Cicatrizes Deixada Pelo Mafioso
Sinopsis
Ela passou anos tentando reconstruir a própria vida depois de ter sido destruída pelo homem que um dia amou.
Ele é um mafioso poderoso, acostumado a controlar tudo e todos ao seu redor. Frio, possessivo e perigoso, deixou para trás muito mais do que lembranças quando desapareceu da vida dela.
Deixou cicatrizes.
Agora, quando ela finalmente acredita ter encontrado uma maneira de seguir em frente, o passado retorna.
O mafioso está de volta.
E, dessa vez, não pretende desaparecer.
Entre segredos, ameaças e feridas que nunca realmente cicatrizaram, ela será obrigada a conviver novamente com o homem que jurou esquecer. Um homem que parece determinado a provar que, apesar de tudo o que aconteceu entre eles, aquele sentimento nunca morreu.
Mas existe algo que ele ainda não sabe.
Ela mudou.
E as cicatrizes que ele deixou não a tornaram mais fraca. Tornaram-na alguém capaz de enfrentá-lo.
Quando o perigo se aproxima e os dois são colocados novamente no mesmo caminho, ódio e desejo começam a se
Capítulo1
NOTA DA AUTORA:
Caro leitor, este livro aborda a neurodivergência e o autismo. O autismo é uma parte importante da minha vida, e neste livro me refiro a ele pelos termos que eu, minha família e nossos profissionais de saúde usamos diariamente.
Algumas pessoas podem achar improváveis alguns dos eventos relacionados ao autismo retratados neste livro. Na verdade, todos os comportamentos relacionados ao autismo descritos na história são baseados em experiências reais. O autismo é uma condição do espectro autista e afeta cada indivíduo de uma maneira diferente e única. Isso significa que é extremamente raro que duas pessoas com autismo se comportem de maneira idêntica na mesma situação.
Os termos que utilizo podem diferir dos termos comumente usados no país onde você reside, ou você pode estar acostumado a uma terminologia diferente devido à versão dos critérios diagnósticos (como o DSM-5) em uso quando o diagnóstico foi feito. Neste livro, esteja ciente de que os personagens podem usar linguagem capacitista ou ter crenças capacitistas, ou podem ter internalizado pensamentos capacitistas. Esses elementos fazem parte da narrativa e são usados para transmitir o que algumas pessoas com autismo podem vivenciar, mas não representam a opinião da autora. Diversos leitores de sensibilidade foram consultados durante a edição.
Em particular, quero dizer que cada pessoa com autismo é extremamente especial e que suas diferenças tornam o mundo um lugar muito mais rico e melhor. Seu bem-estar é muito importante, portanto, não hesite em procurar um ente querido ou um profissional se precisar de apoio.
Por fim, observe que este NÃO é um romance dark, embora alguns elementos mais sombrios estejam presentes em partes da história. Consulte a nota de conteúdo anterior para obter mais detalhes.
CAPÍTULO 1
VIKTOR
IDADE 12
O ar em Moscou está frio e abafado enquanto observo a multidão de pessoas que passam sem sequer me lançar um olhar. Seus casacos estão puxados até as orelhas, suas cabeças baixas. Ninguém se importa com o garoto que vagueia por um beco, com um casaco esfarrapado, alguns buracos e sujeira no rosto. Isso significa reservar um momento para se importar.
Mas eles nunca se importam.
Levantando a gola da camisa, observo a rua por mais alguns minutos. O tecido áspero arranha a minha nuca. Minha respiração forma uma névoa à minha frente, dissipando-se no ar assim que sai dos meus lábios.
Eu espero.
Assistir.
A padaria fica logo ali na rua. Lotada como sempre. Pessoas se comprimem contra o balcão, a fila serpenteia pela esquina num mar de gente faminta. Todos querendo sua dose matinal de alguma coisa.
