Sinopse
Quando a m?e solteira Astrid conheceu o belo e confiável Magnus, acreditou que o destino finalmente sorria para ela. Com o cuidado e apoio desse estranho, Astrid recuperou a confian?a em si mesma e a esperan?a no futuro. Justo quando tudo parecia caminhar em dire??o à luz, o surgimento do pai biológico de Saga caiu como um raio, despeda?ando a felicidade conquistada a custo por m?e e filha. Diante da press?o incessante de Viktor e das sombras há muito adormecidas, Astrid n?o recuou. Escolheu enfrentar corajosamente o passado e defender o futuro que pertencia a ela e à sua filha. E Magnus, esse homem inabalável, tornou-se seu apoio mais sólido e seu lar mais acolhedor.
Capítulo1
A neve de dezembro caía mansa sobre Estocolmo.
No interior da biblioteca municipal, o ambiente era acolhedor. Astrid deslizava as pontas dos dedos por documentos históricos amarelados, acomodando-os com zelo no scanner. A rotina consistia nisso: converter materiais preciosos em memória digital. Naquele dia, ela se dedicava aos registros de mudanças ambientais na Suécia dos séculos XIX e XX.
Seus movimentos eram suaves, conferindo cada página para garantir que os originais não sofressem o menor dano. Aos vinte e oito anos, sua natureza como Omega a tornava meticulosa, uma característica que se ajustava perfeitamente àquela função.
O departamento de digitalização, no terceiro andar, era mais silencioso que o restante do prédio, preenchido apenas pelo som rítmico do equipamento. Pelas janelas amplas, a luz de inverno entrava a rodo, emprestando um brilho raro à tarde nórdica.
O sinal do elevador ecoou. Astrid ergueu os olhos e viu um homem alto surgir no corredor. Ele vestia um sobretudo azul-marinho com vestígios de neve nos ombros. Ao retirar o chapéu, revelou cabelos castanhos-dourados.
O desconhecido correu o olhar pelo recinto e caminhou em direção ao balcão de informações. Astrid logo sentiu o aroma que ele exalava — notas de pinho, suaves, com um toque de brisa marinha. Sendo uma Omega, ela era particularmente sensível a essas nuances. Seu corpo tencionou por puro instinto, mas, curiosamente, o cheiro daquele homem trazia uma sensação de segurança, como se ela estivesse sendo envolvida por um cobertor quente.
O homem trocou algumas palavras com Emil, que apontou para a área de trabalho de Astrid.
Minutos depois, Emil se aproximou acompanhado pelo visitante.
— Astrid, este é Magnus Andersson, da divisão de energia da Ericsson. Ele precisa de alguns dados meteorológicos históricos, justamente o material que você está processando agora.
Astrid deixou o trabalho de lado e se levantou. Magnus era mais alto do que ela imaginara, com cerca de um metro e noventa, o que a obrigava a inclinar o pescoço para encará-lo. Ele possuía traços tipicamente nórdicos — olhos num tom profundo de azul-esverdeado, nariz proeminente e lábios finos que desenhavam um sorriso cortês. A pele tinha um tom bronzeado saudável, sugerindo alguém habituado a atividades ao ar livre.
— Olá. Sou Astrid Blomqvist — disse ela, estendendo a mão.
Magnus apertou a mão dela. A palma dele era grande e quente, com as pontas dos dedos levemente calejadas. O aperto foi firme na medida certa, respeitoso sem ser impositivo.
— Prazer em conhecê-la. Pode me chamar apenas de Magnus. Soube que você tem em mãos os registros de mudanças ambientais dos séculos XIX e XX.
— Sim, estou digitalizando esta coleção agora mesmo — respondeu Astrid, retirando a mão, ainda sentindo o calor do contato. — De que informações específicas o senhor precisa?
Magnus retirou um tablet da pasta executiva, exibindo gráficos meteorológicos complexos e plantas de engenharia.
— Estamos realizando estudos de viabilidade para projetos de energia eólica offshore. Preciso de dados sobre padrões e velocidade do vento na costa oeste da Suécia ao longo do último século. Esses dados históricos são fundamentais para prevermos a eficiência da geração de energia e a estabilidade dos equipamentos no futuro.
