Synopsis
Natália Nóbrega, uma órfã que sacrificou tudo pelos sonhos do namorado, descobre da forma mais brutal que seu amor era apenas um degrau para a ambição dele. Traída e entregue a criminosos por Artur Almeida, ela escapa da morte por um fio, sendo resgatada pelo enigmático Vicente Valadares, o poderoso CEO do Grupo Magnum. O que parecia ser um encontro fortuito revela-se o início de um jogo perigoso de desejo e vingança.
Cinco anos depois, Natália retorna sob o codinome 'Jade', a guarda-costas mais temida da Agência Século. O destino a coloca novamente frente a frente com Vicente, mas agora ela não é mais a jovem indefesa. Enquanto protege o homem que a salvou de conspirações corporativas e assassinos profissionais, Natália desenterra segredos sobre sua própria origem e uma gravidez perdida. Em um mundo onde a lealdade tem preço e o passado nunca dorme, ela terá que decidir se o amor de Vicente é sua redenção ou sua ruína definitiva.
Chapter1
— Natália, venha. Beba mais um copo. Hoje é mesmo um dia de comemoração!
Na boate luxuosa, Natália Nóbrega estava sentada entre vários homens. Sobre a mesa havia uma porção de garrafas já abertas, ainda intocadas. O homem ao seu lado insistia, solícito demais, para que ela bebesse. Ela já sentia a embriaguez tomar conta do corpo, mas ele continuava a lhe estender um copo, decidido a fazê-la beber mais.
As luzes coloridas incidiam sobre seu rosto, dificultando até que mantivesse os olhos abertos. Música agitada, risadas e vozes altas se misturavam no ar. Embora o lugar fosse luxuoso e extravagante, continuava sendo apenas uma boate.
Natália nunca estivera em um lugar daqueles. Artur Almeida a levara até lá porque insistira muito. Ele dissera que conhecera um empresário disposto a financiar seus estudos no exterior e que se encontraria com ele naquela noite. Pediu que ela o acompanhasse, alegando estar nervoso demais para ir sozinho.
Artur e Natália vinham do interior e de famílias sem recursos. Chegar à universidade já fora uma conquista. Artur sempre sonhara em estudar fora do país, mas seus pais não tinham como pagar por isso. Natália era órfã e não tinha ninguém com quem contar; para os dois, o valor de uma bolsa no exterior era uma fortuna. Quando Artur disse que encontrara uma oportunidade e pediu que ela o acompanhasse para conhecer o empresário, ela não recusou.
Mas, desde que chegaram, o tal empresário não parava de lhe oferecer bebida. Para que Artur conseguisse o patrocínio, Natália suportou o quanto pôde. Como quase não bebia, já sentiu tontura no segundo copo. No terceiro, só queria vomitar.
— Com licença, preciso ir ao banheiro.
Com um sorriso forçado, ela se desculpou com o empresário e correu para o toalete, onde vomitou sem parar.
Não sabia se a bebida era forte demais ou se alguém tinha colocado algo em seu copo. Depois de vomitar, porém, sentiu-se ainda pior. As pernas pareciam flutuar, a cabeça girava, e um sono pesado a dominava.
— Aquela garota é bem bonita. Que tal a gente aproveitar primeiro... e só depois acabar com ela?
Quando estava prestes a sair, Natália viu dois homens escondidos num canto do banheiro, conversando em voz baixa. Um deles fez um gesto obsceno e, em seguida, passou o dedo pelo pescoço.
Pareciam homens pagos para matar alguém. Natália não quis se envolver e tentou sair, mas a frase seguinte a fez parar.
— Como ela se chama mesmo? Natália Nóbrega, não é? Ela até que é bonita. Você já escolheu o lugar? Depois é só fazer como combinamos.
Natália Nóbrega? Ao ouvir o próprio nome, ela deu um passo para trás, de boca aberta. Seria ela? Logo tentou afastar a ideia. Não tinha poder, dinheiro nem inimigos influentes. Não havia motivo para alguém querer matá-la.
