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A Esposa Secreta do Bilionário Mais Temido

A Esposa Secreta do Bilionário Mais Temido

Last Updated: 2026-09-08 10:01:00
By: W1ther
Ongoing
Language:  Português0+
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Synopsis

Após descobrir a traição de Rodrigo Reboredo e romper o casamento sem hesitar, a atriz Clara Costa acaba se envolvendo em uma noite turbulenta com Daniel Delgado, líder absoluto do prestigioso Grupo Delgado e tio de seu ex-marido. Quando uma armadilha armada pela família Reboredo leva sua mãe à prisão, Clara aceita uma proposta inesperada: um casamento de conveniência em total sigilo com o implacável magnata.


Enfrentando as intrigas de Rodrigo e as armações vis de Rafaela Ramalheiro, além de desvendar a verdade por trás do suposto amor platônico de Daniel, o vínculo de aparências logo se transforma em uma paixão ardente e protetora. Enquanto ascende como estrela premiada do cinema sob o amparo incondicional de Daniel, Clara descobre que seu falso casamento sempre foi o destino mais verdadeiro de sua vida.


Chapter1

— Três anos de casada e continuo virgem. Diz lá, não sou ridícula?

Na suíte presidencial, Clara Costa, com os olhos marejados de álcool, puxou a gravata do homem à sua frente e sentou-se no colo dele.

Naquela noite, usava um vestido longo vintage de veludo preto. As ondas castanhas e volumosas do cabelo caíam-lhe pelas costas, fazendo-a lembrar a protagonista deslumbrante de um clássico do cinema de Hong Kong: entre risos e lágrimas, mesmo com a maquilhagem borrada, mantinha uma beleza magnética.

O homem, encostado ao sofá, manteve o rosto gélido do início ao fim. Sem a afastar, mas também sem corresponder, apenas a observava em silêncio enquanto ela o tocava sem pudor, entregue à embriaguez.

Ao lado, Pedro Prado, o assistente pessoal de Daniel Delgado, tremia dos pés à cabeça.

Havia saído apenas dois ou três minutos para atender uma chamada de família no corredor. Bastou esse instante para aquela mulher embriagada invadir o quarto do patrão. Quando Pedro regressou, ela já tinha levantado o vestido e estava sentada no colo do chefe.

Afinal de contas, quem tinha a audácia de se sentar no colo de uma figura tão intimidadora?

Pedro preparava-se para a expulsar, mas um simples olhar de Daniel deteve-o de imediato.

O ambiente na suíte presidencial tornou-se estranhamente pesado.

Sem reparar na presença do assistente, a jovem encostou o rosto ao ombro de Daniel e continuou o desabafo:

— O meu ex-marido disse que as mulheres do mundo do espetáculo são sujas, que tinha medo de apanhar alguma doença se dormisse comigo... Como é que ele foi capaz de pensar isso de mim? Entrei na representação aos dezoito anos e conquistei tudo a pulso. Nunca usei o meu corpo para conseguir trabalho nenhum... Nunca, de verdade...

— Ex-marido? — O olhar frio de Daniel revelou uma leve hesitação. — Estão divorciados?

— Claro que sim! Aquele canalha traiu-me durante o casamento, foi para a cama com a ex-namorada. Ele pode não ter princípios, mas eu tenho! Se não estivesse divorciada, achas que vinha para um hotel contigo? — Apontou com um gesto desajeitado para a bolsa. — A certidão de divórcio ainda cheira a tinta fresca. Se não confias, podes confirmar antes de irmos para a cama!

Pedro mal se atrevia a respirar.

O que significava aquilo?

O chefe conhecia aquela mulher?

E ela pretendia mesmo ir para a cama com ele?

Devia permanecer ali ou sair de imediato?

Perante a hesitação do assistente, Daniel ergueu a mão e apontou os dedos compridos na direção da porta.

Recado entendido: podia retirar-se.

Pedro saiu com a máxima discrição, tendo o cuidado de fechar bem a porta atrás de si.

Apenas Daniel e Clara ficaram no quarto.

Ele ajeitou a gravata que ela tinha amarrotado e fitou-a com um olhar profundo:

— Queres dormir comigo?

— Não é esse o teu trabalho?

Clara já tinha a mente nublada pelo álcool, mas lembrava-se perfeitamente da promessa da amiga Stella Osório no bar: reservar-lhe uma suíte presidencial e contratar um rapaz jovem e atraente para celebrar o divórcio e quebrar o jejum.

Julgara que era brincadeira, mas parecia que Stella tinha mesmo cumprido.

Havia que reconhecer o bom gosto da amiga: o homem diante de si tinha traços marcantes, feições impecáveis e um porte atlético invejável. As pernas eram compridas e, quando se encostara a ele, conseguira sentir a firmeza dos músculos através da camisa.

Além disso, vestia-se a preceito para o trabalho, interpretando o papel de empresário inacessível com total rigor.

