A Companheira Contratada do Alfa
Sinopse
Ele era o Alfa, o A?ougueiro, um rei que governava um mundo de lobos. Eu era a garota humana que ele prendeu num contrato e destruiu publicamente para consolidar seu trono. Diante da alcateia, ele me chamou de conveniência temporária e declarou que eu n?o significava nada. Quebrou nosso vínculo para provar seu poder. Mas um rei com metade da alma n?o é rei coisa nenhuma. Estilha?ado por uma dor que jamais acreditou poder sentir, ele abandonou sua alcateia e seu orgulho. O Alfa virou lavador de pratos. O A?ougueiro virou um fantasma. Por meses, ele me observou das sombras da minha nova vida — consertando secretamente meu telhado, deixando café na minha porta, vendendo seus últimos pertences para salvar minha pequena loja, sem que eu soubesse de nada. Ele abriu m?o de tudo para expiar seus pecados. Mas um homem despeda?ado, que só conheceu a violência, consegue aprender a língua do amor? E um cora??o que ele mesmo destruiu consegue aprender a perdoar?
Capítulo1
O cheiro de sangue e ozônio impregnava Jaxon King, como um perfume enjoativo de vitória. Ele permanecia imóvel na clareira encharcada pela chuva que delimitava a fronteira de seu território, observando o corpo do Alfa rival transformado em um amontoado de ossos quebrados a seus pés. Fora uma morte necessária — um desafio respondido, uma fronteira reafirmada. No entanto, a brutalidade do ato, testemunhada por um trilheiro humano que invadira suas terras, revelara-se um erro de cálculo.
E a Alcateia Blackmoon não tolerava erros de cálculo.
— Você foi visto — a voz do Ancião Kaelen soava seca como osso velho. Ele estava sentado à frente de Jaxon no salão principal da alcateia, um espaço cavernoso feito de madeira escura e iluminado por tochas vacilantes. Os outros dois anciãos, Lyra e Fenris, permaneciam em silêncio, com os olhos pesados de julgamento. — A trégua com os humanos é frágil. Sua... demonstração de poder foi uma quebra de protocolo.
A mandíbula de Jaxon travou. Ele era o Alfa deles. Não precisava lhes dar satisfações, mas a tradição exigia que ele escutasse.
— O desafiante cruzou nossa fronteira. Ele ameaçou nossa soberania. Fiz o que qualquer Alfa faria.
— Mas fez com plateia — interveio Lyra, com a voz cortante. — Os boatos já correm na cidade humana. Eles voltaram a nos temer. E o medo gera agressão. Não podemos nos dar ao luxo de uma guerra contra eles.
O lobo de Jaxon movia-se inquieto sob sua pele, rosnando contra a coleira da civilidade. Ele era conhecido como Jaxon "O Açougueiro" King por um motivo. Ele havia arrancado aquela alcateia da beira da ruína com os próprios dentes e garras. Protegera as fronteiras, alimentara os jovens e esmagara os inimigos. E agora eles vinham lhe dar lições de protocolo?
— O que querem que eu faça? — rosnou ele, o som vibrando baixo em seu peito. — Que peça desculpas?
Fenris, o mais velho dos três, finalmente se manifestou.
— Não, Alfa. Um pedido de desculpas é sinal de fraqueza. Você fará uma demonstração de paz. Um gesto de boa vontade.
Jaxon ficou estático, a suspeita revirando seu estômago.
— Que tipo de gesto?
— Há uma garota humana na cidade — disse Kaelen, com os olhos brilhando. — Amelia Clarke. A dívida da família dela com esta alcateia atravessa três gerações; uma dívida de vida jurada depois que o bisavô dela foi salvo de renegados pelo seu antecessor.
A menção a dívidas antigas irritou Jaxon. Eram relíquias de uma era ultrapassada.
— A dívida será cobrada — declarou Lyra de forma direta. — A garota será trazida para cá. Você se unirá a ela em um Contrato de Paz por um ano. Você a apresentará como sua companheira escolhida, uma ponte entre os nossos mundos. Um símbolo para os humanos de que não somos os monstros que eles temem.
O ar no salão congelou. Jaxon encarou os anciãos, a descrença lutando contra uma onda avassaladora de fúria. Eles queriam que ele — o Alfa da Alcateia Blackmoon — se acorrentasse a uma frágil fêmea humana? Por um ano inteiro?
— Querem que eu adote... um animal de estimação? — A palavra saiu carregada de veneno.
— Você terá uma parceira contratual — corrigiu Fenris, com o olhar inabalável. — É um arranjo político. Servirá para pacificar os humanos e apaziguar a facção crescente dentro da nossa própria alcateia, que acredita que seu governo se tornou sangrento demais. Ao fim de um ano, o contrato se dissolve. Ela retorna ao mundo dela, a dívida é quitada e a paz estará garantida.
Jaxon quis recusar. Quis arrancar aquela certeza petulante dos rostos deles. Mas ele viu o cálculo nos olhos de cada um. Aquilo não era um pedido. Era um ultimato. Sua liderança, pela primeira vez, estava sendo desafiada não por garras, mas pela política.
— A presença dela aqui será um sinal de nossa civilidade — acrescentou Kaelen com suavidade. — E do seu controle.
Controle. A palavra ecoou no silêncio súbito de sua mente. Ele havia construído sua vida inteira baseada no controle. E agora, para mantê-lo, teria que entregar uma parte dele.
Seu lobo uivou em protesto, mas o Alfa o silenciou. O poder nem sempre era conquistado com dentes. Às vezes, era mantido através do sacrifício.
Jaxon levantou-se em toda a sua estatura, sua sombra engolindo os anciãos. Sua voz era puro gelo.
— Pois bem — soltou ele, ríspido. — Tragam-me a garota.
Últimos capítulos
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