Vamos Nos Divorciar
Synopsis
Após anos de um casamento frio e negligente, Stella Rocha chega ao seu limite. Enquanto ela enfrentava a dor traumática de um aborto espontâneo sozinha, seu marido, o implacável magnata Evan Nepomuceno, estava ocupado protegendo sua cunhada manipuladora. O desprezo de Evan é a gota d'água que desperta a força adormecida de Stella.
Decidida a não ser mais a esposa submissa e 'boazinha', ela pede o divórcio e inicia uma vingança sistemática contra a família Nepomuceno. O que ninguém esperava é que Stella não era a órfã indefesa que todos acreditavam, mas a herdeira perdida do clã Melo, a família mais poderosa e rica do mundo. Agora, com recursos ilimitados e o apoio de seus irmãos influentes, Stella vai fazer cada um deles pagar por cada lágrima derramada.
Chapter1
Um quarto de hospital.
O cheiro penetrante de desinfetante causava náuseas em Stella Rocha, que permanecia deitada, sentindo o corpo fraco contra o colchão.
A chamada foi atendida. Stella falou primeiro. — Eu tive um aborto espontâneo e vou precisar de uma curetagem de emergência. Você pode vir?
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
Então a voz do homem ecoou, grave e carregada de irritação. — Desde quando você estava grávida? Por que eu não sabia de nada? Stella Rocha, até para o seu drama deveria haver um limite.
— Você vem ou não?
Aquela palavra, drama, foi o estopim que incendiou o peito de Stella.
— Eu realmente não tenho tempo para discutir com você hoje — Evan Nepomuceno tentou conter a impaciência na voz diante da raiva dela.
Um formigamento gélido percorreu o corpo de Stella. Ela não disse mais nada e afastou o celular do ouvido.
No momento em que ia desligar, a voz de uma mulher atravessou a linha.
— Senhor, a cesariana foi um sucesso. A mãe deu à luz gêmeos saudáveis, um menino e uma menina.
O mundo de Stella mergulhou na escuridão total.
Ele estava no mesmo hospital.
Mas estava lá acompanhando o parto da cunhada, celebrando a chegada de gêmeos.
Enquanto isso, o próprio filho dele estava prestes a passar por um procedimento de aborto.
Stella pressionou o botão para encerrar a chamada sem hesitar.
Uma médica de óculos de armação preta entrou no quarto e parou ao lado da cama. Ela puxou uma caneta e começou a preencher um formulário, o som do risco no papel soando nítido no silêncio do ambiente.
Sem levantar o olhar, perguntou seriamente: — A sala de cirurgia está pronta. Você precisará de alguém para acompanhá-la depois. O seu marido está aqui?
Stella engoliu a seco a fúria que ardia em seu peito. — Como se ele fosse aparecer.
A médica hesitou, confusa. A caneta parou no ar.
Stella olhou para ela, o olhar tornando-se gélido. — Ele está ocupado acompanhando a cunhada no parto. Eu me viro sozinha.
A palavra gêmeos, ouvida na ligação pouco antes, parecia um espinho cravado diretamente em seu coração.
Um brilho de compaixão passou pelos olhos da médica.
Ela entregou o formulário preenchido a Stella. — Está bem.
Stella pegou a caneta e assinou o nome com rapidez.
Em seguida, a médica lhe entregou um comprimido. — Tome isto. O procedimento começa em trinta minutos.
Stella aceitou e engoliu na mesma hora.
Ela detestava remédios. Mas, daquela vez, deixou que o gosto amargo se espalhasse por sua boca sem sequer piscar.
Anoiteceu.
Após ser mantida sob observação pós-operatória, Stella dirigiu sozinha de volta para a mansão que compartilhava com Evan.
Marianne Xisto, a governanta responsável pela limpeza do local, levou um susto ao ver como Stella estava pálida. — Sra. Nepomuceno, o que aconteceu com a senhora?
