A Noiva do Deus da Guerra: Império de Sombras
Sinopse
Elara Ortiz acreditava que seu noivado com Julian Espinosa seria o início de um conto de fadas, até que, na mesma noite, ele destrói sua família e usurpa o império de seu pai. Traída e despojada de tudo, Elara é entregue como sacrifício em um pacto de sangue ancestral para salvar o que restou de seu nome. O preço? Casar-se com o temido Damien Montenegro de Sousa, o 'Alpha Deus da Guerra', um homem cuja face é cercada de rumores sombrios e cuja crueldade não conhece limites.
Presa em um solar gótico que funciona como uma fortaleza de segredos, Elara descobre que seu novo marido não é apenas o monstro que o mundo teme, mas um estrategista que a persegue há uma década. Entre jogos de poder corporativo e uma obsessão que desafia o tempo, ela terá que decidir se Damien é seu captor ou o único aliado capaz de ajudá-la a vingar-se daqueles que a destruíram.
Capítulo1
A taça de cristal de champanhe parecia fria e firme na mão de Elara Ortiz, um contraste absoluto com o bater de asas frenético e alegre em seu peito. Tudo naquela noite estava perfeito. De um modo quase inquietante. O grande salão de baile do Hotel Praça das Estrelas brilhava sob o peso de dezenas de lustres, cujas luzes atingiam os diamantes de centenas de convidados abastados e se refratavam em mil pequenos arco-íris. Era uma cena de celebração opulenta, um mundo no qual ela havia nascido. Mas, hoje, parecia diferente. Parecia pertencer a ela.
Porque aquela noite era para Julian Espinosa.
O seu Julian.
Seu olhar o encontrou do outro lado da sala, dominando sem esforço um grupo de investidores de feições severas. Mesmo àquela distância, ele era uma visão de perfeição masculina. O smoking feito sob medida ajustava-se impecavelmente aos seus ombros largos, e o cabelo escuro estava penteado com uma elegância casual que mascarava as horas que ela sabia que ele dedicara àquilo. Quando ele sorria, uma covinha aparecia ao lado de sua boca, uma pequena imperfeição que apenas o tornava ainda mais devastadoramente bonito. Fora aquela mesma covinha que fizera o coração dela tropeçar na primeira vez que se encontraram, em um evento de caridade na universidade, três anos atrás.
Ele era apenas um estudante bolsista naquela época, brilhante e determinado, com uma ambição que queimava de forma tão intensa que chegava a ser intimidante. Ricardo Ortiz, seu pai, fora cauteloso. Um garoto assim, Elara, dissera ele, tem fome. Cuidado para que ele não veja nossa família como a próxima refeição.
Elara Ortiz apenas rira do aviso. Aquela fome era justamente o que ela amava. Combinava com o seu próprio desejo de construir algo, de ser mais do que apenas um rosto bonito herdando uma fortuna. Juntos, eles eram uma força da natureza. O aguçado tino comercial de Julian Espinosa revitalizara o envelhecido conglomerado de mídia de sua família, enquanto a graça social e as conexões dela abriram portas que ele jamais conseguiria atravessar sozinho. Eram parceiros perfeitos.
E logo, ela esperava com uma ansiedade que fazia o champanhe tremer na taça, seriam parceiros para a vida toda.
A festa não era uma celebração qualquer. Comemoravam a mais recente e bem-sucedida fusão, um negócio que Julian Espinosa orquestrara com maestria. Mas Elara havia planejado todo aquele evento para ser algo a mais. Era um palco. O palco para o momento com o qual ela sonhara durante meses. Todos os que importavam estavam presentes: amigos, familiares, a elite da cidade. Era a declaração pública perfeita do sucesso conjunto de ambos. O cenário ideal para um pedido de casamento.
Sua meia-irmã, Isabelle Ortiz, materializou-se ao seu lado, com um sorriso um pouco brilhante demais, um pouco afiado demais. Ele certamente é o rei do castelo esta noite, não é? comentou Isabelle, com os olhos fixos em Julian com uma intensidade que fez a pele de Elara formigar.
Isabelle sempre olhara para o que Elara possuía com uma espécie de desejo predatório. Como irmãs de criação, cresceram juntas desde os dez anos, mas um abismo de ciúme silencioso sempre as separara. Isabelle era linda, sim, mas sua beleza era rígida, calculada. Ricardo Ortiz a mimava, chamando-a de sua preciosa segunda filha, muitas vezes negligenciando Elara em seu afeto. Mas Elara tinha Julian. E aquilo, ela sabia, era o que Isabelle Ortiz mais cobiçava.
Nós construímos este castelo juntos, respondeu Elara, com a voz suave, porém firme, um lembrete gentil de seu lugar.
O sorriso de Isabelle apertou-se por uma fração de segundo antes de relaxar em sua máscara habitual de doçura fraternal. Claro. Vocês dois são simplesmente... perfeitos.
A palavra pairou no ar, doce demais para ser sincera. Elara Ortiz preferiu ignorar o desconforto que se contorcia em seu estômago. Devia ser apenas a ansiedade pré-pedido. Nervos.