Clara lembrou-se do ex-marido, Rodrigo Reboredo. Sempre achara que Rodrigo era o homem a quem o fato melhor assentava, mas em comparação com quem tinha à frente, o ex-marido não passava de uma figura banal.

— O meu trabalho é dormir com pessoas? — Daniel esboçou um sorriso irónico. — E quanto pagaste por isso?

— Não sei, foi a minha amiga que pagou. Disse que era para comemorar o meu divórcio.

De tanto falar, ficou com a garganta seca. Tentou alcançar o copo de água na mesinha de apoio, mas não conseguiu.

Daniel pegou no copo e levou-lho aos lábios.

Com o pescoço erguido, Clara bebeu a água com avidez, como uma corça sedenta, passando depois a língua pelos lábios, num misto de inocência e sedução.

— Obrigada. És muito atencioso.

Achegou-se ainda mais ao peito dele. O corpo macio pressionou-o, despertando um calor perigoso que ameaçava o controlo do homem.

Daniel tocou nas contas de sândalo no pulso, tentando conter o ímpeto, mas o desejo acabou por superar a razão.

Se conseguisse resistir naquela situação, deixaria de ser homem.

Levantou-se, tomou Clara nos braços, pousou-a na cama, desfez a gravata e inclinou-se sobre ela.

— Clara Costa, quem tem a coragem de pôr um ponto final merece um recomeço. A tua amiga tem razão, esta noite é mesmo para celebrar.

Sem lhe dar tempo para reagir, Daniel beijou-a com intensidade avassaladora, aprofundando o contacto e envolvendo-a por completo.

A noite desdobrou-se numa paixão sem tréguas.

Ao acordar, Clara sentia o corpo dorido, como se tivesse sido desmontado peça por peça.

A entrega da véspera funcionara como um anestésico temporário para esquecer o casamento fracassado e a humilhação provocada por Rodrigo. Contudo, dissipados o álcool e o torpor, o vazio do término regressava com toda a força.

Fugir da realidade através do excesso de nada servia.

Do quarto de banho vinha o ruído da água a correr. Por detrás do vidro fosco, distinguia-se a silhueta alta do homem.

Fragmentos da noite anterior invadiram a memória de Clara.

O rapaz que Stella contratara revelara-se excecional. A experiência superara todas as expectativas: temera que a sua primeira vez fosse dolorosa, mas a paciência e a ternura dele dissiparam os receios, proporcionando-lhe sensações intensas.

Se tivesse de avaliar o serviço, daria a pontuação máxima.

No entanto, com a luz do dia e a sobriedade recuperada, a perspetiva de encarar o parceiro da véspera deixava-a profundamente constrangida.

Decidiu escapar enquanto ele ainda estava no banho.

Com cautela, afastou os lençóis, vestiu o vestido, calçou os saltos altos e caminhou na ponta dos pés até à porta. No momento em que pousou a mão no puxador, uma voz grave soou atrás de si:

— Vais-te embora sem dizer nada depois de te deitares comigo? Onde estão as tuas maneiras?

Clara gelou.

Atrasara-se um segundo a mais e fora apanhada.

— Bem, tenho compromissos urgentes e preciso de ir. O serviço de ontem foi excelente, muito obrigada. — De costas voltadas, fez um elogio rápido ao desempenho dele e tentou abrir a porta.

— Espera — ordenou o homem. — Não te viras para ver quem sou?

— Foi apenas um encontro de uma noite, não vejo necessidade de nos conhecermos.

Ao terminar a frase, abriu a porta.

Mal a folha se moveu alguns centímetros, o homem aproximou-se com passos largos e, com um braço firme, empurrou a porta, fechando-a com estrondo.

— Um encontro de uma noite? — Segurou o queixo de Clara, obrigando-a a encará-lo, e disse calmamente: — Talvez seja mais do que isso.

Impedida de sair repetidamente, Clara começou a perder a paciência.

— O que é isto? Agora queres agarrar-te a... — Ao erguer o olhar e focar o rosto encostado à porta, o coração quase lhe parou.

Onde estava o jovem recém-licenciado em dificuldades financeiras?

Como era possível ser Daniel Delgado?

Dormira com Daniel Delgado?

Ele era o tio de Rodrigo Reboredo!

Acabara de se divorciar de Rodrigo e fora logo para a cama com o tio dele? Que pesadelo era aquele?

E o pior de tudo: Daniel Delgado não era um homem qualquer.

Em Jincheng, aquele nome era sinónimo de poder supremo e de perigo absoluto.

Clara vira-o algumas vezes em reuniões de família. Embora fosse apenas seis anos mais velho que Rodrigo, corria o rumor de que a sua ascensão à liderança do Grupo Delgado fora implacável, semeando o caos na empresa e levando até à ruína do próprio irmão mais velho.

A família Delgado temia-o como a um juiz implacável, e a família Reboredo mantinha um respeito temeroso por ele.

Clara só lhe dirigira a palavra no dia do seu próprio casamento, quando Rodrigo a instou a cumprimentar o tio. A partir desse dia, o ex-marido avisou-a vezes sem conta para manter distância e nunca o provocar.

