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Ele Me Reivindicou: O Gigante Motociclista Cruel

Ele Me Reivindicou: O Gigante Motociclista Cruel

Last Updated: 2026-07-27 08:35:47
Language:  Português4+
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Synopsis

Em um mundo de couro, asfalto e segredos perigosos, Maxine é uma aprendiz de mecânica que esconde uma determinação inquebrável. Após ser traída por aqueles que chamava de família, ela encontra refúgio e respeito no VaLords, um dos motoclubes mais temidos da região. Sob a proteção de Tank, o imponente vice-presidente do clube, Maxine não é apenas uma sobrevivente; ela se torna 'A Fixadora', a mente técnica e tática capaz de resolver qualquer problema.


Mas o destino reserva uma curva fechada: Maxine descobre que é a herdeira legítima de um império hoteleiro, roubada de seu berço por uma conspiração de ganância. Agora, com a força bruta do motoclube ao seu lado e uma fortuna colossal em mãos, ela deve navegar por uma guerra contra gangues rivais e familiares traidores para retomar o que é seu por direito. Em uma estrada pavimentada com vingança e lealdade, ela provará que o sangue pode ser espesso, mas a lealdade do clube é forjada em aço.


Chapter1

P.O.V. Maxine Albuquerque


— Vá para casa, você exagerou nas horas extras esta semana. Tire a noite para descansar e aproveite para dar um presente antecipado para aquele seu namorado — meu chefe praticamente me empurrou para fora da oficina, com um sorriso malicioso no rosto.


— Tá bom, tá bom, já estou indo. — Subi na minha moto e dei partida.


Aquela noite tinha tudo para ser incrível.


Hoje era o aniversário do meu namorado, e eu planejava entregar minha virgindade a ele como um presente especial. Tinha comprado uma lingerie nova, de renda preta e transparente, e me depilei, deixando apenas uma trilha em forma de seta que apontava diretamente para o presente dele.


Eu estava pronta para me entregar por inteiro, dar a ele minha primeira vez e meu coração, mergulhar de cabeça. Me sentia preparada.


Ao entrar na garagem, vi os carros da minha irmã e do meu namorado estacionados. Não fazia ideia de que ela voltaria para casa hoje. Zoey Cavassani ainda estava no último ano da faculdade, embora eu soubesse que as coisas não iam nada bem por lá. A pobre garota de ouro não estava atingindo as expectativas, não que eu me importasse com isso.


Meu agora namorado, Dan Guimarães, tinha chegado três horas adiantado; nosso encontro estava marcado para algumas horas mais tarde...


O que ele estava fazendo ali tão cedo?


Entrei pela porta dos fundos e ouvi vozes vindo do escritório de Barry Cavassani, a porta estava entreaberta. Me aproximei em silêncio e parei do lado de fora para ouvir os segredos da vez. Eles faziam isso de vez em quando, quando planejavam algo e não queriam me incluir, mas eu não entendia por que Dan e minha irmã faziam parte da reunião.


— Nós nunca planejamos que isso acontecesse — Zoey respondeu baixinho, fazendo-se de vítima, papel que ela desempenhava com maestria.


Se tivesse seguido a carreira de atriz, já teria empilhado Oscars na estante.


— Quando foi? — Barry perguntou, e eu esperei no corredor para entender do que se tratava.


— No dia de Natal. Bebemos demais daquela sua gemada especial e o clima esquentou. A festa já tinha praticamente acabado, os presentes já tinham sido abertos e a comida já tinha acabado. Estávamos todos conversando, quando Zoey disse algo, não lembro o quê... mas subimos para continuar a conversa e acabamos no quarto da Maxine. Começamos só conversando, mas antes que eu percebesse, estávamos nos beijando. As coisas ficaram intensas e acabamos na cama dela, como eu disse. Eu estava tão perdido no momento que esqueci de usar camisinha. Quando saímos do quarto, ninguém pareceu notar nossa ausência, então fingimos que nada aconteceu — Dan respondeu, e meu coração despencou ao processar que minha irmã e meu namorado tinham transado na minha cama em pleno Natal.


NA MINHA CAMA.


Eu dormi naquela cama, com o resto deles nos lençois.


Senti uma náusea súbita com o pensamento. Como puderam fazer isso comigo?


Ela tinha roubado mais um namorado meu, mas a culpa era tanto dele quanto dela. Se isso aconteceu, era porque não havia amor de verdade, pelo menos não da parte dele. Aquele desgraçado continuou fingindo, me beijando e me levando para sair como se nada tivesse acontecido.


Que canalha.


Me senti traída, suja, envergonhada e furiosa, tudo ao mesmo tempo. E se ela não tivesse engravidado e eu acabasse me casando com esse traidor nojento? O presente de casamento dela seria me contar que dormiu com ele primeiro? Eu não duvidava que ela fosse capaz de algo assim, minha irmã já tinha feito isso com outros namorados meus, no fim esse era tão cafajeste quanto os outros.


— Ele me deu o melhor presente de Natal de todos — Zoey comemorou, feliz, e eu podia imaginá-la tocando a barriga com ternura.


— Essa é uma ótima notícia. Eu sempre quis netos, e o último de quem eu esperaria um era você; você nunca mantém um relacionamento por muito tempo — disse Sheila Cavassani, soando animada com a novidade.


— E agora? — Zoey perguntou, ainda interpretando a vítima perfeita.


— Nós nos casamos? — Dan sugeriu, embora soasse mais como uma pergunta do que uma proposta.


— E a Maxine? — Zoey questionou, como se eu fosse um inconveniente que precisasse de uma solução.


Agora eles resolviam pensar em mim, mas não parecia preocupação.


