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Sua Única Exceção

Sua Única Exceção

Last Updated: 2026-08-14 08:27:01
Language:  Português4+
4.2
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Synopsis

Evelyn Rocamora só queria um recomeço tranquilo na Universidade Eastbridge, longe das sombras de sua ansiedade. Mas seu caminho se cruza com o de Asher Valente, um prodígio da engenharia com reputação perigosa e um passado marcado por escândalos familiares. Ele a enxerga como sua única exceção, envolvendo-a em uma teia de proteção possessiva e atração impossível de ignorar. À medida que se aproxima, Evelyn é arrastada para a conspiração por trás da ruína da família de Asher, descobrindo sua conexão com o influente clã Alvarenga. Em um jogo de segredos, eles descobrirão que podem ser a salvação um do outro.


Chapter1

Evelyn Rocamora detestava aulas às oito da manhã.

Quando o despertador tocou, o céu lá fora ainda exibia um tom azul-cinzento, e o som de malas sendo arrastadas já ecoava pelo dormitório. As rodas batiam contra o calçamento de pedra, produzindo um ruído rítmico e abafado.

Deitada na cama, ela encarou o teto por três segundos, considerando seriamente a ideia de fingir que estava doente.

Mas não podia.

Antes de chegar à Universidade Eastbridge, ela havia repetido para si mesma, inúmeras vezes, que aquele semestre seria um novo recomeço.

Ela pretendia frequentar todas as aulas, fazer novos amigos e levar uma vida impecável.

Para Evelyn, ser impecável significava roupas bem ajustadas, uma maquiagem limpa, cabelo arrumado e a habilidade de brincar durante uma conversa, para que ninguém percebesse o quanto ela se sentia tensa por dentro.

Ela se levantou e foi escovar os dentes diante do espelho.

A garota no reflexo ainda parecia sonolenta, mas já estava repetindo mentalmente que precisava agir com naturalidade e ser educada.

A cama de Serena Ramalhete ficava do outro lado, com o cobertor enrolado em uma confusão de tecidos. Ela esticou uma mão para fora das cobertas e resmungou com a voz abafada.

Evelyn cuspiu a espuma da pasta de dentes e disse para a amiga: — Você também não tem aula hoje de manhã?

— Minha aula é às dez, que é o horário normal de qualquer ser humano acordar.

— Eu te odeio. Tenho aula às oito hoje.

Serena colocou a cabeça para fora do cobertor.

— Eu sei. Então aproveite esse ódio e leve-o para a aula de psicologia.

Evelyn soltou uma risada, e a tensão em seu peito cedeu um pouco.

Ela vestiu uma blusa clara e calças jeans, finalizando o visual com um par de brincos pequenos. A princípio, pensou em apenas prender o cabelo em um rabo de cavalo qualquer, mas acabou arrumando as mechas com cuidado mais uma vez.

Ela odiava admitir que se importava com a opinião alheia, mas naquela primeira semana em uma escola nova, quem não se importaria?

O outono na Eastbridge era luminoso.

A luz do sol atravessava as janelas de vidro no topo da biblioteca, espalhando-se pelo caminho de pedra. Perto do gramado, alguns alunos apressados seguravam seus cafés, outros entregavam panfletos em barracas de clubes estudantis, e um grupo de rapazes passava discutindo fervorosamente sobre o jogo da noite anterior.

O campus transbordava vitalidade; todos pareciam ter um destino certo.

Apenas Evelyn caminhava enquanto consultava o mapa no celular, tentando descobrir onde diabos ficava o prédio das aulas.

— Prédio de Psicologia, Prédio de Psicologia... — murmurava ela.

— Por que uma universidade precisa ter três prédios de tijolos vermelhos tão parecidos?

De repente, passos rápidos soaram atrás dela.

— Evelyn! Por que você está andando com tanta pressa?

Evelyn virou-se e viu Serena Ramalhete correndo em sua direção, segurando a bolsa. O cabelo dela ainda não estava totalmente penteado, mas ela já exibia brincos brilhantes.

Serena parou ao lado de Evelyn, ofegante, e apoiou a mão em seu ombro.

— Sua aula não era só às dez? — perguntou Evelyn.

— Lembrei de repente que, como sua melhor amiga, tenho a obrigação de acompanhá-la na sua primeira aula matinal.

Evelyn deu um tapinha leve na cabeça de Serena.

— Diga a verdade.

Serena abriu um sorriso.

— O café do refeitório está em promoção hoje, pague um e leve dois. Eu precisava de você para rachar o pedido.

Evelyn caiu na gargalhada.

