A Escrava Odiada pelo Rei Alfa
Sinopse
Ela já foi a Princesa Dandara de Montelume. Após a queda de seu pai, ela é marcada, recebe uma coleira e se torna escrava e propriedade do Rei Alfa Leandro. Ele a odeia profundamente e quer fazê-la pagar, com humilhação e punição, pelas dívidas de sangue de seu pai. Mas a dignidade e a bondade dela silenciam seus pesadelos e abalam seu ódio. Quando uma atração proibida cresce e um casamento real se aproxima, em meio à escravidão, vingança e jogos de poder, ela conseguirá manter sua identidade e proteger aqueles que ama? Um amor que não deveria existir começa a criar raízes no mundo mais cruel.
Capítulo1
Após a queda de Montelume e a morte de seu pai, Rei Augusto Queiroga, a princesa Dandara Queiroga é aprisionada, marcada, submetida à coleira e reivindicada como Escravo do Rei por Rei Leandro Boaventura. Antigo cativo do regime de seu pai, Leandro pretende fazer Dandara carregar o ódio que acumulou durante anos, sujeitando-a a trabalho forçado, humilhação pública, violência e à ameaça da Apresentação Real diante de outros reis. Enquanto luta para preservar a dignidade e a identidade da princesa que foi, Dandara encontra apoio em Samira Passarelli, Benedita Sacramento e na jovem Renata Peregrino, vítimas do mesmo mundo escravista.
A crueldade de Valedouro começa a ser contestada quando os atos de coragem e compaixão de Dandara abalam a certeza de Leandro de que ela é apenas a herdeira de um tirano. A presença, o toque e a voz dela acalmam os pesadelos e as lembranças traumáticas do rei, dando origem a uma atração proibida e profundamente desigual. Enquanto Leandro tenta reformar leis antigas e abolir A Apresentação, uma aliança matrimonial com Princesa Camila Matarazzo ameaça tornar ainda mais incerto o futuro de Dandara, do reino e de todos os escravos.
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Capítulo 1
Dandara Queiroga permanecia encolhida no canto da cela. Uma cela vazia e gelada.
Estava ali havia uma semana. Ansiava pelo lado de fora... por qualquer lugar. Qualquer lugar que não fosse aquele espaço frio e árido. Havia apenas uma cama beliche encostada à parede, ocupando um dos lados do aposento.
Não vira o captor nenhuma vez naquela semana. A única ocasião fora quando ele se aproximara, fitando-a com os olhos mais frios que já encontrara, antes de estender a mão ao redor de seu pescoço e colocar-lhe a coleira.
Sua escrava. Sua propriedade. Fora assim que ele a chamara.
Um arrepio percorreu os braços de Dandara. Nunca tinha visto um ódio tão cru nos olhos de ninguém.
Rei Leandro Boaventura a odiava. Odiava-a muito.
Dandara sabia o motivo melhor do que qualquer outra pessoa. Ah, se sabia.
Uma semana antes, era a Princesa Dandara, filha do Rei Augusto Queiroga de Montelume. Era temida e respeitada.
Ninguém ousava olhar para ela duas vezes. Ninguém se atrevia a encará-la. Ninguém caminhava pelo mesmo lugar que ela, a menos que não desse valor à própria vida. O pai cuidara para que fosse assim.
Naquele dia, o pai estava morto, o reino deles havia sido tomado pelo impiedoso Rei Leandro Boaventura, e ele também a reivindicara como sua escrava.
O som de passos e de correntes arrastando-se chamou a atenção de Dandara para a porta da cela. A porta se abriu, e um guarda-costas entrou.
Trazia uma bandeja de comida. O estômago de Dandara roncou, e a fome atravessou-lhe o corpo, lembrando-a de que aquela era sua primeira refeição desde a manhã — e, a julgar pela luz, já devia ser quase noite.
— Aqui está sua comida, priiiincesa — disse ele, esticando a sílaba com repulsa. Todos ali a odiavam. Dandara já sabia disso.
