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Canção das Feras: A Harmonia Imperfeita

Canção das Feras: A Harmonia Imperfeita

Última actualización: 2026-03-04 01:43:41
By: Ritania Muniz
En desarrollo
Idioma:  English4+
4.0
1 Clasificación
12
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Sinopsis

No mundo de Terra, onde raças bestiais convivem sob a harmonia invisível da Canção, as cidades começam a desafinar. Rotas enfraquecem, memórias vacilam e uma antiga força retorna das profundezas do oceano.


Nym, uma jovem Feline capaz de ouvir as camadas ocultas da Canção do mundo, descobre que o chamado não vem de um invasor — mas de um antigo Regente que já sustentou Terra quando as vozes eram conflito puro.


O Afinador não deseja destruir. Ele deseja conduzir.


Entre harmonia perfeita e liberdade imperfeita, Nym precisará decidir se o mundo deve ser protegido por controle… ou amadurecer através do risco.


Quando a estabilidade é tentadora e o caos é inevitável, Terra precisa escolher: cantar sob regência ou aprender a ouvir entre as notas.


Capítulo1

O sol da manhã pousava sobre os telhados como um felino antigo — lento, quente, dono de tudo que tocava.

Nym sentia o calor atravessar as telhas sob suas mãos antes mesmo de abrir os olhos. A cidade ainda respirava devagar, como se estivesse indecisa entre acordar ou permanecer mais alguns instantes na névoa do sonho. Do alto do parapeito, ela deixava as pernas balançarem no vazio, cauda pendendo atrás de si em movimentos suaves, quase preguiçosos.

Era ali que gostava de estar. Acima das vozes, acima das obrigações, acima das rotas que cruzavam o mundo como cicatrizes invisíveis.

O vento deslizou pelas orelhas felinas, fazendo-as tremer levemente. Não era apenas o vento.

Havia algo por baixo.

Uma vibração.

Nym franziu o cenho antes mesmo de perceber que estava ouvindo. Não com os ouvidos — mas com algo mais fundo, mais antigo. A Canção.

Sempre estivera ali. Um murmúrio constante que atravessava as ruas, descia pelas muralhas e se espalhava pelas rotas como rios de som invisível. Cada cidade tinha sua tonalidade própria. A dela era dourada, vibrante, com notas suaves que lembravam passos leves e risadas ao longe.

Mas naquela manhã, havia um intervalo onde não deveria haver.

Um vazio curto.

Um compasso quebrado.

Ela abriu os olhos de vez.

O mundo parecia o mesmo. Mercadores organizavam bancas abaixo. Um Liberi cruzava o céu com asas abertas, penas cintilando na luz. Duas crianças Lupo corriam na rua, disputando quem chegava primeiro à esquina.

Tudo normal.

Exceto que não estava.

Nym levou a mão ao peito. O som falhou outra vez — quase imperceptível. Como uma corda de instrumento que vibra fraca demais para sustentar a nota.

Sua cauda parou de balançar.

O silêncio dentro da Canção não era ausência total. Era corte. Deliberado. Preciso.

Ela já havia sentido isso antes, em menor escala. Pequenos desalinhamentos nas bordas das Rotas, ruídos abafados que os guardiões chamavam de “desgaste natural”.

Mas aquilo era diferente.

Aquilo tinha intenção.

Um sino soou na praça central, marcando o início das atividades do dia. O som metálico ecoou firme — porém, por trás dele, a Canção não respondeu como deveria.

Nym deslizou do parapeito com a graça quase inconsciente de sua raça. Suas botas tocaram o chão do terraço, e por um instante ela fechou os olhos novamente, concentrando-se.

Havia uma linha fina atravessando a cidade.

Uma costura invisível tensionada demais.

Se ela forçasse um pouco mais a percepção, talvez pudesse seguir o rastro do erro. Talvez pudesse descobrir onde o mundo estava sendo puxado.

Mas havia medo nisso.

Porque se algo puxava…

Algo também podia cortar.

Um som distante interrompeu sua concentração — um uivo curto vindo além das muralhas. Não era um chamado comum de patrulha. Era alerta.

Os pelos ao longo de seus braços se eriçaram.

Kael.

Ela reconheceria aquele timbre mesmo sob tempestade.

Nym abriu os olhos e correu para a borda do terraço. Do lado norte da cidade, próximo às Rotas que se estendiam em direção às colinas, guardiões Lupo se reuniam, postura rígida, olhares fixos no horizonte.

A Canção falhou outra vez.

Dessa vez, mais longa.

E, por um segundo inteiro, o mundo pareceu prender a respiração.

O Liberi no céu perdeu altitude abruptamente antes de recuperar o voo. As crianças Lupo cessaram a corrida, como se tivessem esquecido por que estavam competindo. Até o sino na praça pareceu vibrar fora do ritmo.

Não era apenas Nym que sentia.

Era o mundo reagindo.

Ela inspirou fundo.

O ar tinha gosto de poeira fria.

Não era assim que deveria ser.

