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Nao a Deixe Escapar

Nao a Deixe Escapar

Ultimo aggiornamento: 2026-08-21 08:00:32
Lingua:  Português0+
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Rapporto

Sinossi

Daniela Duarte, a legítima herdeira do império Duarte, foi traída pelo homem que amava e viu sua família desmoronar em uma teia de conspirações e mortes suspeitas. Determinada a retomar o que é seu por direito, ela decide se lançar em um jogo perigoso de poder e sedução.


Para derrotar seu tio ganancioso e recuperar o legado de seu avô, Daniela faz um pacto com o enigmático Quinn Queirós, o implacável herdeiro de um império comercial ainda maior. Entre escritórios luxuosos e segredos obscuros, Daniela descobrirá que o preço da vingança pode ser o seu próprio coração, enquanto Quinn mostra que, por trás de sua fachada fria, ele não pretende deixá-la escapar.


Capitolo1

No centro mais pulsante da Cidade de Cristal, erguia-se um hotel de luxo super cinco estrelas. Entre colunas entalhadas e detalhes banhados a ouro, cada centímetro daquela estrutura imponente exalava uma sofisticação inigualável.

Enquanto os convidados chegavam em um fluxo incessante, uma Lamborghini parou diante da entrada principal. Quando a porta se abriu lentamente, um par de pernas longas e esguias, calçando saltos agulha rosa-claro, capturou todos os olhares. O corpo de curvas perfeitas e bem delineadas estava envolto em um vestido de festa branco imaculado, que realçava a pele alva como a neve. O tule com aplicações de cristais e os recortes estratégicos na cintura e nas costas conferiam um ar de sensualidade ousada.

A mulher retirou os óculos escuros, revelando olhos amendoados e uma expressão indiferente. O leve arco das pálpebras trazia um toque de mistério, enquanto as bochechas com um leve ar juvenil e os lábios naturalmente cheios davam a ela uma aura de inocência. Com longos cabelos ondulados que caíam até a cintura, bastava um breve olhar dela para fazer o coração de qualquer um tropeçar.

Não demorou para que alguém a reconhecesse.

— Meu Deus! Olhem! Aquela não é a herdeira da Família Duarte? O que ela está fazendo aqui?

— O noivo de hoje é justamente o ex que a largou!

— Então ela veio para estragar a festa? Hoje o circo vai pegar fogo!

Daniela Duarte varreu o ambiente com o olhar, e os sussurros cessaram imediatamente.

Na entrada, um painel vermelho com letras douradas exibia a mensagem: Felicidades ao Sr. Marco Maldonado e à Srta. Ximena Queirós por uma união eterna e próspera.

Daniela soltou uma risada fria e, com passos firmes, adentrou o salão.

Ao escolher uma mesa e se sentar, as conversas animadas ao redor morreram de súbito. Um calafrio percorreu a espinha de todos os presentes.

Afinal, a Família Duarte, que a apoiava, era a mais rica da Cidade de Cristal, um clã com séculos de história. Embora os pais de Daniela tivessem falecido cedo, vítimas de uma conspiração, o patriarca anterior a protegia como se fosse a joia mais preciosa. Enfrentá-la era, na prática, declarar guerra contra toda a Família Duarte — um desejo de morte para qualquer pessoa sensata.

Diante desse pensamento, os convidados não puderam evitar sentir uma ponta de pena de Marco Maldonado.

— Senhorita Duarte. — Ximena Queirós aproximou-se, vestida em um branco virginal, com o cabelo preso em um coque delicado e um sorriso gentil no rosto. Ela estendeu uma taça de vinho. — Obrigada por deixar o passado para trás e vir nos trazer seus votos de felicidade.

Daniela a encarou com frieza, mantendo um sorriso cínico nos lábios, mas sem fazer menção de aceitar a bebida.

— E quando foi que eu disse que vim trazer votos de felicidade?

— Daniela, isso é um assunto entre nós. — Marco Maldonado interveio, franzindo levemente a testa. O terno branco o deixava com uma aparência elegante e polida. Ele estendeu o braço, protegendo Ximena atrás de si. — Não dificulte as coisas para ela.

Que casalzinho mais dedicado.

Daniela teve vontade de aplaudir a performance dos dois.

Se não tivesse flagrado os dois na cama com os próprios olhos, talvez ela mesma acreditasse que Marco fora forçado a deixá-la por alguma circunstância trágica. Mas a farsa já tinha ido longe demais.

Ela soltou um riso curto, pegou a taça das mãos de Ximena e virou o conteúdo de uma só vez.