— O que tem ela? O que importa agora é o meu primeiro neto, e a segurança dele vem em primeiro lugar. Ela vai ter que aceitar e pronto — Sheila cuspiu as palavras, revelando seu famoso favoritismo.


Ela sempre esteve ao lado da Zoey em tudo, mesmo quando estava errada, eles nunca me apoiaram.


— Tecnicamente, eu sou o namorado dela... — Dan começou a dizer, mas foi interrompido.


— Não é mais. Vou organizar com o dono do pub local para alugar a área do jardim e faremos uma festa de noivado neste sábado. Resolvam isso antes que a barriga comece a aparecer, e a Maxine vai mostrar o apoio dela — a voz de Barry ecoou, soando decidida.


Eu não tinha voz naquilo, não que eu quisesse continuar sendo namorada dele; Dan tinha provado não ser nada do que eu procurava em um homem.


— Ela vai ter que ir embora. Preciso do quarto dela para o berçário. Prefiro que ela nem apareça na festa de noivado. O que as pessoas que sabem que ela era a verdadeira namorada vão pensar ao ver que não é a Maxine quem está ficando noiva? — Sheila acrescentou.


Sim, essa era a minha mãe, tentando recuperar a dignidade e manter as aparências.


Eu não aguentava mais, já estava devastada o suficiente, e ouvir o apoio deles à traição estava me corroendo por dentro. Eu não queria chorar na frente deles; minhas lágrimas eram uma mistura de ódio e mágoa.


Empurrei a porta, revelando minha presença ali.


Todos os rostos se viraram em minha direção.


— Deixem-me ver se entendi bem. Você levou meu namorado para a MINHA cama, transou com ele e deixou a sujeira de vocês nos meus lençois como uma espécie de presente de Natal para mim? Imagino que tenha adorado pensar em mim dormindo na bagunça de vocês. Agora você quer o meu quarto para o bastardo que vocês criaram e eu o quê? Sou simplesmente chutada para fora de casa? Como lixo descartável? — perguntei, querendo ter certeza de que a família inteira estava de acordo com o fato de eu ser jogada fora.


— Exatamente. Vou ficar com o seu namorado, com o seu quarto e você, minha querida irmã, vai ter que se mudar — Zoey respondeu, soando como se tivesse ganhado na loteria. O rosto dela brilhava com o triunfo.



— Por mim, tudo bem. — A expressão de choque no rosto deles teria me feito rir se eu não estivesse tão anestesiada por dentro.


Afastei-me, fui para o meu quarto e enfiei o que pude numa bolsa de lona. Voltaria para buscar o resto depois, quando eles não estivessem por perto.


Meu coração estava em pedaços, não apenas por ter perdido o namorado,  por mais que aquilo doesse muito, isso tudo pelo menos serviu para me impedir de dar minha virgindade como presente a um idiota traidor. Mas doía, principalmente, porque os Cavassani apoiavam aquela farsa como se fosse a melhor notícia que tivessem recebido em tempos. Parecia que estavam tentando se livrar de mim há muito tempo e, agora, tinham conseguido de forma espetacular.


Desci as escadas e encarei cada um deles.


— Quando eu encontrar um lugar para ficar, volto para buscar o resto — cuspi as palavras, numa mistura de mágoa, raiva e derrota.


Nunca me encaixei naquela família; era a ovelha negra, então talvez devesse me tornar uma de vez. Sempre tive as melhores notas, ganhei prêmios, dei o meu melhor, mas, mesmo sendo a primeira, eu ainda era a última pra eles.


O único lugar em que consegui pensar para ir foi a casa da minha melhor amiga; teria de ser algo temporário. Jenny Lara seria legal e me deixaria dormir no seu sofá até eu encontrar um novo lar, tenho certeza disso. Subi na minha moto e parti em direção ao único santuário que tive ao longo dos anos.


Jenny me acolheu em sua casa, como eu sabia que faria, e juntas montamos uma noite de choro regada a cerveja e sorvete de baunilha com caramelo. Xingamos os Cavassani e Dan com nomes interessantes, alguns que eu nunca tinha ouvido, mas que soavam muito bem. Quanto mais bêbada eu ficava, mais criativos os insultos se tornavam.


Na manhã seguinte, ao acordar no sofá dela e me lembrar do dia anterior, percebi que nada saiu como planejado. Recuperei a compostura, tomei um banho rápido e saí para o trabalho, eram oito da manhã e ela ainda dormia quando saí. Para alguns, aquele horário seria aceitável, mas meu expediente hoje teria dez horas e eu já estava atrasada.


— Está atrasada; a noite deve ter sido melhor do que o planejado — Mike falou, num tom malicioso.


Eles tinham uma ideia do que eu estava planejando para a noite passada.


Os outros riram junto, mas apenas resmunguei algum palavrão e comecei a trabalhar.


No final do dia, Mike me chamou ao seu escritório.


— Certo, desembuche. Os rapazes passaram o dia pisando em ovos perto de você. O que aconteceu? Ele te rejeitou? Brochou? — perguntou, com a mão no meu ombro para me manter ali, olhando-me com olhos preocupados.


Aquele homem era mais um pai para mim do que meu verdadeiro pai um dia foi.


Então, contei o que aconteceu quando cheguei em casa, onde passei a noite e que agora estava procurando um lugar para morar. Senti orgulho de mim mesma; não chorei, não lamentei, nem demonstrei emoção alguma, apenas expliquei meu dilema com palavras frias e distantes. Fui clara e sucinta.


Ele disse que não comentaria nada na oficina, mas que falaria com Cameron. Eu não fazia ideia do porquê, mas não estava em condições mentais para questionar.


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