A Esposa Secreta do Bilionário Mais Temido
Sinopse
Após descobrir a traição de Rodrigo Reboredo e romper o casamento sem hesitar, a atriz Clara Costa acaba se envolvendo em uma noite turbulenta com Daniel Delgado, líder absoluto do prestigioso Grupo Delgado e tio de seu ex-marido. Quando uma armadilha armada pela família Reboredo leva sua mãe à prisão, Clara aceita uma proposta inesperada: um casamento de conveniência em total sigilo com o implacável magnata.
Enfrentando as intrigas de Rodrigo e as armações vis de Rafaela Ramalheiro, além de desvendar a verdade por trás do suposto amor platônico de Daniel, o vínculo de aparências logo se transforma em uma paixão ardente e protetora. Enquanto ascende como estrela premiada do cinema sob o amparo incondicional de Daniel, Clara descobre que seu falso casamento sempre foi o destino mais verdadeiro de sua vida.
Capítulo1
— Três anos de casada e continuo virgem. Diz lá, não sou ridícula?
Na suíte presidencial, Clara Costa, com os olhos marejados de álcool, puxou a gravata do homem à sua frente e sentou-se no colo dele.
Naquela noite, usava um vestido longo vintage de veludo preto. As ondas castanhas e volumosas do cabelo caíam-lhe pelas costas, fazendo-a lembrar a protagonista deslumbrante de um clássico do cinema de Hong Kong: entre risos e lágrimas, mesmo com a maquilhagem borrada, mantinha uma beleza magnética.
O homem, encostado ao sofá, manteve o rosto gélido do início ao fim. Sem a afastar, mas também sem corresponder, apenas a observava em silêncio enquanto ela o tocava sem pudor, entregue à embriaguez.
Ao lado, Pedro Prado, o assistente pessoal de Daniel Delgado, tremia dos pés à cabeça.
Havia saído apenas dois ou três minutos para atender uma chamada de família no corredor. Bastou esse instante para aquela mulher embriagada invadir o quarto do patrão. Quando Pedro regressou, ela já tinha levantado o vestido e estava sentada no colo do chefe.
Afinal de contas, quem tinha a audácia de se sentar no colo de uma figura tão intimidadora?
Pedro preparava-se para a expulsar, mas um simples olhar de Daniel deteve-o de imediato.
O ambiente na suíte presidencial tornou-se estranhamente pesado.
Sem reparar na presença do assistente, a jovem encostou o rosto ao ombro de Daniel e continuou o desabafo:
— O meu ex-marido disse que as mulheres do mundo do espetáculo são sujas, que tinha medo de apanhar alguma doença se dormisse comigo... Como é que ele foi capaz de pensar isso de mim? Entrei na representação aos dezoito anos e conquistei tudo a pulso. Nunca usei o meu corpo para conseguir trabalho nenhum... Nunca, de verdade...
— Ex-marido? — O olhar frio de Daniel revelou uma leve hesitação. — Estão divorciados?
— Claro que sim! Aquele canalha traiu-me durante o casamento, foi para a cama com a ex-namorada. Ele pode não ter princípios, mas eu tenho! Se não estivesse divorciada, achas que vinha para um hotel contigo? — Apontou com um gesto desajeitado para a bolsa. — A certidão de divórcio ainda cheira a tinta fresca. Se não confias, podes confirmar antes de irmos para a cama!
Pedro mal se atrevia a respirar.
O que significava aquilo?
O chefe conhecia aquela mulher?
E ela pretendia mesmo ir para a cama com ele?
Devia permanecer ali ou sair de imediato?
Perante a hesitação do assistente, Daniel ergueu a mão e apontou os dedos compridos na direção da porta.
Recado entendido: podia retirar-se.
Pedro saiu com a máxima discrição, tendo o cuidado de fechar bem a porta atrás de si.
Apenas Daniel e Clara ficaram no quarto.
Ele ajeitou a gravata que ela tinha amarrotado e fitou-a com um olhar profundo:
— Queres dormir comigo?
— Não é esse o teu trabalho?
Clara já tinha a mente nublada pelo álcool, mas lembrava-se perfeitamente da promessa da amiga Stella Osório no bar: reservar-lhe uma suíte presidencial e contratar um rapaz jovem e atraente para celebrar o divórcio e quebrar o jejum.
Julgara que era brincadeira, mas parecia que Stella tinha mesmo cumprido.
Havia que reconhecer o bom gosto da amiga: o homem diante de si tinha traços marcantes, feições impecáveis e um porte atlético invejável. As pernas eram compridas e, quando se encostara a ele, conseguira sentir a firmeza dos músculos através da camisa.
Além disso, vestia-se a preceito para o trabalho, interpretando o papel de empresário inacessível com total rigor.
Clara lembrou-se do ex-marido, Rodrigo Reboredo. Sempre achara que Rodrigo era o homem a quem o fato melhor assentava, mas em comparação com quem tinha à frente, o ex-marido não passava de uma figura banal.
