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Traída Pela Minha Alcateia: A Fuga da Híbrida Sem Lobo

Traída Pela Minha Alcateia: A Fuga da Híbrida Sem Lobo

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Краткое содержание

Em uma sociedade de lobisomens onde a força é tudo, Cara é considerada um erro. Sem a capacidade de se transformar, ela viveu anos sob o abuso do implacável Alpha Paxton. Mas Cara guarda segredos que nem ela mesma compreende: um sangue proibido que corre em suas veias e uma linhagem que vai muito além dos lobos. Com a ajuda de suas irmãs, ela decide arriscar tudo em uma fuga desesperada, roubando o que restou de sua herança para buscar a liberdade em territórios desconhecidos.


No entanto, o mundo fora de sua alcateia é ainda mais perigoso. Enquanto é caçada por Paxton, que a vê como nada mais que uma ferramenta de reprodução, Cara cruza o caminho de Jaxon, o poderoso Alpha da Alcateia Víbora Negra, e de Alexei, um vampiro cujo destino está irrevogavelmente ligado ao dela. Entre conspirações políticas do Conselho de Lobisomens e o despertar de poderes ancestrais, Cara deixará de ser a presa para se tornar a força que abalará as estruturas de todo o mundo sobrenatural.


Глава1

Ponto de vista de Cara Xavier

— O que diabos você está fazendo aqui? — ouvi uma voz irritada atrás de mim.

Odiava o fato de nunca ter despertado minha loba, porque um aviso de que ele voltaria mais cedo teria sido útil.

Eu já tinha colocado todo o dinheiro e os documentos do cofre escondido dentro da minha mochila.

Ainda bem que ele não sabia que havia quase cinquenta mil dólares escondidos aqui quando se mudou para a nossa casa.

O cofre já estava fechado, trancado e novamente oculto debaixo do tapete.

Não havia como ele saber o que eu tinha vindo fazer.

E eu com certeza não iria contar.

Aquele dinheiro pertencia à minha família, e eu estava apenas recuperando o que era meu e das minhas irmãs.

— Só queria visitar meus pais de novo. Ainda sinto falta deles — respondi, levantando-me devagar para encará-lo.

— Você esqueceu que esta não é mais a sua casa? Costuma invadir propriedades? Não permiti sua entrada, e sei muito bem que tranquei tudo quando saí. Então, como você entrou aqui? — perguntou ele. Gritava as perguntas enquanto olhava ao redor da sala, procurando algo quebrado ou fora do lugar.

Ergui a mão, mostrando a chave pendurada no chaveiro.

— Com isto. Só queria me despedir do meu pai uma última vez. Por isso estava no escritório dele. Não toquei em nada seu. Não voltarei mais. Aqui está a chave — eu disse.

— Seu pai não queria mais você aqui.

Até eu sei disso, e olha que sou um membro novo na alcateia.

Depois que ficou provado que você era uma sem lobo, ninguém mais a quis por perto.

Você é um desperdício de recursos valiosos.

Come a nossa comida e não pode ajudar a proteger o bando.

Não venha me dizer que não sabe que não tem valor algum.

Precisa arrumar um homem disposto a defendê-la e protegê-la.

Isso se conseguir encontrar alguém aqui disposto a fazer isso.

Não se esqueça de que você é o membro mais baixo da hierarquia.

A única coisa que joga a seu favor é a sua aparência.

Eu não me importaria de provar um pouquinho, mas também não quero marcá-la.

Já que foi tão boazinha de se entregar de bandeja para mim, ninguém precisa saber — disse Clay Oliveira, dando um passo à frente.

Recuei apressada e fui para o outro lado da mesa que pertencia ao meu pai.

— Não, obrigada, Clay. Não estou interessada. Vou deixar a chave extra aqui na mesa. Estou de saída — avisei com o máximo de calma que consegui reunir. Odiava ver seus olhos passearem pelo meu corpo. Ele era nojento, e eu sabia que precisava sair dali o mais rápido possível.

— Sei que o Paxton Teixeira quer você, mas uma provadinha não faz mal — disse Clay, avançando na minha direção. Mantive o móvel entre nós enquanto me esgueirava para perto da porta. Virei-me para correr, mas senti suas garras afundarem na minha panturrilha esquerda quando tentou me agarrar. Gritei de dor e caí no chão, presa pelas garras dele.

Podia sentir o estrago que ele estava fazendo na minha perna, rasgando músculos e tendões enquanto me imobilizava. Ele aproveitou a chance para rastejar para mais perto e deu um sorriso cínico.

— Não me importo com o que você quer, bruxa das trevas — cuspiu as palavras.

— Só quero um gostinho para me saciar até que o Paxton acabe com você, ou a engravide. Depois, chega a minha vez — sussurrou, usando o dedo indicador da outra mão em forma de garra para rasgar o tecido da minha blusa e do sutiã.

