説明
A Rainha Humana: O Preço do Destino
Clarice Rocha sempre foi uma pária. Filha do Alfa da poderosa Alcateia Dente Negro, ela nasceu sem a capacidade de se transformar, sendo desprezada como uma reles "humana" em um mundo onde a força e o sangue real são tudo. Seu único desejo era fugir para bem longe e viver livre do preconceito da sua própria espécie, mas o destino tinha outros planos.
Durante uma cúpula diplomática, Clarice é revelada como a companheira predestinada de Guilherme Valente, o temido príncipe herdeiro e futuro Rei Alfa. Dividida entre a rejeição à soberba dos lobos e uma atração avassaladora, ela se vê no centro de uma sangrenta disputa de poder quando Guilherme assassina o próprio pai para protegê-la. Agora, Clarice precisa decidir se aceita a coroa de Rainha Luna para reformar o reino ao lado de seu implacável parceiro, ou se foge de um amor que ameaça consumir sua própria humanidade.
エピソード1
"O destino não é uma águia; ele rasteja como um rato." Elizabeth Bowen
Se perguntassem aos meus pais como descrever o meu irmão mais velho, diriam que ele é um líder nato. Destemido e corajoso, o tipo de homem que nasceu para liderar exércitos.
E se perguntassem sobre a minha irmã, eles se derreteriam falando de sua doçura e de seu coração generoso. Mas eu? Só existe uma palavra que meus pais usariam para me descrever: humana. Pode parecer estranho que a palavra "humana" seja usada como insulto, mas, de alguma forma, passei a vida inteira carregando esse termo como uma marca de vergonha.
Quando bati à porta do meu pai, o Alfa Marcos Rocha, aos doze anos, ele disse ao resto da alcateia que eu estava ali por causa do fracasso da minha mãe humana.
Fui jogada no meio da alcateia, literalmente, mas a minha condição de única humana ali me transformou instantaneamente em uma excluída. Eu não conseguia correr, lutar ou me transformar em lobo como as outras crianças da vizinhança.
Nunca conheceria meu companheiro de alma nem experimentaria aquele amor verdadeiro e instantâneo que os casais predestinados sentiam. Ainda era a filha do Alfa e, mesmo que isso me protegesse dos valentões, não significava que eu fizesse parte daquele mundo.
O mundo dos lobisomens era drasticamente diferente do humano e, para eles, a minha humanidade era uma fraqueza.
Meu pai nunca disse com todas as letras que tinha vergonha de mim, mas eu ainda conseguia sentir sua decepção. Ela pairava no ar toda vez que ele me chamava de sua filha humana ou explicava que eu era o fruto de um caso passageiro com uma mulher humana, dezoito anos atrás. Minha madrasta, a companheira de alma do meu pai, até tentava fazer com que eu me sentisse incluída.
Ela era o exemplo perfeito de uma Luna, gentil e bondosa, mas eu ainda percebia que tinha vergonha de mim.
Se havia alguma prova de que sua família não era perfeita, essa prova era eu. Toda vez que ela me olhava, lembrava de que seu companheiro a havia traído. Por mais que tentassem, nada daquilo era a receita ideal para uma família perfeita.
Passei seis anos morando sob o teto do meu pai, na sua alcateia e no mundo dos lobisomens, e já tinha aceitado que nunca me encaixaria ali. Ou pelo menos era o que eu pensava.
Apesar dos meus planos de ir para uma faculdade bem longe da alcateia que não tinha espaço para mim, minha vida estava prestes a mudar completamente.
Algo, ou melhor, alguém, estava prestes a garantir que houvesse bastante espaço no mundo dos lobisomens para esta pequena humana comum.
Prezada Clarice Rocha,
Após uma análise cuidadosa de sua inscrição, lamentamos informar que não poderemos oferecer-lhe admissão na Universidade da Flórida neste momento.
Agradecemos o tempo e o esforço dedicados à sua candidatura, mas, infelizmente, o grande número de inscritos deste ano dificultou nossa decisão e dispomos de vagas limitadas para cada turma.
Li o e-mail de rejeição pelo menos cinco vezes, com os olhos correndo pela tela em busca de algo que pudesse ter deixado passar.
Infelizmente, não havia nenhuma mensagem oculta a ser descoberta; era apenas mais um e-mail genérico de rejeição de outra faculdade que não me queria. Meu último ano do ensino médio estava terminando e, embora eu tivesse me candidatado a uma lista interminável de universidades, só tinha recebido três recusas e uma vaga na lista de espera.
A maioria das instituições para as quais me candidatei eram universidades estaduais com bons históricos acadêmicos, mas, na verdade, tudo o que me importava era encontrar uma faculdade bem distante.
Um lugar longe o suficiente para que eu tivesse uma desculpa para não voltar para casa nos fins de semana ou na maioria dos feriados. Como eu morava na fria e chuvosa Washington, o clima ensolarado e distante da Flórida teria sido perfeito, mas aquilo não ia acontecer.
— Clarice!
Meu momento de autopiedade foi interrompido pela voz da minha irmã, Lívia, gritando meu nome. Mal tive tempo de fechar a tela do Gmail antes que ela entrasse no meu quarto de uma vez, sem nem bater.
