Nome Já em Uso? Virei um NPC no MMORPG
Özet
Ao tentar entrar no revolucionário jogo de imersão total Caçada Celestial, o jogador profissional Lucas Cardoso pula repetidamente os avisos de nome em uso e acidentalmente aciona uma falha no sistema. Em vez de criar um avatar convencional, ele é projetado no Continente Astral no corpo de Arthur Almeida, um ferreiro novato com todos os atributos zerados no nível um. Aproveitando os privilégios de seu status incomum para forjar equipamentos absurdos e criar missões personalizadas que ceifam a vida de jogadores incautos em masmorras mortais, Lucas vê seus atributos explodirem exponencialmente, fortalecendo inclusive seu corpo na realidade física.
Após assumir o comando da decadente Cidade dos Murmúrios ao lado do vice-lorde Simão Silva e de sua peculiar besta espiritual Branquinho, Lucas une forças com veteranos como Noite Serena, Pato Trapalhão, Céu Radiante e Canção Solitária para transformar a cidade em uma metrópole autônoma. Entre conflitos contra as maquinações do príncipe Álvaro de Albuquerque e o recrutamento de figuras lendárias como Augusto Alcântara e Sebastião Silva, ele desvenda os segredos cósmicos de Gabriel Guimarães-Albuquerque e confronta a tirania do Imperador Yanwu. Em meio à devastadora Maré do Marco Zero, Lucas ergue seu próprio nome como uma lenda incontestável, redefinindo as fronteiras entre jogadores e habitantes daquele mundo.
Bölüm1
— Olá, mestre! Queria saber se o senhor tem alguma missão para mim? — Um jovem vestindo roupas simples de pano parou em frente à loja, sorrindo de orelha a orelha para o suposto NPC à sua frente, que segurava um martelo de ferro e exibia uma expressão péssima.
— Vai até os arredores da aldeia e traz vinte pedaços de madeira para mim — respondeu Lucas Cardoso, num tom nada amigável.
O rapaz nem se importou. Ao ouvir a ordem, saiu correndo todo feliz para recolher a madeira.
Olha só que servil. Lucas observou a figura se afastar, sentindo um misto de desprezo e profunda inveja, afinal, no momento ele próprio não conseguia ir a lugar nenhum além da frente daquela ferraria!
Cinco horas antes.
Promovido na internet por mais de um ano, o revolucionário MMORPG Caçada Celestial fora lançado oficialmente no mundo todo naquele dia. Ao contrário dos jogos online tradicionais, a desenvolvedora prometia uma experiência de imersão total e divulgara seu equipamento oficial: a cabine de imersão.
Segundo os anúncios da empresa, a cabine utilizava tecnologia de conexão neural, garantindo que o personagem ficasse vinculado à alma do jogador.
"Caçada Celestial não é apenas um jogo, é um mundo inteiramente novo. Aqui, cada escolha que fizer moldará este universo... e você mesmo..."
Lucas rolava a página oficial com tédio. Aquele texto publicitário não despertava o menor interesse nele. Fazia anos que sobrevivia trabalhando no comércio de itens em jogos virtuais; a paixão de antigamente já tinha desaparecido, e tudo aquilo virara apenas trabalho.
— Essa coisa custa dois mil, novecentos e noventa e nove. Se não tivesse o selo oficial do governo, eu teria certeza de que é golpe.
Quando o preço fora anunciado, quase todo mundo achara absurdo, mas a declaração formal das autoridades garantindo a veracidade do projeto tranquilizou o público.
Apenas duas horas após o pedido online, o serviço de entrega oficial entregou a cabine na porta dele. O apartamento alugado de Lucas era pequeno, uma quitinete de cerca de trinta metros quadrados. Sabendo que a cabine substituiria a cama, ele desmontara o estrado com antecedência e o encostara na parede.
Os técnicos trabalharam com agilidade e terminaram a instalação em poucos minutos.
— Que rapidez — comentou Lucas ao se despedir deles.
Depois de fechar a porta, virou-se para examinar o equipamento. A estrutura prateada e aerodinâmica tinha uma superfície tão lisa que refletia seu rosto com clareza. Não resistiu e deu duas voltas ao redor do aparelho:
— Se eu desistir de jogar, aposto que dá para lucrar só vendendo as peças disso.
Procurou por alguns instantes até encontrar um botão de abertura embutido.
Com um bipe quase inaudível, a porta deslizou sem ruído, como numa cena de ficção científica. O interior tinha uma poltrona ergonômica cercada por sensores e entradas desconhecidas, destacando-se um dispositivo semelhante a um capacete.
— Três mil nisso aqui de verdade? — murmurou, surpreso.
Se não fosse pelo aval do governo, ele não teria coragem de entrar ali dentro.
Seguindo o manual, acomodou-se na poltrona, colocou o capacete e soltou com entusiasmo:
— Iniciar Caçada Celestial!
No instante seguinte, sentiu um formigamento no couro cabeludo.
