Renasci e Cortei Todos os Laços
Synopsis
Traída pela filha adotiva Beatriz Xavier e desprezada pelos seus seis irmãos de sangue, Clara Oliveira sofreu abusos implacáveis até ter um fim trágico em sua vida anterior. Ao renascer exatamente no momento crucial em que caiu na água e foi coagida a se desculpar injustamente, Clara decide extinguir qualquer vestígio de afeto familiar, cortando laços de forma definitiva com a Família Oliveira para viver apenas por si mesma.
Determinada a trilhar seu próprio caminho, Clara surpreende a todos ao passar de aluna medíocre a prodígio acadêmico, reinar no cenário de esportes eletrônicos ao executar o lendário Combo de Doze Golpes e conquistar contratos milionários na Douxia Live. Enquanto o enigmático médico escolar Felipe Tavares a protege nas sombras e desmascara as farsas de Beatriz, os irmãos Oliveira finalmente encaram a verdade, quebrando em desespero e caindo de joelhos para implorar por um perdão que Clara jamais concederá.
Chapter1
— Clara, você vai admitir seu erro ou não?
A água invadia a boca e o nariz de Clara Oliveira, fazendo sua garganta arder com violência.
Ela abriu os olhos em meio à sensação de sufocamento e viu Gabriel Oliveira, seu segundo irmão mais velho, de pé na borda da piscina, enquanto Bruno Oliveira, o quarto irmão, segurava Beatriz Xavier nos braços.
Um lampejo de espanto passou por seus olhos. Aquela cena era assustadoramente familiar.
Ela não tinha morrido?
Seria possível que tivesse renascido três anos no passado, justamente no dia em que Beatriz foi adotada oficialmente pela Família Oliveira?
Naquela festa, Beatriz armara uma cilada para fazê-la passar por culpada, dando a entender a todos que Clara a havia empurrado de propósito na piscina.
Bruno fora o primeiro a alcançá-las, mas limitara-se a socorrer Beatriz, deixando a própria irmã — que também não sabia nadar — debatendo-se na água.
Gabriel ainda exigia que ela confessasse a suposta culpa.
A postura dele deixava claro que não a tiraria dali enquanto ela não pedisse desculpas.
Na vida passada, desesperada, Clara se debatera na água, implorando por socorro e pedindo perdão aos prantos.
Só a resgataram quando estava à beira da morte.
A partir daquele episódio, nunca mais ousou contrariar Beatriz. Passou a bajular os irmãos com cautela extrema, mas o que recebeu em troca?
Beatriz roubou os resultados de sua tese de formatura, e Gabriel testemunhou a favor da impostora, fazendo com que Clara fosse expulsa da universidade como plagiadora.
Quando Beatriz precisou de um transplante renal por causa da saúde frágil, Leonardo Oliveira levou Clara pessoalmente à sala de cirurgia para doar o órgão.
Para que Beatriz pudesse ostentar títulos em torneios internacionais, Bruno, Henrique e Lucas a expulsaram da equipe sem a menor hesitação.
Mais tarde, quando Clara reuniu provas de que Beatriz havia plagiado o trabalho e falsificado laudos médicos, levou tudo ao irmão mais velho, decidida a desmascará-la.
No entanto, provocou apenas a fúria geral. Ninguém acreditou em suas palavras; sequer se deram ao trabalho de examinar os documentos.
Rodrigo Oliveira a expulsou de casa para que ela "refletisse sobre os próprios atos".
Acabou jogada na rua, sem um único centavo, provando todo tipo de amargura.
Com as lembranças do passado vindo à tona, Clara parou de lutar contra a água e deixou o corpo afundar até o fundo da piscina.
De olhos abertos e expressão vazia, parecia já estar sem vida.
Ela observava os irmãos reunidos em volta de Beatriz na borda. Mesmo presenciando tudo pela segunda vez, a dor em seu peito ainda era cortante.
Que ironia.
Uma irmã de sangue valia menos do que uma estranha.
Na borda, Gabriel mantivera a atenção voltada para Beatriz. Só quando os sons de Clara se debatendo cessaram por completo é que ele olhou de volta para a piscina — e viu a irmã caída no fundo.