Stella ergueu os olhos ao ouvir a voz de Marianne. O rosto continuava sem cor enquanto ela forçava um sorriso frágil. — Marianne, estou com um pouco de fome.
Naquela manhã, Evan a levara até a propriedade principal da Família Nepomuceno.
Durante o almoço familiar, ela mal tivera tempo de dar algumas garfadas antes que Summer Nogueira entrasse em trabalho de parto subitamente, com uma hemorragia severa.
Toda a propriedade mergulhou no caos por conta do parto iminente de Summer.
Summer era a cunhada de Evan, viúva de seu irmão mais velho, Steven Nepomuceno. Steven morrera em um acidente de avião seis meses antes, e seus restos mortais jamais foram recuperados.
Desde então, sempre que algo acontecia com Summer ou com a criança que ela carregava, bastava um telefonema para tirar Evan de qualquer lugar.
As cenas daquele dia passaram como um relance pela mente de Stella.
Quando Summer entrou em trabalho de parto, o empurrão que ela deu em Stella foi tão forte que a mulher caiu no chão e não conseguiu se levantar.
Mas todos os olhos estavam voltados para Summer, que chorava e gritava.
Evan passou carregando Summer direto por ela.
Stella chegou a segurar a barra da calça dele, com os dedos trêmulos.
— Minha barriga está doendo.
Evan apenas lançou a ela um olhar que dizia para parar com aquilo. Então ele virou as costas e seguiu com Summer, sem olhar para trás.
Vendo o estado de fraqueza em que Stella se encontrava agora, Marianne a ajudou a se sentar à mesa de jantar. — A cozinha acabou de preparar algo. Vou trazer para a senhora.
Uma tigela de sopa fumegante, acompanhada de alguns acompanhamentos leves, foi colocada à sua frente.
Stella tinha acabado de comer as primeiras colheradas quando vozes vindas de fora, rindo e se aproximando, ecoaram pela casa. A porta se abriu instantes depois.
Evan entrou acompanhado de sua mãe, Dora Tavares.
Ao ver Stella, e com a Família Nepomuceno celebrando um grande evento hoje, Dora estava incomumente contida. Pela primeira vez, não lançou a Stella um olhar de desprezo.
Na verdade, ela nem sequer olhou para a nora.
Apenas disse a Evan: — Vou buscar uma coisa lá em cima.
— Tudo bem.
Dora subiu direto.
O sorriso de Evan desapareceu. Ele caminhou até Stella e sentou-se à mesa, de frente para ela.
Cruzou as pernas longas, acionou o isqueiro e, com um clique seco, a chama saltou. Ele acendeu um cigarro e deu uma tragada profunda.
Stella manteve a cabeça baixa, concentrada na comida, ignorando a presença dele.
Ele soltou a fumaça lentamente, com um suspiro que soava quase como desamparo. Esticou o braço e afagou o topo da cabeça dela.
— Diga-me uma coisa — ele falou suavemente. — Hoje era mesmo dia para você perder a paciência desse jeito?
— Meu irmão se foi. Minha cunhada ainda está carregando a linhagem dele. Por que exatamente você teve que fazer cena hoje?
— Os bebês são adoráveis — ele continuou com doçura. — Dois pequenininhos. Você gostaria deles se os visse.
Ao ouvir o tom que ele usava, aquela voz de quem tenta apaziguar uma criança mimada, e o calor em suas palavras ao falar dos bebês, algo dentro de Stella finalmente se quebrou.
Ela ergueu a mão e bateu os talheres contra a mesa com um ruído seco e estridente, interrompendo-o.
— Então os filhos dos outros são assim tão adoráveis?
Os olhos dela estavam vermelhos de fúria enquanto o encarava, o tom carregado de sarcasmo.
Evan viu o temperamento dela explodir novamente e sua expressão escureceu. — O que você quer dizer com filhos dos outros? São os filhos do meu irmão!
Sua voz subiu de tom ao final da frase, deixando transparecer a própria raiva.
