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Além do Acordo: O Despertar de uma Herdeira

Além do Acordo: O Despertar de uma Herdeira

อัปเดตล่าสุด: 2026-08-17 10:03:31
By: Nemsis
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เรื่องย่อ

Flávia Albuquerque um dia viu o casamento como seu porto seguro, para depois descobrir que não passava de uma peça no tabuleiro de duas grandes famílias.


Ela deixou Ricardo Rezende e recomeçou a vida com seu filho, reafirmando sua carreira, seu patrimônio e sua identidade.


Ricardo Rezende, após perder o poder, finalmente começou a encarar os erros que cometeu no passado.


Anos depois, eles voltaram a se casar.


Desta vez, ela não ficou por dependência, mas sim porque ainda mantinha o direito de partir a qualquer momento.


บท1

— Você vai continuar fingindo que não sabe de nada?

Flávia Albuquerque estava de pé diante da janela panorâmica. Tocou a tela do celular com a ponta dos dedos; a voz soava calma, sem o tom de quem estava confrontando o próprio marido.

A chama das velas sobre a mesa de jantar já queimava há duas horas.

Aquela noite marcava o oitavo aniversário de casamento deles. Ela pedira à cozinha que preparasse o bife trufado que Ricardo Rezende tanto gostava, escolhera pessoalmente um vinho que ele mencionara ser bom e colocara uma caneta-tinteiro clássica em uma caixa de presente.

A caneta era uma lembrança que recebera em um fórum médico. Ricardo uma vez a pegara para examinar, comentando casualmente que a ponta era perfeita para assinar documentos importantes.

Flávia pretendia entregá-la hoje.

Contudo, enquanto o presente permanecia intocado no canto da mesa, a foto em seu celular já deixava claro que, para ele, o aniversário desta noite não tinha a menor importância.

Na imagem, Ricardo Rezende estava do lado de fora do canal VIP do Aeroporto Internacional de Lincais.

Ao seu lado estava Mariana Monteiro de Castro.

A mulher usava um casaco leve de tom claro, tinha o rosto pálido e os dedos apertavam firmemente a manga do paletó dele. Ricardo mantinha a cabeça levemente inclinada, com uma expressão de paciência que Flávia jamais vira antes.

O texto abaixo da foto resumia tudo em uma frase:

O herdeiro do Grupo Rezende recebe antiga paixão pessoalmente no aeroporto; o casamento de elite chegou ao fim?

Flávia encarou aquelas palavras por um longo tempo e, por fim, soltou um riso amargo.

Em oito anos de casados, a mídia nunca usara o termo "casamento de elite" para descrevê-los. Isso porque a união deles jamais fora celebrada publicamente. No dia em que a Família Albuquerque a enviou para os Rezende, disseram apenas uma coisa: — Flávia, se você se casar, nossas famílias poderão continuar cooperando.

Ela não fora uma noiva escolhida.

Era apenas a pessoa que ambas as famílias consideravam a mais fácil de sacrificar.

Ao longo de oito anos, ela aprendera a lidar com os mais velhos da Família Rezende, a organizar a agenda de Ricardo e a resolver as relações familiares sombrias que ninguém queria tocar. Transformara-se de uma promissora líder de pesquisa médica na impecável Senhora Rezende das festas de gala.

E a recompensa que Ricardo Rezende lhe dava era tratar a própria casa como um hotel sempre que retornava.

Nunca explicava onde estivera, nem perguntava como fora o dia dela.

Havia intimidade entre eles, momentos de ternura passageira que chegavam a fazê-la acreditar que finalmente era necessária. Mas, sempre que terminavam, ele se levantava e partia.

Se não fosse para o escritório, seria para a empresa.

Nunca, nem uma única vez, ele se dispusera a ficar e terminar de ver um filme com ela, ou esperar que ela adormecesse.

O som de um carro entrando na propriedade ecoou lá fora.

Flávia guardou o celular, voltou para a mesa de jantar e empurrou a caixa de presente para mais longe.

Dez minutos depois, Ricardo Rezende entrou.

Vestia um terno escuro, trazia a umidade da chuva noturna nos ombros e mantinha o olhar frio de sempre. No entanto, misturado ao perfume amadeirado que lhe era característico, havia uma fragrância doce e enjoativa.

Não era dele.

Era de Mariana.

Ricardo notou a comida sobre a mesa, mas não pediu desculpas; apenas despiu o paletó e o entregou ao mordomo.

— Por que ainda não comeu?

Flávia o observou. — Estava te esperando.

— Eu não disse que tinha compromisso esta noite?

