União Implacável: A Noiva do Bilionário
Sinopse
Sofia Eiras nunca imaginou que seu caminho para a vingança começaria no altar. Substituindo sua irmã em um casamento forçado com Dante Dias — o homem que ela acredita ser o carrasco de sua família —, Sofia entra em um mundo de opulência sombria e perigo constante. Dante é implacável, um mestre da dominação que vê sua nova esposa como pouco mais que um ativo corporativo.
Contudo, entre as paredes frias da mansão Dias, segredos começam a emergir das sombras. À medida que Sofia investiga a queda de seu império familiar, ela descobre que a verdade é muito mais sangrenta do que a simples rivalidade. Em uma parceria perigosa com seu maior inimigo, ela terá que decidir se o desejo que arde entre eles é uma arma ou sua única salvação enquanto caçam o verdadeiro traidor.
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Capítulo1
O ar na catedral era denso, impregnado por um frio tão pesado quanto os santos de mármore que adornavam as paredes. Do alto de seus nichos, as estátuas observavam a assembleia abaixo com olhos de pedra que pareciam emitir um julgamento silencioso. Para a maioria dos casamentos, aquele espaço sagrado poderia parecer abençoado, inundado de luz e esperança. Hoje, parecia um mausoléu. Uma tumba erguida para a ambição de uma família e a vingança de outra.
Aquilo era uma transação, não um sacramento. Todos os presentes, espremidos nos bancos antigos, sabiam disso. Dante Dias não negociava com amor; ele lidava com poder, medo e ativos. A família Eiras, que outrora fora uma rival menor, porém orgulhosa, agora não passava de mais um bem a ser absorvido. O casamento era a cláusula final de um contrato escrito com sangue e desespero. A filha mais velha, Olívia, seria entregue em troca da existência continuada, embora vazia, do sobrenome Eiras.
Posicionado no altar, Dante Dias vigiava as pesadas portas de carvalho. Sua presença era como um buraco negro que devorava toda a luz ao redor. Ele era um homem forjado na quietude e na violência, e nem mesmo o terno sob medida conseguia ocultar a graça predatória de um lobo forçado a entrar em uma jaula. Dante não era dado a exibições públicas, e aquele casamento — toda aquela farsa — era uma necessidade irritante. Seu pai, em seus momentos finais de sentimentalismo, havia selado o acordo com o velho patriarca, um pacto entre leões moribundos. Dante teria preferido simplesmente esmagar os Eiras, mas honrar o último desejo de seu pai tinha valor estratégico. Projetava uma imagem de tradição e honra, uma máscara útil para um rosto que nunca conhecera nenhuma das duas.
Que isso acabe logo, pensou ele, com o maxilar tenso. Precisava avaliar a garota, Olívia. Determinar se ela seria um ornamento submisso ou um novo incômodo a ser gerenciado. Sua paciência já era um fio fino e desgastado.
Então, a música do órgão ressoou com força. Uma lufada de ar nervosa e coletiva percorreu os bancos da igreja. As grandes portas se abriram, emoldurando uma figura vestida de branco.
Foi ali que a atuação de Sofia Eiras começou.
Para os espectadores, ela era a personificação do terror nupcial. Uma figura esguia envolta em uma avalanche de seda branca e renda, cujos movimentos eram hesitantes enquanto ela se agarrava ao braço do pai. O rosto, oculto por um véu denso, estava voltado para o chão de pedra, a imagem perfeita de um cordeiro relutante sendo levado ao sacrifício.
Mas, sob o véu, os olhos de Sofia não estavam baixos. Eles analisavam, catalogavam tudo. Duas saídas atrás do altar. Quatro guardas armados disfarçados de seguranças de cerimônia, com ternos cortados para esconder armas na cintura. Os vitrais eram altos demais, estreitos demais para uma fuga. Aquele lugar era uma fortaleza. A fortaleza dele.
O pai, uma casca vazia do homem que um dia fora, tremia ao seu lado. Seus apelos sussurrados eram um mantra patético em seu ouvido.
— Por favor, Sofia. Pela família. Não faça nada precipitado. Ele vai destruir todos nós.