Ergueu o queixo em desafio e não respondeu.
— O rei estará aqui dentro de algumas horas. Esteja pronta para recebê-lo — anunciou o homem antes de se afastar.
O medo deslizou por dentro dela. Ainda não estava pronta para encarar o captor. Mas já fazia uma semana, e Dandara sabia que aquilo era inevitável.
Duas horas depois
O sol já quase desaparecera quando Dandara ouviu passos, seguidos de uma voz:
— O REI CHEG—
— Não me anuncie, Caio — veio a resposta seca, fazendo um frio subir pelos braços de Dandara. Em todos os seus vinte e um anos de vida, ela nunca ouvira uma voz tão gélida.
— Perdoe-me, meu rei — apressou-se Caio Matos a dizer.
Ouviu-se o tilintar das correntes... então a porta foi escancarada.
Somente o rei entrou. Dandara escutou um único passo, quase inaudível, antes que a porta se fechasse atrás dele.
De repente, a cela fria e árida deixou de parecer tão... vazia. Dandara ergueu os olhos e fitou-o, carregando no olhar o mesmo ódio que sentia por ele.
Era enorme, feito um guerreiro, mas trazia consigo a imponência de um rei. Dandara sabia que tinha trinta e cinco anos — e parecia maior do que a própria vida.
Mesmo quando fora escravizado pelo pai dela, aquela realeza já se fazia presente ao redor dele. Não importava quantas vezes o tivessem espancado. Não importava quanto o tivessem torturado.
Os dois se encararam, a malícia entre eles exposta, impossível de ignorar.
Mas o sentimento nos olhos do Rei Leandro não era apenas ódio. Era abominação. Ódio e fúria em estado bruto. Não havia calor algum em seu olhar.
Seu rosto teria sido belo, não fosse a cicatriz grossa que lhe atravessava uma das faces, conferindo-lhe um ar feroz.
Ele se aproximou sem pressa, curvou-se e passou a mão pelos longos cabelos louros, quase brancos.
Agarrou-os com força e puxou, fazendo a cabeça dela se inclinar para trás e obrigando-a a encarar o oceano azul de seus olhos. A dor queimou-lhe o couro cabeludo.
— Quando eu entrar aqui, você vai se dirigir a mim. Não vai ficar sentada, olhando para mim feito uma covarde, ou vou puni-la por isso. — Os olhos dele faiscaram. — Não existe nada que eu queira mais do que puni-la.
Dandara se viu assentindo. Odiava aquele homem, seu captor, mas tinha uma profunda aversão à dor. Não gostava de sentir dor, de maneira alguma, e faria qualquer coisa para evitá-la... se pudesse.
— Sim... meu rei — gemeu.
A repulsa atravessou o olhar dele. A mão desceu e pousou sobre o seio mal coberto.
Leandro circulou o mamilo por cima do tecido e, em seguida, apertou-o com tanta força que Dandara soltou um grito, enquanto uma onda espessa de dor reverberava por seu corpo.
Ainda segurando a ponta dolorida, ele a encarou.
— Eu não sou seu rei e jamais serei. Sou rei do meu povo, e você não pertence ao meu povo. Você é minha escrava, Dandara. Minha propriedade.
Dandara assentiu depressa, desejando que ele soltasse o mamilo latejante.
Em vez disso, Leandro torceu-o com mais força, fazendo seus olhos se encherem de lágrimas.
— Você vai se dirigir a mim como seu senhor e vai me servir. Assim como os meus criados... só que muito mais.
Os lábios dele se curvaram num sorriso feroz, carregado de ódio.
— Certamente sabe como uma escrava serve ao seu senhor. Afinal, seu pai a ensinou bem, não foi?
— Sim! Sim! — chorou Dandara, fechando as mãos em punhos. — Por favor, solte...!
Ele apertou-a com violência.
— Sim... o quê?
— Sim... s-senhor. — Lágrimas furiosas transbordaram de seus olhos. Dandara odiava aquela palavra mais do que qualquer outra, porque sabia o quanto era humilhante.
