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Casada com o Magnata Obcecado, Decidi Só Relaxar

Casada com o Magnata Obcecado, Decidi Só Relaxar

Última atualização: 2026-08-31 07:46:18
Idioma:  Português0+
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Sinopse

Após lutar pela sobrevivência durante dois anos em um mundo pós-apocalíptico infestado de monstros, Lorena Ferreira acorda de volta ao seu mundo original e descobre que é apenas uma coadjuvante destinada a um final trágico em um romance de alta sociedade. Exausta de tanto sofrimento, ela decide ignorar o roteiro e abraçar o descanso absoluto, desfrutando com tranquilidade da riqueza e do casamento por conveniência com o temido magnata Paulo Pereira. Ao participarem juntos do reality show ao vivo Par Perfeito, seu estilo despreocupado, seus gastos extravagantes e a forma natural com que comanda o marido obcecado transformam Lorena em um fenômeno da internet. Em meio a intrigas familiares na disputa pelo controle do Grupo Chenfeng e provocações de rivais sociais, a verdadeira identidade de Lorena como a investidora secreta por trás da Fengxin Capital, Tengfei Eletrônica e Indústrias Céu Azul vem à tona, enquanto Paulo revela uma paixão guardada desde os tempos de colégio.


Capítulo1

Lorena Ferreira estava presa em um sonho, com a mente mergulhada em pura confusão.

Ora se via na infância, correndo com os joelhos ralados para o colo dos pais aos prantos, ora apertava os dentes enquanto cortava com uma faca a carne apodrecida do próprio braço, ferido pelas garras de uma criatura nefasta, sem tempo sequer para enfaixar antes de mergulhar de novo no massacre.

O rugido horrendo dos monstros e o cheiro acre de sangue e fumaça aos poucos cederam lugar ao zumbido ritmado das cigarras e a uma fragrância suave de laranja-amarga.

A luz do sol atravessava a janela panorâmica, iluminando o quarto e banhando Lorena, que continuava estendida na cama.

Instantes depois, ela abriu os olhos sob o canto das cigarras. Ao descer da cama, deu de cara com o próprio reflexo no espelho: vestia um pijama de seda branco-pérola, exibia uma pele alva e impecável, lábios rubros e longos cabelos ondulados e volumosos que desciam até a cintura.

Lorena ficou imóvel por um segundo.

Eu voltei de novo?

— Eu realmente saí daquele maldito inferno?! — murmurou, encarando o rosto no espelho com os olhos arregalados, antes de soltar um suspiro de pura euforia: — Céus, vocês finalmente ouviram minhas preces!

Aquele mundo hostil, onde faltava comida e água e a única rotina era matar monstros do amanhecer ao anoitecer, não era lugar para nenhum ser humano são.

O calor agradável do sol, o ar puro e até mesmo o barulho estridente das cigarras, que antes lhe parecia irritante, soavam maravilhosos agora.

Lorena estreitou os olhos, tomada por uma sensação de puro deleite.

Mas espere um momento.

Ela abriu os olhos outra vez, olhou para o pijama de luxo que nunca tinha visto na vida e depois ergueu a cabeça para examinar o quarto imponente e desconhecido, franzindo a testa.

— Este quarto não se parece em nada com o apartamento onde eu morava antes daquela febre.

Dois anos atrás, Lorena começou a adoecer com frequência inexplicável. Tinha febres constantes a cada poucos dias e, nos pesadelos, lutava contra aberrações asquerosas.

Jamais imaginou que um pesadelo pudesse se tornar realidade.

Nas histórias, as pessoas costumavam transmigrar após acidentes de carro ou mortes súbitas; no caso dela, bastou dormir com febre alta para acordar no corpo ainda quente de alguém que acabara de ser estraçalhado por um monstro.

Durante aqueles dois anos, sua rotina se resumia a fugir e lutar pela própria vida. Não teve uma única noite inteira de sono. Antes de abrir os olhos ali, estava havia quatro dias sem pregar o olho.

De repente, o som de um motor ecoou no pátio.

Com os pés descalços sobre o tapete macio, Lorena caminhou até a janela do segundo andar. Diante dela estendia-se a vista deslumbrante dos jardins de uma imensa propriedade. Um carro preto de luxo acabara de estacionar no pátio elegante, e um jovem de óculos de armação prateada desceu do banco do motorista.

No pátio, o mordomo correu para recepcioná-lo.