Ele já destruiu, pensou ela, com o ódio pesando como uma pedra fria e dura em seu estômago. Aquilo não era pela família. Não era pela honra do pai. Era pelos pais dela, cujos risos foram silenciados por um acidente de carro que o mundo chamou de fatalidade. Um acidente que ocorrera justamente quando Dante Dias iniciara a tomada hostil das Indústrias Eiras. Um acidente que ela sabia, com cada fibra de seu ser, ter sido obra dele.
Sua irmã, Olívia, era a prometida. A doce e frágil Olívia, que desmoronara sob a pressão e desaparecera duas noites atrás, deixando apenas um bilhete manchado de lágrimas. Mas a fuga de Olívia não fora uma surpresa; fazia parte do plano. Olívia era a isca; Sofia era o anzol. Por anos, desde a morte dos pais, ela vinha se preparando. Não com tutores e lições de etiqueta, mas com instrutores que a ensinaram a lutar, a mentir e a desaparecer em um papel até que a máscara se tornasse o seu próprio rosto. Ela era a arma secreta da família, o fantasma que agora dava um passo em direção à luz para caminhar até o coração do acampamento inimigo.
Sua missão era simples: tornar-se a Sra. Dias, ganhar a confiança dele, encontrar a prova que o ligasse ao assassinato de seus pais e desmantelar seu império de dentro para fora. Mesmo que isso lhe custasse tudo.
Cada passo pelo corredor era uma vitória. Seu tremor fingido era impecável. O leve tropeço, rapidamente amparado pelo pai, rendeu um murmúrio de piedade da multidão. Ela permitiu que o medo que deveria estar sentindo transparecesse em seu rosto, servindo de camuflagem para a determinação gélida que fervia por baixo. Ela era uma atriz, e aquele era o papel de sua vida.
Ao chegar ao altar, o cheiro de lírios e pedra antiga a envolveu, enjoativo e fúnebre. Ela finalmente ergueu a cabeça, o olhar subindo pela camisa branca impecável, contornando a coluna de um pescoço forte até encontrar o rosto do homem que assombrava seus pesadelos.
Dante Dias era ainda mais imponente de perto. Não era bonito de uma forma convencional; seus traços eram afiados demais, severos demais, como se tivessem sido esculpidos em granito. Mas foram os olhos dele que a aprisionaram. Eram de um cinza ártico e pálido, totalmente desprovidos de calor ou emoção. Ele não estava olhando para uma noiva; estava realizando uma avaliação de ameaça.
A música desapareceu em um silêncio opressor. O padre limpou a garganta, com a voz tremendo de nervosismo naquele vasto espaço.
— Estamos aqui reunidos hoje para unir em sagrado matrimônio...
Ele continuou a falar de forma monótona, mas ninguém ouvia. Toda a catedral prendia a respiração, cativa pelo drama silencioso que se desenrolava no altar.
Finalmente, o momento chegou. O padre, suando sob suas vestes, voltou-se para a noiva.
— E você, Olívia Annelise Eiras...
Antes que ele pudesse terminar, o pai de Sofia deu um passo à frente, com a voz embargada.
— Cof, cof... Padre. Uma pequena correção. A noiva... a noiva é Sofia. Sofia Isabelle Eiras.
Um choque, silencioso mas potente, irradiou pela igreja. Um suspiro foi abafado aqui, uma pergunta sussurrada ali. O nome pairava no ar como um explosivo prestes a detonar. Uma substituta. Uma segunda filha. Um insulto.
Dante não mudou de expressão, mas uma imobilidade perigosa se apoderou dele. O ar ao seu redor pareceu cair dez graus. Haviam lhe entregado mercadoria com defeito, um golpe de troca no fórum mais público imaginável. Seus olhos pálidos giraram do pai trêmulo para a figura velada ao seu lado.
Aquele era o primeiro teste. A reação dela agora ditaria o tom de tudo o que viria a seguir.
E então Sofia entregou a performance que eles esperavam. Seus ombros começaram a sacudir. Um soluço baixo e sufocado escapou de seus lábios, audível naquele silêncio mortal.
Por dentro, porém, ela era puro aço. Sim. Olhe. Veja o insulto. Veja a substituta. Veja uma garota fraca e aterrorizada, empurrada para um pesadelo que não escolheu. Veja qualquer coisa, menos a verdade.
O padre manuseou o livro de forma desajeitada, buscando em Dante uma orientação, um sinal para fugir ou continuar. Mas Dante o ignorou. Ignorou a todos. Seu universo havia se estreitado apenas para a mulher trêmula vestida de branco.