Dou um passo à frente, meus sapatos arrastando no asfalto molhado. As solas estão gastas e remendadas com fita adesiva, mas encontrarei outro par em outra ocasião. Meu estômago se contrai de fome. Odeio esta vida. Odeio ter que ficar aqui no frio cortante, meu corpo inteiro congelado como um bloco de gelo, me perguntando se conseguirei comer alguma coisa hoje — torcendo desesperadamente por isso.
Paro, inclinando a cabeça ao avistar outro garoto do outro lado da rua. Ele permanece perto da entrada da padaria, um rosto e uma aparência novos que se destacam dos demais, com seus casacos e chapéus monocromáticos. As imagens diante de mim são como um filme em preto e branco que parece ser o filme eterno que assisto ao longo da minha vida.
Suas roupas parecem ricas e caras, mas a gola e as mangas estão um pouco mais desgastadas do que em outras partes. Sua mão treme enquanto ele se mexe inquieto.
Abro caminho novamente, ultrapassando o fluxo de pedestres, e o observo. Seus olhos estão fixos na fila, movendo-se de um lado para o outro, como se estivesse tentando decifrar algo. Uma brecha na fila? Seu próximo passo?
Então ele consegue.
Ele é rápido.
Estendendo a mão, ele pega um pãozinho da prateleira antes que alguém possa reagir. Eu congelo.
Este é o meu lugar!
O dono sai correndo e grita com ele. Mas o menino é ágil e dispara para longe antes que possa ser
alcançado.
Esse outro garoto roubando meu lugar me irrita demais. Sou eu quem rouba nessa padaria, não um moleque que nem consegue manter a mão firme! Eu o sigo, e até consigo pegar um pão da vitrine e esconder no meu casaco enquanto passo, porque o dono está ocupado demais repreendendo um dos seus funcionários por não ter impedido o garoto. Mas o dono vai ficar de olho muito mais de perto depois de hoje, o que significa que aquele garoto arruinou meu lugar. E significa que vou ter que começar tudo de novo e encontrar um novo lugar para roubar.
Apresso o passo na mesma direção que o menino, virando a esquina enquanto o sigo.
"Arranje seu próprio lugar!", sussurro, atravessando a rua para me aproximar do garoto. Minha voz é fria, cortando o ruído ao nosso redor.
Ele se assusta, virando-se para me olhar enquanto enfia desajeitadamente o resto do pequeno pãozinho na boca, como se estivesse apavorado que eu fosse tentar tirá-lo antes que ele consiga engolir. Seus olhos estão arregalados e o tremor em sua mão aumenta um pouco.
Eu lanço um olhar fulminante.
Ele está faminto. É o jeito que o corpo dele treme e como ele enfia aquele pãozinho na boca como se fosse a última coisa entre ele e a própria morte. E eu conheço esse olhar... porque eu já estive lá.
Eu suspiro.
Tirando o pão de dentro do meu casaco, parto-o ao meio. Estendo-lhe a metade maior. "Vai em frente. Toma", rosno.
Seus olhos se voltam para o pão, depois para mim, como se fosse uma armadilha — e eu fosse atacá-lo no segundo seguinte. Como se ele esperasse uma briga. Depois de um longo momento, ele estende a mão e pega o pão, seus dedos trêmulos roçando nos meus.
Retiro a mão bruscamente. É instintivo. Involuntário. Porque tocar — qualquer toque — faz minha pele arder como se alguém a tivesse incendiado.
E eu odeio isso. Odeio essa sensação constante. Aquela da qual nunca consigo me livrar.
Aceno com a cabeça na direção do lado vazio da rua, onde todos os prédios estão com as janelas e portas fechadas com tábuas.
Desço até a calçada, mantendo uma certa distância entre nós. Ele me segue. Ficamos sentados em silêncio por um tempo, sem dizer muita coisa enquanto comemos nossa metade do pão. Está quente, macio, reconfortante. Saciante.
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