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Sangue de Raposa, Destino de Dragão: o Daoista que Desafiou os Deuses

Sangue de Raposa, Destino de Dragão: o Daoista que Desafiou os Deuses

Last Updated: 2026-09-08 03:56:46
By: W1ther
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Language:  Português0+
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Synopsis

Num vasto mundo onde a ortodoxia do Daoismo oriental converge com a magia dos Dragões Ocidentais, entidades divinas e linhagens místicas, Zhang Qingzhu é um jovem daoista transmigrador que carrega o sangue mestiço de humano e raposa espiritual. Após abater um feroz Dragão Selvagem ao lado de seu mestre Hongyuan e assimilar um Coração de Dragão junto ao terrível Poder do Tigre Branco, o jovem inicia uma árdua jornada de cultivo para transcender as amarras do Qi Yin e a antiga maldição de linhagem imposta por Zhao Fangtian, dominando o Caminho da Meia Vida, o Punho dos Cinco Passos e o Trovão Ortodoxo dos Três Céus dos Cinco Qi do Coração.


Quando o misterioso Alinhamento das Três Luas ilumina os céus, o Culto da Lua ascende em busca da Coroa Real perdida e as ruínas suspensas do Portão do Sul Celestial e da Cidade Antiga de Zhang Jiuling emergem sobre o Monte Longhu. Em resposta, a Mansão do Mestre Celestial abre seus portões para a brutal Batalha da Sucessão do Mestre Celestial do Monte Longhu e o rito de Investidura de Registos. Cercado por facções colossais — desde as hostes dos Dragões Ocidentais, santas da Igreja da Luz, o Círculo das Bruxas, nobres do Clã de Sangue até as fileiras de elite do Exército Imperial da Grande Dinastia Celestial Zhou e onmyojis da Terra dos Quatro Reinos —, Zhang Qingzhu precisará de astúcia, artes marciais arcanas e alianças improváveis para triunfar sobre as sombras dos deuses e desvendar os segredos supremos do Céu e da Terra.


Chapter1

O trovão rugiu ao longe, fazendo ecoar estrondos pelo horizonte distante. Nuvens negras revolviam-se no céu enquanto um vento lúgubre uivava, rasgado por relâmpagos que desciam como serpentes elétricas incandescentes. Sobre a terra, pairavam apenas a penumbra e um silêncio sepulcral.

Um jovem que aparentava cerca de doze ou treze anos virou-se para o idoso daoista, baixo e gordo, ao seu lado:

— Mestre, está a escurecer. O Dragão do Trovão ainda vem?

— Vem. É com este tempo que o Dragão do Trovão mais gosta de aparecer.

O velho daoista nem sequer se virou. Continuava concentrado a manusear tiras de papel amarelo diante de si: organizava-as em fios, pilhas e maços sucessivos.

Mal as palavras calaram, um rugido descomunal ecoou na distância, rompendo a calmaria e propagando-se pelas profundezas daquela floresta virgem.

— Aaarrgh!

O bramido monstruoso elevava-se em vagas sucessivas, ensurdecedor à medida que se aproximava.

Um ponto negro surgiu no horizonte distante, agigantando-se a um ritmo assombroso até quase alcançar a vista. Ao testemunhar a besta colossal a avançar a toda a velocidade, Zhang Qingzhu sentiu um arrepio de assombro. Que criatura formidável.

Imponente, altiva e livre, transbordava uma fúria selvagem e desmedida.

Um dragão. Um dragão vivo, saído das lendas e dos mitos ancestrais. Ainda que pertencesse apenas à estirpe dos Dragões Ocidentais, era o suficiente para encher de espanto a mente de um transmigrador como Zhang Qingzhu.

Dizia-se que os Dragões Ocidentais podiam viver até mil anos, dominando os céus, a terra e os mares.

Voavam nas alturas, percorriam as planícies e mergulhavam nos oceanos, reinando soberanos por todos os cantos do mundo. Só evitavam uma coisa... os humanos, por quem nutriam um desprezo e uma hostilidade indisfarçáveis. Eram misteriosos, invencíveis, cuspiam labaredas... e ocultavam-se em ermos inacessíveis, guardando com zelo os seus preciosos tesouros.

Um dragão era, de facto, aterrorizante e inspirava pavor. Contudo, aquilo que Zhang Qingzhu e o mestre estavam prestes a realizar era ainda mais inacreditável, provocando um arrepio de excitação que lhe fervia no sangue.

Hoje... caçariam um dragão!

O chão tremeu sob impactos pesados. Árvores milenares e frondosas, que vários homens mal conseguiriam abraçar, foram arrancadas pela raiz ante a investida do corpo colossal. Ramos estilhaçaram-se em pedaços e troncos partiram-se pelo meio, espalhando uma chuva de folhas mortas pelo solo devastado.

— Rooaaar!

Um urro ensurdecedor rebentou no ar, varrendo a floresta com uma onda de choque que forçou as feras selvagens a rastejarem e a ganirem aterrorizadas.

A pressão acústica fez o sangue de Zhang Qingzhu ferver no peito. O corpo tremia sem controlo e os tímpanos pareciam à beira de rebentar.