— Clarice, estou te chamando há cinco minutos — suspirou ela, apoiando-se no batente da porta. — Tava assistindo a mais um daqueles reality shows ruins ou só me ignorando?
Embora fôssemos meias-irmãs, Lívia e eu quase não nos parecíamos. Ela era alta, de pele clara, com longos cabelos loiros que nunca pareciam desalinhados ou rebeldes. Ela e meu irmão tinham herdado os olhos azuis e brilhantes do meu pai.
Os olhos eram o seu melhor traço, e pareciam constantemente tentar enxergar além das aparências.
— Desculpe, não estava tentando te ignorar, Livi — falei. — O que foi?
Seus olhos azuis penetrantes se estreitaram, mas ela pareceu aceitar minhas desculpas.
— Papai quer ver a gente. Vai ter uma grande reunião hoje à noite na sede da alcateia, muita gente vai estar lá.
Fiquei curiosa. Reuniões da alcateia não eram incomuns para nós, mas eu geralmente não precisava comparecer. Como a única humana residente na Alcateia Dente Negro, não tinha grande participação nos assuntos deles. Não conseguia me transformar, o que significava que não participava das patrulhas nem da defesa da alcateia.
— Por que o papai está me chamando? — perguntei.
— Não sei. — Lívia deu de ombros. — Ele só mandou eu te chamar. Tenho certeza de que é por um bom motivo, papai não levaria você se não fosse importante. Vamos!
Lívia não perdeu mais tempo me esperando, e eu a vi sair do quarto. Nem mesmo a filha de ouro sabe por que estou sendo chamada, pensei, então deve ser importante. Segui minha irmã para fora do quarto e descemos as escadas em silêncio.
Com tetos altos e piso de madeira, a casa da nossa família era uma das maiores da alcateia, um privilégio de fazer parte da família do Alfa.
Fotos das conquistas de Lívia e do meu irmão, Sebastião, enfeitavam as paredes como os troféus que representavam: Lívia quando bebê, Sebas no seu primeiro jogo de futebol da alcateia, Lívia no baile de formatura com os amigos. Como eu já esperava, meu pai, Sebas e Graça Santana estavam todos esperando na sala de estar.
Meu pai estava relaxado na poltrona reclinável como se fosse seu trono, com Graça sentada em seu colo, enquanto Sebastião permanecia de pé, sem jeito, perto da lareira.
— Ah, meninas, aí estão vocês — disse meu pai, e sua voz estrondosa ecoou pela sala. — Temos uma reunião da alcateia hoje à noite e vamos precisar de vocês duas lá.
Mesmo na casa dos quarenta anos, meu pai não parecia ter mais de trinta. Ele tinha os mesmos cabelos claros e olhos azuis de Lívia, e sua mandíbula marcada e porte intimidador faziam com que ele parecesse exatamente o lobo Alfa que era.
Meu meio-irmão mais velho, Sebastião, era tão alto quanto meu pai, mas havia herdado os cabelos castanhos da mãe, Graça. Graça, ou Luna Graça, se você não fosse sua enteada, era a companheira de alma do meu pai e mãe biológica de Sebas e Lívia. Ela era a peça final daquela família de comercial de margarina que meu pai havia construído.
— Por que a Clarice vai à reunião hoje à noite? — perguntou Sebastião, olhando para mim.
Ele não disse aquilo como um insulto; assim como eu, sabia que eu raramente era necessária ou bem-vinda nas reuniões da alcateia.
— Nós conversamos sobre isso lá — disse meu pai, levantando-se com Graça. — Todos prontos? Vai começar logo, é melhor irmos.
Todos nós assentimos.
— Ah, Clarice, querida — Graça falou do lado do meu pai —, tem certeza de que não quer se trocar? Essa roupa parece um pouco informal demais para uma reunião da alcateia.
Olhei para a minha calça jeans e a camiseta preta básica. Não era nada glamouroso, mas ninguém ali estava muito arrumado também. Sebas usava camiseta e bermuda, e Lívia exibia uma saia jeans e uma blusa com babados.
— Se não tiver problema, vou assim mesmo — respondi.
Graça assentiu, mas percebi seus olhos me avaliando de cima a baixo mais uma vez. Não é como se eu fosse ser o centro das atenções aqui, pensei. Os anciãos estariam ocupados demais com meu pai, os guerreiros da alcateia estariam com os olhos fixos na Lívia, e as garotas solteiras tentariam flertar com meu irmão.
Se eu tivesse sorte, passaria despercebida no fundo da sala e, para ser sincera, era exatamente onde eu gostava de ficar em eventos assim.
— Chega de enrolação, vamos — resmungou meu pai, pegando a mão de Graça. Ele abriu caminho para fora de casa, com Sebas, Lívia e eu o seguindo como filhotinhos, sem trocadilhos. Caminhamos em silêncio, e aproveitei o momento para apreciar a paisagem.
最新エピソード
— Eu já disse para não me chamar assim!
Interrompi com rispidez. Minha voz ecoou
--- Enquanto minha mãe percorria cada butique de Yorba Linda, Guilherme continuava a me atormentar
Nada de Guilherme. A cozinha também não tinha sinal do meu companheiro. Fiquei ali perto do balcão,
Tinha sido algo impulsivo, uma única vez, que deixou Wagner seguindo-a como um cachorrinho desde ent







