A Companheira Rebelde do Alfa
Sinopse
Nasci com uma maldi??o que chamam de dom. Um poder proibido que corre em minhas veias — a habilidade psíquica de uma loba Gama. Por anos o mantive oculto, fingindo ser uma Beta comum. Um momento de rebeldia imprudente diante do futuro Alfa da alcateia, Kaelen Stormwood, exp?s meu segredo. Para minha alcateia, agora sou um monstro. Para o pai dele, sou uma amea?a a ser eliminada. Mas para Kaelen, o herdeiro arrogante que deveria ser meu executor, sou algo completamente diferente — algo que a alma dele reconhece. Sua companheira predestinada. Ele desafia o próprio pai para me proteger. Preciso aprender a controlar um poder que nunca quis, para salvar a nós dois. Mas num mundo que ca?a os Gamas até a extin??o, o amor de um Alfa poderoso pode ser um escudo — ou apenas uma gaiola mais bonita?
Capítulo1
O ar nos campos de treinamento da Alcatéia Stormwood estava pesado, saturado com o cheiro de suor, poeira e ambição bruta. Aquele era o dia da Prova de Força anual, um rito de passagem brutal onde cada jovem lobo, independentemente da casta, precisava provar seu valor. Para Lyra Silvercrest, era apenas mais um dia de sobrevivência. Ela não viera ao mundo como uma Alfa, nem como uma Beta de alto escalão; era apenas Lyra, descendente de uma linhagem de tecelões cujo maior desejo era vê-la encontrar um parceiro Beta respeitável e levar uma vida pacata.
Acontece que a quietude não fazia parte da natureza de Lyra.
— Finn, fica no chão! — sibilou ela, empurrando o amigo para trás de si. Um Beta corpulento, com o dobro do tamanho de Finn, avançava em direção a ele com um sorriso cruel estampado no rosto. Finn, um Ômega de temperamento dócil, o havia derrubado acidentalmente, e agora estava prestes a pagar o preço.
— Cuida da sua vida, Silvercrest — rosnou o Beta, com os olhos faiscando em um brilho de dominância. — Esse Ômega precisa aprender o lugar dele.
Algo dentro de Lyra se rompeu. Ela detestava aquilo — a crueldade gratuita, a hierarquia rígida que permitia aos fortes pisotear os mais fracos. Antes que pudesse racionalizar, ela deu um passo à frente, interpondo-se entre o Beta e Finn.
— O lugar dele não é debaixo da sua bota — rebateu ela, e sua voz ecoou com uma clareza surpreendente pelo pátio movimentado.
Um silêncio súbito caiu sobre a multidão próxima. Todos os olhares se voltaram para o confronto. Ser corajosa era uma coisa; desafiar um guerreiro graduado por causa de um Ômega era algo completamente diferente.
O Beta soltou uma gargalhada, um som áspero e carregado de desprezo. — E quem vai me impedir? Você?
— Se for preciso, sim.
No exato momento em que ele investiu, uma voz cortou o ar, grave e imperiosa, imbuída de uma autoridade que pareceu vibrar até nos ossos de cada lobo presente.
— Chega.
O mundo pareceu congelar. O Beta estancou no meio do passo, sua agressividade drenada instantaneamente e substituída por um instinto de submissão. A respiração de Lyra travou na garganta. Ela não precisava se virar para saber de quem se tratava. Podia sentir a presença dele como um peso físico, uma aura opressora de puro poder.
Alfa Kaelen Stormwood.
Herdeiro da Alcatéia Stormwood, filho do formidável Alfa Magnus e o lobo mais poderoso de sua geração. Ele se movia com a elegância de um predador; seus cabelos escuros refletiam a luz do sol, enquanto seus olhos cinzentos varriam a cena com uma indiferença gélida. Ele não era apenas um líder; era uma tempestade contida em forma humana, e todos sabiam que não se devia cruzar o seu caminho.
— Algum problema, Darius? — perguntou Kaelen, mantendo o olhar fixo no Beta acuado.
Darius imediatamente baixou a cabeça. — Alfa Kaelen. Este Ômega... ele foi desrespeitoso.
O olhar de Kaelen se deslocou, pousando finalmente sobre Lyra. Foi como ser imobilizada por uma força física. Ele estreitou os olhos e, por um instante, pareceu avaliá-la, dissecando-a por inteiro. Um lampejo de algo indecifrável cruzou sua expressão antes de ser substituído por sua costumeira máscara de autoridade fria. — E isso... é da sua conta?
O coração de Lyra martelava contra as costelas, mas ela se recusou a recuar. Ergueu o queixo, sustentando o encarar gélido dele. — Ele estava intimidando alguém mais fraco. No meu entender, isso é conta de todo mundo.
Um arquejo coletivo percorreu a multidão. Ninguém falava com Kaelen daquela maneira. Ninguém questionava o futuro Alfa.
Um sorriso lento e perigoso surgiu nos lábios de Kaelen. Ele deu um passo à frente, e o ar pareceu estalar com seu poder. Lyra sentiu sua própria loba, geralmente uma presença calma e constante, eriçar-se sob a dominância avassaladora dele. Mas ela não se curvou. Não se curvaria.
— No seu entender? — murmurou ele, com a voz reduzida a um rosnado baixo que enviou um calafrio por sua espinha. — Você parece esquecer quais regras regem esta alcatéia, lobinha.
Ele estava tão perto agora que ela podia sentir seu cheiro — um aroma de pinheiro após a tempestade, de terra fria e algo selvagem, impossível de domar. Era inebriante e aterrorizante ao mesmo tempo. Sua loba, contra qualquer lógica, sentiu uma atração estranha, uma curiosidade primitiva que a deixava furiosa.
— Estou bem ciente das regras, Alfa — disse ela, com a voz tensa. — Só não concordo com algumas delas.
O sorriso dele se alargou, mas os olhos permaneciam como lascas de gelo. Ele estava intrigado, ela percebeu, e aquilo era muito mais perigoso do que a raiva dele. Ele se inclinou, sua voz agora um sussurro destinado apenas aos ouvidos dela.
— Ou você é incrivelmente corajosa, ou incrivelmente estúpida, Lyra Silvercrest. — Ele fez uma pausa, e seu olhar desceu para os lábios dela por uma fração de segundo antes de retornar aos seus olhos. — Ainda não decidi qual dos dois.
Com isso, ele se empertigou, dando as costas a ela como se Lyra fosse um detalhe sem importância. — A Prova acabou por hoje. Dispersem-se.
Seu comando era absoluto. A multidão se espalhou; Darius lançou um olhar de ódio para ela antes de sumir, e Finn correu para o seu lado, com os olhos arregalados de medo.
— Lyra, você enlouqueceu? Você acabou de desafiar o futuro Alfa!
Mas Lyra não estava ouvindo. Ela continuava observando as costas de Kaelen enquanto ele se afastava, com o corpo tremendo não de medo, mas pelo impacto residual da presença dele. Ele a havia dispensado, mas, naqueles poucos momentos, ela se sentira mais notada por ele do que por qualquer pessoa em toda a sua vida.
E enquanto ele desaparecia nos confins da cidadela, um único pensamento ecoou em sua mente.
Isso não tinha acabado.
Últimos capítulos
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