A Esposa de Contrato
Sinopse
Íris Montenegro manteve um casamento por contrato de cinco anos com Bruno Barbosa, o frio e implacável presidente do Grupo Barbosa. Prestes a expirar o prazo e farta dos escândalos envolvendo a modelo Nádia Torres, ela exige o divórcio. No entanto, Bruno já se encontra perdidamente apaixonado e recusa-se a deixá-la partir. Entre tramas corporativas, resgates em áreas de desastre em Dongcheng e revelações de traumas do passado — desde a culpa de Íris pela morte de Afonso Portocarrero até o transtorno bipolar e as cicatrizes de infância de Bruno —, o casal finalmente desfaz os mal-entendidos e consuma uma união verdadeira e legítima.
Paralelamente, Gonçalo Vargas, o líder do Grupo Vargas, entra em uma disputa de alto nível pelo projeto Cidade da Saúde com a nova CEO do Grupo Matos, Anita Matos. Por trás da frieza calculada de Anita oculta-se Leonor Lacerda, a órfã sobrevivente de um crime do passado que busca vingança contra Xisto Vargas e a cúpula do Grupo Matos. Rendido pelo fascínio da mulher que jurou destruir seus inimigos, Gonçalo cruzará fronteiras e enfrentará a própria dor para resgatá-la de seu exílio no País K, provando que nem o rancor do passado é capaz de resistir ao verdadeiro amor.
Capítulo1
Laboratório de botânica.
Equipamentos químicos e ferramentas usuais de jardinagem estavam espalhados por todo o espaço.
Íris Montenegro colhia amostras de solo quando parou ao ouvir a conversa de dois pesquisadores atrás de si.
— Ei, já viu os tópicos mais comentados? O nosso Presidente Barbosa reatou com a antiga paixão.
— Caramba, com aquela supermodelo colecionadora de galãs, a Nádia Torres de novo?!
— E quem mais seria? Fora ela, quem mais estaria à altura do charme do Presidente Barbosa?
Ela desligou-se das palavras seguintes.
Íris tirou a máscara de proteção, revelando marcas leves no rosto pálido e refinado.
Abriu a lista de tendências no celular.
Tocou na imagem anexada à manchete: "Herdeiro do Grupo Barbosa reacende antigo amor e fecha restaurante exclusivo para arrancar sorriso de supermodelo".
Um luxuoso restaurante no terraço de uma cobertura.
O homem com quem ela estava casada há cinco anos segurava a mulher que sempre fora a paixão da sua vida.
Mesmo na foto de baixa resolução, era impossível ignorar a beleza e a elegância dos dois, um par perfeito.
Nádia Torres tinha voltado?
Enquanto observava a imagem, absorta, uma nova notificação vibrou na tela.
Sogra: "Você não disse que o Bruno ia fazer serão ontem à noite? O que é isso nos tópicos em alta?!"
Íris: "..."
Sem responder de imediato, ela alternou para a conversa com o contato salvo como Marido.
Íris: "Vocês voltaram? A mãe viu as notícias e é bem provável que nos chame para ir lá hoje à noite. Vamos combinar o que dizer para explicar a situação."
Esperou meio minuto.
Marido: "Não precisa explicar nada."
Íris encarou aquelas palavras por um longo momento, bloqueou o ecrã do telemóvel e voltou a recolher a terra.
Perto da hora de sair, enquanto lavava as mãos e guardava as ferramentas de trabalho, a água mal começara a correr quando o telemóvel vibrou.
Marido: "Estou no piso -1 do estacionamento do vosso edifício. Desça."
No parque de estacionamento subterrâneo daquele edifício antigo e degradado, a presença de um imponente Rolls-Royce totalmente negro destoava por completo do ambiente.
Íris apertou o telemóvel na mão e caminhou a passos rápidos até ao banco traseiro.
Ao abrir a porta, a linha do teto cortou parte do seu campo de visão, mas não a impediu de distinguir o perfil de traços marcantes.
Mais abaixo, um fato de corte impecável em cinzento-escuro.
O teto estrelado e a iluminação azul nas portas completavam o interior luxuoso do veículo, emanando uma nobreza inata.
Ela baixou os olhos e entrou:
— Como veio parar aqui?
Bruno Barbosa virou os olhos escuros e indiferentes na direção dela, com uma voz grave e magnética:
— Vamos jantar a casa da família esta noite.
O olhar límpido de Íris vacilou por um instante:
— Ontem a mãe perguntou-me onde estavas e eu disse que estavas a trabalhar até tarde. É provável que ela já tivesse ouvido alguma coisa ontem.
— Hm — respondeu ele, num tom neutro. Depois acrescentou: — Eu próprio explico. Fique em silêncio durante o jantar.
— Está bem.
Íris lançou um olhar furtivo a Bruno, que já tinha fechado os olhos para descansar. A pergunta feita pela manhã e deixada sem resposta — "Vocês voltaram?" — voltou a ficar guardada para si.
Tinham passado cinco anos. Nesse tempo, ela deixara de ser estagiária no laboratório para se tornar investigadora oficial.
Ao longo desses mesmos cinco anos, Bruno e Nádia mantinham aquele jogo de avanços e recuos, às claras e às escondidas.
E ela não passava de mais uma peça nesse tabuleiro.
Uma peça cuja função incluía, claro, servir de cobertura.
