ela foi vendida? Era isso mesmo?
Catalina soltou uma risada de deboche, levantando-se do chão. Depois de todas as humilhações dos últimos dez anos, ela terminou sendo vendida.
“Podia ser pior. Poderiam ter me vendido para um bordel”, ela disse a si mesma e suspirou. A única coisa que ela podia fazer era rezar para que o homem fosse bom para ela.
Ela poderia fugir? Seria complicado, já que ela não tinha dinheiro, nem jóias. As poucas roupas que possuía não eram do tipo que valiam muito. E Tomás tinha homens trabalhando para ele, que a caçariam como a um cão sarnento.
“Mas quem sabe eu consigo fugir desse outro homem?”, ela pegou a mala e encheu os pulmões. Um passo de cada vez.
Ao descer, assinou os papéis que agora, e estavam em cima da mesa e não demorou muito para que um carro buzinasse do lado de fora da Residência dos Vélez.
A família era uma das mais abastadas da cidade, porém, nos últimos anos, entrou em declínio. O avô de Catalina, Juarez Vélez, fundou a empresa de cerâmica fina e artística, Casa de Cerámica San Ignacio. E agora, Tomás a estava usando para cobrir a incompetência dele!
E, pelo que Valentina tinha dito, para um homem destruído. Não só por fora, porque se o destino de Catalina era ser “enterrada em vida”, significava que talvez o que a esperava era alguém que a maltrataria.
“Será que mais do que a minha própria família?” ela se perguntou e entrou no carro, que estava com a porta de trás aberta. Ela olhou para a casa que tinha um dia sido dela. Ninguém a estava vendo partir.
A viagem não demorou muito, pois La Ceja não ficava distante, cerca de uma hora de carro.
Eles entraram por uma estrada bonita, ladeada de árvores bem cuidadas, e Catalina não pôde deixar de admirar o local.
Uma casa grande, imponente, estilo colonial europeu, apareceu diante dela. Era aquele tipo de casa de campo que ela lia sobre nos livros de romance de época. No entanto, ela sabia, aquele podia ser mais para uma história de terror.
— Chegamos, senhora Restrepo.
Ela riu por dentro. Em uma hora, ela se tornou uma mulher casada com um completo desconhecido.
— Obrigada — ela falou para o motorista.
Uma senhora com os cabelos grisalhos e uma trança enrolada no topo da cabeça aproximou-se dela, sorrindo.
— Bem-vinda, senhora! Eu sou Adela.
Catalina devolveu o sorriso e estendeu a mão.
— Prazer, senhora Adela. Eu sou Catalina!
Adela ficou parada por um momento, tomada de surpresa. Então, apertou a mão da jovem com veemência. A forma como Catalina falou com ela, como uma igual, era sinal de que não era mais uma das moças metidas de famílias tradicionais da região, que acreditavam ter o rei na barriga.
— Senhora Catalina, venha comigo! O patrão está ansioso por conhecê-la!
Mais uma vez, aquilo parecia coisa de outro mundo. Ela estava casada, e ainda ia conhecer o noivo.
Catalina seguiu Adela, subindo as escadas que levavam à entrada do casarão. Ela olhou para a propriedade, antes de passar pela porta. Aquilo não era uma fazenda, era um Haras.
Por dentro, a casa era lindamente decorada, com móveis antigos, mas muito bem preservados. Realmente, era como dar um passo em tempos antigos. Catalina gostou daquilo.
Adela diminuiu os passos e virou-se para a jovem senhora.
— Hmm, senhora Catalina — ela começou a falar, meio sem jeito. — O senhor Restrepo é um bom homem, porém… ele sofreu um acidente e, bom, não está em seu melhor momento. Então, se ele for meio, direto demais, é por isso. Não é nada pessoal. Eu o conheço desde menino.
Catalina então compreendeu um pouco mais as palavras de Valentina. O homem devia ter se machucado muito. Agora, talvez estivesse amargurado.
— Prometo que darei o meu melhor, senhora Adela.
A idosa viu verdade nas palavras da patroa e ficou mais aliviada. Ela sabia como o senhor tinha mudado, e ela temia que ele afugentasse a esposa.
Elas duas voltaram a andar, até chegarem a uma porta imensa, daquelas bem largas, entalhada de maneira primorosa.
Adela bateu à porta e uma voz de dentro, firme e grossa, permitiu entrada. Catalina sentiu um calafrio pelo corpo, mas ela não podia dizer que tinha sido de maneira ruim.
— Pode entrar, senhora.
Catalina umedeceu os lábios, acenou com a cabeça e inspirou fundo. Era a hora de conhecer o senhor Restrepo.
Dentro do escritório, ela não conseguia ver muita coisa. Havia uma meia-luz, perto da mesa maior, porém, o homem estava virado de costas na cadeira, o que permitia a Catalina ver apenas o topo da cabeça dele. Os fios emitiam um luzes douradas, indicando que os cabelos dele eram claros.
— Senhor Restrepo — Catalina disse, andando, porém, ele levantou a mão, e ela parou de se mover.
— Pode ficar aí mesmo — ele comandou e Catalina puxou o ar. — Não precisa estar aqui perto para ouvir as regras da casa.
Catalina franziu o cenho. Regras?
— Ah…
— Não me interrompa! — ele esbravejou e Catalina precisou apertar os lábios, trancando na boca a vontade de responder. O homem continuou a falar. — Primeiro, não entre no meu escritório sem ser chamada. Nem no meu quarto; segundo, só venha até mim se houver uma emergência. Caso contrário, fale com algum dos empregados; e terceiro, não fique me encarando. Além de ser falta de educação, eu realmente odeio.
Ela nada disse, apenas concordou com a cabeça.
— Fale se entendeu!
Os olhos dela se contraíram momentaneamente.
— E como é que eu vou saber que é pra falar? O senhor mandou eu não interrompê-lo!
O escritório ficou em silêncio e deu tempo para Catalina se dar conta de que talvez tivesse passado dos limites. Aquele homem era um estranho. Um que havia comprado a vida dela.
— Você é insolente, mas eu vou deixar passar. Considere isso o meu presente de boas vindas. — Catalina ouviu e quis rir. Ela deveria ficar grata? — Lembre-se de manter a língua dentro da boca, da próxima vez.
— Nossa, muito obrigada pela sua bondade! — ela acabou deixando escapar.
O homem fez um som que ela poderia jurar ser uma risada baixa.
— Você vai para o seu quarto. Descansará. E mais tarde irá  esperar por mim.
— Esperar? Pra quê?
— Como para o quê? Para a nossa noite de núpcias.

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