Enganando os Meus Alphas Brutais
Sinopse
Kai Savage guarda um segredo fatal: em um mundo governado por Alphas brutais, ela é uma loba disfarçada de homem.
Com um pingente mágico ocultando sua identidade, ela se infiltra na Academia do Rei, o campo de treinamento mais perigoso para a elite dos lobisomens. Sobreviver é caminhar na corda bamba, especialmente quando Reyes Silver, o arrogante herdeiro da Alcateia Lua de Prata, passa a suspeitar da forma como ela desafia os instintos Alfa.
Dividida entre combates mortais, a descoberta de uma linhagem lendária e um laço de companheira despertando, o disfarce de Kai está à beira de ruir — e seu segredo tem o poder de reduzir a hierarquia mundial a cinzas.
Capítulo1
O aeroporto tinha cheiro de gente e café barato. Não era exatamente a recepção que eu tinha em mente para o início do ano mais perigoso da minha vida.
Puxei o capuz do moletom para cobrir mais a cabeça, sentindo as rodinhas da minha mala de mão rolarem atrás de mim enquanto eu passava pelos portões de desembarque. Meu celular vibrou no bolso e eu o pesquei sem diminuir o passo.
Mãe: Avise-nos assim que chegar à Academia. Por favor.
Eu: Pousei em segurança. Ligo quando estiver instalada. Prometo.
Três segundos depois:
Mãe: Tome cuidado.
Revirei os olhos. Eu sou sempre cuidadosa, mãe. Esse é justamente o ponto.
Fui treinada para este momento desde que nasci. Talvez até antes disso. Desde o dia em que decidiram que eu não poderia ser a Kai menina, mas que precisava me tornar a Kai fantasma. O guerreiro. A mentira.
Meu cabelo loiro estava curto — quase curto demais. Traços angulares emolduravam meu rosto, sem qualquer suavidade que pudesse me trair. O pingente de camuflagem no meu pescoço suprimia meu cheiro natural e me envolvia em algo neutro, masculino. Meu corpo não era robusto como o de um macho nascido Alfa, mas era esguio, ágil. Forte. Eu não tinha o corpo ampulheta da minha mãe ou os seios dignos de uma deusa, graças à Lua. Quaisquer curvas que eu tivesse estavam escondidas sob jeans largos, um moletom folgado e uma camada apertada de faixa compressora por baixo de tudo.
Ninguém saberia. Ninguém poderia saber.
A Academia do Rei dos Lobisomens não era lugar para erros. E eu não estava ali para cometer nenhum.
Atravessei as portas de correr e encarei o ar abafado de Washington, onde o rugido do trânsito e o burburinho das vozes me atingiram como uma parede. Foi então que o vi.
Um homem gigantesco — não, um lobo — estava parado perto da calçada, segurando uma placa com letras em bloco: KAI SAVAGE.
Bom. Pelo menos eu já tinha encontrado minha carona.
O homem olhou para cima conforme me aproximei, baixando a placa, mas sem sorrir. Seus olhos eram afiados — afiados demais para alguém que estivesse apenas fazendo um serviço de transporte. Toda a sua postura gritava Guarda Royal: alto, largo e perfeitamente imóvel, como se pudesse passar da inércia total para o ato de arrancar uma garganta em um piscar de olhos.
— Savage? — perguntou ele, com a voz áspera e seca.
Assenti uma vez. — Sim.
Ele não se ofereceu para ajudar com a mala, o que eu agradeci. Quanto menos atenção, menor o risco. Joguei-a na traseira do SUV e entrei no carro, afivelando o cinto por hábito.
— Vamos fazer uma parada — disse ele ao assumir o volante. — Temos mais um Alfa para buscar na estação de trem.
— Por mim tudo bem — resmunguei, encostando a cabeça no banco e deixando o ronco do motor vibrar no meu peito.
A viagem seguiu em silêncio. Sem conversa fiada, sem perguntas. Apenas uma música instrumental suave tocando baixo ao fundo, do tipo que provavelmente usam em spas de lobos ou em alcateias de alta linhagem. Foquei na estrada à frente, tanto literal quanto metaforicamente.
Um ano. Um ano de treinamento físico e mental, de avaliações, disciplina e dissimulação. Um ano mentindo a cada respiração.