Afinal de contas, ela e Bruno não passavam de um casal de conveniência que se usava mutuamente.
Faltava apenas um mês para o acordo terminar.
Na mansão da família.
A fúria de Célia Cunha ultrapassou tudo o que Íris tinha imaginado.
Afinal, mal cruzaram a porta de entrada, uma chávena de chá veio a voar na direção deles.
Íris soltou uma exclamação assustada, mas Bruno puxou-a com rapidez para trás de si.
A chávena desfez-se em estilhaços no chão, salpicando o chão de porcelana.
Bruno cerrou os lábios e disse em tom firme à empregada ao lado:
— A senhora não se está a sentir bem. Ajude-a a subir para descansar.
Apanhada de surpresa por aquele mal-estar, Íris olhou para ele, incrédula.
Ouviu-o murmurar baixo:
— Suba. Fique escondida lá em cima.
— Mas e tu... — Se a sogra já estava a atirar louça, era porque a fúria não era pouca.
O olhar dele manteve-se impassível:
— Não morro por causa disto.
Íris entrou no antigo quarto de Bruno.
Mesmo com a distância entre os pisos, conseguia ouvir com clareza as repreensões de Célia Cunha.
— Como é que ainda queres uma rameira daquelas?! Não tens nojo?!
Quanto à resposta de Bruno, ela já não conseguia distinguir.
Mas era fácil imaginar a cena: ele com a mesma expressão impassível de sempre, a justificar-se com toda a calma do mundo.
O homem tinha uma estabilidade emocional inabalável. Pelo menos nos cinco anos em que conviviam, o humor de Bruno fora sempre uma linha reta e contínua, sem grandes entusiasmos nem momentos de abatimento.
Dava a sensação de que nada nem ninguém conseguia abalá-lo.
Com exceção de Nádia Torres.
Passou algum tempo, tanto que as pernas de Íris já começavam a ficar dormentes de estar sentada, até que a empregada bateu à porta:
— Menina Íris, o patrãozinho mandou perguntar se já se sente melhor. Se estiver melhor, pode descer para comer alguma coisa.
— Já estou melhor, vou já descer.
O ambiente à mesa de jantar lembrava a calmaria após uma tempestade.
Íris media cada palavra e cada gesto, com receio de dar um passo em falso, e cumprimentou com respeito:
— Mãe.
Célia Cunha assentiu com uma expressão rígida:
— Já estás melhor? Queres que chame o Dr. Evangelista?
Íris apressou-se a inventar uma desculpa:
— Não é preciso, foi só... umas dores menstruais.
Célia ordenou à criadagem:
— Aqueçam a sopa outra vez. A menina precisa de tomar coisas quentes.
Íris agradeceu num fio de voz:
— Obrigada, mãe.
Sentou-se ao lado de Bruno e deitou-lhe um olhar de esguelha.
Ele mantinha uma expressão gélida, como se nada tivesse acontecido antes. Nem dava para imaginar como tinha conseguido contornar a fúria da mãe.
Célia Cunha ainda usava as sobrancelhas finas que tinham estado na moda na sua juventude. Muito bem cuidada, mesmo que a juventude já tivesse ficado para trás, era evidente que fora uma mulher deslumbrante.
Naquele momento, franzia as sobrancelhas finas:
— Ainda continuas com a investigação de plantas no laboratório?
— Sim.
— Não te disse vezes sem conta para deixares esse emprego e ficares em casa a cuidar do lar como deve ser? Olha para ti, já passaram cinco anos e essa barriga continua sem dar sinal de nada.
Íris pensou para consigo: por que não pergunta ao seu filho?
Por fora, manteve a postura obediente e dócil, ignorando deliberadamente o pedido para se despedir.
— Isso também depende do destino. Acredito que, quando chegar a hora certa, a criança virá.
Só que não.
A expressão sombria de Célia Cunha não suavizou.
— Nada disso. Amanhã não vais trabalhar, vou levar-te ao médico.
Íris sentiu uma pontada de dor de cabeça, abriu a boca para tentar dissuadi-la da ideia.
— O alvo está errado. É a mim que a mãe devia levar — intrometeu-se Bruno, com ar indiferente.
— O problema é teu?! — exclamou Célia, espantada.
Íris também ficou estupefacta, olhando para Bruno sem acreditar no que ouvia.
Ele emanava aquela frieza habitual de quem não tinha qualquer paciência para dar explicações:
— Sim.
Célia Cunha entrou em pânico, querendo arrastá-lo de imediato para o hospital:
— Amanhã vais comigo ao médico sem falta!
Bruno continuou calmo e imperturbável:
— Um problema congénito como este não se resolve à pressa. Trato disso quando tiver tempo livre.
Enquanto falava, o ecrã do telemóvel dele acendeu-se.
Sentada ao lado dele, Íris conseguiu ler claramente o nome no ecrã: Nádia.
Ele baixou o olhar e também reparou.
A atitude antes desinteressada transformou-se num instante numa atenção concentrada.
Ao notar essa mudança subtil, Íris piscou os olhos, admirando mais uma vez o peso que Nádia Torres tinha no coração de Bruno.
Como ela tinha sorte.
Vivia livre e desimpedida, e ainda tinha Bruno a pensar nela com tanta devoção.
Entre idas e voltas, ele continuava sempre no mesmo lugar, à espera que ela regressasse.
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Últimos capítulos
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