— Dr. Policarpo, a senhora voltou a reclamar de dor de cabeça — disse o mordomo, acompanhando o médico até a entrada principal com ar aflito. — Os exames de dois dias atrás não indicavam que estava tudo perfeito?

— Meu papel é avaliar a saúde física, não os caprichos da mente. Você tem certeza de que a dor de cabeça dela é real desta vez?

O mordomo abriu a boca, mas hesitou, engolindo as palavras antes de responder:

— É real, sim. Bem mais convincente do que da última vez!

— Ora, parece que as habilidades de atuação dela melhoraram nesta manhã.

—...

Ao verem o mordomo e o Dr. Policarpo entrarem na mansão, duas empregadas que limpavam a lateral do pátio começaram a cochichar:

— Mal entramos no terceiro dia do mês e o Dr. Policarpo já foi chamado quase oito vezes, não foi?

— Sendo mais precisa: três vezes anteontem, três ontem e duas hoje. E duvido que ele não precise voltar mais tarde.

— Para falar a verdade, tenho um pouco de pena da senhora. Já faz meses que ela não tem permissão para sair de casa — comentou uma delas, baixando ainda mais o tom de voz. — Não parece um cativeiro?

— Se fosse cativeiro de verdade, por que ela não chamaria a polícia?

— Ouvi dizer que os negócios da família dela dependem totalmente da ajuda do senhor Paulo. É óbvio que ela não pode criar confusão.

A outra empregada soltou uma risada de desdém:

— E só porque ela está frustrada tem o direito de infernizar a vida de todo mundo? Você chegou há poucos dias e ainda não viu do que ela é capaz. Basta um contratempo para começar com ofensas e humilhações, pisando no orgulho de quem estiver por perto. Já avisei ao mordomo que peço demissão no mês que vem. Nem todo o dinheiro do mundo vale a humilhação.

A novata calou-se, olhando na direção por onde o médico e o mordomo haviam desaparecido. Pensando bem, se estivesse no lugar do médico, sendo feita de boba dia após dia, também não sentiria a menor compaixão pela patroa.

No quarto, Lorena já havia voltado para a cama, esperando pacientemente o exame do Dr. Policarpo.

O médico inclinou-se e cruzou o olhar com os olhos castanhos de Lorena. Sem demonstrar qualquer reação aparente, sentiu uma ponta de surpresa.

Os traços eram exatamente os mesmos daquela manhã, mas os olhos dela pareciam conter um brilho sereno e límpido, completamente diferente da postura sombria e rancorosa de antes.

Uma expressão antiga veio à mente do médico:

Uma pérola que se livra da poeira.

Agora, aquela pérola brilhava com todo o seu esplendor.

O Dr. Policarpo lançou-lhe mais um olhar intrigado antes de prosseguir com os procedimentos de rotina.

Lorena percebeu a análise do médico, mas não deu a menor importância. Preferiu organizar as memórias que acabara de recuperar durante o sono. Para ser exata, achava sonhos um incômodo que estragava o descanso, e tudo o que conseguia lembrar com clareza era o desfecho trágico da personagem secundária com quem dividia o mesmo nome.

Nos últimos dois anos, uma alma invasora havia tomado posse de seu corpo. A julgar pelas conversas do mordomo e do médico, a trajetória dessa pessoa coincidia em quase cem por cento com a trama do livro.

Na história original, a Lorena da ficção era uma jovem atriz que havia estreado havia menos de um ano, famosa por escândalos e polêmicas que arruinaram sua reputação, rendendo-lhe o apelido de rainha das armações.

Quando a família Ferreira faliu, ela foi entregue a Paulo Pereira, o poderoso magnata, em um casamento de conveniência.

No início, a mulher pretendia usar a influência e os recursos de Paulo para alcançar o topo do entretenimento. No entanto, o marido revelou-se um homem extremamente possessivo e dominador, proibindo expressamente que ela continuasse atuando.

Com o tempo, suas redes sociais foram colocadas sob vigilância rigorosa, seus passos fora da mansão exigiam autorização prévia e escolta de seguranças, e até mesmo sua rotina doméstica era relatada com frequência ao marido pelo mordomo.

Para a ocupante do corpo, aquela vida vigiada e cheia de restrições parecia uma prisão insuportável.

Influenciada por seu empresário, ela fez um escândalo atrás do outro até forçar Paulo a concordar com a participação dos dois em um reality show sobre casais. O plano era expor o marido em rede nacional, bancar a vítima e usar a pressão pública para obrigá-lo a aceitar o divórcio.

