Coroa de Espinhos e Rosas: O Trunfo da Princesa Renegada
Краткое содержание
Vendida em casamento para o temido 'Lobo do Norte', a Princesa Audra é enviada como um peão no jogo de poder de seu pai. Mas, em segredo, ela já forjou um pacto com a rebelião, determinada a conquistar seu próprio trono. Em um castelo de espinhos, ela deve ganhar a confiança de seu marido desconfiado e poderoso, Kaelus, enquanto joga um jogo perigoso entre o império e uma rebelião liderada por um fantasma de seu passado. Forçada a escolher um lado em uma guerra inevitável, a princesa-peão se transforma em uma rainha-estrategista, provando que a coroa mais pesada não é a que se herda, mas a que se conquista com sangue, astúcia e uma aliança forjada no fogo.
Глава1
A música era como seda hipócrita, envolvendo cada coluna do palácio do Império Oro. O brilho dos lustres de cristal era excessivamente radiante, revelando, em vez de ocultar, as maquinações por trás daquelas máscaras de sorrisos. A princesa Audra estava parada na beira da pista de dança, como uma boneca de porcelana meticulosamente adornada, enquanto em seus ouvidos ainda ecoava o veredito inquestionável recém-proferido por seu pai, o Imperador.
— O Grão-Duque do Norte, Kaelus, o Império precisa de sua lealdade. E o castelo dele precisa de uma senhora. Audra, você é o meu presente mais precioso.
Um presente. Ela fora definida como um objeto, usado para aplacar aquele lobo de má reputação que vivia nos confins do Norte. Ao seu redor, os nobres lançavam olhares que misturavam piedade, alívio e um regozijo mal disfarçado. Audra baixou as pálpebras, e seus densos cílios dourados esconderam o brilho gélido que perpassou seu olhar por um instante. Seus dedos delgados seguravam a taça com firmeza; não havia um único traço de tremor em suas mãos.
— Como desejar, meu pai — respondeu ela, com uma voz tão dócil quanto o toque de uma pena no veludo.
Ninguém sabia que, sob aquela docilidade, ardia um fogo selvagem capaz de incendiar pradarias. Há apenas meia hora, nas sombras do corredor mais escondido daquele mesmo palácio, ela havia concluído uma transação. O outro lado atendia pelo codinome Raposa de Prata, o líder mais misterioso dos rebeldes, cujos métodos de transmitir informações eram imprevisíveis. Ele precisava dos planos de movimentação do exército imperial, e ela precisava de um caminho de espinhos que a levasse à liberdade — não, que a levasse ao trono. A informação fora enviada através de sinais de luz de velas em uma frequência específica; o preço fora o mapa das passagens secretas do tesouro real.
O baile continuava. Audra usou a desculpa de precisar de ar fresco e caminhou em direção ao terraço que conectava o jardim da ala leste. A brisa noturna trazia o perfume doce das rosas, mas não conseguia dissipar a opressão em seu peito. Kaelus... aquele homem governava o Norte gélido com punhos de ferro. Diziam as lendas que ele havia quebrado o pescoço de um primo traidor com as próprias mãos e que decorava seu salão com os crânios dos inimigos. Casar-se com ele era entrar na cova de um lobo, mas permanecer na capital significava ser apenas um canário em uma gaiola dourada, esperando para ser vendido pelo Imperador.
A balaustrada de pedra do terraço estava gelada. Ela olhou para baixo, para o jardim imperial mergulhado na noite. Ali estavam os gramados onde correra na infância, mas que agora pareciam uma boca gigante devorando a luz.
— Atormentar-se por quem não vale a pena é um desperdício de vida, Vossa Alteza.
Uma voz grave soou atrás dela sem qualquer aviso. A espinha de Audra retesou-se instantaneamente, e ela se virou num estalo.
Nas sombras, uma figura alta estava encostada no portal. Ele não vestia os trajes luxuosos da corte, mas sim uma roupa civil escura de corte impecável. As dragonas delineavam ombros largos e robustos, e o emblema no peito era minimalista, mas exalava uma autoridade inconfundível. O homem caminhou lentamente para sob a luz. Seu rosto era frio, com linhas duras como se tivessem sido esculpidas a machado. Seus olhos cinza-profundos eram como lagos congelados, examinando-a sem qualquer hesitação. O Grão-Duque do Norte, Kaelus. Ele havia chegado mais cedo e de forma absolutamente silenciosa.
