SeaArt AI Novel
APP
Home  / Caminho da Sobrevivência no Apocalipse
Caminho da Sobrevivência no Apocalipse

Caminho da Sobrevivência no Apocalipse

Last Updated: 2026-04-29 04:05:00
Language:  Português0+
4.4
5 Rating
14
Chapters
61.3k
Popularity
19.9k
Total Words
Read
+ Add to Library
Share:
Report

Synopsis

Em um mundo que desaba sob uma infecção implacável, Yan, um ex-líder de expedições ao ar livre, precisa usar cada grama de seu instinto e treinamento para sobreviver. Ao resgatar Luna, uma enfermeira resiliente de um hospital comunitário, ele inicia uma jornada perigosa por uma metrópole transformada em um campo de horror. Entre hordas de infectados e a decadência da moral humana, a sobrevivência não é apenas uma questão de força, mas de tática, confiança e a vontade inabalável de ver o amanhã.


Chapter1

O zumbido da unidade externa do ar-condicionado cessou subitamente, deixando Yan diante do brilho da tela do celular, onde as notícias rolavam em um ciclo infinito.

A voz da apresentadora carregava um tremor contido, enfatizando repetidamente que "casos de uma infecção de causa desconhecida surgiram em cidades da costa leste; os pacientes apresentam tendências violentas; solicita-se aos cidadãos que permaneçam em suas residências".

Lá fora, o canto das cigarras continuava barulhento como de costume, e o som abafado dos anúncios promocionais da conveniência no térreo subia em intervalos irregulares.

Tudo exalava uma normalidade bizarra, até que um grito lancinante rasgou o silêncio da tarde.

Yan levantou-se num salto e caminhou apressado até a varanda.

Da altura do décimo sétimo andar, ele conseguia ver nitidamente a cena no jardim do condomínio — um homem vestindo uma camisa xadrez estava montado sobre uma mulher, com o rosto enterrado no pescoço dela e os ombros sacudindo violentamente.

Os membros da mulher debateram-se de forma desordenada no chão por alguns segundos antes de pararem de vez.

O sangue começou a se espalhar pelo vestido branco dela, formando uma mancha escura que avançava pelo concreto.

— Um louco? — Yan franziu o cenho, prestes a pegar o celular para chamar a polícia, mas parou ao ver o homem de camisa xadrez erguer a cabeça.

Os globos oculares dele estavam tingidos de um vermelho escuro e turvo. Com o canto da boca ensanguentado, ele emitia um ruído gutural, um "he-he" seco, como o som de um fole velho sendo operado.

No instante seguinte, ele avançou sobre uma criança que estava por perto.

A mãe da criança gritou ao tentar protegê-la, mas foi empurrada pelo homem. O impacto fez seu cotovelo ralar no chão, deixando um longo rastro de sangue.

Não era um louco.

O coração de Yan se apertou instantaneamente. As "tendências violentas" mencionadas no telejornal ganharam uma forma concreta e aterrorizante. Ele correu para o quarto e arrastou de debaixo da cama a sua mochila de expedição — um item que guardava da época em que era líder de aventuras ao ar livre. Dentro, ainda estavam sua faca de montanhismo, uma pederneira e meio pacote de biscoitos comprimidos.

Assim que jogou a mochila no ombro, pancadas surdas ecoaram pelo corredor.

Bam, bam, bam.

O som vinha acompanhado de gritos femininos e uma respiração pesada, aproximando-se cada vez mais, como se estivessem esmurrando a porta do vizinho.

— Abra a porta! Por favor, me ajude! — A voz da mulher estava carregada de desespero.

Seguiu-se o estalo da madeira da porta cedendo e, logo depois, um lamento de cortar o coração.

Rapidamente, o lamento mergulhou no silêncio.

Encostado atrás da porta, Yan conseguia ouvir com clareza os passos arrastados no corredor e o som agoniante de unhas raspando o metal da sua porta blindada.

Ele rangeu os dentes e empurrou o guarda-roupa para bloquear a entrada, reforçando a barricada com a escrivaninha. Não sabia se aquela coisa conseguiria invadir, mas precisava ganhar tempo.

— Preciso descer para ver como está a situação — Yan murmurou, sacando a faca de montanhismo. A lâmina emitiu um brilho frio ao sair da bainha.

Ele olhou pelo olho-mágico. O corredor estava mergulhado na penumbra; a luz ativada por som parecia ter queimado, e apenas o brilho esverdeado da saída de emergência brilhava ao fundo.

Viam-se, vagamente, chinelos espalhados e algumas gotas de sangue escuro no chão.

Yan respirou fundo, destravou a porta silenciosamente e afastou o guarda-roupa o suficiente para deixar uma fresta por onde apenas uma pessoa passaria.

Ao colocar os pés fora do apartamento, um cheiro metálico e intenso de sangue o atingiu.

