Meu irmão de criação Alpha me ama secretamente
Краткое содержание
Sete anos atrás, ele a abandonou com um cheque. Hoje, ela trabalha como faxineira de hotel e é falsamente acusada de roubo — e seu salvador é justamente ele: o CEO bilionário que quebrou seu coração. Ele fica chocado ao descobrir que ela criou em meio à pobreza um segredo de seis anos: o filho deles. Munido de um teste de paternidade e com uma ameaça de disputa de guarda, ele a força a morar em sua mansão, decidido a reivindicar seu herdeiro.
Mas seu reencontro despertará um perigo ainda maior. O menino carrega uma linhagem lobisomem antiga e poderosa, tornando-se alvo de alfas rivais e do patriarca ardiloso que os separou anos antes. Para proteger seu filho, essa mãe humana precisa sobreviver a um mundo mortal repleto de poder e intrigas. Para ganhar seu perdão, ele terá que provar que é muito mais do que o homem que um dia tentou comprar seu silêncio.
Глава1
Brielle Harper havia aprendido há muito tempo que a vida não dava a mínima para os seus planos.
Seus planos eram simples: terminar o expediente sem incidentes, buscar Finn na atividade extracurricular, preparar um jantar simples, mas quente, e ajudá-lo com a lição de leitura. Também planejara pagar o aluguel até o fim da semana, mesmo que isso significasse passar mais alguns dias sem fazer compras no mercado.
Mas aí surgiu a Sra. Ashford.
A hóspede da suíte 1802 era rica. Brielle percebera isso de cara, pela mala de grife e pelo jeito como falava com os funcionários do hotel — como se fossem móveis que de vez em quando faziam barulho. Assim que Brielle entrou para fazer a limpeza, a Sra. Ashford cravou as unhas perfeitas em seu braço e a arrastou em direção ao banheiro.
— Foi você — sibilou a mulher. — Você roubou as abotoaduras de diamante do meu marido.
As costas de Brielle bateram contra a bancada de mármore.
— Eu não peguei nada, senhora. Acabei de entrar.
— Não minta para mim! A camareira de antes disse que não pegou. Só pode ter sido você.
— Eu nem comecei a limpar ainda. Por favor, solte meu braço.
O aperto da Sra. Ashford se intensificou. O rosto dela estava vermelho de raiva, mas havia algo mais por baixo: medo. Aquele tipo de temor típico de um casamento sustentado por presentes caros e aparências públicas. Brielle já vira aquela expressão antes. No rosto da própria mãe, pouco antes de tudo desmoronar.
— Senhora, se me soltar, posso ajudar a procurar...
— Segurança! — gritou a Sra. Ashford. — Quero essa mulher demitida! Ela me roubou!
O coração de Brielle despencou. Ela não podia perder aquele emprego. Era o único que lhe permitia trabalhar à noite para poder ficar com Finn durante o dia. Era a única razão de terem um teto sobre a cabeça, mesmo que esse teto vazasse quando chovia.
O gerente veio correndo. Era o Sr. Henderson, com sua gravata barata e a testa suada.
— Sra. Ashford, por favor, vamos nos acalmar...
— Quero ela fora daqui. — A Sra. Ashford finalmente soltou o braço de Brielle. Havia marcas vermelhas onde as unhas dela estiveram pressionadas. — Agora mesmo. Ou eu chamo a polícia e garanto que todos os sites de avaliação saibam que seu hotel contrata ladrões.
Henderson se virou para Brielle. O olhar dele era de desculpa, mas ela já sabia o que ele ia dizer. Já fora demitida antes. Duas vezes. Ambas por coisas que não tinha feito.
— Brielle, sinto muito, mas...
Ela já estava tirando as luvas.
— Eu entendo.
Não adiantava lutar. Não adiantava explicar. Pessoas como ela não venciam pessoas como a Sra. Ashford. Era assim que o mundo funcionava.
Mas, antes que Henderson pudesse terminar a frase, a porta da suíte se abriu.
Um homem entrou.
A princípio, Brielle não ergueu os olhos. Estava ocupada demais tentando não chorar. No entanto, ouviu o gerente prender a respiração e a voz irritada da Sra. Ashford de repente se tornar doce.
— Sr. Grupo Blackwood! Não esperava que viesse pessoalmente. Por favor, me deixe explicar...
— Não há nada para explicar.
Aquela voz.
As mãos de Brielle congelaram. Seu coração parou. Por três segundos inteiros, ela esqueceu como se respirava.