A Canção não vacilava. Ela fluía — constante, ancestral, sustentada pelo pacto entre as raças. Desde antes das muralhas, antes das rotas mapeadas, antes das cidades erguidas.

Desde sempre.

Então por que havia falhas agora?

Outro uivo ecoou, mais próximo.

Nym não hesitou desta vez. Saltou do terraço para a sacada inferior, deslizou por uma escada lateral e atingiu a rua em poucos movimentos fluidos. Pessoas se afastaram instintivamente ao vê-la passar — não por medo, mas pela urgência que carregava no olhar.

Quando alcançou o portão norte, Kael já estava ali.

Alto, firme, orelhas lupinas tensionadas em direção às colinas. Seus olhos azul-gelo encontraram os dela por um instante — e algo silencioso foi entendido.

Você ouviu também.

Ele não perguntou.

Ela não precisou responder.

Entre eles, a Canção falhou de novo.

Mas desta vez, dentro do vazio, algo ecoou.

Não era silêncio.

Era um ajuste.

Como dedos invisíveis girando a engrenagem de um instrumento colossal.

Nym sentiu o frio percorrer sua espinha.

Alguém estava tocando o mundo.

E não era para torná-lo mais bonito.

Sua cauda se enrijeceu.

“Isso não é desgaste”, Kael murmurou, voz baixa, quase um rosnado contido.

Nym assentiu.

Ao longe, sobre as colinas, uma faixa do horizonte pareceu ondular — como calor sobre pedra. Mas não havia calor suficiente para causar aquilo.

Havia intervenção.

E pela primeira vez desde que aprendera a ouvir, Nym não teve certeza se queria continuar escutando.

Porque a Canção do mundo estava mudando.

E alguém estava decidindo quais notas deveriam sobreviver.

Kael foi o primeiro a atravessar o portão.

As sentinelas Lupo abriram passagem sem questionar. O ar além das muralhas parecia diferente — não mais frio, mas mais vazio. Como se a paisagem tivesse sido levemente esvaziada por dentro.

Nym seguiu logo atrás.

A trilha que levava às colinas era conhecida por ela desde a infância. Cada pedra tinha memória. Cada árvore guardava ecos de estações passadas. Ali, a Canção sempre fora mais clara — mais selvagem, mas ainda assim firme.

Hoje, porém, ela tremia.

O vento que varria a grama alta não carregava harmonia. Apenas deslocamento.

Kael caminhava à frente, atento, orelhas erguidas. Ele não precisava ouvir como Nym ouvia; bastava sentir a ausência.

“Começou antes do amanhecer,” ele disse sem olhar para trás. “Uma das patrulhas relatou que os marcos da Rota estavam… errados.”

“Errados como?”

“Sem resposta.”

Ela entendeu imediatamente.

As Rotas eram mais que caminhos. Eram linhas vibrantes que conectavam cidades, clãs e territórios. Cada marco — aquelas pedras antigas com inscrições quase apagadas — vibrava sutilmente quando tocado por um guardião treinado.

Se não respondiam…

Algo havia sido interrompido.

Ao alcançarem o primeiro marco, Nym sentiu o coração bater mais forte.

A pedra estava ali, inclinada como sempre, coberta por musgo claro. Kael pousou a mão sobre a superfície gravada com símbolos antigos.

Nada aconteceu.

Ele pressionou com mais firmeza.

Silêncio.

Nym aproximou-se devagar.

A Canção naquele ponto deveria soar como uma corda grave sustentando toda a Rota. Um som contínuo, profundo, quase impossível de distinguir do próprio ar.

Mas agora havia apenas um eco distante.

Ela tocou a pedra.

E ouviu.

Não a Canção — mas o corte.

Um intervalo preciso, como se alguém tivesse apagado um trecho da partitura e deixado o resto intacto.

Ela retirou a mão rapidamente.

“Não foi desgaste,” murmurou.

Kael a encarou. “Então foi o quê?”

Ela hesitou.

Porque nomear aquilo tornava real.

“Interferência.”

O vento soprou mais forte, dobrando a grama até quase tocar o chão.

Ao longe, uma pequena criatura das colinas — semelhante a um cervo de chifres delicados — ergueu a cabeça abruptamente e correu sem motivo aparente.

Instinto primordial.

Quando a Canção enfraquecia, as fronteiras entre civilização e natureza se tornavam finas demais.

Kael passou a mão pelos cabelos escuros, inquieto. “Se for intervenção externa, alguém está manipulando as Rotas.”

“Não apenas as Rotas.”

Ela fechou os olhos por um instante.

Concentrou-se além do marco. Além da colina. Além da cidade.

A Canção da região era um tecido amplo. Se havia um corte ali, talvez existissem outros.

E existiam.

Pequenos silêncios espalhados como rachaduras.

Todos precisos.

Todos recentes.

Todos ligados por uma mesma intenção.

Seu estômago revirou.

“Está se espalhando,” ela sussurrou.

Kael ficou imóvel.

E então o mundo fez algo que nunca fizera antes.

A Canção cessou completamente.

Não vacilou.

Não enfraqueceu.

