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O Desejo de uma Beta

O Desejo de uma Beta

Última atualização: 2026-07-30 06:54:30
By: Ophelia
Concluído
Idioma:  Português4+
4.7
3 Avaliação
15
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Sinopse

Elara não nasceu para ser um troféu. Em uma sociedade de lobisomens governada por hierarquias rígidas e profecias antigas, ela treina incansavelmente para provar seu valor e conquistar o posto de Beta por mérito próprio, recusando-se a ser apenas a sombra de um líder. No entanto, o destino tem outros planos quando ela é revelada como a 'Luna' predestinada de três irmãos Alfas.


Enquanto luta contra a atração avassaladora e o controle excessivo de seus pretendentes, uma escuridão sobrenatural conhecida como os Devoradores de Almas começa a dizimar as alcatéias vizinhas. Marcada pelo inimigo e cercada por segredos, Elara precisará abraçar seu poder latente e decidir se a profecia é sua prisão ou a chave para salvar todos que ama. Nesta jornada de autonomia e sacrifício, ela descobrirá que ser uma Luna não significa submissão, mas sim tornar-se a força que purifica o mundo.


---


Capítulo1

O baque de um corpo atingindo a terra batida era um som profundamente satisfatório.

Elara Teixeira esquivou-se lateralmente, mantendo a respiração em um ritmo controlado enquanto outro guerreiro avançava por ela, tropeçando no espaço que ela acabara de ocupar. Com um gesto rápido e incisivo, sinalizou para os dois companheiros de equipe restantes. Um deles fingiu um ataque pela esquerda, atraindo a atenção do oponente obstinado, enquanto o outro deslizou por baixo, vindo da direita. Tudo acabou em um segundo. O alvo estava de costas, piscando para o céu sem nuvens enquanto soltava um grunhido de respeito forçado.

— E termina a partida — anunciou o mestre de treino da borda da arena empoeirada.

Alguns aplausos ecoaram entre os espectadores que cercavam o campo de treinamento. Elara Teixeira ofereceu a mão ao guerreiro que acabara de derrubar, ajudando-o a se levantar. Ele era maior, mais forte e mais rápido que ela, mas força e velocidade eram instrumentos brutos. O trunfo de Elara era a tática. Ela não era a lutadora mais forte da alcatéia, mas era uma das mais inteligentes. Isso, ela sabia, era o que definia um verdadeiro Beta — um segundo em comando digno do título.

— Aquele último movimento foi brilhante, Elara — disse Marcus Gouveia, um homem robusto que fazia parte de sua equipe, batendo em seu ombro. — Ele nem viu de onde veio.

— Nós lemos o padrão dele — corrigiu ela, limpando o suor da testa. — Ele sempre se arrisca demais na terceira investida. Foi trabalho em equipe.

Seu elogio era genuíno, mas também servia como um desvio. Os sussurros já haviam começado entre a multidão, os mesmos refrãos familiares que a seguiam como uma sombra. "É claro que ela é boa, os Alfas a treinam pessoalmente." "Eu também seria disciplinada assim se estivesse destinada a ser a Luna deles."

O louvor azedou em sua boca. Sua vitória, conquistada com horas de estudo e prática, estava sendo creditada a um destino no qual ela não acreditava e a um título que não desejava. O sorriso de seus companheiros parecia diferente agora, tingido por uma espécie de curiosidade reverente que a isolava. Eles não a viam como Elara, a aspirante a estrategista, mas como uma profecia viva, uma futura deusa vinculada aos três homens que estavam prestes a se tornar seus líderes.

E, como se tivessem sido invocados por aqueles pensamentos, a multidão se abriu.

Rhys Ventura, Gideon Ventura e Finn Ventura — os trigêmeos Alfa — caminharam em sua direção. O poder emanava deles, uma aura de comando quase visível que silenciou as conversas paralelas. Eram atraentes daquela forma feroz e indomável dos lobos Alfa, cada um representando uma faceta distinta de um mesmo todo formidável. Rhys, o mais velho por minutos, era o líder nato, sua presença um pesado manto de autoridade. Gideon, o estrategista, tinha olhos que não deixavam passar nada, seu olhar era uma análise constante e desconcertante. E Finn, o coração do trio, possuía um calor desarmante que era, à sua maneira, tão potente quanto a força de seus irmãos.

Eles pararam diante dela, e o foco coletivo dos três era um peso tangível. Os olhos escuros de Rhys Ventura a percorreram, com um lampejo de desaprovação no fundo.

— Você é imprudente demais — disse ele, com uma voz grave que não admitia contestação. Sua preocupação era uma ordem disfarçada de cuidado. — Deveria ter ficado para trás, coordenando do perímetro.

— Minha estratégia exigia que eu estivesse em campo — afirmou Elara, com um tom respeitoso, porém firme. Ela se recusava a ser intimidada. — E funcionou.

— Sua finta na sequência final foi bem executada — concedeu Gideon Ventura, de braços cruzados, enquanto revivia a luta em sua mente. — Mas sua exposição foi um risco. Um erro de cálculo e seria você quem estaria no chão. — Sua avaliação foi fria, lógica e irritantemente precisa.

Finn Ventura deu um passo à frente, com a expressão suavizada pela preocupação. Ele estendeu a mão como se fosse limpar uma mancha de terra no rosto dela, mas se deteve, com a mão pairando no ar entre os dois.

— Ele tem razão, Elara. Você se machucou? Você se exige demais.

Lá estava aquilo de novo. O cuidado sufocante e possessivo que definia cada interação entre eles. Eles não viam uma guerreira capaz; viam algo frágil que precisava de proteção, um tesouro a ser guardado. Eles viam a Luna deles.

Elara Teixeira deu um passo para trás, criando um espaço deliberado entre eles. O gesto foi sutil, mas claro. Ela sustentou o olhar de Rhys, depois o de Gideon e, por fim, o de Finn, dirigindo-se a eles como uma futura Beta faria com seus Alfas, não como uma mulher faria com seus supostos parceiros.

— Agradeço a preocupação — disse ela, com a voz clara ecoando no silêncio repentino. — Mas meu papel futuro é proteger esta alcatéia, não ser protegida por ela. Meu objetivo é me tornar uma Beta digna. — Ela lhes dirigiu um aceno curto e respeitoso. — E é para isso que continuarei treinando.

Sem dizer mais nada, ela se virou e se afastou, sentindo o peso intenso de três pares de olhos em suas costas. Ela não olhou para trás. Não podia. Fazer isso seria reconhecer as correntes invisíveis da profecia com as quais eles tanto queriam prendê-la. O sonho dela era um cargo conquistado, um respeito forjado em suor e estratégia. O sonho deles era uma deusa em um pedestal. E Elara Teixeira não permitiria que eles vencessem.

***

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