Ela conhecia aquela voz. Tinha escutado aquele tom em seus pesadelos nos últimos sete anos. E também em seus sonhos, nas noites em que se permitia lembrar do que deveria esquecer.
Devagar, ela ergueu os olhos.
Callan Grupo Blackwood estava parado no vão da porta.
Ele estava mais alto do que ela se lembrava. Mais forte. O garoto que conhecera tinha traços angulosos e um olhar faminto. O homem diante dela parecia feito de aço e autocontrole. O terno cinza-escuro tinha um caimento impecável. O cabelo continuava do mesmo tom de preto intenso, penteado para trás. E o rosto — meu Deus, o rosto era idêntico. As maçãs proeminentes. O maxilar tão marcado que parecia esculpido. Os lábios que um dia sussurraram seu nome como uma prece.
Mas os olhos dele estavam diferentes.
Sete anos atrás, o olhar de Callan era frio por escolha. Ele a encarava como se ela fosse um problema que precisava resolver e, depois, como uma tentação à qual precisava resistir. Agora, seus olhos cinzentos estavam indecifráveis. Uma máscara. Porém, sob essa máscara, ela percebeu um lampejo de algo. Algo que se parecia muito com dor.
— Brielle.
Ele pronunciou o nome dela da mesma forma de sempre. Como se aquilo lhe custasse caro.
— Sr. Grupo Blackwood. — Ela manteve a voz plana, profissional. — Eu já estava de saída.
— Não, não estava.
Henderson olhou de um para o outro, confuso. O sorriso doce da Sra. Ashford começou a desmoronar.
— Sr. Grupo Blackwood, esta mulher roubou as abotoaduras do meu marido. Tenho todo o direito de...
— Você tem todo o direito de estar errada. — Callan nem sequer olhou para ela. Seus olhos continuaram cravados em Brielle. — Eu verifiquei as imagens da câmera de segurança deste andar. Você derrubou as abotoaduras na pia do banheiro quando lavou as mãos. A manutenção vai retirá-las amanhã cedo.
O rosto da Sra. Ashford empalideceu.
— Mas eu...
— Se tiver algum problema com isso, pode tratar com a minha equipe jurídica. — Callan finalmente se virou para ela, e sua voz pareceu congelar alguns graus. — Ou pode ir embora em silêncio. A escolha é sua.
A mulher abriu a boca, fechou-a e saiu sem dizer mais nada.
A porta se fechou.
E então restaram apenas Brielle e Callan, parados a três metros de distância em uma suíte que de repente pareceu pequena demais.
— Eu não precisava da sua ajuda — disse ela.
— De nada.
— Eu não ia agradecer.
O maxilar de Callan se contraiu.
— Você nunca agradeceu. Mesmo quando deveria.
Aquilo atingiu um ponto fraco dentro dela. Algo ferido e ainda aberto.
— Você não sabe de nada sobre o que eu deveria ter feito.
— Eu sei que você fugiu.
— Sei que deixou um bilhete dizendo "não me procure". — Ele deu um passo à frente. — E sei que não levou nada. Nem suas roupas, nem seu celular. Nem o dinheiro que deixei para você.
As mãos de Brielle se fecharam em punhos.
— Aquele dinheiro foi uma ofensa.
— Foi uma tentativa de ajudar.
— Depois de me dizer que aquela noite tinha sido um erro.
Callan parou de andar. Sua expressão ficou estática.
— Você acha que eu falei sério?
— Você disse exatamente isso. Preencheu o cheque. E foi embora antes de eu acordar. — A voz dela falhou, e ela se odiou por isso. — O que eu deveria pensar?
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, caminhou até a janela e ficou de costas para ela. A cidade se estendia lá embaixo, repleta de luzes, movimento e pessoas que jamais tinham ouvido falar de Brielle Harper.
— Meu pai estava no hospital naquela manhã — disse ele, em voz baixa. — Infarto. Não achavam que ele fosse resistir.
Brielle piscou, confusa. — O quê?
— Fui embora porque o Darius estava morrendo. Ou era o que eu achava. Quando cheguei ao hospital, ele estava bem. Tinha inventado tudo só para me fazer voltar. — Callan suspirou fundo, os ombros subindo e descendo com o movimento. — Quando voltei para casa, você já tinha ido embora.
— Então você mandou um cheque.
— Enviei o cheque porque não sabia o que mais fazer. Eu tinha vinte e dois anos, meu pai tinha acabado de provar que podia me manipular quando bem entendesse, e a única pessoa que me fazia sentir que eu não estava enlouquecendo tinha sumido. — Ele se virou. — Eu estava com medo, Brielle. Não de você. De mim mesmo.