Ao ver a cena, o rosto de Gabriel perdeu a cor no mesmo instante:
— Clarinha!
Com um baque na água, ele saltou sem pensar duas vezes.
Beatriz viu Clara afundar e um brilho de triunfo cintilou em seus olhos. Para ela, quanto mais rápido a garota morresse, melhor.
Fingindo extrema fraqueza, ela segurou a manga da camisa de Bruno e murmurou com a voz trêmula:
— Cof, cof... Bruno, eu também quero ajudar a salvar a Clara. Foi por minha causa que ela caiu na água.
Bruno, que já estava tenso, tratou de acalmar Beatriz ao ouvir aquilo:
— Não faça bobagem. O Gabriel já pulou, é suficiente. A Clara só está colhendo o que plantou, ela não vai morrer por causa disso!
Ele virou o rosto para a piscina, com um olhar carregado de sentimentos contraditórios.
Debaixo d'água, Clara viu Gabriel nadar em sua direção com uma preocupação que parecia sincera.
Mas fora ele mesmo quem, momentos antes, exigia que ela pedisse perdão enquanto assistia ao seu afogamento com total frieza.
Desta vez, ela não precisava daquele resgate.
Com um traço de desprezo no olhar, Clara deu meia-volta e impulsionou o corpo para a superfície por conta própria.
Na vida anterior, após o incidente, Gabriel a obrigara a aprender a nadar junto com Beatriz.
Embora o trauma fosse imenso, ela venceu o pavor e aprendeu só para agradar o irmão. No fim, ele elogiou apenas a coragem de Beatriz por superar o medo.
Ninguém imaginava que o minuto em que fora deixada para trás na água também havia deixado sequelas profundas em Clara.
Mas ninguém se importava com o que ela sentia; os olhos de Gabriel só enxergavam Beatriz.
— Clara, que palhaçada é essa agora? Acha que fingir afogamento vai apagar a besteira que você acabou de fazer? — Gabriel bloqueou a passagem dela, sentindo que havia algo diferente na irmã. Desde quando ela sabia nadar?
Clara ergueu a cabeça e encarou o segundo irmão. No passado, ele era o seu favorito.
Como o primogênito era severo demais, apenas Gabriel demonstrava algum afeto por ela.
Agora, porém, o olhar dele carregava apenas repulsa e impaciência.
A voz dengosa de Beatriz soou ao fundo:
— Gabriel, não culpe a Clara. Eu sei que ela nunca gostou da ideia de eu entrar para a Família Oliveira... Eu fui gananciosa demais em querer ter uma família. Não briguem por minha causa. Vocês todos são muito importantes para mim.
Bruno encarou Clara com raiva evidente:
— Satisfeita agora? Se o pai dela não tivesse morrido para salvar você, ela não teria ficado órfã. Nunca deviam ter salvado uma ingrata como você! Teria sido melhor se tivesse morrido naquele dia!
Gabriel franziu a testa, repreendendo-a:
— Clara, tenha um pouco de consideração. Nós devemos acolher a Bia como parte da família. Isso é o que os Oliveira devem a ela, e é o que você deve a ela acima de tudo. Entendeu?
— Gabriel, ela é uma ingrata — rebateu Bruno. — Se entendesse isso, não teria empurrado a Bia na piscina. Teria sido melhor o tio Xavier ter salvado um cachorro do que ela!
Clara sentia-se no meio de um deserto gelado, com o frio penetrando até os ossos.
Se pudesse escolher, preferiria nunca ter sido resgatada naquele acidente.
Suportando a queimação nos pulmões, ela respondeu com a voz rouca:
— Realmente foi culpa minha. Isso não vai se repetir.
Não se repetiria porque ela nunca mais cometeria a estupidez de implorar por aquele afeto.
Já que preferiam ter Beatriz como irmã, ela simplesmente se afastava.
— Clara, você fez isso de propósito mesmo? Tem ideia de que a Bia não sabe nadar e poderia ter morrido? — Gabriel expressou profunda decepção. Pensava ter sido um acidente, sem imaginar que a irmã admitiria aquilo com tanta frieza. Desde quando Clara havia se tornado alguém tão cruel?