Era uma mistura de suor acre com um odor de decomposição que o fez quase tossir. Ele apertou o cabo da faca, aliviou o peso dos passos e começou a descer as escadas.

Ao chegar na curva do décimo quinto andar, ouviu passos apressados vindo de baixo.

E o grito de uma mulher: — Não chegue perto! Fique longe!

Yan espiou pelo vão da escada.

Uma mulher vestida com um uniforme de enfermagem subia os degraus aos tropeços. Sua roupa branca estava manchada de sangue, o cabelo desgrenhado e o rosto banhado em lágrimas.

A uns dois metros atrás dela, um homem alto a perseguia — era o Tio Zhang, que morava no décimo segundo andar.

Os olhos de Tio Zhang também eram de um vermelho sombrio. Com as mãos estendidas para frente e a garganta emitindo aquele ruído rouco, ele encurralava a mulher passo a passo.

— Suba rápido! — Yan exclamou em voz baixa.

A mulher ergueu a cabeça e, ao ver Yan, agarrou-se àquela visão como se fosse sua única esperança. Ela tentou acelerar, mas, no pânico, errou um degrau e caiu pesadamente.

Tio Zhang aproveitou a oportunidade para saltar sobre ela, agarrando seu tornozelo para levá-lo à boca.

— Droga! — Yan sentiu o sangue ferver. Ele empunhou a faca e avançou.

Em dois passos, ele alcançou as costas de Tio Zhang. Com a mão esquerda pressionou o ombro do infectado e, com a direita, cravou a faca com força na região do coração — um ponto vital que ele conhecia bem dos tempos em que enfrentava javalis na selva.

Contudo, após o golpe, Tio Zhang apenas hesitou por um segundo. Ele não caiu.

Pelo contrário, girou o pescoço e fixou os olhos vermelhos em Yan, soltando um rugido ainda mais alto.

— O ponto fraco não é o coração? — O pensamento gelou a espinha de Yan.

Sem tempo para hesitar, Tio Zhang escancarou a boca e avançou. Yan esquivou-se lateralmente e, num movimento contínuo, golpeou o pescoço do monstro — era o último recurso que conseguia imaginar.

O som surdo da lâmina cortando a pele foi seguido por um jato de sangue quente que atingiu o braço de Yan.

A sensação térmica do líquido o fez estremecer.

O corpo de Tio Zhang travou, oscilou por um instante e desabou no chão, sofrendo alguns espasmos antes de ficar imóvel.

Yan arquejava, observando o cadáver enquanto seu próprio coração batia descompassado. Ele havia colocado toda a sua força naquele golpe, e seu braço ainda tremia levemente.

— Levante-se! Tem mais algum por perto? — Ele se virou para a enfermeira, estendendo a mão para ajudá-la.

A mulher ainda tremia violentamente e agarrou o braço de Yan sem soltar.

— Muitos... há muitos deles... — ela disse entre soluços. — O hospital está cheio dessas coisas... Na ala que eu cuidava, os pacientes mudaram de repente, morderam os médicos... Eu consegui fugir, corri por tanto tempo...

Foi então que Yan a reconheceu. Era Luna, uma enfermeira do hospital comunitário local. Ele a vira algumas vezes quando foi buscar resultados de exames.

— Não entre em pânico. Vamos subir primeiro — Yan a amparou, olhando cautelosamente para o lance de escadas abaixo. O barulho da luta poderia atrair outros.

As pernas de Luna estavam tão fracas que ela quase foi carregada por Yan até o décimo sétimo andar. Cada passo era uma luta contra o próprio tremor.

De volta ao apartamento, Yan empurrou Luna para dentro e trancou a porta imediatamente.

Ele moveu o guarda-roupa e a escrivaninha de volta para a posição de bloqueio. Somente após terminar a tarefa, ele sentiu o peso do cansaço e escorregou pela porta até sentar-se no chão.

Luna estava colapsada no sofá, abraçando os joelhos, com as lágrimas ainda correndo livremente.

— Como isso pôde acontecer... como tudo ficou assim? — ela sussurrava para si mesma.

Yan olhou pela janela.

O condomínio, antes barulhento, estava agora mergulhado em um silêncio mortal. Apenas alguns corvos pousavam nos fios elétricos, emitindo grasnidos lúgubres.

Ao longe, entre os arranha-céus, era possível ver colunas de fumaça negra subindo ao céu.

Ocasionalmente, ouvia-se o som de tiros ou gritos distantes, que logo eram engolidos por um silêncio ainda maior.

Ele sabia que o mundo que conhecia havia desmoronado naquela tarde.

Agora, ele e aquela enfermeira quase desconhecida teriam que aprender, antes de qualquer outra coisa, a sobreviver nesse novo mundo infestado de monstros.

Ratings and Reviews

Most Liked
New

You Might Also Like