— Senhor Grão-Duque — Audra rapidamente conteve seu espanto, recuperando a postura de princesa perfeita e fazendo uma leve reverência com a cabeça.
Kaelus não retribuiu o gesto. Ele caminhou até parar diante dela, a uma distância tão curta que ela podia sentir o hálito gélido que ele trazia consigo, um ar que pertencia às nevascas do Norte. Ele era mais de uma cabeça mais alto que ela, e a sombra que projetava quase a envolvia por completo.
— Ouvi muitos boatos sobre a senhora, Princesa Audra — disse ele, com uma voz desprovida de qualquer calor, como se estivesse declarando um fato irrelevante. — O tesouro do Império, a rosa mais exuberante das estufas. Mas as rosas... — ele estendeu a mão, e as pontas de seus dedos quase tocaram uma mecha de seus cabelos loiros cacheados, parando a milímetros de distância, com um olhar aguçado como o de uma águia — ...geralmente têm espinhos, não é?
O coração de Audra batia pesadamente no peito, mas ela se forçou a sustentar o olhar dele.
— Talvez o Senhor Grão-Duque aprecie mais os espinhos resistentes ao frio.
Uma curva extremamente sutil, quase inexistente, passou pelos lábios de Kaelus. Não era um sorriso; parecia mais um caçador que encontrara uma presa interessante.
— Os espinhos, ao menos, são honestos. Já as rosas do palácio... o perfume delas costuma esconder venenos — ele fez uma pausa, os olhos cinzas cravados nela. — Não me importa qual papel a senhora desempenha na capital. No Norte, lembre-se de uma coisa: no meu território, não permito qualquer tipo de traição ou engano. É melhor que a senhora seja, de fato, apenas uma flor inofensiva.
Era um aviso e, mais do que isso, uma declaração de soberania. Audra sentiu uma pressão sem precedentes, mas, ao mesmo tempo, uma determinação indomável acendeu-se em seu íntimo. Ela ergueu ligeiramente o queixo, um gesto que tornava a linha de seu pescoço ainda mais elegante e vulnerável, mas que também carregava uma força invisível.
— Eu tampouco aprecio traições, Senhor Grão-Duque — disse ela, com voz suave, mas pronunciando cada palavra com clareza. — E espero que o senhor também se lembre que os espinhos de uma rosa, às vezes, podem fazer sangrar quem a despreza.
Os olhares se cruzaram, e o ar parecia faiscar com lâminas invisíveis. Ele a observava como se avaliasse uma arma ou um problema. Após um longo tempo, Kaelus assentiu quase imperceptivelmente.
— Muito bem — ele deu um passo atrás, desfazendo aquela distância sufocante. — O casamento será em uma semana. Prepare-se. O Norte não é tão... confortável quanto a capital.
Dito isso, ele se virou e partiu sem olhar para trás, como se aquela conversa tivesse sido apenas uma negociação burocrática.
Audra observou as costas dele desaparecerem na entrada do terraço. Só quando a pressão gélida se dissipou completamente é que ela soltou um suspiro suave, com as pontas dos dedos pálidas de tanto apertar a balaustrada. Uma flor inofensiva? Ela sorriu ironicamente para si mesma. Kaelus, você logo saberá que tipo de existência está levando para o Norte pelas próprias mãos.
Ela se virou, olhando novamente para o jardim imperial mergulhado na escuridão. Desta vez, seu olhar atravessou a noite, como se visse além — as terras vastas e severas do Norte que pertenciam a Kaelus. Aquele lugar seria sua prisão ou seu campo de batalha?
A resposta estava guardada na palma de sua mão cerrada. Ali, escondia-se uma chave de estilo antigo que não pertencia a ninguém no palácio. Fora um presente da Raposa de Prata, o comprovante que levava a algum segredo no Norte.
A tempestade estava apenas começando.
Последние главы
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