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O Sussurro dos Pinheiros

O Sussurro dos Pinheiros

更新时间: 2026-04-21 01:53:00
语种:  Português0+
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简介

Nomes desaparecendo de livros de contas e pessoas sumindo sem deixar rastros. Em Black Pine, a realidade está sendo apagada e apenas Martha parece notar. Quando a própria existência de seus vizinhos é negada por quem os amava, ela descobre que o silêncio da floresta esconde um segredo perturbador.


章节1

A tinta no livro de contas borrou novamente, como se tivesse sido atingida por uma chuva invisível. Deslizei a ponta dos dedos sobre aquele espaço em branco, onde originalmente se lia: "Velho Joe, um machado de forja, débito de três dólares e cinquenta cents". Ontem à tarde, aquele homem de porte robusto ainda estava encostado no balcão, coçando a cabeça com as mãos sujas de fuligem e sorrindo com honestidade: "Martha, me dê mais uns dias. Assim que eu cortar a lenha e vender, eu te pago na hora".

Agora, porém, não apenas o registro da dívida, mas o próprio nome dele havia desaparecido completamente daquelas páginas amareladas. A superfície do papel ostentava apenas uma mancha irregular. Minha loja, a Mercadorias Agulhas de Pinheiro, era o único lugar em Black Pine onde se podia comprar de tudo, desde fios e agulhas até munição para espingardas; era também o centro de informações deste vilarejo quase isolado do mundo pela floresta de pinheiros. Praticamente todos na cidade me deviam algo — pelo menos, era o que dizia o meu livro de contas.

Esta não era a primeira vez. Na semana passada, o nome do mendigo Bob ficou ilegível. Na anterior, foi Carl, o caminhoneiro que ocasionalmente fazia entregas. Na época, apenas estranhei, achando que talvez tivesse derramado água sem querer ou que a qualidade da tinta fosse ruim. Mas agora, com o sumiço do nome do Velho Joe, qualquer tentativa de negação desmoronou.

O Velho Joe era o ferreiro da nossa cidade. Sua ferraria ficava na extremidade leste, e o som rítmico do martelar sobre a bigorna era parte da trilha sonora constante de Black Pine. Fechei o livro e decidi ir perguntar.

O ar de Black Pine sempre carregava um cheiro persistente de resina, tão denso que chegava a ser sufocante. Alguns moradores estavam sentados nos degraus da entrada do correio, conversando. Aproximei-me e perguntei, fingindo indiferença:

— Ei, algum de vocês viu o Velho Joe ultimamente? Ele tem uma conta pendente na loja.

Eles interromperam a conversa e olharam para mim em uníssono. Aquele olhar me deixou desconfortável; havia uma ponta de confusão neles.

— Velho Joe? — Ben, o carteiro, coçou o topo da cabeça semicalva. — Que Velho Joe?

— O ferreiro Joe! Da família Miller! — enfatizei, sentindo um aperto no peito.

— Ah, você está falando daquela ferraria... — Ben fez uma expressão de quem finalmente entende, mas logo em seguida pareceu perdido novamente. — Mas não fechou faz tempo? Eu me lembro que o Joe foi trabalhar na cidade, não foi? Ouvi dizer que pagam melhor por lá.

— Foi para a cidade? Quando isso aconteceu? — insisti.

— Já faz um bom tempo, não faz? — a sra. Green, uma viúva cliente habitual da loja, interveio, franzindo o rosto para tentar recordar. — Aquela ferraria está vazia há tanto tempo que já cresceu mato na porta.

Mas eu tinha visto o Velho Joe com meus próprios olhos, ontem mesmo, rachando lenha no quintal de casa.

Depois, houve a senhorita Allie, a professora da escola. Ela parou de falar subitamente no meio de uma aula, com o olhar vazio, e desapareceu no dia seguinte. O prefeito disse que ela pediu demissão, mas ninguém conseguia se lembrar do momento exato em que ela partiu.

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