Transmigrada como a Substituta, Estudei o Manual de Cuidados Noturnos
Sinopse
Após morrer de exaustão no trabalho, a assalariada Clara de Vasconcelos transmigra para um romance dramático clássico como a dublê de corpo da inalcançável Vanessa Sacramento. Diante de um salário mensal astronômico de quinhentos mil e uma indenização milionária oferecidos pelo magnata Gustavo Gouveia de Matos, Clara não se apaixona: ela encara o papel como um serviço doméstico de luxo e passa as noites estudando para tirar o certificado de cuidadora de elite. Quando a verdadeira paixão retorna, Clara embolsa a fortuna sem pestanejar e assume a decadente Agência Sem Limites.
Unindo forças com a brilhante ex-secretária Vitória Ribeiro e a própria Vanessa Sacramento, sedenta por vingança, o trio improvável estabelece uma aliança inabalável voltada apenas para enriquecer. Entre minisséries dramáticas para exportação, transmissões ao vivo hilárias e investimentos astutos, Clara revoluciona o entretenimento e desmantela vilões como Guilherme Pinto Coelho, Bruna Sacramento e Tomé Teles. Transformando a Sem Limites em um conglomerado global do Grupo Sem Limites, ela alcança o topo da Lista da Forbes e funda sua sonhada rede internacional de cuidadores.
Capítulo1
Se alguém perguntasse a Clara de Vasconcelos como ela havia morrido, ela certamente morreria de novo, de pura frustração.
Afinal, tinha morrido de pobreza.
Por isso, quando transmigrou para as páginas de um romance e se viu no corpo da substituta do grande amor de um magnata, a vontade foi de gritar para os céus: a grande fortuna finalmente caiu no meu colo!
Naquele exato instante, o magnata autoritário, Gustavo Gouveia de Matos, atirou um cheque na direção dela com desdém:
— Quinhentos mil por mês. A partir de hoje, você vai morar aqui.
Clara apanhou o cheque no ar com as mãos trêmulas, quase chorando de emoção. Ergueu o rosto com a mais pura sinceridade:
— O que o senhor precisa que eu faça? Lavar, passar, cozinhar, limpar a casa... dou conta de tudo!
— Além disso, estudei acupuntura, massagem e terapia alimentar. Sou uma cuidadora de primeira linha! Até cuidar de pós-parto e recém-nascido eu sei fazer com perfeição. Pode ficar tranquilo, garanto que esses quinhentos mil vão valer cada centavo!
Quem já foi CLT na vida entende o desespero.
Na vida anterior, ela se matava de trabalhar sob constante pavor de ser demitida para ganhar míseros três mil e quinhentos por mês, e aquele chefe desgraçado nem os direitos trabalhistas pagava.
Lembrando-se disso, Clara perguntou com cautela:
— Aqui tem registro em carteira e benefícios?
Gustavo engasgou de leve. Encarou-a durante longos segundos, como se estivesse diante de uma completa lunática:
— Não estou procurando uma empregada! Clara, você deveria dar graças a Deus por ter um rosto tão parecido com o dela. Caso contrário, eu nem olharia na sua cara.
— Comporte-se como um passarinho na gaiola. E trate de guardar para si qualquer ilusão absurda que esteja passando pela sua cabeça.
Clara hesitou por um segundo. Então quer dizer que não tinha benefícios nem previdência?
Deixa para lá. Com um salário desses, quem precisa de benefícios?
Com esse pensamento, o ânimo dela voltou a subir. Guardou o cheque radiante de alegria:
— Desde que o pagamento caia em dia, está ótimo! Diretor Gustavo, como é que se faz para ser um bom passarinho na gaiola? Tem algum manual de instruções da função? Não se preocupe, eu aprendo rápido e garanto que vai ficar satisfeito.