Stella soltou uma risada curta e sem humor. — Ah, você ainda lembra que são filhos do seu irmão? Pela forma como está agindo, eu quase pensei que fossem seus.
— Stella Rocha!
Evan perdeu completamente o controle.
Stella se levantou e acertou um tapa em cheio no rosto dele.
O som do impacto ecoou por toda a sala.
Os olhos dela transbordavam ódio enquanto o encarava.
— Divórcio.
Não importava mais de quem eram aquelas crianças. Se ele queria assumir a responsabilidade pela família de outra pessoa, que fosse em frente.
Stella já estava no seu limite após os últimos seis meses.
O olhar de Evan tornou-se gélido.
— Ela deu à luz aos filhos do meu irmão hoje. Meu irmão está morto. Você espera que eu fique parado sem fazer nada?
Stella soltou uma risada amarga.
— Os filhos do seu irmão... Então isso te dá o pretexto para cruzar todos os limites? Para ignorar se o seu próprio filho vive ou morre?
Que frase conveniente. "Os filhos do meu irmão".
Ela se lembrou do que o médico dissera. Se tivesse sido levada ao hospital a tempo, o bebê poderia ter sido salvo.
Mas, em vez disso...
A dor de sentir o filho sendo arrancado de seu corpo ainda era vívida, uma ferida aberta.
Ela olhou para Evan com um olhar gélido, endurecido pela mágoa.
— A família Nepomuceno tinha mais de vinte pessoas cercando aquela mulher. Isso ainda não era o suficiente? A sua presença era realmente tão indispensável assim?
O peito de Evan subia e descia em um ritmo irregular.
Ele manteve o silêncio por alguns segundos, forçando-se a recuperar a compostura. Então, segurou a mão fria de Stella e tocou sua testa. Estava quente.
Ela sempre tinha febre perto do período menstrual.
— Já chega — disse ele, suavizando o tom. — Eu sei que você sempre quis um filho, mas essas coisas dependem do destino. Não se pode forçar a natureza, entende?
Aquele tom de resignação, de quem faz uma concessão, fez o sangue de Stella ferver.
— O que você está insinuando? Acha que a minha gravidez foi inventada?
Ao vê-la tão alterada, Evan a puxou para um abraço.
— Tudo bem, tudo bem. Você estava grávida. Eu errei, ok?
Era sempre assim que ele resolvia as coisas.
Nos últimos seis meses, toda vez que ela se chateava por causa de Summer Nogueira, ele respondia com o mesmo pedido de desculpas vazio, fingindo acreditar nela apenas o suficiente para fazê-la calar a boca.
Mas seria aquele um assunto que ele poderia simplesmente varrer para debaixo do tapete?
Dora Tavares voltou ao andar de baixo, segurando o item que tinha ido buscar, agindo como se não tivesse notado a tensão espessa que pairava no ar.
Enquanto descia, disse casualmente para Stella:
— Stella, a Summer acabou de passar por uma cesariana e não pode comer muita coisa. Ela está com desejo daquela canja de galinha que você faz. Acorde cedo amanhã e leve um pouco ao hospital.
— Certifique-se de escolher uma ave magra, abatida na hora. Ela não pode comer nada gorduroso logo após o parto.
Então, virou-se para Evan.
— Vamos embora.
Summer Nogueira acabara de dar à luz gêmeos. Aquela era a prioridade agora. Não podiam permitir que a nova mãe sentisse o menor desconforto sequer.
---
Latest Chapters
Evan partiu acompanhado de Stella.
O peito de Dora Tavares arfava de indignação.
Se toda aquela encenação do divórcio era mentira, por que continuar alimentando as esperanças de
Talvez ele tivesse medo. Porque, se aquele pensamento fosse verdade, então o que restava entre ele
Dora franziu a testa, confusa. — O que você quer dizer com isso? — Significa que ela nunca chegou