Porém, a mulher superestimou sua popularidade. Pouquíssimos espectadores criticaram o controle excessivo do marido; a grande maioria zombou da situação, afirmando que ela recebia o que merecia. Para piorar, ela entrou em conflito com outra participante querida pelo público, tornando-se uma figura odiada e repudiada por todos em questão de dias.

Mesmo conseguindo o divórcio tempos depois, as portas da indústria se fecharam para ela. Quando seu empresário tentou empurrá-la para um patrocinador rico e vulgar, ela deparou com a notícia do noivado entre Paulo e a verdadeira protagonista da história.

Nas gravações, o magnata já não exibia a antiga frieza e hostilidade. Tratava a nova parceira com um carinho impecável e não impunha qualquer controle sobre a vida dela. Tomada pela inveja e pelo rancor, a mulher voltou a causar intrigas na tentativa desesperada de reconquistar a posição de esposa.

Usando o pretexto de ter sido a primeira esposa legítima, perseguiu a mocinha e tentou destruir o relacionamento do casal, até que Paulo, farto de suas armações, ordenou que seus homens a jogassem no oceano para ser devorada pelos tubarões.

Lorena estalou a língua mentalmente.

Então o mundo onde vivi por mais de vinte anos não passava de um livro, e eu estava destinada a ser uma coadjuvante insignificante do começo ao fim?

Mas olhando bem a situação: um marido milionário que quase nunca fica em casa, nenhuma obrigação íntima para cumprir, luxo ilimitado, comida farta e criados prontos para atender a qualquer chamado... Essa vida era exatamente o que ela sonhava em cada segundo dos últimos dois anos de sobrevivência! Como alguém poderia detestar um arranjo desses?

— Pois é — disse o Dr. Policarpo, soltando um suspiro exasperado. Ao notar o olhar dela, exibiu um sorriso amarelo: — Seus exames físicos não apontam absolutamente nada. Essas dores de cabeça frequentes provavelmente são fruto do excesso de ócio. Uma caminhada no jardim ou um pouco de sol e exercícios diários resolveriam o problema num instante.

Ouvindo aquilo, o mordomo sentiu um arrepio na espinha. Dizer que a patroa estava sem o que fazer era o mesmo que acusá-la abertamente de fingir a doença. Com o temperamento explosivo dela, a confusão estava armada!

— Exercícios? — perguntou Lorena, com um tom perfeitamente calmo.

O mordomo arregalou os olhos, surpreso. Ela não ia gritar?

Em seguida, viu Lorena encarar o médico com uma expressão sincera e compenetrada:

— Existe algum tipo de exercício em que eu não precise me mexer? De preferência, deitada na cama como estou agora!

Um silêncio constrangedor tomou conta do quarto.

O Dr. Policarpo não soube o que dizer.

O mordomo ficou sem reação.

Será que devo relatar exatamente essas palavras ao senhor Paulo?, pensou o empregado, em pânico.

Lorena não estava debochando do médico; sua dúvida era genuína. Esperava que ele, como profissional da saúde, pudesse sugerir métodos alternativos, como massagens modeladoras feitas por terceiros ou sessões de acupuntura para relaxar a musculatura enquanto ela permanecia confortavelmente deitada.

O foco era simples: ficar na cama e deixar que os outros trabalhassem por ela.

No passado, costumava praticar ioga e natação, mas depois de passar dois anos correndo vinte e três horas por dia para escapar de feras sanguinárias, a última coisa que desejava neste mundo de paz era gastar energia com atividades físicas.

Lorena passou a mão sobre o pijama na altura do abdômen. Após dois anos de ausência, a linha da cintura definida havia desaparecido por completo.

O celular sobre o criado-mudo começou a vibrar com insistência. Temendo uma nova pergunta desconcertante, o mordomo apressou-se em entregar o aparelho nas mãos de Lorena e curvou o tronco:

— Senhora, vou acompanhar o Dr. Policarpo até a saída.

Assim que fecharam a porta do quarto, o médico apontou o indicador para a própria têmpora e falou em tom grave:

— Sem brincadeira, leve a sua patroa para fazer uma avaliação psiquiátrica assim que possível.

O mordomo deu um sorriso forçado e fingiu não entender a insinuação:

— É que as dores de cabeça dela têm sido muito frequentes ultimamente.

Dentro do quarto, Lorena continuava estirada na cama, com a chamada no viva-voz ao lado do travesseiro.