Eu já sabia que ia me destacar. Meu tamanho, por si só, me tornaria um alvo — mais baixa, mais magra e mais leve que o típico macho Alfa. Eles pensariam que eu era fraca.
Que pensassem.
Fui criada com quatro irmãos mais velhos que me usavam como saco de pancadas e me ensinaram a levar um golpe sem piscar. Eu conseguia desarmar um oponente em cinco movimentos ou menos — três, se fossem estúpidos. Pontos de pressão, impulso, alavancagem. Velocidade acima da força. Eles tentariam me derrubar. E eu os enterraria, sorrindo.
O carro diminuiu a velocidade e entrou no estacionamento da estação de trem. O motorista estacionou e saiu, movendo-se com a mesma quietude controlada de antes. Ele esperou na calçada, varrendo a multidão em busca do próximo recruta. Fiquei lá dentro, observando através do vidro fumê.
Uma figura alta desceu da plataforma e caminhou em direção ao carro. Ombros largos. Jeans de marca. Cabelo perfeitamente bagunçado que provavelmente levou meia hora e um estilista pessoal para ficar no ponto certo.
Ótimo. Ele se movia como se o mundo lhe pertencesse — confiante, arrogante, com aquele gingado preguiçoso que apenas Alfas ricos e mimados conseguiam sustentar sem levar um soco na cara.
O Guarda Royal fez um leve aceno com a cabeça, quase sem se mexer. — Você é o Reyes?
O pirralho sorriu com desdém. — Obviamente.
Seus olhos varreram o SUV e pararam em mim, atrás do vidro. E, assim, eu soube. Aquilo não ia dar certo.
Toda a cautelosa esperança que me permiti sentir — a ideia de que talvez, apenas talvez, eu encontrasse alguém com quem conversar, alguém que não me tratasse como uma aberração ou uma ameaça — murchou e morreu naquele instante. Ele me lançou um olhar longo e desdenhoso, como se já estivesse me classificando em sua hierarquia mental de alcateia e me considerado insuficiente.
Perfeito. Ódio eu sabia manipular. Eu tinha treinado para coisas piores. Devolvi o mesmo olhar, acrescentando desdém suficiente para garantir que ele percebesse. Aversão mútua. Que reconfortante.
O pirralho deslizou para dentro do carro como se fosse seu trono, jogando a bolsa de grife sobre o banco e se esparramando com o direito de quem nunca ouviu um não na vida. Ele nem sequer olhou para mim enquanto prendia o cinto, mas, é claro, o silêncio não poderia durar.
— Então — disse ele, arrastando a palavra como um chiclete —, eu sou Reyes Silver, da Alcateia Silvermoon.
Claro que era. Nova York. Lutei contra o impulso de gemer de frustração.
— Kai — respondi, seca.
Ele virou a cabeça, lançando-me um olhar avaliador agora que estávamos confinados em um espaço fechado. Algo brilhou em seus olhos — reconhecimento. Interesse. Problema.
— Kai… Savage? — perguntou ele lentamente, com o olhar ficando mais aguçado. Meu estômago afundou. Ótimo. Meu nome só piorou as coisas. — Você é o outro filho dos trigêmeos Savage?
Ele estava falando sério? — É. Kai Savage. Mesmo sobrenome. Alfa. O que você acha? — retruquei, com a voz sem emoção.
Ele piscou, e os lábios se curvaram em diversão. — Então seus irmãos agora são os quadrigêmeos Savage?
Essa conversa não podia estar acontecendo. Encarei-o fixamente. — Repetindo. Kai Savage. Ainda não sou um clone. Mas obrigada pela aula de matemática.
Ele riu — riu de verdade — e se encostou no banco como se estivéssemos compartilhando algum tipo de piada interna. — Nossa, você é tão diferente deles! — disse ele, abrindo um sorriso. — Conheci seus irmãos no último baile de acasalamento em Nova York. Nunca imaginei que você...
— O quê? — cortei, com a voz gélida.
Ele piscou.
Capítulo 1
— Que eles teriam um irmão como eu? — completei, com o tom afiado o bastante para tirar sangue.
Reyes hesitou. Pela primeira vez, nada de sorrisinho convencido. Apenas o lampejo de outra coisa — surpresa? Irritação? Intriga? Não importava. Virei-me para a janela antes que ele pudesse responder, com o maxilar tenso.
