Sinopse
Arrancada da tranquilidade de sua vila rural, Daniela Delgado é lançada no coração gélido da elite urbana por Paulo André Paiva-Torres, um herdeiro implacável com segredos sombrios. Forçada a um casamento oculto e sob o peso de uma dívida de gratidão, ela deve navegar por um mundo de traições, luxo excessivo e conspirações familiares.
Daniela possui um dom ancestral na medicina que pode salvar a vida de Paulo, mas em um jogo onde o amor é uma fraqueza e o poder é a única moeda, ela descobrirá que a maior ameaça não são os inimigos externos, mas o homem com quem ela divide o teto — e a cama. Um romance intenso sobre identidade, sobrevivência e a linha tênue entre proteção e controle.
Capítulo1
A luz da manhã atravessava as cortinas finas e recaía sobre a enorme cama luxuosa. No meio dos lençóis havia um pequeno vulto. Depois de se mexer por algum tempo, uma cabeça de cabelos negros saiu lentamente de sob o cobertor.
Daniela Delgado soltou um gemido baixo. Assim que abriu os olhos, a claridade a obrigou a fechá-los de novo. Pouco depois, tentou mais uma vez.
Diante dela havia um teto de um branco imaculado, tão branco que seus olhos se arregalaram. No instante seguinte, ela saltou da cama.
— Ah...
Ainda no meio do movimento, seu rosto delicado se contraiu de dor. Todo o seu corpo enrijeceu, e ela caiu de volta sobre o colchão, que afundou e tornou a subir de leve.
O que tinha acontecido? Por que seu corpo doía tanto?
Seus cílios tremeram depressa, e seus olhos claros se encheram de lágrimas. Onde ela estava? E onde estava seu avô?
— Já que acordou, pare de se fingir de morta.
A voz fria veio da direita, carregada de uma raiva quase impossível de conter. Cortante como uma lâmina de gelo, atingiu a mulher atônita na cama.
Daniela estremeceu e se sentou assustada. A rapidez do gesto lhe arrancou uma nova careta de dor. Com os olhos arregalados, procurou a origem daquela voz junto à porta.
Ali estava um homem alto, vestindo uma camisa preta de mangas dobradas até os pulsos, que deixava à mostra os músculos firmes dos antebraços. Os cabelos um pouco longos cobriam parcialmente as sobrancelhas marcadas, mas não escondiam os olhos estreitos e afiados. Seus lábios finos estavam comprimidos, revelando seu mau humor.
Antes que pudesse pensar em como ele era bonito, Daniela se despertou por completo. As lembranças da noite anterior lhe invadiram a mente como uma enxurrada.
— Você... você...
Ela estava apavorada. Seus dedos se fecharam sobre o edredom macio, e seus olhos redondos, como os de um coelho assustado, se avermelharam depressa.
— Por que me trouxe para cá? Onde está o meu avô?
No dia anterior, fora aquele homem quem a tirara da aldeia sem lhe dar explicações. Ele dissera que a levaria para encontrar Eduardo Delgado, mas, antes que ela o visse, ele a trouxera até ali e ainda tentara se aproveitar dela.
O belo rosto de Paulo André Paiva-Torres se contraiu levemente.
Lá vinha ela outra vez. Na noite anterior, ela também chorara como um coelhinho enquanto o agredia. Só de se lembrar, ele sentiu a testa latejar.
— Ficou viciada em bancar a coelhinha, foi? — perguntou ele, impaciente.
Na noite anterior, ela já tinha mostrado quem realmente era. Será que ainda achava que conseguiria enganá-lo?
— Co... coelhinha? — Daniela percebeu a irritação dele, encolheu o pescoço e o fitou com os olhos arregalados, sem entender.
Paulo André franziu as sobrancelhas e apontou para a própria testa com um dedo longo e bem desenhado. Sua voz era sombria.
— Esqueceu o que fez ontem? Acha que eu ainda vou acreditar que você é uma mulher frágil?
As palavras “mulher frágil” saíram entre os dentes, especialmente pesadas.
Daniela olhou, distraída, para a mão dele. Era bonita; ela nunca tinha visto mãos tão brancas e limpas. Seguindo a ponta do dedo, percebeu uma marca arroxeada na beira da testa dele, escondida pelos cabelos escuros.
A cena da noite anterior voltou de imediato à sua mente. Fora ali que ela lhe dera um soco com toda a força.