Astrid assentiu, impressionada com o profissionalismo dele. Eram poucos os engenheiros que davam tanto valor aos registros do passado.
— Entendo perfeitamente. Esta coleção tem exatamente o que procura, com ótima continuidade e precisão. No entanto, como ainda estamos no processo de digitalização, só posso oferecer acesso aos originais em papel. O senhor se importaria de trabalhar por aqui?
— De maneira alguma. Ter acesso aos documentos originais é um privilégio — os olhos de Magnus brilharam de interesse. — Raramente tenho a chance de tocar em materiais com tamanha relevância histórica no meu dia a dia.
Astrid organizou uma estação de trabalho próxima à janela, onde a iluminação era melhor. Com cuidado, buscou as pastas correspondentes — caixas de arquivo encadernadas em couro que guardavam mais de cem anos de registros climáticos. Magnus manuseou os papéis com extrema cautela, calçando luvas brancas, demonstrando que compreendia o valor histórico do acervo.
— Estes são os registros do departamento de meteorologia de 1890 a 1950 — explicou ela, indicando as diferentes pastas. — Aqui estão os dados das estações costeiras, incluindo velocidade, direção do vento e variações de pressão. Nestas outras, temos os dados comparativos do interior. E este volume contém observações feitas por pescadores e marinheiros; não têm rigor científico, mas fornecem informações complementares valiosas. Gostaria que eu explicasse o formato das anotações?
— Se não for incômodo, eu adoraria — Magnus sentou-se mantendo uma postura impecável. Ele ouvia as explicações com atenção, fazendo anotações pontuais.
Durante a meia hora seguinte, Astrid detalhou a estrutura dos documentos e os métodos de registro. Aos poucos, percebeu que estava relaxando. Magnus era um ouvinte excelente; suas perguntas eram precisas e demonstravam um conhecimento profundo em ciência ambiental. Mais do que isso, ele jamais a interrompia, esperando pacientemente que ela concluísse cada raciocínio antes de intervir.
— Você conhece esses dados históricos muito bem — comentou Magnus com admiração e um respeito genuíno no olhar. — Deve trabalhar nesta área há bastante tempo. Sua formação é em ciências ambientais?
— Na verdade, minha formação é em ciência da informação — Astrid corou levemente —, mas esses três anos trabalhando aqui com materiais ambientais despertaram meu interesse pelas mudanças climáticas. Às vezes, olhar para esses dados é como ler uma epopeia sobre as transformações da natureza. Cada número conta uma história, cada anomalia pode refletir um grande evento ambiental.
Magnus pareceu surpreso e satisfeito.
— Que coincidência. Embora eu seja engenheiro, sempre acreditei que entender o passado é a chave para prever o futuro. Poucas pessoas conseguem enxergar poesia em dados históricos. A maioria só vê números entediantes.
A conversa foi interrompida por passos leves e rápidos. Uma garotinha veio correndo da área infantil, com cachos dourados saltitando e as bochechas coradas de animação. Sem hesitar, ela se atirou nos braços de Astrid.
— Mamãe! — exclamou a menina em sueco, apertando os bracinhos ao redor da cintura da mãe.
Era Saga, a filha de dois anos de Astrid. A creche da biblioteca estava fechada naquele dia para manutenção, então Astrid precisara trazer a pequena para o trabalho. Saga tinha cachos de anjo, olhos azuis brilhantes e vestia um suéter rosa sobre um vestido azul-escuro, parecendo saída de um livro de contos de fadas.
— Saga, a mamãe está trabalhando agora — disse Astrid com doçura, antes de olhar para Magnus com uma expressão de desculpas. — Sinto muito, esta é minha filha.
O rosto de Magnus se iluminou com um sorriso caloroso que suavizou toda a sua expressão. Ele deixou os documentos de lado e se agachou para ficar na altura dos olhos de Saga, tratando-a com total respeito.
— Olá, Saga. Eu sou o tio Magnus.
A pequena menina observava aquele homem estranho com uma curiosidade latente, o narizinho remexendo enquanto tentava analisar o seu aroma. Sendo uma criança ainda não diferenciada, a percepção olfativa de Saga não estava completa, mas ela era capaz de sentir, instintivamente, a doçura e a gentileza que emanavam daquela pessoa. Lentamente, ela espiou por trás das pernas da mãe.
