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Apaixonada pelo Irmão Marinheiro do Meu Namorado

Apaixonada pelo Irmão Marinheiro do Meu Namorado

Last Updated: 2026-09-29 01:41:32
Language:  Português4+
4.7
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Synopsis

Penélope Alves tem dezenove anos e um sonho que consome cada músculo do seu corpo: conquistar o papel principal da Gala da Primavera e brilhar como Odette em O Lago dos Cisnes. Ao seu lado, Bruno Moura é doce, familiar e fácil de amar — mas raramente está presente quando ela mais precisa.


Então Caio Moura volta para casa. Irmão mais velho de Bruno, veterano das Forças Especiais da Marinha, carregando cicatrizes de guerra, um transtorno de estresse pós-traumático e uma licença compulsória que não pediu. Frio, observador e perigoso, Caio percebe todos os perigos que Bruno se recusa a enxergar — inclusive o jeito como Penélope se diminui para caber em um relacionamento que já não a protege.


Entre ensaios exaustivos, humilhações, festas, ciúmes e uma convivência doméstica cada vez mais íntima, Penélope e Caio tentam resistir a uma atração tão intensa quanto proibida. Ele é o irmão do namorado dela. Ela é tudo o que ele jurou nunca desejar. Mas, quando o mundo ameaça desabar, talvez só ex


Chapter1

Aos dezenove anos, Penélope Alves está disposta a suportar exaustão, lesões, pressão escolar e humilhações para conquistar seu lugar na Gala da Primavera, uma produção de O Lago dos Cisnes. Enquanto se prepara para a audição que pode realizar seu sonho de interpretar Odette, ela começa a perceber que Bruno Moura, seu namorado, oferece carinho e familiaridade, mas raramente lhe dá o apoio e a proteção de que precisa.


Essa diferença se torna impossível de ignorar com o retorno de Caio Moura, irmão mais velho de Bruno, após três anos servindo nas Forças Especiais da Marinha. Marcado pela guerra, pelo transtorno de estresse pós-traumático e por uma missão devastadora que lhe rendeu licença compulsória, Caio é reservado e vigilante, mas sempre percebe os perigos que Bruno não consegue enxergar. Entre ensaios intensos, ameaças, festas, ciúmes e uma convivência doméstica cada vez mais íntima, Penélope e Caio precisam resistir a uma atração tão intensa quanto proibida.


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Capítulo 1


As luzes do estúdio zumbem no alto, frias e cortantes, como tudo o mais neste lugar. Os espelhos que cobrem as paredes captam cada falha, cada lampejo de dúvida, cada passo que pousa meio segundo tarde demais. Já estou suando; a nuca está úmida, e minhas mãos, pegajosas dentro do cetim cor-de-rosa das sapatilhas de ponta.


Lanço-me no jeté e aterriso errado.


Não de um jeito desastroso. Mas o bastante.


— De novo — diz a Professora Helena Portinari, com a voz tão afiada quanto o toque da bengala no chão.


Volto à posição num estalo. Meu coração já bate rápido demais. Sinto cada par de olhos na sala se virar para mim — olhares discretos, sorrisos de canto, aquele jeito de observar quando outra pessoa está sangrando e você só agradece por não ser consigo.


Tento outra vez.


E erro outra vez.


Por pouco. Um tropeço na aterrissagem. Uma fração de batida atrás da música. Um erro que ninguém perceberia — exceto a Professora Helena Portinari.


O piano para com um som agudo e dissonante quando ela gira sobre os calcanhares.


— Penélope Alves. — O tom dela carrega cansaço. — Você é nova aqui?


Uno os calcanhares, ergo o queixo e mantenho os ombros alinhados.


— Não, professora.


— Está machucada?


— Não, professora.


— Então deve estar preguiçosa. — Ela estala a língua. — Que decepcionante.


O silêncio se alonga. Meus ouvidos zumbem com o esforço de manter a respiração baixa.


— Ensino você há três anos — diz ela, caminhando devagar diante dos espelhos, enquanto o reflexo a acompanha como um fantasma. — Três anos. Você tinha o quê, dezesseis quando chegou aqui? E agora, aos dezenove, ainda está aqui, com sorte de continuar neste estúdio. É a garota mais jovem desta turma, quatro anos inteiros abaixo das outras. Entende como isso é raro? A sorte que tem de sequer dançar nesta sala?


— Sim, professora.


— Então por que está desperdiçando essa oportunidade? — A voz se eleva, não no volume, mas na aspereza. — Você dança desde os dois anos. Dezessete anos de treinamento, e ainda aterrissa como se não entendesse o que é gravidade. As audições para a Gala da Primavera são na próxima semana, e você está dançando como se já tivesse perdido.