Naquele instante, o mestre de cerimônias tocou no microfone, e um silêncio recaiu sobre a multidão. Julian Espinosa caminhava em direção ao palco. O coração de Elara saltou até a garganta. Era agora.
Ele segurou o microfone, seu sorriso carismático lavando a sala. Obrigado a todos por virem hoje, começou ele, com a voz fluida e confiante. Hoje celebramos uma vitória. Mas nenhuma vitória é conquistada sozinho. Seus olhos encontraram Elara na multidão, e ele lhe deu um sorriso privado, íntimo, que a deixou com as pernas bambas. Há uma pessoa, mais do que qualquer outra, que merece o crédito. Alguém cuja fé, cujo brilhantismo, cujo amor, foi o alicerce de tudo o que conquistei. Elara.
Uma onda calorosa de aplausos a envolveu. Ela sentiu as bochechas corarem, um rubor genuíno de felicidade. Ele estava fazendo. Ele realmente estava fazendo.
E por causa disso, continuou Julian, a voz caindo para um tom mais pessoal e ressonante, sinto que esta noite é o momento perfeito para selar a parceria mais importante da minha vida.
Ele desceu do palco, o olhar travado no dela. A multidão se abriu para ele como o Mar Vermelho. O tempo pareceu desacelerar. Elara conseguia ouvir a batida frenética de seu próprio coração, ver os sorrisos expectantes nos rostos dos amigos, sentir o peso de centenas de câmeras de celulares sendo erguidas para capturar o momento. Ela prendeu a respiração, seu mundo inteiro reduzido ao homem que caminhava em sua direção.
Ele estava a apenas alguns passos de distância agora. Sorriu aquele sorriso devastador novamente, aquele com a covinha. Mas, conforme ele se aproximava, ela viu algo nos olhos dele que nunca vira antes. Uma frieza. Um vazio, como se estivesse olhando para uma estátua lindamente esculpida, porém oca.
Então, em um movimento que estraçalhou o universo dela em um milhão de pedaços, ele passou direto por ela.
O ar que ela segurava escapou de seus pulmões em um arquejo silencioso. Um murmúrio confuso percorreu a multidão. Elara Ortiz ficou paralisada, uma estátua de humilhação pública, enquanto Julian Espinosa continuava caminhando. Ele parou diretamente na frente de sua meia-irmã, Isabelle Ortiz.
Diante do mundo inteiro, diante de seus amigos, de sua família e dos flashes das câmeras, Julian ajoelhou-se. Ele olhou para uma Isabelle atordoada, mas secretamente triunfante, e estendeu uma caixa de veludo.
— Isabelle — disse ele, a voz soando com uma sinceridade que era a mentira mais brutal de todas —, você aceita se casar comigo?
O mundo ficou mudo. A música, o falatório, o tilintar dos copos — tudo desapareceu. O único som era o estilhaçar do coração de Elara. O suspiro fingido de surpresa de Isabelle, sua mão voando à boca, a lágrima única e perfeita rolando por sua bochecha enquanto ela assentia em êxtase — tudo era um borrão de um teatro grotesco.
Mas o pesadelo não havia terminado. Estava apenas começando.
Enquanto Julian deslizava o enorme diamante no dedo de Isabelle e os convidados explodiam em um coro incrédulo e escandalizado, Elara viu seu pai agarrar o peito. O rosto de Ricardo Ortiz, que brilhava de orgulho momentos antes, era agora uma máscara de horror acinzentado. Ele olhava para o celular, que vibrara incessantemente no último minuto.
Ele tropeçou para frente, agarrando um garçom próximo para se apoiar. Acabou, ele engasgou, a voz um sussurro rouco que, de alguma forma, cortou o barulho. Estamos arruinados.
Ele olhou para Elara, com os olhos selvagens de terror e uma compreensão súbita.
A empresa... nossa empresa... ela se foi, ele gaguejou, o olhar oscilando de Elara para o homem que agora beijava sua meia-irmã. O conselho acabou de realizar uma votação de emergência. Uma aquisição hostil. Ele... ele planejou tudo. Julian... ele é o novo acionista majoritário. Ele nos aniquilou.
Os dois golpes a atingiram ao mesmo tempo. Um combo de aniquilação absoluta. O amor de sua vida não apenas a traíra com sua própria irmã, mas orquestrara a destruição completa e total de sua família. O aviso de seu pai ecoou em seus ouvidos, uma profecia sombria cumprida.
Um garoto assim... ele tem fome. Cuidado para que ele não veja nossa família como a próxima refeição.
Ele não havia apenas feito uma refeição. Ele devorara o mundo inteiro deles, e agora celebrava sobre as ruínas. Elara Ortiz permaneceu no centro do reluzente salão de baile, um fantasma em seu próprio funeral, cercada pelos escombros de sua vida. Os lustres cintilantes agora pareciam zombar dela, seus mil pequenos arco-íris refletindo os mil pequenos pedaços de seu coração partido.
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Últimos capítulos
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