— Ela está um pouco tímida hoje — explicou Astrid, acariciando os cabelos da filha. — Geralmente não é assim.
— Não tem problema. As crianças precisam de tempo para se adaptarem a novos ambientes e novos amigos. — A voz de Magnus tornou-se ainda mais suave enquanto ele retirava do bolso uma caneta elegante, adornada com o enfeite de um pequeno moinho de vento. — Veja só, isto é um moinho. Você sabe o que os moinhos fazem?
Os olhos de Saga brilharam de imediato, e a curiosidade acabou por vencer a timidez. Ela balançou a cabeça negativamente.
— Os moinhos conseguem transformar o vento em eletricidade, para que nossas casas tenham luz, como se fosse mágica. — Magnus girou delicadamente as pás do pequeno moinho na caneta. — O meu trabalho é construir moinhos grandes, bem grandes.
Saga estava fascinada. Ela murmurou baixinho:
— Eu também quero ver os moinhos grandes.
— Se a mamãe concordar, talvez eu possa levar você para ver moinhos de verdade um dia. — Magnus olhou para Astrid, buscando silenciosamente sua permissão.
Astrid sentiu um calor aconchegante no peito. Poucas pessoas demonstravam tamanha paciência com crianças que não fossem as suas, especialmente tratando-se de filhos de mães solo. Em suas experiências passadas, a maioria das pessoas ou ignorava a criança completamente ou demonstrava impaciência. Mas Magnus era diferente; ele se comunicava com Saga de forma sincera, sem qualquer atitude superficial ou fingimento.
O sistema de som da área infantil anunciou o início da hora do conto.
— Queridas crianças, nossa hora da história vai começar. Hoje contaremos uma lenda sobre os flocos de neve...
Saga ergueu a cabeça no mesmo instante, os olhos faiscando de antecipação. Ela adorava aquele momento, especialmente naquela tarde quente de inverno dentro da biblioteca.
— Vá ouvir a história, querida — disse Astrid, afagando o cabelo da filha. — A mamãe vai buscar você daqui a pouco.
Saga assentiu e, então, fez algo que surpreendeu tanto Astrid quanto Magnus: ela acenou com a mãozinha para ele e disse docemente:
— Tchau, Tio Magnus! — antes de sair correndo em direção à área das crianças.
— Ela é muito inteligente — comentou Magnus, com um olhar de admiração genuína —, e muito educada. Você a criou muito bem.
Astrid sentiu as faces arderem levemente, experimentando uma sensação de reconhecimento que lhe era pouco familiar. Como mãe solo, ela vivia preocupada se seria capaz de oferecer a Saga uma educação e um ambiente adequados, se conseguiria criar uma criança saudável e feliz sem a presença de um pai. Ouvir tal elogio, vindo de alguém que parecia ser tão bem instruído, trouxe-lhe uma confiança inédita.
— Obrigada. Às vezes sinto que criar uma criança sozinha é difícil, e me pergunto se estou fazendo o suficiente.
— Pelo que observo, você está se saindo excelentemente. Saga é alegre e confiante, o que mostra que está crescendo em um ambiente cheio de amor. Mães solo carregam responsabilidades em dobro; você deveria se orgulhar de si mesma. — Magnus sentou-se novamente.
Aquela compreensão e apoio aqueceram o íntimo de Astrid, ao mesmo tempo em que aprofundavam seus sentimentos positivos em relação a Magnus. Ele não era apenas competente profissionalmente; mais importante do que isso, possuía um coração bondoso.
Últimos capítulos
Dois anos depois, inverno. O tribunal finalmente encerrou o caso, rejeitando o pedido de Viktor. A
Aquelas palavras caíram sobre Astrid como um balde de água gelada, trazendo a percepção tardia de qu
Na tarde seguinte, Astrid chegou pontualmente ao suntuoso saguão do Hotel Diplomat. O local era um d
Duas semanas depois, em uma tarde ensolarada e agradável de primavera, Astrid estava sentada na cafe