— A equipe da segunda temporada de Par Perfeito vai começar as transmissões ao vivo na quarta-feira, então não me venha com desculpas — cobrou a voz do empresário do outro lado da linha. — Você não pode apenas expor o comportamento controlador do seu marido; precisa criar atrito direto com os outros convidados. É essa repercussão que vai garantir contratos e papéis importantes quando o divórcio sair.

O homem parecia seguro de si:

— Não precisa se preocupar com críticas. A publicidade negativa continua sendo publicidade. No meio artístico, o perigo real é cair no esquecimento. Assim que você estiver divorciada, eu dou um jeito de limpar sua imagem.

Lorena deu uma risadinha branda:

— E que plano brilhante seria esse? Pode me explicar primeiro?

O empresário hesitou por um instante:

— Não se preocupe com detalhes agora. O importante é...

— Que plano você teria além de me empurrar como amante para algum velho rico e nojento? — cortou Lorena, indiferente à reação dele. Ela rolou na cama, encostando a bochecha no tecido fresco do travesseiro e soltando um suspiro de pura satisfação: — Comprar joias e bolsas de luxo sem olhar o preço, trocar de iates e mansões sempre que tiver vontade... Por que raios eu abriria mão de uma vida dessas com um divórcio? Sem falar que minha família só me mandou para cá para me livrar do sofrimento da ruína financeira deles.

O empresário, que já estava prestes a explodir de raiva, ficou sem palavras ao ouvir aquela justificativa.

Desde quando uma órfã usada como moeda de troca pela família podia descrever a própria situação de forma tão distorcida e conveniente?

E quanto a joias, iates e mansões...

Porcaria, por que ela nunca tinha mencionado essas regalias antes?!

Lorena encerrou a ligação antes que ele pudesse responder e bloqueou o número sem hesitar. Em seguida, começou a explorar os aplicativos do celular. Mal abriu dois deles e o sistema exibiu um aviso de bateria fraca. Olhou para o ícone no topo da tela: restavam apenas 6% de carga.

Quem em sã consciência deixava a bateria chegar a 6% sem colocar o aparelho na tomada?

Deitada de lado, ela avistou o cabo do carregador jogado sobre o sofá do quarto. Para pegá-lo, teria de sentar, sair da cama, caminhar até o sofá, recolher o fio, voltar, deitar de novo e só então conectar o plugue.

Embora tivesse acabado de levantar para olhar o espelho e a janela ao acordar, naquele instante todo o seu corpo e sua mente estavam convictos de que dar um único passo a mais seria uma verdadeira tortura.

— Tem alguém aí? — chamou Lorena, elevando o tom de voz.

O mordomo, que acabara de se despedir do médico, temia que a patroa tivesse guardado ressentimento para descontar mais tarde e decidiu retornar ao corredor. Ao ouvir o chamado vindo do quarto, pensou com seus botões: aí vem o ataque.

Ela com certeza ia descarregar nele a raiva da consulta com o Dr. Policarpo!

Empurrou a porta de cabeça baixa, sem saber que tipo de agressão o aguardava. Pelas experiências anteriores, sabia que sua presença costumava abrandar a fúria da mulher em relação aos outros criados; pelo menos objetos não seriam atirados contra as paredes.

— Senhora, em que posso ajudar?

— O carregador.

— Como disse?

— O carregador — repetiu Lorena, sem se dar ao trabalho de virar o rosto para ele. — Pegue o cabo que está no sofá e traga até aqui.

O mordomo recolheu o acessório sobre o móvel, entregou-o a Lorena e indagou com cautela:

— Posso me retirar agora?

Observando o ícone de carregamento acender na tela do celular, Lorena respondeu em tom leve:

— Pode ir.

O mordomo caminhou até a porta olhando desconfiado para trás a cada passo. Segurou a maçaneta e fez uma contagem regressiva em silêncio: três, dois, um...

— Espere um instante.

O homem virou-se resignado. Sabia que a explosão era inevitável; restava saber se os xingamentos seriam dirigidos a ele ou ao patrão.

Lorena levantou o indicador e apontou para a parede ao lado da cabeceira, instruindo com a maior naturalidade do mundo:

— Chame alguém para instalar uma campainha de serviço bem aqui.

O mordomo olhou para a cabeceira, olhou para Lorena, voltou a olhar para a parede e de novo para a patroa. Com a boca entreaberta e uma expressão de absoluto choque e incompreensão, soltou um murmúrio atônito:

— Como é que é?!

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