— O meu trabalho é dormir com pessoas? — Daniel esboçou um sorriso irónico. — E quanto pagaste por isso?
— Não sei, foi a minha amiga que pagou. Disse que era para comemorar o meu divórcio.
De tanto falar, ficou com a garganta seca. Tentou alcançar o copo de água na mesinha de apoio, mas não conseguiu.
Daniel pegou no copo e levou-lho aos lábios.
Com o pescoço erguido, Clara bebeu a água com avidez, como uma corça sedenta, passando depois a língua pelos lábios, num misto de inocência e sedução.
— Obrigada. És muito atencioso.
Achegou-se ainda mais ao peito dele. O corpo macio pressionou-o, despertando um calor perigoso que ameaçava o controlo do homem.
Daniel tocou nas contas de sândalo no pulso, tentando conter o ímpeto, mas o desejo acabou por superar a razão.
Se conseguisse resistir naquela situação, deixaria de ser homem.
Levantou-se, tomou Clara nos braços, pousou-a na cama, desfez a gravata e inclinou-se sobre ela.
— Clara Costa, quem tem a coragem de pôr um ponto final merece um recomeço. A tua amiga tem razão, esta noite é mesmo para celebrar.
Sem lhe dar tempo para reagir, Daniel beijou-a com intensidade avassaladora, aprofundando o contacto e envolvendo-a por completo.
A noite desdobrou-se numa paixão sem tréguas.
Ao acordar, Clara sentia o corpo dorido, como se tivesse sido desmontado peça por peça.
A entrega da véspera funcionara como um anestésico temporário para esquecer o casamento fracassado e a humilhação provocada por Rodrigo. Contudo, dissipados o álcool e o torpor, o vazio do término regressava com toda a força.
Fugir da realidade através do excesso de nada servia.
Do quarto de banho vinha o ruído da água a correr. Por detrás do vidro fosco, distinguia-se a silhueta alta do homem.
Fragmentos da noite anterior invadiram a memória de Clara.
O rapaz que Stella contratara revelara-se excecional. A experiência superara todas as expectativas: temera que a sua primeira vez fosse dolorosa, mas a paciência e a ternura dele dissiparam os receios, proporcionando-lhe sensações intensas.
Se tivesse de avaliar o serviço, daria a pontuação máxima.
No entanto, com a luz do dia e a sobriedade recuperada, a perspetiva de encarar o parceiro da véspera deixava-a profundamente constrangida.
Decidiu escapar enquanto ele ainda estava no banho.
Com cautela, afastou os lençóis, vestiu o vestido, calçou os saltos altos e caminhou na ponta dos pés até à porta. No momento em que pousou a mão no puxador, uma voz grave soou atrás de si:
— Vais-te embora sem dizer nada depois de te deitares comigo? Onde estão as tuas maneiras?
Clara gelou.
Atrasara-se um segundo a mais e fora apanhada.
— Bem, tenho compromissos urgentes e preciso de ir. O serviço de ontem foi excelente, muito obrigada. — De costas voltadas, fez um elogio rápido ao desempenho dele e tentou abrir a porta.
— Espera — ordenou o homem. — Não te viras para ver quem sou?
— Foi apenas um encontro de uma noite, não vejo necessidade de nos conhecermos.
Ao terminar a frase, abriu a porta.
Mal a folha se moveu alguns centímetros, o homem aproximou-se com passos largos e, com um braço firme, empurrou a porta, fechando-a com estrondo.
— Um encontro de uma noite? — Segurou o queixo de Clara, obrigando-a a encará-lo, e disse calmamente: — Talvez seja mais do que isso.
Impedida de sair repetidamente, Clara começou a perder a paciência.
— O que é isto? Agora queres agarrar-te a... — Ao erguer o olhar e focar o rosto encostado à porta, o coração quase lhe parou.
Onde estava o jovem recém-licenciado em dificuldades financeiras?
Como era possível ser Daniel Delgado?
Dormira com Daniel Delgado?
Ele era o tio de Rodrigo Reboredo!
Acabara de se divorciar de Rodrigo e fora logo para a cama com o tio dele? Que pesadelo era aquele?
E o pior de tudo: Daniel Delgado não era um homem qualquer.
Em Jincheng, aquele nome era sinónimo de poder supremo e de perigo absoluto.
Clara vira-o algumas vezes em reuniões de família. Embora fosse apenas seis anos mais velho que Rodrigo, corria o rumor de que a sua ascensão à liderança do Grupo Delgado fora implacável, semeando o caos na empresa e levando até à ruína do próprio irmão mais velho.
A família Delgado temia-o como a um juiz implacável, e a família Reboredo mantinha um respeito temeroso por ele.
Clara só lhe dirigira a palavra no dia do seu próprio casamento, quando Rodrigo a instou a cumprimentar o tio. A partir desse dia, o ex-marido avisou-a vezes sem conta para manter distância e nunca o provocar.
