Sua Única Exceção
Sinopse
Evelyn Rocamora só queria um recomeço tranquilo na Universidade Eastbridge, longe das sombras de sua ansiedade. Mas seu caminho se cruza com o de Asher Valente, um prodígio da engenharia com reputação perigosa e um passado marcado por escândalos familiares. Ele a enxerga como sua única exceção, envolvendo-a em uma teia de proteção possessiva e atração impossível de ignorar. À medida que se aproxima, Evelyn é arrastada para a conspiração por trás da ruína da família de Asher, descobrindo sua conexão com o influente clã Alvarenga. Em um jogo de segredos, eles descobrirão que podem ser a salvação um do outro.
Capítulo1
Evelyn Rocamora detestava aulas às oito da manhã.
Quando o despertador tocou, o céu lá fora ainda exibia um tom azul-cinzento, e o som de malas sendo arrastadas já ecoava pelo dormitório. As rodas batiam contra o calçamento de pedra, produzindo um ruído rítmico e abafado.
Deitada na cama, ela encarou o teto por três segundos, considerando seriamente a ideia de fingir que estava doente.
Mas não podia.
Antes de chegar à Universidade Eastbridge, ela havia repetido para si mesma, inúmeras vezes, que aquele semestre seria um novo recomeço.
Ela pretendia frequentar todas as aulas, fazer novos amigos e levar uma vida impecável.
Para Evelyn, ser impecável significava roupas bem ajustadas, uma maquiagem limpa, cabelo arrumado e a habilidade de brincar durante uma conversa, para que ninguém percebesse o quanto ela se sentia tensa por dentro.
Ela se levantou e foi escovar os dentes diante do espelho.
A garota no reflexo ainda parecia sonolenta, mas já estava repetindo mentalmente que precisava agir com naturalidade e ser educada.
A cama de Serena Ramalhete ficava do outro lado, com o cobertor enrolado em uma confusão de tecidos. Ela esticou uma mão para fora das cobertas e resmungou com a voz abafada.
Evelyn cuspiu a espuma da pasta de dentes e disse para a amiga: — Você também não tem aula hoje de manhã?
— Minha aula é às dez, que é o horário normal de qualquer ser humano acordar.
— Eu te odeio. Tenho aula às oito hoje.
Serena colocou a cabeça para fora do cobertor.
— Eu sei. Então aproveite esse ódio e leve-o para a aula de psicologia.
Evelyn soltou uma risada, e a tensão em seu peito cedeu um pouco.
Ela vestiu uma blusa clara e calças jeans, finalizando o visual com um par de brincos pequenos. A princípio, pensou em apenas prender o cabelo em um rabo de cavalo qualquer, mas acabou arrumando as mechas com cuidado mais uma vez.
Ela odiava admitir que se importava com a opinião alheia, mas naquela primeira semana em uma escola nova, quem não se importaria?
O outono na Eastbridge era luminoso.
A luz do sol atravessava as janelas de vidro no topo da biblioteca, espalhando-se pelo caminho de pedra. Perto do gramado, alguns alunos apressados seguravam seus cafés, outros entregavam panfletos em barracas de clubes estudantis, e um grupo de rapazes passava discutindo fervorosamente sobre o jogo da noite anterior.
O campus transbordava vitalidade; todos pareciam ter um destino certo.
Apenas Evelyn caminhava enquanto consultava o mapa no celular, tentando descobrir onde diabos ficava o prédio das aulas.
— Prédio de Psicologia, Prédio de Psicologia... — murmurava ela.
— Por que uma universidade precisa ter três prédios de tijolos vermelhos tão parecidos?
De repente, passos rápidos soaram atrás dela.
— Evelyn! Por que você está andando com tanta pressa?
Evelyn virou-se e viu Serena Ramalhete correndo em sua direção, segurando a bolsa. O cabelo dela ainda não estava totalmente penteado, mas ela já exibia brincos brilhantes.
Serena parou ao lado de Evelyn, ofegante, e apoiou a mão em seu ombro.
— Sua aula não era só às dez? — perguntou Evelyn.
— Lembrei de repente que, como sua melhor amiga, tenho a obrigação de acompanhá-la na sua primeira aula matinal.
Evelyn deu um tapinha leve na cabeça de Serena.
— Diga a verdade.
Serena abriu um sorriso.
— O café do refeitório está em promoção hoje, pague um e leve dois. Eu precisava de você para rachar o pedido.
Evelyn caiu na gargalhada.
— Isso soa muito mais como algo que você faria.