Ela lhe lançou um olhar cauteloso e desviou os olhos depressa. As lágrimas se acumularam, prontas para cair a qualquer piscada.
— Foi você quem começou. Eu não bati em você de propósito.
Sua voz trazia agravo e medo. Ela realmente não tivera intenção de machucá-lo; ao ser atacada, apenas revidara por reflexo. Não conseguia evitar.
— Eu comecei? — Paulo André cerrou os dentes. Seus olhos escuros se tornaram gelados. — Você devia agradecer por eu não ter quebrado a sua mão quando me tocou.
A frieza no olhar dele parecia concreta, como água gelada derramada sobre Daniela. Ela encolheu os ombros, abraçou o próprio corpo e, por fim, as lágrimas caíram uma após a outra.
— Você é tão cruel... dá medo. Eu quero o meu avô.
Aquele homem tinha dito que a levaria até ele.
Ela se endireitou e reuniu coragem para perguntar:
— Onde está o meu avô?
O olhar de Paulo André ficou ainda mais frio. Ele fechou os punhos e, depois de um longo instante, relaxou as mãos, apontando para o banheiro.
— Se quer ver seu avô, troque de roupa e se arrume. — Ele olhou o relógio no pulso, franzindo a testa com impaciência. — Três minutos.
Ao ouvir que poderia ver o avô, Daniela esqueceu tanto o medo daquele homem quanto o desconforto no corpo. Ela saiu da cama às pressas e correu na direção que ele indicara.
Um baque seco rompeu o silêncio do quarto quando ela se chocou contra o vidro.
— Ai... — Daniela esfregou o joelho e puxou o ar. A dor na perna a deixou tonta por um momento.
A têmpora de Paulo André pulsou. Incapaz de suportar mais a demora dela, ele se aproximou em passos largos, agarrou-a pela gola e a arrastou sem a menor delicadeza até a bancada do banheiro. Quando a soltou, Daniela, desequilibrada, segurou o braço dele para não cair.
— Cof, cof, cof...
O aperto na garganta a deixara sem ar. Assim que ele a soltou, ela começou a tossir violentamente, com o rosto vermelho. Quando finalmente conseguiu se acalmar, viu a expressão terrível do homem diante dela.
Ele franziu a testa e olhou com repulsa para a mão que ainda segurava seu braço.
— Solte!
Paulo André lançou-lhe um olhar afiado, e sua voz soou glacial.
Daniela estremeceu. Ela o soltou na mesma hora e saltou para trás como uma lebre assustada, tentando se afastar o máximo possível.
— Ah...
Suas costas bateram na bancada. A nova onda de dor fez seus olhos voltarem a arder.
Que garota estúpida.
Paulo André respirou fundo algumas vezes, reprimindo a irritação que subia dentro dele. Desde o instante em que o nome daquela mulher aparecera diante dele, ela não parava de desafiar sua paciência.
— Escove os dentes logo. — Ao vê-la em pânico, ele franziu ainda mais as sobrancelhas. — Você não vai conseguir se machucar até escovando os dentes, vai?
Daniela se sentia injustiçada. Ela não queria se machucar, mas havia tantas coisas naquele lugar que nunca vira, e tudo lhe era estranho.
Depois de escovar os dentes e lavar o rosto, ela se preparava para sair do banheiro quando sentiu a gola ser puxada outra vez. Soltou um grito assustada:
— O que está fazendo? Eu consigo andar sozinha!
— Sozinha? Para bater no vidro de novo? — Paulo André soltou uma risada fria. Não tinha tempo a perder.
— Eu... foi sem querer. — Enquanto tentava segurar a mão dele para fazê-lo parar, ela se justificou em voz baixa: — O vidro é tão limpo que mal dá para enxergá-lo.
Paulo André ignorou sua explicação, arrastou-a até a cama e a largou como se ela não pesasse nada. Em seguida, tirou um vestido do guarda-roupa e o jogou sobre o colchão.
— Vista isto.
Daniela se levantou depressa e pegou o vestido. O corte econômico demais no tecido a deixou constrangida. Ela o fitou com cautela.
— Posso trocar por outro?
— Quem você pensa que é para escolher? — retrucou ele, com sarcasmo.
Daniela mordeu o lábio.
— Então devolva as minhas roupas.
— Nem pense nisso. Como a jovem senhora Paiva-Torres, você nunca mais vai vestir aqueles trapos.
Ao se lembrar das roupas sem qualquer senso estético que ela usava, Paulo André fez a advertência em tom grave.
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Últimos capítulos
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