Check in no Inferno: O Mistério do Hotel Black Pine
简介
A recepção nos deu avisos repetidos: não se aproximem do corredor oeste nem da câmara subterrânea durante a noite.
Mas foi quando empurrei aquela porta entreaberta, em busca do meu namorado desaparecido, que percebi a bizarrice deste lugar.
Nas paredes, fotografias antigas sangram; uma névoa esverdeada paira no ar, exalando um odor de podridão.
E aquela cobaia de branco, que vaga por aqui há sessenta anos, estende a mão em nossa direção. De seus olhos vazios, escorrem lágrimas de sangue:
— Fiquem… ou deixem-me ir com vocês.
章节1
Quando o carro cruzou os limites de Black Pine, o silêncio dentro da cabine tornou-se quase asfixiante.
Era um silêncio pesado, como um cobertor úmido e frio que envolvia a mim e ao Ethan.
Minhas unhas cutucavam a borda da janela enquanto meu olhar se fixava nas mãos dele, que apertavam o volante com força. Uma semana atrás, foram essas mesmas mãos que, em nosso pequeno apartamento perfumado com o aroma de café, afastaram com irritação o jantar que eu havia preparado com tanto carinho. Foi então que ele disparou aquela frase, fria como uma estalactite:
— Lillian, o casamento é apenas um pedaço de papel. Não estamos bem assim? Por que precisamos nos prender a formalidades?
Por quê?
Porque eu o amava. Porque eu ansiaava ser apresentada formalmente como "Sra. Ethan" sob a luz do sol. Porque eu precisava daquela segurança para combater o medo profundo de que ele pudesse partir a qualquer momento. Mas aquelas palavras, diante da briga de antes e do silêncio de agora, pareciam pálidas e sem força.
— Olhe o GPS, deve estar perto.
Ethan finalmente falou. Sua voz soava seca, uma tentativa de quebrar o gelo que parecia mais o cumprimento de uma ordem burocrática.
— Entendi — respondi, voltando minha atenção para a janela.
A paisagem havia mudado drasticamente.
De ambos os lados da estrada, a densa floresta de pinheiros negros erguia-se como muralhas de um verde sombrio, espremendo nosso campo de visão. As árvores tinham formas grotescas, com galhos retorcidos que se projetavam para o céu como inúmeros braços implorando por socorro em desespero.
— Este lugar... parece ser bem isolado — comentei baixinho, tentando compartilhar um pouco da minha inquietação.
— O objetivo era o sossego, não era? — O tom de Ethan carregava sua racionalidade habitual. — Longe do caos da cidade, é a oportunidade perfeita para... conversarmos direito.
Conversar? Senti um gosto amargo na boca. Desde que ele anunciara unilateralmente o adiamento por tempo indeterminado do nosso casamento, nossas "conversas" sempre terminavam com o meu choro e o silêncio dele.
A lógica dele era impecável: a fase de ascensão na carreira, a pressão financeira, as incertezas sobre o futuro... Cada frase era como uma pedra fria, empilhada para construir o muro que nos separava.
Nesse momento, o carro passou por uma placa enferrujada onde se lia: [Ruínas do Sanatório Black Pine, a 2 km]. A seta na placa apontava para o coração da floresta, onde a luz tornava-se cada vez mais escassa.
Uma palpitação súbita e inexplicável tomou conta de mim. Tive a nítida sensação de que, na profundidade daquela mata fechada, milhares de olhos nos observavam em silêncio através dos vidros do carro. Era uma sensação arrepiante, a sensação de ser uma presa.
— Você viu aquela placa? O Sanatório Black Pine... — não consegui me conter.
— Vi. É uma construção antiga, provavelmente abandonada há décadas — Ethan desdenhou com um olhar rápido. — Lugares assim sempre têm lendas urbanas para atrair curiosos.
Ele era sempre assim, usando a razão e o senso comum para explicar tudo o que não podia ser compreendido de imediato. Minha sensibilidade e intuição eram, aos olhos dele, sinônimos de drama ou excesso de imaginação.
Engoli o que ia dizer e voltei a olhar para fora.
O GPS indicou que o destino estava logo à frente. Ao atravessar o último trecho da estrada florestal, uma imensa construção de estilo vitoriano surgiu no horizonte. Parecia uma fera exausta, agachada na encosta da colina, com a tinta vermelho-escura descascando para revelar um fundo cinzento e decadente.
Então esse era o Black Pine Resort?
A elegância retrô das brochuras de propaganda, diante dos meus olhos, exalava apenas uma sensação indescritível de velhice e opressão.
O carro aproximou-se lentamente. Meus olhos foram atraídos, quase involuntariamente, para o terceiro andar do hotel. A maioria daquelas janelas estava mergulhada na escuridão, como órbitas oculares vazias. No entanto, atrás de uma delas, um vulto embaçado passou num relance veloz.
Seria impressão minha? Ou apenas um truque da luz?
Pisquei com força, mas quando foquei o olhar novamente, não havia nada ali. Apenas o vidro escuro refletindo o céu sombrio.
— O que foi? — Ethan notou minha estranheza enquanto buscava uma vaga para estacionar.
— Nada... — balancei a cabeça, guardando a observação para mim.
Contar a ele que eu achava ter visto um vulto branco? Não ganharia nada além de um "é apenas o reflexo da luz, pare de se assustar sozinha".
O carro parou. Assim que o motor foi desligado, um silêncio absoluto se instalou ao redor. Não se ouvia sequer o canto de um pássaro. Apenas o som do vento soprando entre os pinheiros, um lamento que parecia um luto.
Respirei fundo e abri a porta.
Nossa jornada para tentar salvar o relacionamento começava ali, naquele silêncio sinistro.
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