Tratava-se de uma besta aterrorizante com cerca de quarenta metros de comprimento. Exibia asas membranosas imensas como as de um morcego que obscureciam a claridade, uma cabeça reptiliana monumental com um chifre solitário, quatro patas vigorosas munidas de garras afiadas, escamas grossas e uma longa cauda guarnecida de espigões. Os longos bigodes junto às mandíbulas esvoaçavam enquanto investia com fúria cega na direção deles.

Recolhera até as asas titânicas, preferindo correr com as patas traseiras possantes apenas para evitar os obstáculos da copa das árvores e manter a mira cravada naqueles dois vermes insignificantes.

— Vermes, entreguem o que trazem convosco! Há o cheiro do Clã dos Dragões nisso!

— Ora essa, que história. É só você dizer que tem e pronto? E o que ganhamos se entregarmos? — Zhang Qingzhu, diante de tal monstro, não demonstrava o menor pavor.

— Pouparei as vossas vidas miseráveis! — Irritado com a insolência, o dragão perdeu a paciência.

Zhang Qingzhu retirou da algibeira um ovo cristalino e translúcido. A casca irradiava um brilho suave que reluzia como uma lanterna no meio da escuridão crescente.

O Dragão Ocidental soltou mais um rugido cortante que fez o ar estagnar. Uma rajada de pressão e poder dracónico abateu-se sobre os dois daoistas, como se uma força invisível vinda dos céus os tentasse esmagar contra o chão.

Com fúria desmedida, o monstro vociferou contra os dois religiosos:

— Um Ovo de Dragão?! É mesmo um Ovo de Dragão?! O nosso Clã dos Dragões e o vosso Monte Longhu sempre mantiveram a paz! Como se atrevem a roubar um ovo da nossa linhagem?!

— Manter a paz? Quem foi que acabou de dizer que nos poupava a vida? Quanta arrogância... — Apesar da pouca idade, Zhang Qingzhu não recuava um milímetro diante daquela Besta Feroz.

Ao lado, o velho a quem o rapaz chamava mestre permanecia em silêncio. Observava tudo com calma, sem intervir nem conter as afrontas do discípulo à criatura.

As palavras inflamaram ainda mais o dragão:

— Humanos insolentes! Ousar roubar um Ovo de Dragão é uma profanação imperdoável! Merecem a morte, e é isso que vos concederei, vermes rastejantes!

Foi então que o ancião se pronunciou:

— Dragão do Ocidente, tens a certeza de que se trata de um Ovo de Dragão? Se tentares tomá-lo à força, este humilde daoista não ficará de braços cruzados.

— Hmph!

Convencido de que os dois eram criminosos e que qualquer palavra não passava de desculpa, o monstro não perdeu mais tempo.

Labaredas incandescentes concentraram-se na sua garganta e foram expelidas diretamente contra o velho daoista.

Aquele ancião exigia cautela. Embora nunca tivesse enfrentado ninguém do Monte Longhu, os anciãos do clã contavam que os seus feitiços eram formidáveis. Já a criança não passava de um detalhe inofensivo.

Sem qualquer pressa, o velho retirou do manto um pequeno guarda-chuva de papel. Ao contacto com o vento, o objeto expandiu-se de imediato até assumir o tamanho normal, abrigando mestre e discípulo com perfeita firmeza. Por estranho que parecesse, o frágil papel resistia incólume ao calor voraz das Chamas Dracónicas.

Ao constatar a ineficácia das chamas, o monstro desferiu um golpe impaciente com as garras afiadas. O impacto fez a terra estremecer, abrindo uma enorme cratera no solo. Contudo, não atingiu ninguém; ao focar o olhar, os dois haviam desaparecido sem deixar rasto.

Consumido pela ira, ergueu a cabeça e rugiu descontroladamente aos céus, cuspindo jatos contínuos de fogo para incinerar a mata ao redor e forçar os inimigos a revelarem-se.

No topo de uma árvore distante, Zhang Qingzhu observava a fúria cega da criatura. Intrigado, virou-se para o mestre:

— Tem algo estranho, mestre... Esse dragão não parece meio... meio tolo?

— É perfeitamente normal. Eles são assim.

— Mas os dragões não deviam ser poderosos? Uma raça de inteligência superior, capaz de dominar a Magia Dracónica, orgulhosa e aficionada por tesouros?

Zhang Qingzhu continuava desconfiado. Aquilo destoava por completo das lendas da sua vida passada e dos registos preservados nas bibliotecas do Monte Longhu. Atacar ao menor desacordo ainda podia ser justificado pelo orgulho arrogante de quem despreza os humanos; mas o facto de não ter reparado quando o mestre utilizou o Talismã da Invisibilidade e o Talismã da Passada Divina para se distanciarem beirava a pura estupidez. Haveria algo por trás?