Ela não sabia o que dizer. Passara sete anos construindo uma versão daquela noite em sua cabeça: uma em que Callan a usara e a descartara como lixo. Agora, ele contava uma história diferente. Muito mais complicada.
— Isso não muda o que aconteceu — disse ela, por fim.
— Não. Não muda. — Ele se aproximou de novo, mais devagar desta vez. — Mas talvez explique por que estou procurando por você há sete anos.
A respiração de Brielle travou. — O quê?
— Nunca parei. — Callan parou bem na frente dela, perto o suficiente para que sentisse seu perfume, algo amadeirado e caro. — Cada cidade. Cada pista. Cada vez que alguém dizia ter visto uma mulher parecida com você, eu ia atrás. E todas as vezes, era um engano.
Ele não completou com um "até agora", mas ela entendeu mesmo assim.
— Você devia ter me deixado ir — sussurrou ela.
— Eu tentei. — A voz dele baixou. — Não consegui.
A porta se abriu de novo. Henderson colocou a cabeça para dentro, com aparência nervosa. — Sr. Grupo Blackwood, me desculpe interromper, mas o seu compromisso das duas horas chegou.
Callan nem se mexeu. — Remarque.
— Mas, senhor...
— Eu mandei remarcar.
Henderson sumiu.
Brielle deu um passo para trás. — Preciso ir. O Finn sai da escola em uma hora.
— Finn. — Callan pronunciou o nome com cuidado, como se o saboreasse. — Seu filho.
Um arrepio frio correu pela espinha de Brielle. — Como sabe dele?
— Eu sei de muitas coisas. — Callan enfiou a mão no paletó e tirou um papel dobrado, estendendo-o para ela. — Sei que ele tem seis anos. Sei que estuda na escola primária Sunflower. Sei que a matéria favorita dele é ciências e que a professora diz que ele faz perguntas demais.
As mãos de Brielle tremiam. Ela não pegou o papel. — Você andou nos espionando?
— Estive tentando te encontrar. Há uma diferença.
— Não há diferença nenhuma!
— Há toda a diferença do mundo. — A voz de Callan continuou calma. Calma demais. — Espionagem implica que eu queira te fazer mal. Não quero. Quero ajudar.
— Não preciso da sua ajuda.
— Seu aluguel está atrasado há três semanas. Seu filho depende do programa de merenda gratuita. E o banheiro do seu apartamento tem um mofo que está lá há pelo menos dois anos. — Ele guardou o papel de volta no paletó. — Você precisa de ajuda, Brielle. Só não quer admitir.
A raiva ferveu no peito dela, quente e familiar. — E você quer ser quem vai me ajudar? Para se sentir melhor consigo mesmo? Para poder dizer a si mesmo que não é o vilão da história?
A máscara de Callan trincou de leve. — Eu sei que sou o vilão. Sei disso há muito tempo. Mas o Finn não pediu para nascer. E não pediu para ter um pai ausente.
As palavras a atingiram como um soco.
— Ele tinha a mim — disse ela, em voz baixa. — Isso era o bastante.
— Não era. — Callan se aproximou ainda mais, a voz caindo para quase um sussurro. — Porque, se fosse o bastante, você não olharia para mim com essa raiva toda. E não teria escondido o meu filho por seis anos.
Brielle abriu a boca para rebater, mas não conseguiu dizer nada.
Porque ele tinha razão.
Ela ainda sentia raiva. Ainda estava magoada. Ainda carregava o peso daquela noite como uma pedra no peito.
E tinha escondido o Finn. Não para proteger Callan, mas por medo.
Medo de que ele não os quisesse. Medo de que quisesse.
As duas opções a apavoravam.
— O que você quer de mim? — perguntou ela.
Callan a encarou por um longo momento. Depois, disse: — Quero que vá ao meu escritório amanhã. Às nove horas. Vamos conversar sobre o Finn.
— E se eu não for?
A expressão dele não mudou, mas o clima no quarto pareceu se alterar. — Então eu irei até você.
Ele caminhou até a porta e parou. Sem se virar, disse: — Não sou seu inimigo, Brielle. Nunca fui.
E então, saiu.
Brielle ficou sozinha na suíte, tremendo, a mente repassando os sete anos de barreiras e mentiras que havia erguido com tanto cuidado.
Passara tanto tempo tentando esquecer Callan Grupo Blackwood.
E agora ele estava de volta.
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Последние главы
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O Conselho deliberou por uma hora. Quando retornaram, a expressão de Aldric era sombria. — Senhori
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