Nesse momento, o médico da família chegou às pressas. Bruno virou-se para a irmã, ameaçando:
— É bom rezar para que nada aconteça com a Bia. Quando o Rodrigo voltar, você vai ver só.
Gabriel deu alguns passos acompanhando o grupo, mas olhou para trás e viu Clara ensopada, imóvel e com o rosto pálido. Sentiu uma pontada de hesitação e disse:
— Volte para o quarto e troque de roupa. A festa já vai começar.
Clara não respondeu. Em poucos instantes, restava apenas ela no local.
Ela esperou que todos se afastassem para se curvar e tossir sem parar, como se fosse expelir os próprios pulmões.
Engoliu o gosto ferroso na garganta e caminhou com dificuldade de volta ao quarto.
Deitada na banheira, fechou os olhos e se lembrou de como, na vida anterior, depois de cair na miséria e perder a razão, tentou matar Beatriz.
Mas falhou.
O irmão mais velho a trancou em um hospital psiquiátrico, onde foi torturada até a morte pelos cuidadores contratados por Beatriz.
Cobriu o rosto com as mãos e soltou uma risada baixa e sombria. Que excelente.
Ao reabrir os olhos, seu olhar estava completamente gélido.
Depois de se vestir, Clara olhou ao redor do quarto, que parecia quase estranho.
Na vida passada, aquele cômodo acabou sendo entregue a Beatriz, restando a Clara apenas o quarto menor que pertencia à outra.
Ela viu o porta-retrato com a foto de família sobre a mesa: um casal jovem segurando um bebê no colo, cercado por seis garotinhos.
Infelizmente, pouco depois de seu nascimento, os pais morreram em um acidente de carro.
O motorista conseguiu tirar o bebê a tempo, mas quando voltou para salvar o casal, o tanque de combustível explodiu e ele também morreu.
Beatriz era a única filha daquele homem e sempre tivera a saúde frágil.
Após o acidente, o irmão mais velho trouxe a menina para a mansão dos Oliveira, criando as duas juntas.
Desde que Beatriz chegou, tudo mudou.
Os irmãos que Clara tanto amava passaram a priorizar apenas a recém-chegada.
"A Bia tem a saúde fraca, contratei um cozinheiro para preparar refeições especiais. Clara, cuide para que ela coma direito."
"Clara, a Bia quer aprender pintura. Como você já aprendeu o suficiente, ceda o professor para ela."
"Clara, desista desta competição. Deixe a Bia representar a escola, ela ficou em segundo lugar e se preparou por muito tempo."
"Clara, a nota da Bia foi baixa. Inscreva-se na mesma faculdade que ela para poder cuidar dela no futuro."
...
Clara levou as mãos à cabeça, sentindo pontadas agudas espalharem-se pelo peito.
Respirou fundo, compassadamente, até dissipar a dor.
Nesta vida, não queria manter vínculo algum com a Família Oliveira.
Ela guardou a fotografia e começou a arrumar suas coisas.
Pouco depois, uma empregada bateu à porta:
— Senhorita, a festa começou. O segundo jovem mestre mandou avisar para descer assim que trocar de roupa.
— Já vou.
Clara abriu a porta e caminhou decidida em direção ao salão movimentado.
A empregada arregalou os olhos e murmurou perplexa:
— O que a senhorita está vestindo? Será que enlouqueceu depois do que aconteceu?
No salão de festas.
Beatriz usava um vestido de gala branco, com os longos cabelos pretos sobre os ombros, aparentando a perfeita imagem de uma garota ingênua e doce.
Ao lado dela estavam Gabriel e Bruno, observando-a com ternura e desvelo.
A cena parecia a definição de harmonia familiar.
Gabriel não pôde deixar de pensar em Clara. Se ela fosse obediente e sensata daquele jeito, tudo seria mais fácil.
Nos últimos anos, o temperamento da irmã havia se tornado insuportável e arrogante.
— A Clara chegou!
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