Agora, além de o provocar, tinha-se deitado com ele!

O que faria agora?

— Senhor Delgado, eu...

— Sim? — Daniel franziu a testa, num tom de leve desagrado, e deu um passo em frente.

Recém-saído do banho, tinha apenas uma toalha enrolada à cintura. As gotas de água escorriam-lhe pelo peito bronzeado, realçando os músculos definidos.

Clara baixou o olhar, sem coragem para o encarar.

— Porque baixas a cabeça? Onde ficou a audácia de ontem à noite?

— Senhor Delgado, peço desculpa. Estava embriagada... Devo ter entrado no quarto errado. Lamento muito, não devia ter-me desrespeitado desta forma.

— Desrespeitado? — Daniel segurou a mão dela e guiou-lhe os dedos pelo peitoral até à linha da cintura, coberta de arranhões nítidos. — Senhora Costa, acha que isto é apenas falta de respeito?

Ao ver as marcas no corpo dele, Clara custou a acreditar que fora ela a autora daquelas provas.

O rubor subiu-lhe instantaneamente ao rosto.

O álcool era mesmo uma armadilha perigosa. Arrependia-se amargamente de ter bebido para afogar as mágoas do divórcio.

— Desculpe, perdi o controlo por causa da bebida.

— Não aceito um simples pedido de desculpas para ferimentos deste calibre — afirmou Daniel.

Ferimentos graves? Já estavam praticamente a cicatrizar!

Além disso, a culpa não podia ser toda dela; se ele não tivesse mudado de posição tantas vezes durante a noite, ela não o teria arranhado assim.

— Senhor Delgado, isso mal conta como ferimento.

— Quer dizer que pretende fugir à responsabilidade?

— Não, de todo. Não foi isso que eu quis dizer. — Atingida pelo pânico e pela confusão perante uma figura tão influente, Clara perguntou com cautela: — Como prefere resolver a situação?

— Se eu disser, aceita?

— Se estiver ao meu alcance, sim.

— Muito bem. Então vamos casar.

— O quê? — Esquecendo o receio, Clara ergueu a voz.

— Ouviu perfeitamente.

— Casar? Enlouqueceu?

Casar por causa de uma noite acidental?

Seria Daniel Delgado assim tão tradicional?

— Não enlouqueci. Estou a falar muito a sério — declarou ele.

Clara ficou perplexa. Imaginara que, sendo um homem rico e poderoso, ele não usaria a situação para chantagens mesquinhas. Além disso, embora ela tivesse entrado no quarto errado, tudo o que se seguiu fora consentido e ele não saíra a perder. Nunca esperou uma exigência tão absurda.

— Senhor Delgado, o casamento não é uma brincadeira — tentou argumentar com paciência. — A noite passada foi apenas um mal-entendido.

— Dormiu comigo e não assume a responsabilidade?

— Eu... reconheço o erro de ter entrado no quarto errado. Mas estávamos os dois envolvidos, o ambiente levou a isso. Sendo franca, será que só eu aproveitei e o senhor não sentiu nada? — Clara reuniu coragem para ripostar.

— Na verdade, não — respondeu ele com toda a seriedade. — Ontem, preocupei-me apenas em dar-lhe prazer.

Como fora a primeira vez dela, tivera o cuidado de respeitar todos os seus limites. Por várias vezes esteve perto do clímax, mas conteve-se perante os protestos dela.

Apesar das várias investidas, focara-se no conforto de Clara, ficando sempre a meio caminho, num esforço penoso de contenção.

O rosto de Clara ardeu de vergonha.

— Mesmo assim, duas pessoas não se casam precipitadamente por causa de uma noite. Onde está a responsabilidade nisso? E não se esqueça de que sou a ex-mulher de Rodrigo.

— Não me importo com o facto de já ter sido casada.

— A questão não é essa! O senhor é tio do Rodrigo. Não quero ter qualquer ligação com ninguém da família dele, nem tenciono voltar a casar.

Os três anos que passara naquele casamento deixaram-na desiludida com a vida a dois. Não pretendia sair de uma armadilha para cair noutra.

— Eu não sou o Rodrigo. — Daniel inclinou-se e murmurou-lhe ao ouvido: — Pode experimentar casar comigo. Não se vai arrepender.

A presença masculina e envolvente dominou os sentidos de Clara.

Ficou paralisada por alguns segundos até conseguir afastar o homem com firmeza.

— Lamento, senhor Delgado, mas não posso aceitar essa proposta. Talvez possa propor outra solução.

— Não se precipite na recusa. Dou-lhe tempo para pensar. — O tom dele era calmo, mas carregado de uma determinação inabalável.

— Não preciso de pensar. Casamento está fora de questão.

Daniel agiu como se não tivesse ouvido. Tirou um cartão de visita de estilo tradicional, colocou-lho na mão e apontou para o número de telefone:

— Quando mudar de ideias, ligue-me a qualquer hora. Fico à sua espera.

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