Agora, além de o provocar, tinha-se deitado com ele!
O que faria agora?
— Senhor Delgado, eu...
— Sim? — Daniel franziu a testa, num tom de leve desagrado, e deu um passo em frente.
Recém-saído do banho, tinha apenas uma toalha enrolada à cintura. As gotas de água escorriam-lhe pelo peito bronzeado, realçando os músculos definidos.
Clara baixou o olhar, sem coragem para o encarar.
— Porque baixas a cabeça? Onde ficou a audácia de ontem à noite?
— Senhor Delgado, peço desculpa. Estava embriagada... Devo ter entrado no quarto errado. Lamento muito, não devia ter-me desrespeitado desta forma.
— Desrespeitado? — Daniel segurou a mão dela e guiou-lhe os dedos pelo peitoral até à linha da cintura, coberta de arranhões nítidos. — Senhora Costa, acha que isto é apenas falta de respeito?
Ao ver as marcas no corpo dele, Clara custou a acreditar que fora ela a autora daquelas provas.
O rubor subiu-lhe instantaneamente ao rosto.
O álcool era mesmo uma armadilha perigosa. Arrependia-se amargamente de ter bebido para afogar as mágoas do divórcio.
— Desculpe, perdi o controlo por causa da bebida.
— Não aceito um simples pedido de desculpas para ferimentos deste calibre — afirmou Daniel.
Ferimentos graves? Já estavam praticamente a cicatrizar!
Além disso, a culpa não podia ser toda dela; se ele não tivesse mudado de posição tantas vezes durante a noite, ela não o teria arranhado assim.
— Senhor Delgado, isso mal conta como ferimento.
— Quer dizer que pretende fugir à responsabilidade?
— Não, de todo. Não foi isso que eu quis dizer. — Atingida pelo pânico e pela confusão perante uma figura tão influente, Clara perguntou com cautela: — Como prefere resolver a situação?
— Se eu disser, aceita?
— Se estiver ao meu alcance, sim.
— Muito bem. Então vamos casar.
— O quê? — Esquecendo o receio, Clara ergueu a voz.
— Ouviu perfeitamente.
— Casar? Enlouqueceu?
Casar por causa de uma noite acidental?
Seria Daniel Delgado assim tão tradicional?
— Não enlouqueci. Estou a falar muito a sério — declarou ele.
Clara ficou perplexa. Imaginara que, sendo um homem rico e poderoso, ele não usaria a situação para chantagens mesquinhas. Além disso, embora ela tivesse entrado no quarto errado, tudo o que se seguiu fora consentido e ele não saíra a perder. Nunca esperou uma exigência tão absurda.
— Senhor Delgado, o casamento não é uma brincadeira — tentou argumentar com paciência. — A noite passada foi apenas um mal-entendido.
— Dormiu comigo e não assume a responsabilidade?
— Eu... reconheço o erro de ter entrado no quarto errado. Mas estávamos os dois envolvidos, o ambiente levou a isso. Sendo franca, será que só eu aproveitei e o senhor não sentiu nada? — Clara reuniu coragem para ripostar.
— Na verdade, não — respondeu ele com toda a seriedade. — Ontem, preocupei-me apenas em dar-lhe prazer.
Como fora a primeira vez dela, tivera o cuidado de respeitar todos os seus limites. Por várias vezes esteve perto do clímax, mas conteve-se perante os protestos dela.
Apesar das várias investidas, focara-se no conforto de Clara, ficando sempre a meio caminho, num esforço penoso de contenção.
O rosto de Clara ardeu de vergonha.
— Mesmo assim, duas pessoas não se casam precipitadamente por causa de uma noite. Onde está a responsabilidade nisso? E não se esqueça de que sou a ex-mulher de Rodrigo.
— Não me importo com o facto de já ter sido casada.
— A questão não é essa! O senhor é tio do Rodrigo. Não quero ter qualquer ligação com ninguém da família dele, nem tenciono voltar a casar.
Os três anos que passara naquele casamento deixaram-na desiludida com a vida a dois. Não pretendia sair de uma armadilha para cair noutra.
— Eu não sou o Rodrigo. — Daniel inclinou-se e murmurou-lhe ao ouvido: — Pode experimentar casar comigo. Não se vai arrepender.
A presença masculina e envolvente dominou os sentidos de Clara.
Ficou paralisada por alguns segundos até conseguir afastar o homem com firmeza.
— Lamento, senhor Delgado, mas não posso aceitar essa proposta. Talvez possa propor outra solução.
— Não se precipite na recusa. Dou-lhe tempo para pensar. — O tom dele era calmo, mas carregado de uma determinação inabalável.
— Não preciso de pensar. Casamento está fora de questão.
Daniel agiu como se não tivesse ouvido. Tirou um cartão de visita de estilo tradicional, colocou-lho na mão e apontou para o número de telefone:
— Quando mudar de ideias, ligue-me a qualquer hora. Fico à sua espera.
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