— Eu não teria por que odiar você. Foi você quem decidiu trair e se enfiar na cama dessa mulher, jogando a honra dos Maldonado no lixo. No entanto, eu nunca fui uma pessoa mesquinha. Bebo este vinho em sua homenagem e desejo que seja muito feliz no que lhe resta de vida.

A expressão de Marco endureceu, e ele levou um tempo para conseguir forçar um sorriso.

— Daniela, eu sabia que você...

— Mas — interrompeu ela, o sorriso desaparecendo para dar lugar a um olhar gélido. — Preciso que assine o documento de transferência de ações o quanto antes. Já que não faz mais parte da Família Duarte, devolva o que nos pertence. Não quero que digam por aí que você se aproximou de mim apenas pelo dinheiro dos Duarte.

O rosto de Marco alternou entre o pálido e o arroxeado em questão de segundos.

— Daniela, você ainda não me perdoou...

— Eu não te culpo por nada, então não há o que perdoar. Faz tempo que deixei de te amar, estou aqui apenas para dar um aviso. — Ela ergueu o queixo, com uma indiferença absoluta. — Este hotel só abre para a Família Duarte e clientes VIP. Como você não é um convidado membro e nem se chama Duarte, não use o nosso nome para sustentar suas mentiras. Considere esta hora de cerimônia como um presente meu. Em uma hora, não quero ver mais ninguém neste lugar.

A sala de conferências mergulhou em um silêncio sepulcral. Daniela virou as costas e saiu, o som de seus saltos ecoando com autoridade.

Ela nem percebeu que, em meio à penumbra, um olhar carregado de interesse a seguia atentamente.

Ao colocar os óculos escuros, escondeu os olhos que começavam a avermelhar. Assim que entrou no carro, o corpo relaxou e ela ficou imóvel, encarando o vazio à frente.

Ela conheceu Marco Maldonado aos dezenove anos, na academia de elite da Cidade de Cristal. Ele era o presidente do conselho estudantil; ela, a diretora do departamento de comunicação. O festival escolar que parou a cidade fora criação dos dois, e foi ali que a história deles começou. Foram parceiros, amigos e, finalmente, noivos.

Ele era três anos mais velho, sempre polido e culto. Daniela confiava nele plenamente, a ponto de aceitar transferir parte das ações do Grupo Duarte para o seu nome.

Se não fosse por aquela mensagem anônima que a atraiu até o hotel, ela jamais imaginaria que, apesar de tudo o que fizera por ele, Marco mantinha outra mulher e ainda espalhava boatos de que Daniela o desprezava por sua origem humilde.

Ela não se importava com quem ele amava ou com quem se casaria. O que doía era saber que a pessoa em quem ela mais confiou escolhera justamente o lugar mais vulnerável de seu coração para cravar uma faca.

Com o peito apertado, Daniela pisou fundo no acelerador.

O carro cortou a noite e logo parou diante de um bar.

Ao entrar, foi atingida pelo som ensurdecedor da música. Ela buscou seu lugar habitual e sentou-se sozinha.

O álcool forte queimou sua garganta, e em pouco tempo a névoa da embriaguez começou a dominar seus pensamentos, trazendo um torpor bem-vindo.

— E aí, gatinha? Sozinha?

Um homem magro, de aparência asquerosa e sorriso servil, surgiu ao seu lado.

— Levou um fora? Vem com o papai, eu garanto que te faço esquecer de tudo.

Daniela se recostou no sofá com uma postura indolente. O olhar vago e a beleza estonteante atiçaram os instintos do homem, que estendeu a mão para tocar o ombro dela.

A pele sob o tecido de seda era macia, mas antes que ele pudesse sentir qualquer coisa, Daniela esquivou-se bruscamente, agarrou o pulso dele e o torceu com uma força surpreendente. O homem desabou, chorando e gritando de dor.

A iluminação baixa do bar sempre atraía tipos indesejáveis. Daniela não deu importância e apenas sibilou uma ordem curta:

— Cai fora.

— Você me agrediu! Sua piranha abusada! Você vai ver só!

Segurando o pulso, o homem correu para longe. Daniela soltou um bufo de desprezo e continuou a beber.

O tempo passou e o bar ficou cada vez mais lotado conforme a noite avançava. Finalmente, Daniela levantou-se, pegou a bolsa e preparou-se para sair.

Nesse momento, a multidão se abriu, e um alvoroço começou a se aproximar.

— É ela, rapazes! É essa a vagabunda! Não a deixem escapar!

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