Serena entrelaçou o braço no dela e começou a falar sem parar sobre as fofocas que vira no grupo do dormitório na noite anterior.
Quem tinha terminado com quem, qual clube estudantil parecia uma fraude e como a festa de sexta-feira prometia ser agitada.
Evelyn ouvia, respondendo ocasionalmente, e sentiu seu humor melhorar. Ela gostava de pessoas como Serena. Elas eram diretas, e suas emoções vinham e iam com a mesma rapidez. Ao lado de Serena, Evelyn não precisava medir cada palavra antes de abrir a boca.
Quando chegaram diante do prédio de aulas, Serena parou bruscamente.
— Espera — sussurrou ela. — Quem é aquele?
Evelyn seguiu o olhar da amiga.
Parado ao pé da escadaria, ao lado do prédio, estava um rapaz. Ele era alto, vestia uma jaqueta preta e tinha ombros largos; mesmo posicionado à margem da multidão, parecia muito mais visível do que qualquer outra pessoa ali.
Muitos estudantes, ao passar por ele, desviavam instintivamente o caminho. Evelyn notou isso. Ele não falava com ninguém, nem olhava para o celular; apenas permanecia ali, em silêncio.
Então, ele olhou para ela.
Os passos de Evelyn vacilaram até parar.
O olhar dele pousou com precisão no rosto dela. O coração de Evelyn deu um sobressalto.
Ela não gostava daquela sensação. Seu instinto era desviar os olhos, mas, inconscientemente, acabou encarando-o por mais um segundo.
A expressão do rapaz não mudou; permanecia fria e carregava uma espécie de pressão implícita. No entanto, Evelyn sentiu, de forma inexplicável, que havia algo estranho na maneira como ele a observava.
A voz de Serena soou ao seu ouvido: — Vocês se conhecem?
— Não — respondeu Evelyn de imediato.
Serena, claramente, percebeu que havia algo no ar.
— Estranho. Então por que ele está te olhando?
— Talvez ele esteja olhando para a parede atrás de mim?
Serena olhou para trás e comentou com sinceridade:
— Mas a parede não é nem de longe tão bonita quanto você.
Evelyn forçou-se a continuar andando. Ela disse a si mesma que era apenas uma impressão causada pelo ambiente novo. Um estranho com um olhar intimidador a observara por um instante; ela não deveria agir como a protagonista de um romance e começar a imaginar destinos traçados.
Contudo, antes de entrar no prédio, ela não resistiu e olhou para trás.
Ele ainda a observava.
Desta vez, o rosto de Evelyn esquentou levemente. Ela virou-se depressa, fingindo que nada havia acontecido.
Serena aproximou-se com um olhar cheio de suspeita.
— Hum?
— Não comece.
— Eu nem disse nada ainda.
— Esse seu "hum" já disse o suficiente.
Serena soltou uma risada exagerada.
— Ele definitivamente está interessado em você.
— Você diz isso de qualquer pessoa que me olhe por mais de dois segundos.
— Não, este é diferente. O jeito que ele te olhou não parecia o de alguém apenas admirando uma garota bonita.
Evelyn arqueou a sobrancelha.
— Parecia o quê, então?
Serena pensou por um instante, e sua expressão tornou-se um pouco mais séria.
— Parecia que ele te conhecia há muito tempo, mas não tinha certeza se você ainda se lembrava dele.
Aquelas palavras fizeram a leveza no peito de Evelyn afundar subitamente. Ela olhou para trás mais uma vez.
Não havia mais ninguém ao pé da escadaria. O sol iluminava o lugar agora vazio, com estudantes indo e vindo; era como se o rapaz nunca tivesse estado ali.
Mas a sensação deixada por aquele olhar não desapareceu; ela ainda se sentia inquieta ao entrar na sala de aula.
Serena despediu-se dela na porta, não esquecendo de dar uma piscadela.
— Boa sorte na aula. Se o bonitão misterioso de preto aparecer de novo, trate de me avisar na hora.
— Ele não é um bonitão misterioso de preto.
— Tarde demais, você já até o classificou.
— Serena!
— Tá bom, tá bom, já estou indo.
Evelyn parou diante da sala e respirou fundo. Ela tinha uma matéria para acompanhar, anotações para fazer e perguntas do professor para responder. Ela não sabia o nome dele, não sabia por que ele a olhara daquela forma, nem por que estava tão incomodada.
Mas a aparição daquele rapaz a fez sentir, pela primeira vez, que algumas coisas poderiam não sair exatamente conforme os seus planos.
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