A Luna Inesperada de um Alfa Implacável
Synopsis
Elara, uma curandeira Beta que só anseia por paz, é arrastada para a temida Gala da Lua Sangrenta, um campo de caça para os poderosos. Ali, ela chama a atenção de Damian Valadares, o Alfa Rei mais implacável e temido de toda a Federação.
Reivindicada como seu troféu e aprisionada em sua fortaleza sombria, seu ódio por ele arde tão intensamente quanto o laço predestinado Anam’cara que une suas almas, obrigando-a a sentir o peso avassalador de sua solidão. Em meio a guerras e traições, ela precisa evoluir de uma cativa rebelde para a poderosa Luna que estava destinada a ser. Ele buscou conquistar um prêmio, mas logo se verá ajoelhado diante de uma rainha, forjando um novo império ao seu lado.
Chapter1
O chão da floresta era uma tapeçaria de musgo e folhas secas, macio sob os pés descalços de Elara. Ali, no coração silencioso do território de sua família, o mundo parecia gentil. A luz do sol, filtrada pela copa densa de carvalhos ancestrais, pintava o solo com padrões oscilantes de dourado. Uma pequena corça, com poucas semanas de vida, observava-a com olhos castanhos e úmidos, o medo aplacado pela tranquilidade que parecia emanar da própria essência da jovem. Elara murmurou uma saudação suave, a voz pouco mais que um sussurro levado pela brisa, e o pequeno animal mexeu as orelhas antes de voltar a mordiscar um canteiro de trevos.
Filha do Beta da alcateia, Elara Delgado desfrutava de uma paz rara naquele mundo. Ela era o oposto da força selvagem pela qual sua espécie era conhecida. Enquanto outros treinavam e testavam o próprio vigor, ela encontrava consolo na cura. Percorreu um dedo delicado sobre a asa de uma borboleta, cuja pata frágil estava presa na teia antiga de uma aranha. Com a paciência de mãos experientes, soltou os fios de seda, libertando o inseto. Ele descansou na ponta de seu dedo por um instante — um lampejo azul-safira contra a pele pálida — antes de esvoaçar pelo ar banhado pelo sol. Aquele era o domínio dela, um mundo de pequenas gentilezas, um santuário que esculpira para si mesma contra as duras realidades da existência lupina.
O estalo de um galho quebrou o encanto. Não era o som de um predador, mas o passo pesado e familiar de seu pai. Elara virou-se com um sorriso nos lábios, que logo vacilou ao ver a expressão dele. Kaelen Delgado era como uma rocha; seu rosto, um testemunho de anos de força silenciosa e lealdade inabalável. Naquele dia, porém, a rocha estava desgastada por uma tempestade de preocupação profunda. Em mãos, ele segurava um pergaminho selado com o lacre de obsidiana do Conselho Superior.
— É a hora — disse ele, a voz num tom baixo que pareceu ser engolido pela floresta muda.
Elara não precisou perguntar o que ele queria dizer. As palavras pairavam entre ambos, pesadas e sufocantes: a Gala da Lua de Sangue. Uma convocação obrigatória para todas as alcateias da Federação do Crescente, um espetáculo de poder, política e ostentação. Para a maioria, era uma oportunidade; para Elara, era a culminação de seus temores mais profundos.
— A convocação oficial chegou — continuou o pai, o olhar perscrutando o rosto da filha. — Partimos em três dias.
A luz dourada da floresta de repente pareceu fria; a cena pacífica não passava de uma ilusão frágil. A corça já havia fugido, sentindo a mudança de humor. O santuário fora invadido. O nome que assombrava os sussurros de todas as alcateias, o nome que as mães usavam para assustar filhotes rebeldes, ecoou no silêncio súbito de sua mente: Damian Valadares.
Naquela noite, o jantar em família foi uma ocasião sombria. O aroma de cervo assado, geralmente uma fonte de conforto, pouco fez para aliviar a atmosfera opressiva. Seu irmão mais novo, mal saído da infância, tentou injetar algum entusiasmo ao falar dos lendários Alphas que esperava ver. Mas, quando a tia começou a contar uma história que ouvira de um mercador viajante, um silêncio absoluto caiu sobre a mesa.
— Dizem que ele dizimou a Alcateia do Rio de Pedra inteira em uma única noite — sussurrou a tia, com os olhos arregalados. — O Alpha deles se recusou a se curvar. Damian Valadares nem sequer mostrou as garras. Ele apenas... os desfez. O mercador disse que, quando o dia amanheceu, não restava nada além de um vale de poeira e o cheiro do medo.
O estômago de Elara revirou. Ela empurrou a comida pelo prato; a carne de repente tinha gosto de cinzas. Aquilo não eram apenas histórias. Eram avisos, testemunhos brutais do poder do Alpha dos Alphas, o rei que governava o mundo deles de um trono feito de sombras e rumores. Ele era um fantasma, um pesadelo, uma força da natureza cujo rosto poucos haviam visto e sobrevivido para descrever.
Mais tarde, na solidão de seu quarto, ela apertou um pequeno pássaro de madeira entalhado à mão que sua mãe lhe dera anos atrás. Supunha-se que fosse um amuleto de paz. Naquela noite, parecia lamentavelmente insuficiente. Observou pela janela o vasto céu salpicado de estrelas, buscando um alento que não existia.
O sono, quando finalmente veio, não trouxe refúgio. Arrastou-a para uma escuridão sufocante, um pesadelo familiar que a perseguia há anos. Ela corria, o fôlego rasgando os pulmões, enquanto a floresta ao redor era um borrão de formas retorcidas e ameaçadoras. Atrás dela, uma presença, vasta e inexorável como uma onda de maré. Não tinha rosto, nem forma, apenas uma aura esmagadora de poder absoluto e intenção predatória — um lobo de sombras colossal cujos olhos invisíveis estavam fixos nela. Elara sentia a fome gelada da criatura, não por sua carne, mas por sua própria essência. Correu até que as pernas cedessem, tropeçando e caindo sobre a terra escura e impiedosa. A sombra pairou sobre ela, pronta para devorá-la por inteiro.
Elara gritou, o som preso na garganta, e sentou-se bruscamente na cama. O coração martelava contra as costelas, um tambor frenético na calada da noite. O suor frio colava a camisola fina à pele. Estava segura em seu quarto, com a lua lançando uma suave luz prateada pelo chão. Mas o terror opressivo do sonho persistia, um presságio gelado de um destino que sentia acelerar em sua direção, tão imparável quanto o erguer da lua de sangue.
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