Minha garganta se fecha. Sinto a coluna prestes a partir de tanto esforço para me manter ereta.


— Quer o solo? — pergunta ela. — Então comporte-se como alguém que merece recebê-lo. Caso contrário, vou entregá-lo a uma pessoa com metade do seu talento e o dobro da sua disciplina.


Um silêncio comprido se instala. Ela se volta para o pianista.


— Cinco minutos de intervalo. Todas vocês. Penélope, sente-se.


Desabo no chão e pressiono as palmas contra o marley frio para esconder o tremor das mãos.


Mila Rodrigues se senta ao meu lado um segundo depois, com os joelhos encostados no peito e a voz baixa.


— O que foi isso?


Não olho para ela. Fico encarando o espelho, onde meu rosto parece pálido e tenso demais.


— Você não erra esse passo — diz ela. — Nunca. Você fez isso dormindo naquela noite em que passamos a noite no estúdio, no semestre passado. O que está acontecendo?


Solto o ar devagar, sob controle.


— O Bruno esqueceu de me buscar depois da aula.


Ela pisca.


— O Bruno?


Faço que sim.


— Esperei uns vinte minutos, mas ele estava ajudando uma garota a estudar e esqueceu. Tive que correr seis quarteirões e me trocar no corredor só para chegar aqui a tempo.


A boca de Mila se contorce.


— Isso foi o quê, a quarta vez?


— A quinta.


Ela não diz para eu terminar com ele, mas a resposta está estampada no rosto.


— Ele pediu desculpas — acrescento, embora nem eu saiba por quê. — Só... se distraiu.


— Se distraiu? — Mila repete. — Na semana das audições para a Gala?


Nego com a cabeça e puxo os joelhos contra o peito.


— Está tudo bem. Eu só estou desconcentrada. Vou corrigir isso.


Por um instante, ela não diz nada. Depois, encosta o ombro no meu.


— É bom mesmo. A Amanda Peixoto já está ensaiando mentalmente o discurso de agradecimento.


Solto um gemido e rio baixinho.


Mas o aperto no peito não diminui.


Quando a Professora Helena Portinari volta ao estúdio, nem sequer olha para mim. Apenas diz:


— Do começo.


Levanto-me.


Volto a encarar o espelho e, por um momento, apenas respiro. Vejo meu próprio rosto — as linhas marcadas das maçãs do rosto, a tensão no maxilar, o músculo tremendo sob o tecido claro do collant.


Eu conheço essa dança. Vivi dentro dela.


Ela é minha.


A música começa.


Eu me movo.


Tudo desaparece: a turma, a dor nas costas, a ardência das palavras da professora. Minhas pernas se estendem com precisão; os braços recortam o ar como se atravessassem água. A coluna se alonga, o centro do corpo permanece firme, e os dedos, suaves e vivos. Sinto a música correr por cada centímetro de mim.


Giro. Aterriso. Respiro através do movimento.


Jeté. Pirueta. Relevé.


Perfeito.


Minha sombra se estende ao lado no espelho, precisa e nítida, mas não olho para ela. Estou dentro do movimento. Não torço para que esteja certo — eu sei que está. Cada contagem. Cada movimento do pulso. Meu rosto permanece imóvel, indecifrável. Por dentro, porém, estou em chamas.


O movimento final me conduz ao centro: desço devagar, deliberadamente, do arabesque até a posição final. Paro equilibrada. Segura. Leve.


Solto o ar.


E então... silêncio.


A Professora Helena Portinari está à beira da sala, impossível de decifrar.


Espero alguma coisa — uma crítica, uma correção, até mais silêncio.


Em vez disso, ela faz um único aceno breve e contido com a cabeça.


Só isso.


Não há aplausos. Nenhum elogio. Ainda assim, sinto aquilo como um trovão.


Meu peito se aquece, e um sorriso rasga meu rosto antes que eu consiga impedi-lo.


Aquele aceno quer dizer que consegui. Quer dizer que foi o bastante.


Sento-me outra vez, mais devagar agora, com a adrenalina ainda pulsando nos braços e nas pernas.


Mila sorri para mim.


— Está bem. Isso foi assustadoramente bom.


— Foi? — pergunto, fingindo beber água, embora minhas mãos ainda tremam um pouco.


— Você parecia outra pessoa. Como... alguém saído de um filme. Arrasou.


Abro um sorriso maior.


— Eu sei.


Não é arrogância. Nem sequer é alívio.


É algo mais silencioso.


Algo conquistado.


Por alguns segundos, não penso no Bruno, nem nos meus dezenove anos, nem no quanto precisei correr para chegar até aqui. Só penso na última nota da música e em como a alcancei com o corpo inteiro ainda vibrando.


Não preciso de elogios.


Não preciso de aplausos.


Só preciso da dança.


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