Synopsis
Meu noivo Jerry é um mentiroso.
Mas, aos olhos de todos, ele é o homem perfeito. Dizem que sofro de ansiedade pré-nupcial, e ninguém está disposto a acreditar em mim.
Até que, no dia do casamento, eu viro o jogo e exibo o vídeo de sua traição em plena transmissão ao vivo.
Com um sorriso no rosto, encaro sua face pálida e sem vida:
— Afinal, o verdadeiro psicopata aqui é você, meu querido Apollo.
Chapitre1
Estou imersa nos preparativos do casamento com Jerry, meu noivo. Já se passaram três anos desde que nos apaixonamos.
A organizadora do evento desliza a ponta dos dedos pela tela do iPad, mostrando os detalhes: um arco suntuoso erguido com cem mil rosas brancas, drones que lançarão uma chuva de pó de ouro personalizado... Jerry diz que isso refletirá perfeitamente o tom âmbar dos meus olhos.
— Leah merece nada menos que a perfeição — a voz dele ressoa ao meu ouvido, suave e resoluta.
Ele pousa a mão sobre o dorso da minha de forma natural. Jerry é assim: sempre polido, sempre impecável. Consigo sentir os olhares dos convidados sobre nós, uma mistura de inveja e admiração. Ouço o sussurro de uma amiga próxima: "Um homem assim existe de verdade?"
Existe. Pelo menos nos últimos três anos, a presença de Jerry envolveu minha vida de forma zelosa e calorosa. Ele se lembra de que odeio cebolas, mas adoro o aroma de alho; trazia-me uma tigela de sopa quente quando eu varava a noite trabalhando em meus projetos de design; e até o pacto antenupcial foi iniciativa dele, propondo uma partilha de sessenta para quarenta a meu favor.
— Você se esforça tanto na sua empresa... esse é o respaldo que eu sinto que devo te dar — disse ele enquanto o advogado lia as cláusulas. A sinceridade em seu olhar quase me fez sentir vergonha da hesitação que senti por um breve segundo.
Agora, ele inclina levemente a cabeça, concentrado na explicação da organizadora sobre o cronograma, fazendo uma ou outra pergunta detalhada. A seriedade em seu perfil torna minha inquietação inexplicável algo totalmente fora de lugar.
Sim, inquietação. Há poucos minutos, enquanto a organizadora mostrava os efeitos do palco principal, a tela do celular de Jerry, sobre a mesa, acendeu silenciosamente. Uma prévia de mensagem brilhou por um instante:
"No lugar de sempre hoje à noite? Apollo."
Minha respiração travou por um milésimo de segundo. A fonte era pequena, mas quase simultaneamente, o polegar de Jerry deslizou veloz sobre a tela, e a mensagem sumiu. Ele pegou o aparelho e o colocou de bruços sobre a mesa, num movimento fluido, sem qualquer hesitação.
— Amolação de família de paciente — ele se virou para mim com um sorriso resignado, um toque de desculpas no olhar por ter sido interrompido. — Algumas pessoas confundem a paciência do médico com privilégio pessoal. É um cansaço.
A organizadora aproveitou para bajular: — O Dr. Chen é popular demais!
Forcei os cantos da boca, tentando retribuir com um sorriso compreensivo. O nome Apollo não me era estranho. Cerca de três semanas atrás, em uma das raras vezes em que ficou embriagado, ele brincou com esse codinome. Disse que, na faculdade de medicina, os colegas o chamavam de Apollo, rindo de como ele, tal qual o deus do sol, queria salvar o mundo inteiro.
Naquela noite, ele beijou a ponta dos meus dedos, com o hálito quente, e jurou que agora sua luz e seu calor brilhariam apenas para mim. Na hora, pareceu apenas uma confissão romântica.
Digo a mim mesma para não pensar demais; talvez seja apenas uma brincadeira de algum colega de faculdade ou amigo muito íntimo. Jerry é pediatra, é normal que seja benquisto. Ele é dedicado ao trabalho e não é raro lidar com familiares difíceis. Começo até a me culpar: será que a ansiedade do casamento está me deixando paranoica?
No entanto, não consigo evitar que pequenas anomalias surjam na memória. Como o cheiro levemente adocicado e enjoativo de um perfume estranho que às vezes impregnava o colarinho do seu jaleco quando ele voltava de um plantão noturno. Ou aquela vez em que o primeiro botão da sua camisa parecia preso em uma posição diferente da habitual...
— Leah? — Jerry aperta suavemente a palma da minha mão, trazendo-me de volta.
Não percebi quando ele abriu a caixa das alianças.
— Em trinta dias, este lugar será o nosso mito pessoal — ele se inclina, baixando o tom de voz para um sussurro sedutor e reconfortante. — Você só precisa confiar em mim e deixar tudo nas minhas mãos, está bem?
A organizadora e o restante da equipe nos lançam sorrisos de felicitação. Inspiro profundamente e assinto com vigor, como se quisesse espantar toda a insegurança. Sou feliz. Estou prestes a me casar com este homem quase perfeito. Que motivo eu teria para duvidar?
Mas, quando me abaixo fingindo ajustar a saia do vestido, minhas unhas se cravam involuntariamente na palma da mão. Ali existe uma cicatriz fina. Ele a causou na semana passada, sem querer, ao me ajudar a abrir a embalagem de uns desenhos com um estilete. Lembro-me vividamente de como ele pareceu angustiado e culpado na hora.
Antes da tela do celular escurecer por completo, a última coisa que vejo é o reflexo de Jerry. Ele continua sorrindo, lidando com tudo com uma serenidade absoluta.
Derniers chapitres
Ele rugiu, histérico, com as veias do pescoço saltadas de tensão. — Pelo menos trinta por cento daq
A postura outrora imponente de Jerry estava agora encurvada, como um bambu quebrado por uma tempesta
Caminhei em direção ao altar, o vestido de noiva arrastando-se pesadamente. Jerry estava ali, sob
Continuei a desempenhar meu papel de paciente psiquiátrica sem falhas. Apoiava o comprimido na late