Ele se moveu. Não foi um passo, mas um deslize de intenção letal. Em dois movimentos, ele estava diante dela, sua presença era esmagadora. Ele não procurou o pai dela; não se dirigiu ao padre. Sua mão subiu, e dedos longos e poderosos seguraram a borda do véu.
Ele o levantou.
A renda prendeu por um instante, um sussurro de resistência, antes de cair. Pela primeira vez, Dante Dias contemplou o rosto de sua esposa.
Ela não era o que ele esperava. Enquanto Olívia possuía uma beleza clássica e suave, esta... esta era diferente. Mais nítida. O rosto era um oval perfeito, a pele como porcelana, mas foram os olhos que o detiveram. Grandes e escuros, emoldurados por cílios espessos, eles nadavam no que pareciam lágrimas de pavor. Seus lábios, cheios e pálidos, tremiam. Ela era inegavelmente bela, mas era a beleza de um cervo assustado, feita de pânico e ossos frágeis.
Ele se inclinou, e sua voz soou como um sussurro baixo e ameaçador, destinado apenas aos ouvidos dela, como o sibilar de uma serpente no jardim.
— Onde está Olívia?
Sofia estremeceu como se tivesse sido golpeada. As lágrimas que se acumulavam em seus olhos transbordaram, traçando caminhos limpos por suas bochechas. Sua voz, quando surgiu, foi algo quebrado e etéreo, carregado de um desespero ensaiado.
— E-ela se foi — gaguejou, o olhar fixo na linha rígida do maxilar dele. Ela não conseguia sustentar o contato visual; isso seria desafiador demais. — Ela fugiu. Deixou um bilhete. Estava com medo demais. Papai... ele me obrigou. Pela honra da família. Eu... sinto muito.
Era a recitação perfeita de uma mentira que ela praticara por semanas. Cada tremor, cada soluço, cada lágrima era uma pincelada cuidadosamente escolhida na obra-prima de sua decepção.
Dante a observou, com seu olhar ártico vasculhando o rosto dela em busca de qualquer rachadura na fachada. Ele viu o medo genuíno nos olhos do pai. Viu o choque e a fofoca percorrendo os bancos da igreja. Viu as lágrimas no rosto daquela garota. Tudo fazia sentido. Os Eiras, em sua fraqueza, tentaram salvar uma situação desastrosa substituindo uma filha pela outra, esperando que ele não cancelasse o acordo e os obliterasse na hora.
Uma raiva lenta e fria começou a arder em seu peito. Mas a raiva era um luxo, e ele era um homem pragmático. Aquela garota... era mais jovem, aparentemente mais maleável. Talvez até uma tela em branco. Um insulto, sim. Mas um insulto potencialmente útil.
Ele tomou uma decisão.
Sem dizer mais nada, ele se empertigou, soltando o véu. Virou levemente a cabeça, seu olhar varrendo a multidão silenciosa e o padre ansioso.
Sua voz foi calma, ressonante e absoluta.
— Continuem a cerimônia.
O padre quase derrubou o livro de alívio. Ele se apressou para encontrar o trecho correto, com a voz agora milagrosamente firme. A cerimônia recomeçou, um posfácio farsa para o verdadeiro drama.
Dante voltou-se para Sofia. Enquanto o padre falava de amor e fidelidade, a mão de Dante encontrou a dela. Seu toque não era o de um amante. Era o aperto frio e pesado da posse. O clique final de uma fechadura.
Quando ele deslizou o anel em seu dedo, a pesada faixa de platina pareceu uma algema. Sofia manteve a cabeça baixa, desempenhando o papel da noiva conquistada. Mas, enquanto o padre os declarava marido e mulher e um aplauso hesitante rompia o silêncio, ela se permitiu um pequeno e secreto juramento.
Agora sou Sofia Dias, pensou ela, o nome soando como um veneno amargo em sua língua. E serei a última coisa que você verá na vida.
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Últimos capítulos
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O silêncio da Torre Norte era uma criatura viva. Tinha peso e textura. Pressionava Sofia, preenchend
A torre norte era um lugar envolto em lendas dentro da propriedade Dias, um nome sussurrado pelos fu







