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Depois do Divorcio, o Dono do Porto Me Amou Demais

Depois do Divorcio, o Dono do Porto Me Amou Demais

Last Updated: 2026-06-15 08:37:00
Language:  Português0+
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Synopsis

Traida, humilhada e recem-divorciada, Valentina Solis entra no quarto errado e passa uma noite com Alejandro Vargas, o homem mais perigoso e desejado de Santa Catalina.


Ela queria apenas esquecer o ex-marido. Ele queria apenas controlar o caos. Mas um casamento inesperado, segredos de familia e um arquivo antigo ligam o destino dos dois de forma impossivel de ignorar.


Alejandro a protegeu tarde demais, amou do jeito errado e quase a perdeu por confundir cuidado com posse. Agora, para reconquista-la, ele precisa aprender a perguntar, esperar e reparar.


Entre paixao, escandalos, memorias roubadas e uma porta azul que guarda verdades antigas, Valentina precisa decidir se o amor dele ainda merece um amanha.


Chapter1

"Três anos de casamento, e eu ainda sou virgem. Você acha isso ridículo?"

Na suíte privativa do último andar do hotel à beira-mar, Valentina Solís, com os olhos vermelhos de embriaguez, puxou a gravata do homem à sua frente e montou no colo dele sem a menor hesitação.

Naquela noite, ela usava um vestido de veludo preto. Os cabelos ondulados caíam soltos sobre os ombros e as costas. O batom vermelho já estava borrado pelo vinho e pelas lágrimas, mas ela continuava deslumbrante, como uma flor encharcada pela noite: abatida, porém ainda perigosamente bonita.

O homem sob ela, no entanto, não se moveu.

Limitou-se a erguer os olhos e observá-la.

Olhos escuros, expressão fria, a mesma quietude ameaçadora do mar à meia-noite no porto.

Gabriel Costa, parado ao lado, mal ousava respirar.

Ele havia saído apenas para atender a uma ligação. Quando voltou, aquela mulher, tão bêbada que mal conseguia andar em linha reta, já estava sentada no colo de Alejandro Vargas.

Em Santa Catalina, ninguém ousava tocar Alejandro daquela forma.

Pelo menos, Gabriel jamais tinha visto algo assim.

Seu primeiro instinto foi tirá-la dali, mas Alejandro apenas levantou dois dedos.

Um gesto leve.

Mais do que suficiente para fazê-lo parar.

O ar do quarto tornou-se estranho, denso, quase imóvel.

Valentina sequer percebia que havia mais alguém ali. Segurando a camisa de Alejandro, ela apoiou a testa no ombro dele e continuou, com a voz arrastada pelo álcool e pela mágoa:

"Diego disse que mulheres que já estiveram diante das câmeras são sujas. Disse que, depois de me verem na tela, sabe-se lá quantos homens já me imaginaram de todas as formas... e que tocar em mim seria nojento."

Os olhos de Alejandro mudaram por um instante.

"Diego?"

"Meu ex-marido." Ela riu com amargura, como se fosse chorar no instante seguinte. "Assinei hoje. Acabou. Acabou de vez. Nem por um segundo eu quero olhar para trás."

Alejandro a encarou em silêncio antes de dizer, em voz baixa:

"Você não parece exatamente livre."

Valentina levantou a cabeça e lançou-lhe um olhar irritado.

Mesmo bêbada, seus olhos continuavam brilhantes.

"Estou falando da lei, não do meu coração." Ela apontou para o próprio peito. "Aqui dentro está tudo apodrecido."

Depois disso, soltou uma risada curta e amarga.

"Durante três anos, todo mundo pensou que eu tinha me casado com a família certa. Só eu sei que aquilo era um túmulo bonito."

Gabriel ouviu aquilo com as costas tensas.

O nome da família Álvarez não era desconhecido nas noites de Santa Catalina.

Ainda mais porque Diego Álvarez só parecia importante graças às linhas portuárias, aos hotéis e aos favores silenciosos dos Vargas.

Gabriel ainda hesitava sobre ficar ou sair quando Alejandro finalmente falou:

"Saia."

Gabriel piscou.

"Senhor?"

Alejandro nem olhou para ele.

"Feche a porta. Esta noite, ninguém esteve aqui."

Gabriel entendeu na mesma hora.

"Sim, senhor."

Quando a porta se fechou, a suíte inteira ficou reduzida a duas pessoas.