Cessou.

Por um único segundo absoluto.

Nenhum som da grama. Nenhum canto distante. Nenhuma vibração invisível sustentando o ar.

O próprio vento pareceu congelar.

Nym sentiu como se estivesse caindo dentro do próprio corpo.

E, dentro daquele vazio total, ouviu algo novo.

Uma nota solitária.

Fria.

Controlada.

Afinada demais.

Como se alguém estivesse testando o mundo.

Então a Canção retornou — abrupta, desorganizada, quase ofegante.

Kael deu um passo atrás, expressão endurecida. “Você sentiu.”

Não era pergunta.

Ela assentiu lentamente.

“Alguém está tocando,” disse ela, voz baixa. “Não cortando aleatoriamente. Ajustando.”

Kael olhou para o horizonte ondulante.

“Quem teria poder para isso?”

Ela não respondeu.

Porque a resposta possível era antiga demais para ser confortável.

Histórias falavam de épocas remotas em que as Canções não eram espontâneas — eram conduzidas. Regidas por entidades que moldavam equilíbrio e desordem como músicos diante de uma orquestra viva.

Mas aquilo era mito.

Não era?

Um estalo seco ecoou pela colina.

Ambos se viraram.

O marco de pedra à frente — o segundo da Rota — rachou verticalmente.

Não explodiu.

Não foi atingido.

Simplesmente se dividiu, como madeira submetida a pressão invisível.

Nym correu até ele.

A rachadura não era irregular.

Era limpa.

Como corte de lâmina.

Ela pousou os dedos na superfície quebrada.

Nada.

Nenhuma vibração.

Aquele trecho da Rota estava morto.

O ar ficou pesado.

Kael aproximou-se devagar. “Se uma Rota cair, a próxima enfraquece. É assim que funciona.”

Ela sabia.

Era um efeito dominó invisível.

Uma cidade isolada se tornava vulnerável. Instintos se exaltavam. Pactos se rompiam.

E, sem Rotas, não havia união.

Sem união…

Não havia Canção sustentada.

O sol já não parecia tão quente sobre suas peles.

Ao longe, o céu começou a assumir um tom estranho — não mais dourado, mas levemente opaco, como se uma camada fina tivesse sido colocada entre o mundo e a luz.

“Isso não é ataque direto,” Nym disse, tentando organizar os pensamentos. “É teste. Ele está medindo reação.”

“Ele?”

A palavra escapou antes que ela pudesse evitar.

Kael percebeu.

“Você já ouviu falar disso antes.”

Ela hesitou.

“Há registros antigos,” começou. “Soryn pode confirmar. Fragmentos sobre um… Afinador.”

Kael não gostou do termo.

“Lenda.”

“Talvez.”

Mas a nota que ouvira no silêncio absoluto não era lenda.

Era real.

E tinha intenção.

O vento voltou a soprar, mais forte, levantando poeira.

Nym ergueu o olhar para o horizonte novamente.

Por um instante, jurou ver uma silhueta distante sobre uma das colinas mais altas — imóvel, observando.

Mas quando piscou, não havia nada.

Ou talvez nunca tivesse havido.

“Precisamos voltar,” Kael decidiu. “Se uma Rota caiu, o Conselho deve saber.”

Ela concordou.

Mas algo dentro dela resistia à retirada.

Porque sentia que o corte não era apenas externo.

A Canção dentro dela — aquela que sempre ouvira desde criança — também estava diferente.

Mais aguda.

Mais alerta.

Como se tivesse sido chamada.

Eles iniciaram o caminho de volta.

A cada passo, Nym sentia microvariações no tecido invisível do mundo. Pequenas tensões, como fios prestes a romper.

Ao se aproximarem das muralhas, perceberam que não eram os únicos que haviam sentido.

Liberi pairavam inquietos sobre torres de vigia. Vulpo observavam das sombras com olhos calculistas. Até Caprinae próximos às portas demonstravam nervosismo contido.

A cidade inteira estava reagindo.

Quando atravessaram o portão, um murmúrio coletivo preenchia o ar.

Não era pânico.

Era antecipação.

Como se todos soubessem, instintivamente, que algo havia começado.

Nym parou no centro da praça.

Fechou os olhos mais uma vez.

A Canção estava ali.

Mas agora ela distinguia algo que antes não percebia.

Entre as notas naturais da cidade, havia uma frequência estranha.

Quase imperceptível.

Mas constante.

Observando.

Ajustando.

Ela abriu os olhos lentamente.

“Ele ainda está ouvindo,” disse.

Kael a fitou.

“Então que ouça.”

O sino da praça tocou novamente — desta vez ligeiramente fora do ritmo.

E, no eco metálico que se espalhou pelas ruas, Nym sentiu a certeza se firmar como gelo sob a pele.

A falha não era acidente.

Era anúncio.

E o mundo de Terra — feito de garras, asas, presas e escamas — acabara de ser colocado à prova.

A Canção não estava apenas enfraquecendo.

Estava sendo reescrita.

E ela… era uma das poucas capazes de perceber a diferença.

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