Leandro soltou-a quase imediatamente e recuou. O rosto permanecia desprovido de qualquer emoção.
Pôs-se de pé e rasgou o tecido fino que cobria o torso dela, deixando seus seios nus diante de seus olhos frios e impassíveis.
Lágrimas de humilhação apertaram a garganta de Dandara. Ela agarrou a saia miserável, lutando contra o impulso de cobrir-se diante dele.
O olhar do rei não mudou enquanto percorria seu corpo. Não houve qualquer lampejo de desejo. Nada.
Em vez disso, ele envolveu um dos seios com a mão — justamente aquele cujo mamilo, vermelho e ferido, ainda doía — e acariciou-o.
— Fique de pé.
Dandara se levantou sobre as pernas trêmulas, os olhos turvos fixos no chão.
— Caio! — bradou Leandro.
Ela se enrijeceu e tentou afastar-se para buscar alguma cobertura, mas a mão que lhe segurava o seio apertou-se, impedindo o movimento, a menos que quisesse arriscar-se a sofrer ainda mais dor.
— Vossa Alteza? — O homem corpulento entrou e fitou o rei.
— Olhe bem para esta escrava, Caio. Gosta do que vê?
Os olhos de Caio percorreram o corpo dela, e Dandara desejou que o chão se abrisse para escondê-la. Ainda assim, manteve-se de pé, encarando-o de frente.
O desejo cobriu o olhar de Caio enquanto ele a observava com avidez.
— Posso tocar? — perguntou, ansioso.
— Em outra ocasião. Saia.
Caio tornou a olhar para o rei, e Dandara percebeu que havia algo nos olhos dele quando fitava o soberano. Não era ódio... não, não era ódio. Mas ela ainda não conseguia identificar o que significava.
Caio deixou a cela.
— Guardas! — chamou Leandro, sem precisar elevar a voz.
Dois guardas apareceram.
— Sim, Vossa Alteza.
Os olhos frios do rei não deixaram Dandara.
— Digam aos criados que banhem minha escrava assim que eu terminar aqui. Quero-a limpa e nos meus aposentos dentro de três horas.
— Sim, Vossa Alteza.
Os guardas demoraram a sair, presos à visão do corpo exposto de Dandara.
Ela manteve os olhos no rei, a raiva e o ódio brilhando entre as lágrimas. Seu corpo inteiro sustentava o desafio.
Por fim, Leandro soltou-lhe o seio.
— Vou feri-la tanto que você continuará viva apenas para desejar a dor. Farei com você tudo o que você e seu pai fizeram comigo e com o meu povo — e farei ainda pior. Vou compartilhá-la com quantos eu quiser e treiná-la para ser a mais obediente das cadelas.
O medo quase tomou forma na língua de Dandara, mas ela não permitiu que transparecesse. Já sabia que tudo aquilo aconteceria antes mesmo de ele entrar na cela.
Os lábios de Leandro se contraíram, destacando a cicatriz na face.
— Eu vou quebrá-la, Dandara.
— Você nunca vai conseguir me quebrar, seu monstro! — As palavras irromperam dos lábios dela.
Os olhos de Dandara se arregalaram. Ela respondera ao rei. Escravos não retrucavam aos seus senhores sem serem punidos.
Leandro não a decepcionou. Agarrou a corrente da coleira e puxou-a com força, arrancando um grito de Dandara.
Os olhos dele faiscaram. Com a mão firme, ergueu o queixo dela.
— Adoro ver tanto fogo. Vou adorar apagar cada chama. Você não faz ideia do que preparei para você. Ou talvez faça... Afinal, já treinou escravos antes.
Meu pai treinava escravos! Dandara quase gritou.
O ódio puro escorria dos olhos frios do rei.
— Seu treinamento começa esta noite. Você vai dormir na minha cama.
Leandro se levantou e saiu da cela com passos pesados, feito um enorme predador letal.
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Últimos capítulos
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