— Você disse que iria a uma conferência.

— Sim.

— A Mariana também estava na conferência?

Ricardo estacou por um breve instante antes de finalmente olhá-la nos olhos.

Naquele momento, Flávia sentiu uma vontade súbita de rir. Não pelo fato de ele mentir, mas porque, ao mentir, ele parecia hesitar se deveria ou não admitir a verdade.

— Ela acabou de voltar ao país — disse ele.

— E por isso você foi buscá-la?

— Ela teve um imprevisto.

— Que tipo de imprevisto exige que você vá buscá-la pessoalmente?

Ricardo franziu o cenho. — Flávia, o que exatamente você quer perguntar esta noite?

Ela olhou para ele e, de repente, perdeu a vontade de saber. Queria perguntar se Mariana era a pessoa que ele nunca conseguiu esquecer, queria perguntar o que significaram esses oito anos e se houve algum dia em que ele realmente a considerou sua esposa.

No entanto, as palavras que saíram foram apenas: — Agora que ela voltou, você está feliz?

Ricardo não respondeu.

Aquele silêncio foi mais preciso do que qualquer resposta.

Flávia baixou o olhar, pegou a taça de vinho tinto já frio e tomou um gole pequeno.

— Entendi.

— Entendeu o quê?

— Que não havia necessidade de te esperar para este jantar.

A expressão de Ricardo escureceu. — Não comece com uma cena.

— Eu estou fazendo cena?

Ela pousou a taça. A base de vidro bateu na mesa com um estalo nítido.

— Ricardo Rezende, hoje é o nosso oitavo aniversário de casamento. Você vai ao aeroporto buscar sua antiga paixão, vira manchete ao lado dela e, quando chega em casa, me pergunta por que ainda não jantei. Você acha mesmo que sou eu quem está fazendo cena?

O olhar de Ricardo percorreu a mesa e finalmente notou a caixa de presente.

— O que é aquilo?

— Para você.

— Eu vejo amanhã.

Ele falou com naturalidade, como se estivesse adiando a leitura de um documento irrelevante.

Flávia esticou o braço e puxou a caixa de volta.

— Não precisa mais.

— Flávia.

— De repente, perdi a vontade de entregar.

Ela se levantou, e os pés da cadeira arranharam o chão com um som estridente. Ricardo segurou o pulso dela; a força não era excessiva, mas carregava o tom autoritário de sempre.

— O que você quer, afinal?

Flávia olhou para a mão dele. Em oito anos, era a primeira vez que ele tentava impedi-la de sair. Mas não era por afeto; era apenas porque ele não estava acostumado a ver alguém deixar de seguir seus planos.

Ela ergueu o rosto devagar. — Quero saber onde você pretende me colocar daqui para frente.

Nesse exato momento, o celular de Ricardo tocou.

Dois nomes saltaram na tela.

Mariana.

Ele não hesitou. Soltou o pulso de Flávia e virou-se para atender.

— O que houve? Seu estômago voltou a incomodar?

A voz do homem tornou-se baixa, com uma ternura que o transformava em outra pessoa.

Flávia permaneceu parada, ouvindo cada palavra de preocupação, e sentiu que até o calor que restara em seu pulso se tornara estranho. Do outro lado da linha, não se sabia o que fora dito, mas Ricardo respondeu apenas uma frase: — Vou para aí agora mesmo.

Ele desligou o telefone e pegou o paletó.

— Ela está sozinha no hotel, vou lá ver como ela está.

Flávia não o impediu. Quando Ricardo chegou à porta, ela falou de repente: — Ricardo Rezende.

Ele olhou para trás.

Ela apontou para a caixa sobre a mesa.

— Não é um presente.

— Então o que é?

Flávia o encarou com um sorriso pálido.

— É a prova da última vez em que tentei te considerar meu marido.

O olhar de Ricardo pesou por um segundo. No entanto, no instante seguinte, ele se virou e partiu.

O som da porta principal se fechando ecoou, e a Mansão Principal mergulhou novamente no silêncio.

Flávia ficou parada ao lado das velas, esperando que a chama consumisse o último pedaço do pavio. Até que o celular brilhou novamente.

Desta vez, era uma mensagem de Ricardo.

Mariana voltou ao país e passará a integrar os projetos centrais do Grupo Rezende. Estou te avisando para que saiba com antecedência e evite que a mídia escreva bobagens.

Flávia leu aquelas palavras e, subitamente, compreendeu.

Ele não estava se explicando.

Estava notificando.

Notificando que, naquele casamento, estava prestes a surgir uma pessoa que ela não tinha o direito de rejeitar.

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