Satisfeito com o rumo das coisas, o velho daoista respondeu com um riso brando:

— Tens razão. O Clã dos Dragões é formidável e detém uma inteligência elevada, figurando no topo de todas as raças deste mundo. No entanto, este não passa de um Dragão Selvagem. É grande e possui asas, pelo que se enquadra na categoria de Dragão Ocidental. Mas os dragões dividem-se em diferentes estirpes: se o que estivesse aqui fosse um Dragão Desolado, já teríamos fugido para salvar a pele há muito tempo. Apenas os Dragões Desolados e as classes superiores a eles merecem o título de verdadeiros dragões.

— Mestre, quão forte é um Dragão Desolado?

Zhang Qingzhu demonstrava um brilho de fascínio nos olhos.

O velho olhou para o discípulo e abanou a cabeça:

— Um Dragão Selvagem já é formidável o bastante. Embora a sua Magia Dracónica ainda seja instável, basta-lhe o fogo inato, as garras afiadas e um par de asas capazes de alcançar dezenas de milhares de metros de altitude para que poucos consigam fazer-lhe frente.

Olhando de relance para o céu, o mestre acrescentou:

— Se hoje ficaste com uma má impressão dele, há uma explicação. O clima de trovoada e tempestade que se avizinha é exatamente o ambiente que mais o atrai, por corresponder aos seus atributos elementares. Essa influência externa agita-lhe a mente e o poder interior, tornando-o descontrolado e cego pela raiva. Se estivesse mais lúcido, teríamos sérios problemas pela frente.

Ao notar o bom humor do mestre, Zhang Qingzhu decidiu aproveitar para extrair mais conhecimento; habitualmente, aquele velho mantinha a boca trancada a sete chaves sobre qualquer assunto relevante.

— Mestre, li nos registos da seita que algumas linhagens dos Dragões Ocidentais são minúsculas ao nascer e, mesmo adultas, não passam do tamanho de um cão. Que tipo de poder pode ter uma criatura assim? Enquadram-se naquilo que chama de verdadeiros dragões?

— Certamente. Não se deve julgar pelas aparências, e isso aplica-se igualmente aos dragões. Quer no oriente quer no ocidente, todas as linhagens dracónicas partilham uma obsessão pelo sangue ancestral, embora a sua natureza lasciva tenha gerado uma história genealógica vasta e intrincada. A classificação dos dragões tornou-se até um ramo de estudo próprio. No caso específico dos Dragões Ocidentais, por norma, quanto maior o porte, maior a força. Contudo, há sempre exceções que desafiam as noções humanas: não podem ser medidos pelos padrões comuns e, com frequência, quanto menores são, mais aterrorizantes e extraordinários se revelam. Chamam-se espécies anómalas.

— Hum... Qingzinho, conseguiste entender?

Zhang Qingzhu revirou os olhos sem responder.

Com uma inteligência como a sua, como não entenderia? O que soava estranho era ouvir termos como genealogia e noções humanas saindo da boca de um velho daoista.

Ao contemplar a careta expressiva do garoto, o velho compreendeu que a mensagem fora assimilada por completo. Por dentro, não pôde deixar de admirar a inteligência daquela criança, que tinha apenas oito anos.

Ao longe, o Dragão Ocidental entrou em frenesim absoluto. O corpo descomunal pairava no ar com as asas membranosas abertas na totalidade, rugindo furiosamente enquanto contemplava a devastação abaixo. O solo fora transformado num caos de crateras e fissuras que se ramificavam como teias de aranha; o ar recendia a enxofre e a folhagem outrora luxuriante ardera por completo. As chamas rastejavam como serpentes de fogo, ganhando volume a cada instante até formarem um maremoto rubro que ameaçava engolir toda a vida à sua frente.

Zhang Qingzhu ergueu os olhos para o firmamento: nuvens negras fervilhavam nas alturas, recortadas por clarões e trovões estrondosos que evocavam o fim do mundo. Ainda assim, nem uma única gota de chuva caía.

O fogo alastrava depressa e as Chamas Dracónicas não se extinguiriam com facilidade. Se o tumulto continuasse a crescer, as consequências seriam desastrosas. Precisavam de resolver aquilo de imediato.

— Mestre, podemos avançar? — indagou Zhang Qingzhu, virando-se para o idoso.

— Sim.

O velho daoista deu um passo largo à frente e, num instante, surgiu no ar a curta distância do monstro. Sustentando-se no vazio com ar solene e vagamente provocador, proclamou:

— Nobre criatura, o Céu preza a preservação da vida. Cessa este massacre sem sentido. Este humilde daoista aceita enfrentar-te.

Para surpresa geral, o Dragão Ocidental não atacou logo com fúria mortal. A sua carcaça titânica permaneceu suspensa no ar; as duas asas abriram-se ao máximo como velas enfunadas pelo vento, bloqueando a pouca luz existente e projetando uma sombra densa que até fazia o seu corpo maciço parecer esguio em comparação.

Nas pontas das asas começaram a crepitar faíscas elétricas que desceram em direção ao tronco e aos membros, envolvendo a criatura num turbilhão de relâmpagos azulados.

Num movimento brusco, o dragão ergueu a cabeça e fitou o velho com olhos gélidos, embora no fundo das pupilas ardesse uma chama escarlate inextinguível.

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