Uma escuridão repentina envolveu sua visão, logo substituída por pontos de luz cintilantes. Contudo, como jogador veterano, o primeiro reflexo de Lucas foi procurar o botão de pular. Quase no mesmo instante, a opção apareceu no canto superior direito.
— Não é que tem mesmo? — Satisfeito, começou a pular tudo no automático, marcando todas as caixas de seleção e confirmando os termos sem ler.
"Por favor, insira o seu nome no Continente Astral."
— Arthur Almeida. — Lucas digitou sem pensar duas vezes.
Nomes de personagens eram meros códigos para ele. Estava ali a trabalho, sem intenção de socializar com ninguém, então qualquer nome servia.
"Este nome..."
— Confirmar.
Nem precisava pensar para saber que já estava em uso. Lucas clicou por reflexo; tinha dezenas de reservas na manga, como Carlos Cardoso e outros apelidos aleatórios.
"Você..."
— Confirmar.
Que jogo enrolado...
Após clicar freneticamente em confirmar mais de dez vezes, a visão escureceu de novo. Lucas ficou atônito.
Quando o nome está ocupado, o normal não é abrir a caixa de texto de novo? Por que sumiu?
Antes que pudesse raciocinar, tudo se iluminou de repente!
— Já entrou? Mesmo com o nome repetido?
Lucas olhou ao redor e viu uma aldeia de estilo rústico. Aquilo não o surpreendeu; ele já conhecia o cenário básico do jogo. As classes iniciais de Caçada Celestial se dividiam em Guerreiro, Feiticeiro, Assassino e Arqueiro. Ao pesquisar no site oficial, já achara a premissa bastante batida.
— Ué, a tela de criação não devia dar dez pontos livres de atributo? Por que não recebi nada? — Lucas percebeu algo estranho. — Será que só dá para distribuir depois de entrar?
Ao pensar nisso, abriu o painel do personagem. No segundo seguinte, uma interface translúcida se acendeu diante de seus olhos.
Nome: Arthur Almeida
Classe: Ferreiro Aprendiz
Vida: 11
Poder Espiritual: 11
Força: 1
Constituição: 1
Agilidade: 1
Inteligência: 1
Espírito: 1
Pontos disponíveis: 0
— Que droga! Por que está tudo em um?! Cadê os meus dez pontos livres?! E por que a minha classe é ferreiro? Isso parece profissão de suporte!
Com a mente atordoada, tentou coçar a cabeça, mas percebeu um peso na mão direita. Ao erguer o braço para olhar...
— Que martelo é esse?! Quem enfiou isso na minha mão?!
— Olá, Mestre Dameng! Queria saber se o senhor tem alguma missão para mim? — Antes que Lucas entendesse o que estava acontecendo, alguém correu até ele e perguntou com educação.
Missão? Se você quer uma missão, vai atrás de um NPC! O que você quer comigo?
Lucas ia mandar o sujeito dar o fora, mas uma janela surgiu diante dele:
O jogador [Canção Solitária] está solicitando uma missão. As opções disponíveis no momento são:
1. Entregar 5 Peles de Coelho Selvagem. Recompensa: 50 pontos de experiência e uma arma básica rudimentar.
2. Entregar 20 Pedaços de Madeira. Recompensa: 15 pontos de experiência e uma arma básica rudimentar.
3. Entregar 20 Pedras. Recompensa: 15 pontos de experiência e uma arma básica rudimentar.
4. Missão personalizada.
O que significa isso? Por que eu posso dar missões para eles? E se tem arma de recompensa, por que eu mesmo não posso usar?
Lucas encarava o painel, perplexo. Contudo, quanto mais tempo hesitava, mais ansioso ficava o jogador chamado Canção Solitária.
A reação desse NPC é bem diferente dos outros! Será uma missão secreta?!, pensou o jogador, com o coração acelerado. Ele já tinha reparado naquele ferreiro com cara de bobo. Enquanto os outros NPCs mantinham sorrisos gentis, a expressão daquele sujeito praticamente gritava: Venha falar comigo, tenho uma missão lendária para você!
— Mestre? Se precisar de qualquer coisa, pode mandar! — Ao ver Lucas em silêncio, Canção Solitária imaginou que precisava insistir no diálogo.
— Você... vai lá fora e me traz cinco peles de coelho... — Lucas escolheu uma opção meio atordoado.
— Só isso? — Canção Solitária ficou desconcertado. Era uma missão comum demais!
— E você queria o quê? Que tal ir lá e matar o chefe da aldeia? — Lucas soltou em tom de deboche ao ver a insatisfação do rapaz.
No segundo seguinte, outra notificação pulou na tela:
Deseja publicar a missão de Rank S: [Eliminar o Chefe da Aldeia Inicial 0113]? O total de experiência que você pode fornecer hoje é de 95.750 pontos. Saldo insuficiente para pagar a recompensa da missão. O sistema cancelou a solicitação automaticamente...
Que loucura é essa?! Os olhos de Lucas se arregalaram.
— Caramba, que absurdo! — Canção Solitária também ficou embasbacado. O jogo na Aldeia Inicial já começava tão insano assim, mandando matar o chefe logo de cara?!
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Son Bölümler
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