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MENTIRAS COMO CHÁ

MENTIRAS COMO CHÁ

Última atualização: 2026-03-31 17:41:16
Idioma:  Português0+
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Sinopse

Quando o Rei Lobo Kael Northborn entra no Grande Sal?o e ignora duzentas ?megas para escolher seu pai alfa, a narradora percebe algo que ninguém mais nota: por um instante, o rosto do pai mostra reconhecimento — como se já estivesse esperando. O que parecia uma história de amor improvável torna-se uma investiga??o sobre mentiras tecidas ao longo de anos, finas e tranquilas como uma xícara de chá.


Capítulo1

O Rei Lobo escolheu o meu pai em uma terça-feira.

As terças costumavam ser normais. Café às sete. Meu pai lendo o jornal, resmungando sobre a política do campus. Eu procrastinando com as inscrições para a pós-graduação. Aquele tipo de normalidade que te mata aos poucos, até que você passa a ser grata por ela.

Então Kael Northborn entrou no Grande Salão, ignorou duzentas garotas ômega com o olhar e apontou para Marcus Thorne como se estivesse procurando por ele a vida inteira.

Eu deveria ter percebido que algo estava errado naquele momento.

Mas não percebi.

A cerimônia aconteceu no Palácio do Norte. Tudo mármore branco e detalhes em ouro, o tipo de riqueza que te faz esquecer que havia gente passando fome a cinco quilômetros dali. Eu vestia prata. Papai usava seu terno mal ajustado de sempre e não parava de checar o relógio.

— Você poderia ir embora — eu disse a ele no carro. — Eu posso fazer isso sozinha.

— Eu vou ficar. — As mãos dele estavam firmes no volante. Elas estavam sempre firmes. — Apoio moral.

Me alinhei com as outras ômegas. Garotas desesperadas em vestidos caros, todas fingindo que não estávamos apavoradas. Papai encontrou um canto na seção dos observadores e desapareceu ali como se tivesse praticado para isso.

Talvez tivesse.

Kael Northborn entrou exatamente às duas e quinze. O cheiro de alfa atingiu primeiro. Pinheiro e inverno, frio o suficiente para queimar. Todas as ômegas na sala balançaram. Imperativo biológico, do tipo que não se pode lutar contra.

Ele percorreu a fila. Olhou para cada uma de nós. Quando chegou a mim, eu sorri. Um sorriso ensaiado, perfeito.

Ele assentiu. E seguiu em frente.

Passou direto por todas nós e parou diante do meu pai.

— Você — disse Kael. — Nome.

Papai levantou os olhos do celular. — Marcus Thorne.

— Idade.

— Quarenta e cinco.

— Perfeito. — A voz de Kael mudou. Ficou suave de um jeito que fez meu estômago revirar. — Eu escolho você.

O salão explodiu. Garotas chorando, pais gritando, o tipo de caos que te faz entender por que algumas pessoas colocam fogo no mundo.

Fiquei ali parada em meu vestido prateado e pensei: Isso está errado.

Não porque eu quisesse ser a escolhida. Embora eu quisesse.

Mas porque o rosto do meu pai, por apenas um segundo, mostrou algo que eu nunca tinha visto antes.

Reconhecimento.

Como se ele já estivesse esperando por isso.

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