Mas, antes que conseguisse sorrir de alívio, o resto da conversa a gelou da cabeça aos pés.
— O lugar já está escolhido. Só falta o chefe deixá-la bêbada para que possamos levá-la embora. — O outro homem falou e depois comentou, casualmente: — Esse Artur Almeida é mesmo cruel. Como pode querer matar uma namorada tão bonita?
— E beleza vale mais do que dinheiro?
Enquanto os dois continuavam a conversar, Natália ficou paralisada.
Era Artur. Se não tivesse escutado com os próprios ouvidos, jamais acreditaria que aquilo fosse verdade.
— Já deve estar na hora. Vamos dar uma olhada.
Os passos dos dois se aproximaram da saída. Natália recuou depressa e se escondeu no banheiro feminino.
Massageando as têmporas, ela fechou os olhos e tentou reconstruir tudo o que acontecera naquela noite.
Ela se sentira cada vez mais tonta e suspeitara que tivessem colocado alguma coisa em sua bebida. Por isso, enfiara os dedos na garganta e provocara o vômito mais uma vez. Só parou quando a garganta ficou ardendo. Enxaguou a boca, abriu a torneira com força para abafar qualquer ruído e começou a procurar uma saída.
Estava no segundo andar. A janela ficava acima da pia, a cerca de dez metros do chão. Se pulasse, talvez não morresse, mas certamente ficaria inválida.
— O que você está fazendo?
Quando Natália subiu na janela para olhar lá fora, uma funcionária entrou de repente.
Ao vê-la tão alto, a mulher perguntou o que ela fazia. Antes que Natália pudesse responder, porém, virou-se e gritou:
— Alguém quer pular pela janela!
Natália saltou depressa e, por trás, abraçou a funcionária, tapando-lhe a boca.
Por sorte, a música do lado de fora era alta demais, e ninguém pareceu ouvir o grito.
— Não grite. Tem gente lá fora querendo me matar.
Natália levou a mulher para dentro do banheiro e inventou uma história triste. A funcionária parecia bondosa e, comovida com o relato, não fez mais barulho.
— Moça, você pode me ajudar a fugir?
Ao perceber que ela tinha bom coração, Natália perdeu a vergonha e pediu ajuda.
Desta vez, porém, a funcionária recusou. Tinha medo dos homens que estavam do lado de fora.
— Você não precisa fazer nada. Basta trocar de roupa comigo.
Natália olhou para o uniforme da mulher.
Quem trabalhava em uma boate provavelmente já tinha visto todo tipo de situação estranha. Além disso, depois de ouvir o relato de Natália, a funcionária sentiu pena dela e, diante de seus pedidos, aceitou trocar de roupa.
Vestida como funcionária, Natália ganhou um pouco de coragem. Saiu rapidamente do banheiro, decidida a passar despercebida por Artur e pelos outros homens. Se conseguisse deixar a boate, estaria segura.
— Você aí! Venha servir mais bebida para o chefe!
Justamente quando passou pela mesa de Artur e dos demais, ele a chamou.
O coração de Natália apertou. Se fosse até lá, certamente seria reconhecida.
Era melhor fingir que não tinha ouvido. Mesmo que desconfiassem, ela estaria um pouco mais longe e teria mais chance de escapar. Com a cabeça baixa, continuou andando depressa em direção à saída.
— Estou mandando você vir servir bebida. Por que está correndo?
Artur ficou irritado ao ver que a suposta funcionária o ignorava e seguia para fora. Ainda assim, por se preocupar com a própria imagem diante do empresário, não disse muito. Um dos homens ao lado, porém, notou algo estranho.
— Você não acha que há alguma coisa errada com aquela mulher?
Ele pousou o copo e observou atentamente as costas de Natália.
Ao ouvir aquilo, Natália entrou em pânico. Sabendo que sua identidade fora descoberta, correu desesperadamente escada abaixo.
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