— Isso soa muito mais como algo que você faria.

Serena entrelaçou o braço no dela e começou a falar sem parar sobre as fofocas que vira no grupo do dormitório na noite anterior.

Quem tinha terminado com quem, qual clube estudantil parecia uma fraude e como a festa de sexta-feira prometia ser agitada.

Evelyn ouvia, respondendo ocasionalmente, e sentiu seu humor melhorar. Ela gostava de pessoas como Serena. Elas eram diretas, e suas emoções vinham e iam com a mesma rapidez. Ao lado de Serena, Evelyn não precisava medir cada palavra antes de abrir a boca.

Quando chegaram diante do prédio de aulas, Serena parou bruscamente.

— Espera — sussurrou ela. — Quem é aquele?

Evelyn seguiu o olhar da amiga.

Parado ao pé da escadaria, ao lado do prédio, estava um rapaz. Ele era alto, vestia uma jaqueta preta e tinha ombros largos; mesmo posicionado à margem da multidão, parecia muito mais visível do que qualquer outra pessoa ali.

Muitos estudantes, ao passar por ele, desviavam instintivamente o caminho. Evelyn notou isso. Ele não falava com ninguém, nem olhava para o celular; apenas permanecia ali, em silêncio.

Então, ele olhou para ela.

Os passos de Evelyn vacilaram até parar.

O olhar dele pousou com precisão no rosto dela. O coração de Evelyn deu um sobressalto.

Ela não gostava daquela sensação. Seu instinto era desviar os olhos, mas, inconscientemente, acabou encarando-o por mais um segundo.

A expressão do rapaz não mudou; permanecia fria e carregava uma espécie de pressão implícita. No entanto, Evelyn sentiu, de forma inexplicável, que havia algo estranho na maneira como ele a observava.

A voz de Serena soou ao seu ouvido: — Vocês se conhecem?

— Não — respondeu Evelyn de imediato.

Serena, claramente, percebeu que havia algo no ar.

— Estranho. Então por que ele está te olhando?

— Talvez ele esteja olhando para a parede atrás de mim?

Serena olhou para trás e comentou com sinceridade:

— Mas a parede não é nem de longe tão bonita quanto você.

Evelyn forçou-se a continuar andando. Ela disse a si mesma que era apenas uma impressão causada pelo ambiente novo. Um estranho com um olhar intimidador a observara por um instante; ela não deveria agir como a protagonista de um romance e começar a imaginar destinos traçados.

Contudo, antes de entrar no prédio, ela não resistiu e olhou para trás.

Ele ainda a observava.

Desta vez, o rosto de Evelyn esquentou levemente. Ela virou-se depressa, fingindo que nada havia acontecido.

Serena aproximou-se com um olhar cheio de suspeita.

— Hum?

— Não comece.

— Eu nem disse nada ainda.

— Esse seu "hum" já disse o suficiente.

Serena soltou uma risada exagerada.

— Ele definitivamente está interessado em você.

— Você diz isso de qualquer pessoa que me olhe por mais de dois segundos.

— Não, este é diferente. O jeito que ele te olhou não parecia o de alguém apenas admirando uma garota bonita.

Evelyn arqueou a sobrancelha.

— Parecia o quê, então?

Serena pensou por um instante, e sua expressão tornou-se um pouco mais séria.

— Parecia que ele te conhecia há muito tempo, mas não tinha certeza se você ainda se lembrava dele.

Aquelas palavras fizeram a leveza no peito de Evelyn afundar subitamente. Ela olhou para trás mais uma vez.

Não havia mais ninguém ao pé da escadaria. O sol iluminava o lugar agora vazio, com estudantes indo e vindo; era como se o rapaz nunca tivesse estado ali.

Mas a sensação deixada por aquele olhar não desapareceu; ela ainda se sentia inquieta ao entrar na sala de aula.

Serena despediu-se dela na porta, não esquecendo de dar uma piscadela.

— Boa sorte na aula. Se o bonitão misterioso de preto aparecer de novo, trate de me avisar na hora.

— Ele não é um bonitão misterioso de preto.

— Tarde demais, você já até o classificou.

— Serena!

— Tá bom, tá bom, já estou indo.

Evelyn parou diante da sala e respirou fundo. Ela tinha uma matéria para acompanhar, anotações para fazer e perguntas do professor para responder. Ela não sabia o nome dele, não sabia por que ele a olhara daquela forma, nem por que estava tão incomodada.

Mas a aparição daquele rapaz a fez sentir, pela primeira vez, que algumas coisas poderiam não sair exatamente conforme os seus planos.

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