Gustavo soltou um riso de escárnio, considerando aquela fala apenas um truque barato para chamar sua atenção:
— Aprender? Você não chega aos pés da Vanessa nem se tentar a vida inteira, não tenha ilusões. Assim que a Vanessa voltar para o país, você vai embora na mesma hora. Vou te pagar uma indenização de dez milhões...
— Fechado, fechado, perfeitamente...
Clara quase chorou de novo, limpando uma lágrima de pura comoção no canto do olho:
— Combinado, então! Dez milhões livres de impostos, na conta. Quem voltar atrás na palavra não tem caráter!
Gustavo travou mais uma vez e soltou outra risada fria:
— Clara, esse seu joguinho é patético demais.
Ela guardou muito bem o cheque de quinhentos mil e respondeu com um sorriso dócil:
— Sim, sim, com certeza. O senhor tem toda a razão!
Gustavo era bonito, com a aura típica dos magnatas de romances clássicos, principalmente aqueles olhos alongados que pareciam destilar indiferença ao encarar os outros.
Ele a examinou de cima a baixo antes de decretar, com frieza:
— Daqui para a frente, nada de vestidos vermelhos. A Vanessa só usa branco.
Ter que providenciar uniforme de trabalho?
Clara ponderou, um pouco sem jeito:
— Uma camisa social branca serve? Daquelas básicas de escritório... Eu vi numa loja virtual que custa trinta reais o pacote com três. E se deixar uma boa avaliação, ainda devolvem cinco reais de cupom. O tecido é meio simples, mas o acabamento não é ruim...
O rosto de Gustavo escureceu de imediato:
— Cale a boca! Como você ousa achar que a Vanessa usaria esse tipo de trapo? Vou mandar entregar roupas para você daqui a pouco. E lembre-se: nunca faça nada que eu não goste!
Melhor ainda, não precisava gastar o próprio dinheiro.
Clara concordou animada, curvando-se em uma reverência de noventa graus:
— Muito obrigada, Diretor Gustavo!
Gustavo começou a suspeitar seriamente de que tinha contratado uma idiota. Respirou fundo e sentou-se no sofá.
A garota continuava a fitá-lo com os olhos brilhantes. O rosto claro e delicado exibia uma pureza ingênua sob a luz do sol que entrava pela janela, criando uma cena que, por uma fração de segundo, o fez pensar em um anjo.
A expressão dele suavizou um pouco. Deu duas palmadas no estofado ao seu lado:
— Venha cá.
Clara aproximou-se ligeira e prestativa:
— O senhor está com fome? Quer que eu prepare alguma coisa para comer?
— Tem cozinheira na casa, não preciso dos seus serviços.
Gustavo recostou-se no sofá com ar descontraído e levantou os olhos para ela:
— Sente-se aqui.
Clara estranhou, mas acomodou-se obediente ao lado dele, encarando-o com expectativa:
— O que devo fazer?
"Ingênua até dizer chega!", pensou ele.
Gustavo soltou uma risada baixa e levou a mão ao queixo dela, erguendo seu rosto:
— Não sabe como agradar um homem?
Agradar?
Clara ficou perplexa. Os grandes olhos marejados demonstravam pura incompreensão.
Os lábios vermelhos entreabriram-se de leve, parecendo um convite silencioso.
O pomo de adão de Gustavo moveu-se. O olhar dele escureceu:
— Fazendo-se de difícil?
Ele curvou os lábios em um sorriso, cobriu os olhos dela com uma das mãos e passou o outro braço pela cintura da jovem, puxando-a para o próprio peito. Inclinou a cabeça, prestes a beijá-la.
Sentindo aquela respiração desconhecida avançar sobre o seu rosto, o nervosismo tomou conta de Clara. O braço dela reagiu num reflexo involuntário e acertou em cheio a bochecha dele.
Plac!
Gustavo ficou atônito. Clara também empacou, sem reação.
— Não... Quer dizer...
Ela encolheu os ombros, trêmula, e soltou uma voz miúda:
— Esse tipo de serviço requer um valor à parte...