Valentina continuava sobre ele, perto o bastante para que Alejandro sentisse o perfume em seus cabelos.

Vinho, perfume, lágrimas e um leve vestígio de maresia.

Alejandro pegou o copo de água sobre a mesa de centro e o levou aos lábios dela.

"Beba."

Valentina estava realmente com sede. Bebeu dois goles apoiada na mão dele.

Depois, lambeu os lábios e sorriu de repente.

"Dessa vez a Isabela acertou em cheio."

Alejandro arqueou a sobrancelha.

"Como assim?"

"Você." Ela ergueu a mão e tocou o rosto dele com ousadia, os dedos mais atrevidos por causa do álcool. "Ela disse que arranjaria um homem bonito, elegante, alguém capaz de me fazer esquecer Diego por uma noite. E veja só... ela realmente conseguiu."

Alejandro a observou sem se explicar.

"Então você me tomou pelo presente dela?"

"E não foi?" Valentina aproximou-se ainda mais, a respiração roçando a linha do maxilar dele. "Você não está aqui para isso?"

Ela dizia aquilo com toda naturalidade, como se não tivesse a menor ideia de onde havia entrado.

Alejandro deveria tê-la expulsado.

Aquela cobertura era o seu espaço privado. Depois daquela noite ainda haveria uma reunião sobre contas do porto. Segurança, corredores, elevadores, acesso exclusivo ao andar: tudo deveria estar impecável, sem qualquer imprevisto.

Mas o imprevisto tinha vindo até ele.

Ela estava bêbada, sim, porém ainda havia algo inteiro em seus olhos, algo que se recusava a se quebrar por completo.

Como um galho fino que insiste em não ceder em meio à tempestade.

Alejandro perguntou:

"E como pretende esquecê-lo?"

O sorriso de Valentina esmoreceu.

"Arranjando um homem melhor do que ele."

"Melhor em quê?"

Ela pensou seriamente por um instante e começou a contar nos dedos.

"Mais bonito."

"Certo."

"Com um corpo melhor."

"Certo."

"E, acima de tudo, que não me olhe com nojo no meu pior momento."

Quando terminou, o quarto caiu em silêncio.

Alejandro permaneceu olhando para ela.

Só alguém profundamente ferido expõe assim a própria ferida diante de um estranho.

Valentina, ao vê-lo calado, achou que ele estivesse decidindo se valia a pena ou não entrar naquela encenação absurda da sua noite de divórcio.

Então puxou a gravata dele com mais força.

"Está em silêncio porque me acha pouco bonita?"

Alejandro se inclinou levemente, os olhos descendo até o rosto dela.

"Você é muito bonita."

"Então por que ainda não me beijou?"

Ela perguntou de forma direta.

Soava como provocação.

E, ao mesmo tempo, como um pedido desesperado por uma última prova de que Diego não havia destruído tudo dentro dela.

Como se, naquela noite, bastasse que alguém a desejasse de verdade para que toda a humilhação deixasse de ser real.

Alejandro compreendia isso com clareza.

Sabia também que, naquele instante, deveria parar.

Mas ela estava sentada sobre ele, de olhos úmidos, os lábios tão perto, e ainda se aproximava sem perceber o risco.

"Valentina." Foi a primeira vez que ele disse seu nome, a voz mais grave do que antes. "Você sabe o que está fazendo?"

"Sei."

"Você está bêbada."

"Mas sei perfeitamente quem eu odeio... e sei perfeitamente quem eu quero agora."

Assim que terminou de falar, ela o beijou.

Não foi um beijo técnico. Foi um beijo impulsivo, desajeitado, quase feroz.

Como todas as emoções descontroladas daquela noite: abruptas, quentes, sem nenhuma delicadeza.

Alejandro fechou os olhos por um breve segundo, e a última camada de contenção dentro dele se partiu.

Ele segurou a nuca dela e tomou o controle do beijo.

Diferente da impaciência dela, o beijo dele era firme, profundo, dominante. Não lhe dava espaço para fugir. Mas, sempre que percebia um recuo, diminuía o ritmo o bastante para que ela pudesse respirar.

Valentina nunca soube que um beijo podia fazer o chão desaparecer assim.

No início, ela só queria provar para si mesma que não estava quebrada.

Mas aquele homem lhe dava algo muito além de uma imprudência de uma noite.

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