Uma hora de viagem e eu já queria esganar um cadete. Se a Deusa da Lua tinha senso de humor, era um bem retorcido. O SUV voltou para a estrada e observei as árvores passarem como um borrão verde e cinza. Eu sentia o olhar dele voltando para mim a cada poucos minutos, como um mosquito que se recusava a morrer.
Eventualmente, ele cedeu.
— Então... você fala? — Reyes perguntou, arrastando a última palavra como se eu fosse uma peça de exposição atrás de um vidro.
Eu nem pisquei.
— Não com pessoas que fazem perguntas idiotas.
Ele soltou uma risada anasalada.
— Melindroso. Deixe-me adivinhar: síndrome do filho do meio?
— Sou o caçula — respondi.
— Ah. Isso explica a atitude.
Olhei para ele de soslaio.
— E você deve ser filho único. Tem toda aquela energia de quem ouve da mãe que é especial todas as manhãs.
Ele deu um sorriso de canto, esticando os braços atrás da cabeça.
— Na verdade, sou o primogênito. Futuro Alfa. Treinado para liderar, não para dar respostinhas para estranhos no banco de trás.
— Que bom que você não está fazendo nenhuma das duas coisas muito bem — murmurei.
Ele riu de novo. O desgraçado tinha uma risada boa; eu odiava aquilo. Era profunda e suave, como se ele nunca tivesse precisado se preocupar com nada real na vida.
— Você é engraçado, Savage — disse ele. — Admito isso.
— Não pedi estrelinha no boletim.
Ele se virou para mim naquele momento, com a cabeça inclinada como se estivesse vendo algo novo.
— Você não é o que eu esperava.
— É? E o que você esperava? Alguém que implorasse para sentar com você no almoço?
Reyes sorriu, mas desta vez o brilho não chegou aos olhos.
— Honestamente? Achei que todos os garotos Savage fossem clones. Pesadelos enormes, barulhentos e exalando testosterona.
— E, em vez disso, recebeu a mim — eu disse, com a voz plana.
— Exatamente. — Ele me analisou de novo, erguendo uma sobrancelha. — Você não é barulhento. É apenas... afiado. Tenso. Como uma mola.
Sustentei o olhar dele.
— Você não é nem de longe tão estúpido quanto parece.
— Obrigado — disse ele, com o sorriso de volta. — Eu acho.
O silêncio caiu novamente, denso como eletricidade estática. A estrada agora serpenteava pela floresta e sombras longas dançavam no para-brisa. Eu sentia a pressão do pingente contra a minha clavícula — minha identidade emprestada latejando contra a pele.
Ele não sabia. Ninguém sabia. Mas quanto mais ele me olhava daquele jeito, como se estivesse curioso, mais meu estômago dava nós.
— Deixe-me adivinhar — disparei, precisando mudar o clima. — Você é do tipo que trouxe o próprio pó de proteína para a academia, não é?
Ele fingiu estar chocado.
— Como ousa. Estou ofendido. Eu só uso importada.
Revirei os olhos.
— É claro que usa.
Reyes recostou-se com um sorriso, batendo a ponta do tênis contra o banco à sua frente.
— Este ano vai ser divertido.
— Não se você falar o tempo todo.
Ele riu outra vez.
— Estou começando a gostar de você, Kai Savage.
Virei-me de volta para a janela e resmunguei:
— Que azar o meu.
Mas uma parte de mim, a parte que estava se preparando para ódio, socos e para ser ignorada, sentiu-se estranhamente... aliviada. Eu preferia a arrogância à crueldade. O incômodo à desconfiança.
Eu só precisava sobreviver ao primeiro dia. E garantir que ninguém nunca olhasse de perto o suficiente para enxergar a verdade.
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Últimos capítulos
Assim que as palavras de Derrick ecoaram pelo cânion, o mundo se partiu.
Um som
O Cânion da Névoa fazia jus ao nome. Uma bruma densa e gélida rastejava pelo solo, engolindo qualque
O tribunal foi um evento sombrio, realizado em uma câmara de pedra nas profundezas da Academia. Eu e
Na manhã seguinte, Dalton fez sua jogada. Ele não me desafiou no pátio de treinamento, nem me confro







