Jogo de Herdeiras: O Plano Cinderela da Minha Melhor Amiga
Ringkasan
— Eu achava que ela era minha melhor amiga, até descobrir o seu #DiárioDeCinderela.
Vera nunca imaginou que navegar pelo TikTok seria o estopim para a ruína de sua vida. No feed de recomendações, surgiu uma conta privada cujo endereço de IP era o de sua própria casa, com uma legenda que dizia: "A idade é apenas um número, o amor verdadeiro é invencível."
De início, ela pensou que fosse apenas uma brincadeira de mau gosto, até que Claire apareceu usando um de seus vestidos e declarou: "Em breve, será tudo meu". Vera entendeu, então, que aquilo não era um conto de fadas. Era um jogo de soma zero. E ela se recusava a ser a filha da primeira esposa deixada para trás.
Bab1
Eram três da manhã e eu ainda estava no TikTok.
A insônia havia se tornado rotina desde que Claire começou a frequentar minha casa com uma constância perturbadora. Não era por falta de vontade de dormir; o problema era que, toda vez que eu fechava os olhos, conseguia ouvir lá embaixo as risadas exageradas dela e as respostas vibrantes do meu pai — uma alegria que ele não demonstrava há muito tempo.
De repente, um alerta saltou na tela: "Pessoas que você talvez conheça".
Franzi o cenho. O algoritmo andava cada vez mais absurdo, me sugerindo um perfil privado chamado "Cinderella's Diary". A foto de perfil era o detalhe de um par de sapatos de cristal. O fundo estava desfocado, mas eu conseguia distinguir vagamente a biblioteca da minha casa — aquela estante de mogno era inconfundível.
Como se estivesse hipnotizada, cliquei no perfil.
O primeiro vídeo fora postado há três horas. Nas imagens, Claire usava uma camisa do meu pai, abotoada apenas nos dois últimos botões, deixando à mostra uma grande extensão de pele alva. Ela piscava para a câmera e depois girava; a barra da camisa mal cobria o quadril, revelando suas pernas longas.
A legenda dizia: "A idade é apenas um número, o amor verdadeiro é invencível #DiárioDeCinderela".
Meu dedo congelou no ar.
Ao fundo, no sofá da biblioteca, um vulto embaçado folheava alguns documentos. Aquele contorno, aquela postura... eu os conhecia há mais de vinte anos.
Era o meu pai.
Uma onda de náusea subiu pelo meu estômago, mas me forcei a continuar deslizando a tela.
O vídeo seguinte era de ontem. Desta vez, Claire usava um vestido meu — aquele pretinho básico da Chanel que eu procurei a semana toda, achando que o tivesse enfiado em algum canto fundo do armário.
Ela rodopiava diante do espelho e, de repente, aproximava-se da lente. Com os lábios vermelhos entreabertos, sussurrou: "Em breve, será tudo meu".
A voz era baixa, quase um sopro, mas cada palavra perfurou meus tímpanos como agulhas.
Sentei-me ereta de um salto, o celular quase escapando das minhas mãos.
Aquilo não era uma brincadeira. Claire sempre disse que não usava roupas de segunda mão, que isso era "coisa de gente pobre". Mas ali estava ela, não apenas usando o meu vestido, mas também a camisa do meu pai, dentro da biblioteca da minha casa, gravando aquele tipo de conteúdo.
Com as mãos trêmulas, tirei prints para salvar as provas e continuei descendo. Quanto mais eu via, mais eu tremia.
Claire tirando selfies na minha cama com o meu pijama; mandando beijos para o espelho usando o meu batom; ostentando o meu colar com a legenda "Obrigada, titio"...
O último vídeo fora postado há dez minutos. A imagem estava escura; dava apenas para ver Claire sentada à mesa de jantar da minha casa, balançando as pernas. Ela sorriu para a câmera e disse suavemente: "Vejo você hoje à noite".
O vídeo terminou abruptamente. Fiquei encarando a tela preta, com a mente em branco.
Claire era minha melhor amiga. Ou, pelo menos, era o que eu acreditava.
Nós nos conhecíamos desde o ensino médio. Como a família dela não tinha posses, eu sempre a convidava para ficar na minha casa. Compartilhava minhas roupas, minhas maquiagens, meus segredos. Achei que fôssemos como irmãs.
Mas agora, ela usava minhas coisas para seduzir o meu pai e ainda postava tudo na internet.
Respirei fundo, tentando manter o controle. Talvez houvesse um mal-entendido? Talvez fosse algum tipo de... sei lá, performance artística? Ou talvez a conta dela tivesse sido hackeada e aquilo fosse algum deepfake de inteligência artificial?
Lá fora, o som de um motor rompeu o silêncio. Fui até a janela e afastei um pouco a cortina.
O Mercedes preto da família estacionou diante do portão. A porta se abriu e Claire desceu. Usava um vestido vermelho justo e saltos altos que brilhavam sob a luz do poste.
Ela ergueu o olhar diretamente para a minha janela. Puxei a cortina num reflexo, o coração disparado.
Ela me viu.
Ouvi passos no andar de baixo, seguidos pelo som da chave girando na fechadura. Claire tinha as chaves da nossa casa para "facilitar quando quisesse vir brincar comigo".
Mordi o lábio, fixando o olhar na porta do meu quarto. Em pouco tempo, a maçaneta girou de leve.
— Vera? — a voz de Claire veio do corredor. — Você está acordada?
Não respondi.
— Eu vi que a sua luz estava acesa — ela deu uma risadinha. — Não precisa fingir, eu sei que você está aí dentro.
Prendi a respiração.
— Tudo bem — ela suspirou. — Então descanse. A gente se vê amanhã.
Os passos se distanciaram. Desabei no chão, ainda apertando o celular contra o peito.
Não era um mal-entendido. Claire sabia que eu estava vendo os vídeos. Ela usou meu vestido de propósito, gravou na minha casa de propósito e fez questão de que eu visse tudo!
Ela estava declarando guerra. E eu acabara de me dar conta disso.
Bab Terbaru
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