Quinhentos mil era muito dinheiro, claro, mas isso não dava o direito de sair beijando sem aviso prévio.
Se tivessem avisado antes que precisava oferecer o corpo, ela... bem...
Bom, se tivessem avisado antes, provavelmente ela não teria recusado.
Afinal, eram quinhentos mil, não cinquenta centavos.
Gustavo virou o rosto para o lado. O tapa tinha sido com força; a pele clara do rosto começou a avermelhar rapidamente, e todo o corpo dele parecia emanar uma frieza capaz de congelar o ambiente.
— Clara de Vasconcelos!
As palavras saíram espremidas por entre os dentes. Os olhos dele faiscavam como lâminas:
— Você perdeu o juízo?
O pânico bateu com força. Com a cabeça finalmente desanuviada do impacto dos quinhentos mil, Clara se lembrou dos acontecimentos da história original.
A dona original do corpo tinha uma trajetória trágica. O pai era um apostador violento que espancava a esposa, e a mãe fugiu logo após dar à luz. Depois de se casar novamente, a mãe nunca demonstrou o menor carinho pela filha, usando a desculpa de tê-la parido apenas para extorquir dinheiro com frequência.
A única pessoa que a criou com amor e carinho foi a avó, que acabou adoecendo gravemente e precisou ser internada.
Sem ter como arcar com os cem mil de despesas médicas, a jovem chorava sozinha num canto do corredor do hospital quando cruzou com Gustavo, internado por conta de uma crise de gastrite.
Na penumbra daquele corredor, a garota chorando com o rosto erguido lembrava demais Vanessa Sacramento, a mulher que ele não pôde ter e que havia viajado para o exterior para se aperfeiçoar.
Comovido com a semelhança, Gustavo não só pagou todo o tratamento médico como também a levou para a sua mansão, decidido a transformá-la em substituta.
No romance original, Clara era doce e submissa. Por conta daqueles cem mil, passou a enxergar Gustavo como a salvação da sua vida, aceitando ser sua substituta sem qualquer dignidade e ainda devolvendo cada centavo antes de partir.
Mesmo assim, por causa daquele dinheiro inicial, Gustavo a rotulou como uma mulher mesquinha e interesseira.
Por mais que ela o amasse de todo o coração, cozinhando, preparando remédios, aquecendo a cama e suportando todo tipo de humilhação...
Mais tarde, quando a mulher amada retornou, humilhando-a e armando armadilhas contra ela...
Gustavo continuou cego, fazendo questão de torturá-la psicologicamente.
No fim, Clara engravidou, foi forçada a abortar e partiu com o coração completamente despedaçado.
E depois...
Depois não tinha mais nada, porque os capítulos seguintes eram pagos e precisavam de recarga na plataforma, então ela tinha largado o livro no meio e ido ler outro xingando a autora.
Diante dessa lembrança, o dilema se instalou na mente de Clara.
Vender o corpo até não seria o pior dos mundos por aquela quantia, mas passar por um aborto forçado e todo aquele sofrimento já era humilhação demais.
Vendo a expressão de Gustavo ficar cada vez mais sombria e a fúria em seus olhos arder como brasa, ela teve um estalo e exclamou com a mais profunda devoção:
— Diretor Gustavo, fazer isso seria manchar a pureza do seu amor sagrado!
Últimos capítulos
No segundo ano após o nome de Clara de Vasconcelos figurar na lista da Forbes, ela finalmente inaugu
Clara de Vasconcelos ergueu os olhos para o teto e soltou um longo suspiro: — Vanessa, tenha piedad
Clara se aproximou feito uma gatinha manhosa, abrindo um sorriso descarado: — Vanessa, que tal você
Mário Monteiro ficou surpreso: — A Diretora Clara, da Sem Limites? Nos últimos anos, Clara de Vasc