O olhar dele estava tão focado em mim que nem viu minha irmã se aproximar. Ela desferiu um soco na lateral da cabeça dele, apagando-o na hora. Ele desabou em cima do meu estômago. Inconsciente, suas garras se retraíram, voltando a ser dedos normais. Brenna Costa me ajudou a empurrá-lo para o lado e a me levantar. Em seguida, amparou-me até o veículo utilitário dos nossos pais. Agora era real. Nosso plano estava em andamento, e ou escapávamos, ou seríamos forçadas contra a nossa vontade a nos relacionar com homens que desprezávamos.

Brenna abriu a porta traseira e empurrou o banco para a frente, permitindo que eu me deitasse no chão da terceira fileira.

Luna Sampaio já estava escondida, deitada no assoalho da segunda fileira.

Se fôssemos pegas, ela e Brenna teriam que lutar para nos salvar.

Eu não podia ajudá-las com essa parte.

Foi por isso que me ofereci para buscar o dinheiro.

Sabia que Clay tinha uma reunião com o Rex Esteves e o Paxton esta manhã.

Ele apenas voltou antes do previsto.

Imaginei que precisasse buscar alguma coisa, porque Paxton adorava ouvir a própria voz.

Ele nunca faria uma reunião que durasse apenas cinco minutos.

Recusava-me até a pensar na possibilidade de aquilo ser uma armadilha.

Tirei os restos do sutiã e da blusa rasgada e puxei uma camiseta limpa da mochila.

Vesti a peça rapidamente.

Não queria correr o risco de ficar exposta caso tudo não passasse de uma emboscada.

Eles podiam estar tentando nos atrair para uma falsa sensação de segurança.

Precisávamos ir embora.

Eu preferia morrer a ficar ali e enfrentar os planos que Paxton tinha feito para mim e para as minhas irmãs.

O medo me sufocou quando nos aproximamos do portão da Alcateia Kamaria.

Era agora.

Meu coração parecia prestes a pular do peito.

Luna e eu ficamos em silêncio quando Brenna abaixou o vidro do carro e cumprimentou o guarda.

— Ei, Stan Quaresma, pode abrir o portão para mim? Preciso buscar uma encomenda para a Luna — pediu Brenna.

— Claro, Brenna — ouvimos o homem responder enquanto se afastava para abrir primeiro um lado da grade e depois o outro. A alcateia tinha dinheiro. Por que não gastavam em um portão automático? Era patético depender de algo tão antiquado.

— Até a volta. Vá com cuidado — avisou.

— Obrigada, Stan, se cuide. Até logo — respondeu ela, subindo o vidro ao passar por ele. Era o momento da verdade. Brenna avançou devagar, sem chamar a atenção enquanto deixávamos a propriedade. Espiei pela fresta do banco, e ela o observou com cautela pelo retrovisor enquanto nos afastávamos. Nenhuma de nós respirou até que ela finalmente anunciou: — O portão fechou.

Ela temia que ele pudesse sentir o cheiro da nossa irmã, já que Luna era uma loba, ou o fato de que eu estava ali atrás sangrando. Tivemos sorte de Brenna ser um membro de confiança. Era conhecida e adorada por todos.

Havíamos superado o primeiro obstáculo, mas não estávamos a salvo, e todas sabíamos disso. Era questão de tempo até que alguém fosse procurar o Clay. Quando isso acontecesse, perceberiam a nossa ausência. Nós nem mesmo havíamos rejeitado a alcateia ainda. Brenna mandou que esperássemos trinta minutos, o tempo que levariam para começar a nos procurar, antes de cortarmos o vínculo. Fazer isso agora só os alertaria mais cedo.

— Luna, pegue um pedaço de papel e anote isto — ordenou Brenna. Luna agora estava sentada no banco da segunda fileira, anotando prontamente tudo o que a irmã dizia. Embora fosse a filha do meio, Brenna sempre assumiu o papel de protetora, cuidando tanto de mim quanto de Luna enquanto crescíamos. Ela ditou uma lista de suprimentos médicos, e a caçula registrou tudo.

Para os de fora, Brenna podia parecer fria e direta, mas nós a conhecíamos como alguém amorosa e gentil. Estava estressada e preocupada no momento, operando no que eu chamava de "modo de batalha". Não ia relaxar até que estivéssemos todas seguras. Ela se jogaria na linha de fogo para salvar qualquer uma de nós, e eu era grata por isso. Se conseguíssemos escapar, seria graças ao plano dela. Àquela altura, eu só confiava nas minhas irmãs.

— Rasgue a lista ao meio para podermos nos separar e resolver isso o mais rápido possível.

Pode pegar um pouco do dinheiro com a Cara.

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